Show


Mais uma da Dua: no terceiro show que fez na Austrália na abertura da turnê de seu disco mais recente, ela puxou outra homenagem a outra artista australiana ao cantar o hino imortal das pistas “Can’t Get You Outta My Head” de sua ídola Kylie Minogue – isso depois de cantar AC/DC num show e outra da Natalie Imbruglia no seguinte.

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Olivia Rodrigo começou seu giro latino nessa sexta-feira, ao tocar no Lollapalooza chileno, e presenteou seu público com uma bela versão só com voz e guitarra para o hit “Don’t Speak”, do grupo No Doubt. Assista abaixo: Continue

Um estranho e interessante alinhamento cósmico aconteceu na sexta passada na Porta Maldita, quando reuni três artistas de diferentes pontas do espectro musical para um Inferninho Trabalho Sujo memorável. A noite começou com os novatos da Orfeu Menino mostrando que eles não têm tempo ruim quando o assunto é jazz brasileiro. Liderados pelo carisma encarnado de Luíza Villa, o grupo fez seu show quase todo autoral à exceção de três músicas, que pautam bem o terreno habitado pela banda: “Chega Mais” da Rita Lee, emendada com “Cara Cara” do Gil e “Tudo Joia” do Orlandivo. Passeando suas composições pelo samba jazz pós-bossa nova, estrearam três músicas novas e estão absorvendo bem a entrada do novo guitarrista, o carioca João Vaz. Fiquem de olho neles…

Depois foi a vez de outro poço de entretenimento que é o show de Ottopapi, codinome que Otto Dardenne assumiu para sua carreira solo. Acompanhado de uma banda fulminante (Vítor Wutzki e Thales Castanheiras nas guitarras, Gael Sorkin na bateria, Bianca Godói no baixo e Danileira nos synths, efeitos e coreografias), ele é um dos melhores shows de São Paulo atualmente, com aquela energia de rock de garagem que ecoa tanto os momentos menos artsy do Velvet Underground quando a época que os Strokes eram uma banda semidesconhecida, em composições tão descartáveis quanto grudentas, hits pop disfarçados de pulsões elétricas que não deixam ninguém parado. E ele já anunciou que o disco tá vindo…

E a noite encerrou com o Casual Art Ensemble, projeto de improviso noise surgido do encontro de três quartos dos heróis indies cariocas do Oruã (os cariocas Lê Almeida, João Casaes e Bigú Medine) com a dupla paulistana Retrato (Ana Zumpano e Beeau Gomez), que pode reunir ainda mais gente, que foi o que aconteceu na sexta-feira, com as presenças de Guilherme Pacola (bateria, percussão e efeitos), Clóvis Cosmo (sopros e percussão) e Gabriel Gadelha (do Naimaculada, no sax), conduzindo o público a três diferentes transes hipnóticos em que seus integrantes trocavam de instrumentos a cada nova viagem. Coisa linda.

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E nem terminou um e já temos outro: sexta que vem temos mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo na magnífica Porta Maldita – e essa noite é estelar, começando pelos novatos Orfeu Menino, banda liderada pela vocalista Luíza Villa, mostrando seu novíssimo repertório autoral, seguido da incrível banda de Ottopapi em mais uma catarse indo direto ao centro nervoso da crueza e urgência do rock e finalizando com o improviso do Casual Art Ensemble, grupo formado pela dupla Retrato e por 3/4 do grupo Oruã, liderado por Lê Almeida. Como sempre discoteco antes, entre e depois dos shows, sempre reforçando o clima quente dessa noite. Os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

O novo programa de entrevistas da Netflix, Everybody’s Live, apresentado pelo ator e comediante John Mulaney, conseguiu um feito e tanto em seu segundo episódio não apenas ao reunir no mesmo programa duas das maiores mestras do rock independente – Kim Gordon e Kim Deal, vocalistas, baixistas, musas e faróis do mundo indie, a partir de suas respectivas bandas, Pixies e Sonic Youth, que lançaram ótimos discos solo no ano passado – como conseguiu colocá-las juntas no mesmo palco para cantar ao vivo pela primeira vez a música que gravaram há 30 anos no subestimado disco Washing Machine que o Sonic Youth lançou em 1995. O canto fantasmagórico das duas em uma balada soul não apenas ecoa pilares da música pop como os girl groups dos anos 60 (algo que o mesmo Sonic Youth havia feito no ano anterior, ao regravar o hino “Superstar”, canção da dupla Delaney & Bonnie imortalizada pelos irmãos Carpenters) como faz ponte com artistas contemporâneas tão diferentes quanto Amy Winehouse, Lana Del Rey e Weyes Blood – e é tão bom vê-las cantando essa música em 2025 como se estivessem em 1995 ou 1965!

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Ops, ela fez de novo: “Toda noite, em toda cidade, cantaremos uma música de um artista local”, disse Dua Lipa em sua segunda noite em Melbourne, na Austrália, logo depois de fazer um show em que cantou “Highway to Hell”. A australiana homenageada desta quarta-feira foi Natalie Imbruglia, com seu irresistível hit “Torn”. E, como fez na musica do AC/DC, a senhorita Lipa fez bonito e mostrou que não está no lugar que está à toa. Resta saber se essa tática pode reverter o jogo de ter lançado um disco fodíssimo no ano da pandemia e em seguida lançado um disco sem graça que agora começa a circular ao vivo. Parece uma boa tática, mas vamos ver…

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Ainda deu pra correr e ver um pouco do primeiro show do trio Mocofaia em São Paulo, que aconteceu no Bona. E embora o encontro de Luizinho do Jêje, Marcelo Galter e Sylvio Fraga tenha sido bonito, havia algo de diferente no som da casa – que não é característico de lá – que deixava as partes graves (especificamente o synthbass tocado por Galter) muito acima dos outros instrumentos e das vozes, o que eclipsou o brilho da apresentação, que mesmo assim foi bonita, principalmente quando o convidado da noite, o pernambucano Zé Manoel, juntou-se ao trio. E é sempre bom ver Luizinho tocar – que mago!

