Tudo bem que vai ter Caetano Veloso, um arraiá pra Inezita Barroso (isso vai ser épico), um palco de Jovem Guarda, Fabio Júnior, não sei o que do Alex Atala, mas… como assim vai ter Faust na Virada Cultural e ninguém comentou nada?
O Faust é uma das bandas mais importantes do rock alemão dos anos 70 e há quem os considere o principal nome da cena que comumente conhecemos por krautrock (rótulo tirado de uma canção do grupo, diga-se). Particularmente acho o Can e o Kraftwerk mais importantes, mas há um ponto a ser levado em consideração, pois a banda batizada com o nome do personagem de Goethe realmente extrapolava os limites da música muito mais que os outros dois grupos. Enquanto o Can misturava James Brown, Velvet Underground e free jazz no mesmo improviso e o Kraftwerk reduzia tudo a seu clássico minimalismo eletrônico pré-digital, o Faust explorava as fronteiras do ruído branco, das colagens sonoras, das superposições. Se rotulavam “art-erroristas”.
A formação clássica da banda de Hamburgo contava com Hans Joachim Irmler, Arnulf Meifert, Jean-Hervé Péron, Uwe Nettelbeck, Rudolf Sosna, Werner “Zappi” Diermaier e Gunther Wüsthoff e parte deles, além de músicos de formações posteriores, circulam pelo mundo como Faust, a formação que vem a São Paulo é composta pelo guitarrista Jean-Hervé Péron e pelo baterista Werner “Zappi” Diermaier.
Mas o mais legal é o contexto da apresentação do grupo, que tocará num palco da Estação da Luz dedicado ao experimentalismo e à psicodelia musical. Os trabalhos começam às 18h do sábado, com os curitibanos do Ruído/mm (favoritos por aqui, você sabe), às 20h entra a parceria dos Hurtmold com o Paulo Santos do Uákti, Anvil FX e Modular Dreams chamam Edgar Scandurra e Dino Vicente para uma jam session às 22h e às 2 da madruga o Faust entra em ação, seguido pelos turcos do Insalar às 4h. A manhã de domingo começa com o fulminante Tigre Dente de Sabre às 8h, segue com os goianos suaves do Boogarins às 10h, o grupo paulistano Mawaca às 14h e o incendiário Metá Metá encerrando tudo às 16h.
Pesado. É isso aí, tem que ser assim, palmas pra iniciativa.
Nunca tinha ouvido falar nessa banda holandesa John Coffey, mas há de se aplaudir seu vocalista David Achter de Molen por ter pego uma cerveja jogada em cima dele com apenas uma mão enquanto caminhava sobre a platéia, durante o show da banda no festival Pinkpop Festival, conterrâneo da banda.
É tipo uma videocassetada ao contrário, pura tiração de onda em segundos de vídeo.
Ornette Coleman era daqueles sobre-humanos como Picasso, Miles e Orson Welles, uma força da natureza encarnada em uma pessoa, que levou a música a uma esfera inimaginável até então. Pude registrar sua apresentação em 2010 no Sesc Pinheiros e, como todos que o viram ao vivo, sou uma pessoa melhor por causa disso. Abaixo, o momento mágico de sua segunda apresentação naquela vinda, quando a luz acabou no meio de “Dancing in Your Head” – e ele continuou mesmo assim:
Aqui tudo que consegui filmar naqueles dois dias:
Uma das minhas bandas favoritas atualmente, o Unknown Mortal Orchestra entrou no estúdio da rádio KEXP pra apresentar ao algumas das músicas de seu excelente disco desse ano, Multi-Love, e um hit do disco passado.
Os ingleses do Hot Chip pegaram o clássico “Dancing in the Dark” de Bruce Springsteen e deram uma roupagem eletrônica que nem descaracterizou o original nem saiu da zona de conforto do grupo, na apresentação que o grupo fez em Milwakee, nos EUA, na semana passada.
Ficou tão bom que eles deveriam considerar lançar uma versão oficial disso.
Gabriela Depultski finalmente vai pousar com seu My Magialc Glowing Lens em São Paulo. O projeto começou no quarto de Gabriela, em Vitória, no Espírito Santo, quando ela começou a superpor sozinha bases, guitarras, vocais e efeitos usando apenas seu instrumento, um monte de pedais e um computador.
Ela depois montou uma banda que já tocou no sul do país e prepara seu primeiro álbum, em parceria com a gravadora gaúcha Honey Bomb e o mítico selo carioca Midsummer Madness, e programou sua visita a São Paulo no próximo fim de semana, quando se apresenta primeiro na sexta-feira dia 12 no 74 Club em Santo André, seguindo para a Casa do Mancha no sábado 13 e concluindo no interior, se apresentando na Ocupação Lapaz, em Sorocaba, no dia 14.
Estou com um par de ingressos para sortear para quem quiser ir no show da Casa do Mancha no sábado – e pra concorrer basta dizer que banda faria uma boa dobradinha no palco com o My Magical Glowing Lens, uma das minhas bandas brasileiras novas favoritas. Valendo!
Abaixo, a nova formação do grupo apresenta a faixa “All Right!” num show em Vitória, no início do ano.
My Magical Glowing Lens – All Right! (Ao vivo/Live) from My Magical Glowing Lens on Vimeo.
Tava muito bom pra ser verdade. A turnê de volta dos Replacements, que levou 22 anos pra acontecer, pode ter terminado de forma abrupta nesta sexta-feira, durante a apresentação do grupo na edição do Porto, em Portugal, do festival Primavera. O líder e vocalista da banda Paul Westerberg após ter reclamado, durante o show, que o resto da banda havia ficado no hotel de tarde, em vez de passar o som: “Preguiçosos do caralho até o fim”, disse antes de espatifar a guitarra no chão.
Já já aparece o vídeo com essa cena, se alguém trombar com ele por aí, avisa. Vi no Pitchfork.
O final abrupto da turnê de retorno que estava até rendendo músicas inéditas também encerra o enigma das camisetas usadas por Westerberg durante os shows dessa turnê. Nos últimos dois meses ele sempre entrou no palco usando uma camiseta branca com uma letra pichada com spray colorido. As letras foram reunidas pelo página do Facebook Paul’s Shirt e a frase revelada foi: “I have always loved you. Now I must whore my past” (Eu sempre os amei, agora preciso prostituir meu passado”).

