E o Tame Impala toca ao vivo no programa de Stephen Colbert uma das melhores músicas de seu novo disco, a irresistível “The Less I Know the Better”.
Nós da trupe Sussa – eu, Danilo, Pattoli, Babee e Klaus – fomos chamados pra dar início aos trabalhos do Fora da Casinha, o festival de oito anos da Casa do Mancha, que consagra a atual cena independente brasileira com o primeiro festival de indie rock realizado em São Paulo neste século. Na real é uma desculpa pra aplaudirmos pessoalmente este sujeito incrível que, na raça, vem adubando cada vez mais uma cena local e autoral, além de criar uma das melhores bolhas de otimismo da cidade (a incrível foto acima, com Samurai e a Ana de papagaios de pirata, foi tirada pela Kátia e eu tunguei de uma ótima história oral do Mancha contada na Vice). São dez atrações – Twinpine(s), Gui Amabis, Carne Doce, Supercordas, Maurício Pereira, Holger, Soundscapes, Stela Campos, O Terno e Boogarins – que mostram a amplitude e especificidade deste gênero, que também reunirá um verdadeiro quem é quem do indie rock brasileiro nesta década – não apenas de São Paulo, pois tem gente vindo de tudo quanto é lugar. Pra comemorar, vamos tocar só música brasileira. O festival começa às 16h deste domingo no Centro Cultural Rio Verde e os ingressos estão quase no fim!
E por falar em Patti Smith, quem também resolveu aproveitar os quarenta anos da obra-prima que inaugurou o punk como o conhecemos foi o Melbourne Festival, que reuniu um supergrupo de músicos australianos para tocar a íntegra do disco de estréia da senhora Smith ao vivo. A querida Courtney Barnett encabeça um quarteto que ainda conta com a cantora Jen Cloher, Adalita do Magic Dirty e o vocalista dos Drones Gareth Liddiard. O show acontece no próximo dia 18 e a procura foi tanta que eles abriram uma nova sessão, mais cedo, para quem quiser garantir o evento. Os ingressos estão à venda no site do festival, se alguém estiver por aquelas bandas nessa época.
Dono de um dos melhores discos deste excelente 2015, o grupo de Chaz Bundick, Toro y Moi, incluiu a faixa-título do disco do Unknown Mortal Orchestra deste ano, “Multi-Love”. O resultado não poderia ser melhor:
Tanto que a banda autora do hit aprovou:
hearing about @ToroyMoi covering Multi-Love is making me feel so happy
— UMO (@UMO) October 2, 2015
Se você postou algo no Facebook sobre o disco novo de Karina Buhr – o enfurecido Selvática, que ela disponibilizou essa semana e que lança hoje e amanhã na choperia do Sesc Pompéia – deve ter passado um dia na cadeia da rede social, impossibilitado de postar, comentar ou curtir qualquer coisa na aldeia de Mark Zuckerberg. Foi o que aconteceu comigo no fim desta semana – por culpa única e exclusivamente dos peitos de fora que a cantora baiano-pernambucana exibia na capa de seu novo disco.
A caça às tetas via Facebook (que começou no ano passado com o Encarnado de Juçara Marçal e que deve continuar em discos, fotos e vídeos nos próximos anos) é um bom sintoma do 2015 quente que Karina tem passado, ela que, além do disco, também lançou livro (Desperdiçando Rima, pela Rocco) e participou da Flip (ao lado de Arnaldo Antunes) este ano, se firma como uma das principais vozes do novo feminismo na atual cultura brasileira. Ela, no entanto, não acha que o disco seja mais feminista que os anteriores: “Se for pensar nos dois discos anteriores, eles são bem feministas também: ‘Eu menti pra Você’, ‘Não me ame tanto’, ‘Amor Brando’, ‘Avião Aeroporto’… De todo jeito, acho que tudo o que eu fizer, independente do tema que eu abordar vai ser feminista porque eu sou. Então posso falar do barquinho com a lua, relax, mas quem descreve esse barquinho e essa lua pensa de um jeito que é esse.” Ela define o novo disco como “rock and roll, mesmo quando é tranquilo e com toques de ciranda.”
Você chegou com o disco pronto em estúdio ou o compôs durante a gravação?
Cheguei com tudo pronto, só a letra de Selvática que fiz no último dia de gravação. Tinha ideia pra ela mas não tinha feito, passei a madrugada escrevendo e gravei no dia seguinte.
