Trabalho Sujo - Home

Show

sonar

A edição paulistana do festival catalão Sónar confirmou neste sábado as vindas da dupla Chemical Brothers e do grupo inglês Hot Chip para o seu elenco. Além dos dois, o festival ainda trará o produtor francês de house Brodinski e o produtor inglês de hip hop Evian Christ. O evento acontecerá entre os dias 24 e 28 de novembro e além das atrações musicais (que se apresentarão no palco SónarClub), ainda trará festival de cinema (SónarCinema) e uma série de palestras (Sónar+D), cujas atrações serão divulgadas em setembro. Os shows acontecerão dia 26 no Espaço das Américas (ugh) e o ingresso custará salgados R$ 550,00. Uma escalação bem fraca, se não tiverem guardando nenhum ás na manga…

the-smashing-pumpkins

Os Smashing Pumpkins atravessam os Estados Unidos em sua primeira turnê acústica e em uma apresentação na cidade de Munhall durante essa semana, Billy Corgan revisitou o primeiro disco da banda tocando a introdução instrumental de cada uma das músicas do excelente Gish. O público ficou de cara…

E se isso é desculpa pra ouvir o Gish de novo…

mmgl-casa-do-mancha

Gabriela Deptulski abriu um portal intertemporal no sábado passado na Casa do Mancha. Seu My Magical Glowing Lens pode ter começado como um promissor projeto shoegaze num quarto em Colatina, no Espírito Santo, apenas com um computador, uma guitarra e vários pedais, mas ela está inconscientemente traçando um cânone desprezado por muitos ao fazer a conexão entre duas vertentes hoje clássicas no rock: a era de ouro dos anos 60 e a era pós-punk dos anos 80.

O fato do My Magical Glowing Lens não ser mais só Gabriela e sim uma banda com baixo, guitarra, teclado e bateria reforça essa conexão, mas ela já estava nos solos de guitarra da cantora e compositora, que embora sussurrasse sob camadas de microfonia seguindo a escola de bandas como Cure, Echo & the Bunnymen, Jesus & Mary Chain e My Bloody Valentine, já ecoavam sombras de Eric Clapton, Syd Barrett, Jimi Hendrix e Robbie Krieger.

A transformação do MMGL em banda conta com a aproximação do grupo The Single Malt, de Vila Velha, uma banda claramente com referências sessentistas e o diálogo do trio com a vocalista e guitarrista está engatando bem. O guitarrista Raími Leone funciona como contraponto perfeito para os solos de Gabriela, puxando bases hipnóticas ou improvisando solos de outra natureza, mais blues que psicodélica. Alternando ente o baixo e o teclado (onde faz as linhas de baixo), Pedro Moscardi deixa evidente as referências do início do rock pesado, ecoando Jack Bruce, Glen Hughes, John Entwistle e até Geddy Lee. Só o baterista Rafael Borges destoa do grupo, não por falta de afinidade e sim por excesso – ao esmurrar seu kit como um Keith Moon, ele perde a sutileza de seu instrumento nas partes que requerem mais intensidade do que força, mas nada que comprometa a apresentação.

A conexão entre as duas vertentes musicais – rock clássico e indie rock – pode ter sido acionada via Kevin Parker – é evidente a influência do guitarrista do Tame Impala no trabalho de Gabriela, mas ela é mais negada pelos fãs do que pelos músicos: o Jesus & Mary Chain se descrevia como o cruzamento de Stooges com “Be My Baby” e Beach Boys, o Echo & the Bunnymen venerava os Doors e o Cure gravou “Purple Haze” do Jimi Hendrix. Ao cutucar nessa ferida, o My Magical Glowing Lens pode estar começando uma utopia do indie rock brasileiro dos anos 90. Quem esteve lá sabe.

Filmei todo o show, saca só:

tfi-friday-liam-gallagher-roger-daltrey

E segue firme o ritmo de reencontro do Oasis, as paralelas Liam e Noel inevitavelmente começam a se convergir para um cruzamento num horizonte próximo. Dessa vez foi Liam Gallagher quem juntou-se a dois ex-integrantes de sua banda pra tocar “My Generation” com o Roger Daltrey numa homenagem ao aniversário de vinte anos do programa TFI Friday. No mesmo dia teve Blur tocando “Coffee & TV” – postei os vídeos lá no meu blog do UOL.

emicida-2015

Emicida pegou o microfone sozinho na quarta passada no palco do Circo Voador no Rio e mandou essa com dedo em riste:

Vai vendo…

faust

Tudo bem que vai ter Caetano Veloso, um arraiá pra Inezita Barroso (isso vai ser épico), um palco de Jovem Guarda, Fabio Júnior, não sei o que do Alex Atala, mas… como assim vai ter Faust na Virada Cultural e ninguém comentou nada?

