
Lia de Itamaracá @ Itaú Cultural (30.4.2022)
A presença de Lia de Itamaracá por si só já é um acontecimento. Já havia presenciado sua majestade este mês, na inauguração da #ocupaçãoliadeitamaracá que o Itaú Cultural está realizando, e basta ela estar no mesmo ambiente para que se sinta uma força vibrando todos os átomos do local. Mas quando ela está em seu altar, o palco, empunhando seu cetro, a voz, reúne uma egrégora de almas e ritmos ancestrais que dão as mãos com o público e o faz naturalmente girar, apenas com a força de seu canto – e em vários momentos de sua apresentação no sábado havia apenas a força de seu canto. Amparada pela banda reunida por seu atual produtor musical, o compadre DJ Dolores, ela desfilou sua majestade como de hábito, nos hipnotizando com sua arte sacra.
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Maio começa na semana que vem e a programação de música do Centro da Terra tá daquele jeito que a gente gosta. A primeira segunda-feira traz o espetáculo Leonard Cohen: Dito e Lido, que estou dirigindo ao lado da Juliana Vettore, reunindo Bárbara Eugênia, Juliana R., jeanne Callegari, José Barrickelo e Michaela Schmaedel para celebrar vida e obra de Leonard Cohen num espetáculo que reúne poesia e música. No dia seguinte é a vez dos Garotas Suecas realizarem seu primeiro show depois desse período pandêmico, reunindo clássicos de sua carreira com músicas do disco que terminaram de gravar. Na outra segunda-feira, dia 9, o dono da temporada do mês é o compadre Kiko Dinucci que mergulha no vazio de possibilidades inéditas. A primeira segunda o traz ao lado dos guitarristas Guilherme Held e Lello Bezerra com intervenções visuais de Gina Dinucci. No dia 16, ele se reúne a Gustavo Infante e Maria Cau Levy para desconstruir seu violão. No dia 23, ele solta a voz – sem instrumentos – ao lado de Alfredo Castro, Xeina Barros, Henrique Araújo com intervenções de Bruno Buarque. E, finalmente, na última segunda do mês, dia 30, ele chama Negravat para dividir a noite com a banda Test. Tá achando pouco? Dia 10 é a vez de Marina Melo mostrar o que ela está aprontando, dia 17 reúno Nina Maia e Chica Barreto uma noite linda, um gostinho do próximo trabalho de Anai-Sylla no dia 24 e, finalmente, no último dia do mês, uma outra versão para o disco Homem Mulher Cavalo Cobra do doutor Morris. Um mês e tanto pra quem quer ouvir música boa! Os ingressos já estão à venda aqui, não dê mole.

Marcelo Cabral @ Centro da Terra (26.4.2022)
Dá pra levar um show no bolso como se fosse um amuleto? Um pequeno portamoedas que bastaria ser aberto por alguns segundos para revelar camadas de microfonia e silêncio, efeitos e canções, ruído e calmaria, melodia e drone, tudo vindo de uma vez só como o ardor de uma pimenta em conserva, o gosto forte de um bitter, um tempero refogado, um bálsamo envolvente. Na segunda apresentação de seu Motor Elétrico no Centro da Terra, ao lado de dois navegadores distintos e complementares Maria Beraldo e Guilherme Held, Marcelo Cabral mais uma vez nos conduziu a um transe de sensações díspares, antagônicas e docemente complementares, espelho e abismo, cosmo e colo, luz e trevas, numa apresentação que podia durar horas. Ou caber no bolso, para abrir sempre que precisássemos sentir aquilo tudo de novo.
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Quando convidei Marcelo Cabral para fazer mais uma apresentação no Centro da Terra, pensei que ele pudesse incursionar por sua faceta eletrônica, que exercitou em seu segundo disco solo, Naunyn, lançado no ano da pandemia. Mas qual minha surpresa que ele resolveu voltar para seu primeiro álbum, Motor, mas plugando-o à eletricidade. Composto inteiramente no violão, ele ressurge em duas terças-feiras de abril no palco do teatro no Sumaré, quando, acompanhado dos comparsas Guilherme Held e Maria Beraldo, ele desbrava uma faceta inédita seu próprio disco na apresentação Motor Elétrico, que acontece nos dias 19 e 26 de abril, sempre a partir das 20h. Os ingressos podem ser comprados aqui.

Não é uma estreia, mas é como se fosse: Anna Vis está aos poucos saindo de seu casulo artístico e mostra suas composições nesta terça-feira, no Centro da Terra, a partir das 20h, ao mesmo tempo em que finaliza seu disco de estreia, que deve ser lançado ainda neste sempre. No espetáculo Como Um Bicho Vê, ela mostra as canções que fazem parte de seu repertório ao lado do baixista Marcelo Cabral e chama Rômulo Froes e Eduardo “Clima” Climachauska, que também estarão no álbum, para participar desta primeira apresentação de seu novo trabalho. As portas se abrem às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.