Ter feito o disco depois da sua participação na Flip e de lançar o seu livro o influenciou de alguma forma?
O livro influenciou, era um outro disco que ia rolar, mas quando peguei o livro com forma de livro, ali, capa e tal, sem ser o PDF frio ou a xerox grampeada, várias coisas se ressignificaram e acabei pegando vários textos dele e transformando em música. A Flip não, a Flip foi maravilhosa mas de outra forma, não influenciou no disco.
Como tem sido a repercussão da capa? Até eu fui proibido de usar o Facebook por um dia por sua causa…
Hahhaaa! Pois é, acabou tendo tiro pela culatra do Facebook! Nunca uma capa minha rodou tanto como essa, ela estava em todos os lugares, mais de 2 milhões de acessos na página em três dias. Fora que gerou uma discussão maravilhosa e profunda sobre censura, machismo, direito das mulheres sobre o próprio corpo, bem massa. Fui bloqueada, minha produtora também, um monte de gente também, mas era digitar “#selvática” no search do Facebook e ficar chorando, emocionada, como tanta gente postando pinturas antigas e coisas novas, capas de vinil aos montes, mulheres postando fotos dos próprios peitos, Beto Figueiroa e Aline Feitosa e o ensaio lindo que eles fizeram por conta disso… Começou como uma coisa muito ruim e se transformou completamente.
E o que dá para esperar do show de lançamento?
Não sei o que esperar, espero que seja bom hahaha. Vai ter Denise Assunção, deusa, junto comigo. A banda é minha banda deusa de sempre: Mau no baixo, Bruno Buarque na bateria, André Lima nos teclados, Guizado no trompete e Catatau e Edgard nas guitarras.
Uma das melhores fotógrafas da nova música brasileira, amiga de outros carnavais e ex-condômina do falecidOEsquema, Carol Bittencourt finalmente registra seu trabalho em uma obra própria – e nada melhor do que isso que lançar um livro com os registros que fez da turnê que o grupo carioca Los Hermanos realizou em 2012. Ela é praticamente uma integrante anônima do grupo, registrando detalhes e relances que ajudam a tirar a aura de popstar que tanto incomoda a banda de MPB indie e tanto encantam os fãs da banda. O livro será lançado nesta sexta em São Paulo, em um noite de autógrafos com a própria Carol, que separou algumas fotos abaixo para o Trabalho Sujo e me deu a seguinte entrevista a seguir, por email.
Por que você prefere ver este livro como um livro de fotografia mais do que um livro sobre a banda?
A minha intenção nesse livro foi mostrar não só um retrato da banda, mas também do meu trabalho e no fim de tudo o livro é um presente pra eles. Bruno disse que a história da banda estava lá, Rodrigo que era um album de familia… e de presente pra eles acabou virando um presente pra mim. Foi a oportunidade perfeita. A banda me deu total liberdade, topou fazer tudo em filme, e não me deu briefing algum. Passeei pelo brasil todo com a câmera e gente que eu adoro. Foi a melhor chance que tive pra fazer um lance totalmente autoral dentro de um trabalho contratado. A única questão é que quando concretizado, eles poderiam não ter aprovado. Isso tava no pacote. Mas deu tudo certo e eles aprovaram de primeira. A banda não teve acesso às fotos nesses últimos três anos e quando me deram o ok pra começar a montar chamei o Raul Mourão pra diagramar, junto com o Marcelo Pereira da Tecnopop. Aprendi um monte editando e observando meu próprio trabalho. Amarrando as imagens…. Trabalhamos com referências fotográficas mais que de música porque quis um livro que mesmo pessoas que não conheciam a banda, tivessem vontade de ver e ter só pelas imagens.
Você só fotografa analogicamente ou não tem preconceito com o digital?
Há mais ou menos sete anos optei por negativo porque acredito que trabalho melhor dessa forma, gosto de me surpreender com o resultado; deixar um pouco a intuição dominar. O trabalho fica mais divertido, prazeiroso e simples. Muitos fotógrafos produzem materiais incríveis com digital, mas eu não. Nunca gosto do meu. Tenho preguiça de Photoshop, cartão de memória, odeio fazer backup e é fisicamente e emocionalmente desgastante pra mim. Morando fora, consegui realizar esse sonho da casa própria; lá eles acham que eu nunca fotografei digital na vida. Luxo.