O Faust é uma das bandas mais importantes do rock alemão dos anos 70 e há quem os considere o principal nome da cena que comumente conhecemos por krautrock (rótulo tirado de uma canção do grupo, diga-se). Particularmente acho o Can e o Kraftwerk mais importantes, mas há um ponto a ser levado em consideração, pois a banda batizada com o nome do personagem de Goethe realmente extrapolava os limites da música muito mais que os outros dois grupos. Enquanto o Can misturava James Brown, Velvet Underground e free jazz no mesmo improviso e o Kraftwerk reduzia tudo a seu clássico minimalismo eletrônico pré-digital, o Faust explorava as fronteiras do ruído branco, das colagens sonoras, das superposições. Se rotulavam “art-erroristas”.

A formação clássica da banda de Hamburgo contava com Hans Joachim Irmler, Arnulf Meifert, Jean-Hervé Péron, Uwe Nettelbeck, Rudolf Sosna, Werner “Zappi” Diermaier e Gunther Wüsthoff e parte deles, além de músicos de formações posteriores, circulam pelo mundo como Faust, a formação que vem a São Paulo é composta pelo guitarrista Jean-Hervé Péron e pelo baterista Werner “Zappi” Diermaier.

Mas o mais legal é o contexto da apresentação do grupo, que tocará num palco da Estação da Luz dedicado ao experimentalismo e à psicodelia musical. Os trabalhos começam às 18h do sábado, com os curitibanos do Ruído/mm (favoritos por aqui, você sabe), às 20h entra a parceria dos Hurtmold com o Paulo Santos do Uákti, Anvil FX e Modular Dreams chamam Edgar Scandurra e Dino Vicente para uma jam session às 22h e às 2 da madruga o Faust entra em ação, seguido pelos turcos do Insalar às 4h. A manhã de domingo começa com o fulminante Tigre Dente de Sabre às 8h, segue com os goianos suaves do Boogarins às 10h, o grupo paulistano Mawaca às 14h e o incendiário Metá Metá encerrando tudo às 16h.

Pesado. É isso aí, tem que ser assim, palmas pra iniciativa.

john-coffey

Nunca tinha ouvido falar nessa banda holandesa John Coffey, mas há de se aplaudir seu vocalista David Achter de Molen por ter pego uma cerveja jogada em cima dele com apenas uma mão enquanto caminhava sobre a platéia, durante o show da banda no festival Pinkpop Festival, conterrâneo da banda.

É tipo uma videocassetada ao contrário, pura tiração de onda em segundos de vídeo.

ornette

Ornette Coleman era daqueles sobre-humanos como Picasso, Miles e Orson Welles, uma força da natureza encarnada em uma pessoa, que levou a música a uma esfera inimaginável até então. Pude registrar sua apresentação em 2010 no Sesc Pinheiros e, como todos que o viram ao vivo, sou uma pessoa melhor por causa disso. Abaixo, o momento mágico de sua segunda apresentação naquela vinda, quando a luz acabou no meio de “Dancing in Your Head” – e ele continuou mesmo assim:

Aqui tudo que consegui filmar naqueles dois dias:

Ave Coleman.

umo-kexp

Uma das minhas bandas favoritas atualmente, o Unknown Mortal Orchestra entrou no estúdio da rádio KEXP pra apresentar ao algumas das músicas de seu excelente disco desse ano, Multi-Love, e um hit do disco passado.

hotchip-

Os ingleses do Hot Chip pegaram o clássico “Dancing in the Dark” de Bruce Springsteen e deram uma roupagem eletrônica que nem descaracterizou o original nem saiu da zona de conforto do grupo, na apresentação que o grupo fez em Milwakee, nos EUA, na semana passada.

Ficou tão bom que eles deveriam considerar lançar uma versão oficial disso.