E quem encanta a primeira terça-feira de abril é uma dupla que celebra uma longa amizade. Chamei a @suzanasalles para voltar ao palco do @centro.da.terra e ela convocou o velho comparsa Luiz @chaguetes para um passeio pela alameda das lembranças no espetáculo Rozana e Charles, batizado com os codinomes que os dois se deram desde o primeiro encontro. As portas do teatro abrem-se pontualmente às 20h, vamos lá? Os ingressos podem ser comprados aqui.

Nesta segunda-feira, Zé Nigro começa sua temporada Görjeios no Centro da Terra, quando expande o conceito de seu primeiro disco solo, Apocalip Se, pelas quatro segundas de abril. Nas três primeiras apresentações ele vem acompanhado de uma banda da pesada: Saulo Duarte na guitarra, Meno Del Pichia no baixo e Thomas Harres na batera. Na primeira apresentação, dia 4, ele convida as poetas convida Anna Zepa, Eveline Sin e Dandara Azvedo para acompanhá-lo em investigações líricas a partir de suas próprias músicas. Na segunda, ele recebe Annaïs Syllas e coloca Saulo Duarte como coautor de várias faixas. Na terceira, é a vez de receber Beto Villares, Alessandra Leão e uma convidada-surpresa. A quarta apresentação será uma instalação criada a partir da faixa que batiza a temporada. Os shows começam sempre às 20h, pontualmente, e os ingressos podem ser comprados antecipadamente aqui.

Seguimos felizmente a nova safra de espetáculos que está reativando o palco do Centro da Terra e depois de um março caloroso é hora de assistirmos a um abril em que artistas exploram novas possibilidades de seus trabalhos, sempre às segundas e terças-feiras (e os ingressos já estão à venda aqui). A temporada de segunda-feira fica a cargo do Zé Nigro, mais conhecido por ter produzido discos de Curumin, Francisco El Hombre e Anelis Assumpção (além de estar finalizando o novo de Russo Passapusso), que finalmente lançou seu primeiro trabalho solo no ano passado e o expande pelas quatro segundas do próximo mês, sempre esmiuçando diferentes aspectos de seu álbum de estreia, Apocalip Se, na temporada Görjeios. Na primeira segunda, dia 4, ele convida Anna Zêpa, Eveline Sin e Dandara Azevedo que declamam poemas que conversam com músicas compostas ao lado de Zé, apresentando-as nesta mesma noite. No dia 11, ele convida Saulo Duarte e Anais Sylla, que também participaram do disco, em uma noite mais intimista e tropical. No dia 18 é a vez de Zé receber o produtor Beto Villares e a cantora Alessandra Leão e seu mês termina no dia 25 antecipando a instalação que batiza a temporada, em que convida o público para uma imersão nas questões ambientais tão ameaçadas atualmente. Na primeira terça do mês, dia 5, é a vez de receber a dupla Suzana Salles e Luiz Chagas, que apresentam o espetáculo Rozana e Charles, uma homenagem que os dois fazem à duradoura amizade que começou nos ensaios da banda Isca de Polícia. Na segunda terça-feira, dia 12, recebemos a querida Anna Vis, que mostra suas primeiras composições e o início de seu primeiro disco solo ao lado de Marcelo Cabral, Eduardo Climachauskar e Rômulo Froes. Marcelo Cabral retorna nas duas terças do final do mês ao lado de Gui Held e Maria Beraldo para mostrar uma outra versão de seu primeiro disco solo, chamada Motor Elétrico. Vai ser um mês e tanto, preparem-se!

Há décadas, uma promissora banda paulistana se reunia com um produtor gaúcho novato para registrar seu primeiro LP, mas, depois de gravado e mixado, aquelas fitas originais não foram lançadas e desapareceram logo em seguida, fazendo com que o disco fosse dado como perdido por muito tempo. Até que vasculhando o baú do saudoso @minimundomini, Sob o Sol Que Nunca Morre foi reencontrado e finalmente vê a luz do dia trinta e três anos após sua gravação. E os 3 Hombres remanescentes, Daniel Benevides, Jair Marcos e Thomas Pappon, se reúnem pela primeira vez em décadas nesta terça-feira no Centro da Terra, a partir das 20h, para celebrar as músicas deste disco, que está sendo lançado pela primeira em vinil, e os vinte anos da passagem de um de seus integrantes original, o lendário Celso “Minho K” Pucci. A noite promete! Os ingressos podem ser comprados aqui.

Terça-feira é dia de atração internacional quando o Centro da Terra recebe o cantor, compositor e músico português Noiserv, que traz suas composições doces e melancólicas para o palco do teatro no Sumaré – e a apresentação No Brasil, que marca sua primeira vinda ao país, ainda terá a presença de Bárbara Eugênia, que divide uma música com ele no palco. Os ingressos podem ser comprados aqui.