O que acha da onipresença das câmeras hoje em dia? Todo mundo pode ser fotógrafo?
Acho que está excessivo, mas tem um lado saudável. Um dia vi uma cena com o meu pai, que me emocionou: ele abaixando pra fotografar uma flor pelo celular. Eu nunca tinha visto aquilo! A banalização da fotografia fez de alguma forma as pessoas voltarem a enxergar em volta a simplicidade. O prato de feijão. Quanto a todo mundo ser fotógrafo, senti um pouco na pele isso ao recomeçar minha carreira depois de velha num lugar desconhecido – moro em Copenhague há três anos. – Ah, a menininha com a câmera! … Três anos passaram rápido, dei uma ralada, já tô com a cara mais velha, e consegui inverter minha própria imagem, literalmente.
A câmera é uma ferramenta que ensina a ver sem a câmera, como disse Dorothea Lange?
Totalmente, no meu caso.
Você fotografou boa parte da nova safra de artistas brasileiros deste século. Quando lança um livro com fotos de outros artistas?
Eu quero montar uma exposição. lá fora já participei de mostras importantes num tema mais autoral. Aqui nunca. Quero fazer uma sobre música, e músicos, logo.
Mais uma participação especial na atual turnê de Taylor Swift (que já havia recebido Mick Jagger, Steven Tyler e Alison Krauss na semana passada). Desta vez o convidado de honra foi o rapper Nelly, que ainda contou com a presença das irmãs Haim que se juntaram à amiga Taylor nos backing vocals de seu grande hit, a suada “Hot in Herre”. Elas postaram em suas contas no Twitter trechos da participação no show em St. Louis, nesta terça:
The highlight of our friendship thus far @HAIMtheband
PS WE LOVE YOU @Nelly_Mo
#1989TourStLouis pic.twitter.com/3USBBookRg
— Taylor Swift (@taylorswift13) September 30, 2015
"WHAT?!"
@Nelly_Mo @HAIMtheband
#1989TourStLouis pic.twitter.com/lZYDlJNmsS
— Taylor Swift (@taylorswift13) September 30, 2015
DOING OUR BEST CHARLIE'S ANGELS IN ALL WHITE #hotinherre #1989TourStLouis pic.twitter.com/hnILno8DJW
— HAIM (@HAIMtheband) September 30, 2015
Lee Ranaldo passou por São Paulo com o eterno baterista do Sonic Youth, Steve Shelley, a tiracolo, mas Shelley preferiu esticar mais uns dias e nesta quarta dedica-se a uma jam session ao lado do Guilherme Valério (do Hab) e o do Fabio Kishimoto, ali na Associação Cultural Cecília, em Santa Cecília. “São músicas minhas, algumas inéditas e outras não. Arranjei essas faixas junto com o Kishimoto e fizemos três ensaios antes de ensaiar com o Steve. Metade das músicas foram compostas na guitarra e a outra metade na kalimba”, me explicou Valério por email. “Eu conheci o Steve da primeira vez que ele veio tocar em SP com o Lee Ranaldo, em 2013, acho. Eu estava trabalhando na produção desse show com a Desmonta Discos e quando ele foi embora me deu um cartão e disse ‘if you need a drummer, call me’. Coloquei aquele cartão na geladeira e ficava olhando e sonhando com aquilo, haha. Dessa vez, quando soube que eles viriam novamente, sugeri pro meu irmão, Luciano, que é produtor executivo da Desmonta, de tentarmos esse projeto. Ele topou na hora e sugeriu o Kishimoto, por saber que ele e Steve eram amigos de longa data. E foi isso, nossa única reunião pra tocar foi ontem e hoje nos apresentaremos.” O show vai ser registrado e pode ser lançado futuramente: “O que posso te adiantar é que o trio funcionou super bem e a ideia é levar esse projeto adiante.” O show começa cedo (às 21h) e a entrada na casa fica sujeita à sua lotação. Maiores informações na página do evento no Facebook.
A dupla inglesa AlunaGeorge foi chamada para tapar um buraco em cima da hora e conquistou fácil o público que veio ver A-ha e Katy Perry no Rock in Rio deste ano – escrevi sobre o show deles lá pro UOL.
Minha análise sobre o último dia do festival também é um balanço sobre o que se tornou o evento lançado há 30 anos – escrevi lá pro UOL.