Apesar do Bandwagonesque ser celebrado como o grande disco do Teenage Fanclub, meu disco favorito deles – e o mais redondo da discografia da banda – é o irrepreensível Grand Prix, lançado exatamente há vinte anos. E nessas coincidências cósmicas, o Dave Grohl festejou a importância da banda num show na quarta passada, quando seu Foo Fighters dividiu a noite com a banda escocesa, justo em Manchester. O próprio Norman Blake twittou:
Dave Grohl paying us a lovely tribute. Very sweet of him! Dave goes for a Scottish accent at the end 🙂 https://t.co/tkOcCMsMyD
— Norman Blake (@normanblake) May 28, 2015
Não chegou a ser um cover, mas Grohl escolheu uma de suas músicas mais pop (“Big Me”, do primeiro disco dos Fufa) pra fazer reverência à banda.
Dica do Ricardo (valeu!). E se você não conhece o Grand Prix, faça-se esse favor….

O Blur segue firme e forte na divulgação de seu novo disco sem fazer concessões para músicas antigas, fazendo todo mundo decorar na marra as músicas de seu Magic Whip. Desta vez o grupo inglês passou pela rádio nova-iorquina WFUV e gravou um set semiacústico com quase todas as músicas do disco. A rádio liberou três faixas em sua conta no YouTube, a contagiante “Lonesome Street”, a balada “Mirrorball” e a delicada “My Terracotta Heart”.

Sir Paul McCartney está longe de cair na mesmice e em seu show londrino desse sábado simplesmente tocou, pela primeira vez ao vivo, a incrível “Temporary Secretary”, que compôs nos anos 70.
Foda!