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Há uma movimentação incomum acontecendo no território do Radiohead. Primeiro Thom Yorke anuncia um disco em parceria com o produtor eletrônico inglês Mark Pritchard (o disco Tall Tales, que será lançado dia 9 de maio pela gravadora Warp). Depois a banda comemora o aniversário de 30 anos de seu segundo disco The Bends, desenterrando vídeos daquela época (como a íntegra de um show gravado em VHS no Horseshoe Tavern, em Toronto, no Canadá em março de 1995, veja abaixo) e abastecendo sua Radiohead Public Library ao mesmo tempo em que compila uma playlist dedicada ao disco. Mas uma discussão paralela mexe com a banda inglesa para além de efemérides e carreiras solo. Primeiro foi a descoberta de que seus cinco integrantes – Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Philip Selway – acabaram de abrir mais uma empresa batizada com a nada sutil sigla RHEUK25, que até alguém mais desatento consegue ler o nome da banda, seu país e continente de origem e o ano em que estamos. Não é a primeira vez que seus integrantes fazem algo do tipo. Trabalhando fora do esquema das gravadoras grandes desde seu Hail to the Thief, em 2003, a cada novo disco eles criam uma nova entidade jurídica que acaba funcionando como a empresa que gere não apenas o lançamento de um novo álbum como sua respectiva turnê. Foi assim com In Rainbows em 2007 (quando fundaram a empresa Xurbia Xendless), com A Moon Shaped Pool em 2016 (quando criaram a Dawn Chorus LLP), com a reedição dos discos Kid A e Amnesiac que tornou-se Kid Amnesiac em 2021 (ao fundar a empresa Spin With A Grin LLP) e até quando Thom e Johnny lançaram o primeiro disco de sua banda The Smile em 2022 (quando os dois fundaram a Self Help Tapes LLP). O caldo engrossou depois que o site Resident Advisor recebeu uma pista que um leilão feito para arrecadar fundos pela escola norte-americana Palisades High School, em Los Angeles, tinha um item anunciado como quatro convites para “um show do Radiohead na cidade em que você escolher”, que foi retirado do site da escola logo após a informação ter sido vazada pelo site (que guardou os prints da tela por precaução). Juntando lé com cré fica bem fácil supor que o grupo está planejando pelo menos uma turnê no segundo semestre, se é que não tem um disco gravado guardado na manga. E se você perceber que a música nova que Thom lançou com Pritchard chama-se “Back in the Game” (“de volta ao jogo”), tudo fica mais fácil de entender… Continue

Um organismo vivo

Quando Rômulo Alexis e Anaïs Sylla cogitaram criar um coletivo musical que misturasse as tradições orais ancestrais africanas às ações diretas em grupo propostas por artistas nas décadas de 50 e 60 recuperaram estas tradições como uma força política, estética e artística de um ponto de vista brasileiro, sabiam que ao criar o Luz Negra estavam criando um organismo vivo, que mostrou estar em plena mutação nesta terça-feira, no espetáculo Axioma, que desenvolveram no Centro da Terra. Com seis vocalistas à frente (Ana Dan, Minarê, Cris Cunha, Belle Neri, Daisy Serena, Monaju e a própria Anaïs), transformando cantos de terreiro, poemas e canções em mantras hipnóticos eternos, o coletivo contava com uma banda formada por Marcela Reis (teclas), Henrique Kehde (bateria), Du Kiddy Artivista (guitarra), Beatriz França (baixo acústico) e o próprio Rômulo (trompete), que além dos próprios instrumentos, também engrossavam o coro vocal ao mesmo tempo em que levavam o público para locais sentimentais específicos, às vezes doces e suaves, às vezes pesados e fortes, mas sempre com a sensação de estarmos ouvindo trechos diferentes de uma mesma música. Um transe em movimento, que só tende a crescer.

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Luz Negra: Axioma

Nesta terça-feira, 18 de março, temos o prazer de receber o coletivo afrodiaspórico Luz Negra, idealizado e dirigido pelo encontro do trumpetista Rômulo Alexis com a cantora Anaïs Sylla. O grupo trabalha composição e improviso em diferentes frentes e embora parta do encontro musical, também trabalha com poesia, audiovisual e elementos cênicos, inspirado nas vanguardas experimentais afrodiaspóricas das décadas de 50 e 60, organizado de forma horizontal em arranjos colaborativos que expandem os limites entre o individual e o coletivo. Além de Rômulo e Anaïs, o grupo ainda conta com Daisy Serena, Marcela Reis, Henrique Kehde, Monaju, Giba Fluxus, Ana Dan, Belle Neri, Cris Cunha, Du Kiddy Artivista, Minarê, Beatriz França e Lucas Brandino e prega que “a política não é apenas tema, mas prática e cada interação reflete a potência das trocas afetivas e a construção de uma práxis afrodiaspórica”. O espetáculo, batizado de Axioma, começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados no site do Centro da Terra.

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