
Exausto depois do terceiro dia do Primavera Sound de Barcelona, nem filmei o Tyler the Creator porque assisti de longe, mas mesmo destruído, foram três dias mágicos que terminaram com uma missa pagã. Pulei o Gorillaz pra fritar numa improvável e soberba pista de drum’n’bass (tocada pelas DJs Crystallmess e Cõvco), pra sacar mais uma vez com o Diiv, meu primeiro show do Beach House e o vocalista do Idles botando o público todo pra sentar no chão. Mas a noite não teve outro dono: Nick Cave com seus Bad Seeds mais uma vez hipnotizou o público de Barcelona num ritual sagrado e profano, dando-se como se fosse a hóstia de sua própria missa. “Este é meu corpo, tomai e comei”, parecia dizer ao se jogar nos braços do público.
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Segundo dia do Primavera Sound fui mais de boa e com dois focos: Beck e Warpaint. Cheguei tarde e perdi o Low, a Weyes Blood e o Wet Leg (férias, né?), mas ser recepcionado pelo senhor Beck Hansen teve suas vantagens: o cara é um showman completo, tem uma cartela de hits invejável e não fica parado um segundo. Vestindo um blaser branco, ele só parava de dançar quando pegava o violão – e passeou por boa parte do Odelay e do Midnite Vultures (dois favoritos meus), além de ir de “Everybody’s Got Love Sometimes” a “Loser”, passando por “One Foot in the Grave” e “Debra”. Showzaço! As Warpaint, por sua vez, estão caminhando cada vez mais firmes para se tornar uma das melhores bandas de hoje em dia, misturando texturas pós-punk, grooves manhosos, lirismo country, melodias hipnóticas e guitarras de fazer qualquer um chorar. Que banda!
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Primeiro dia do Primavera Sound em Barcelona foi fabuloso. Vi a Faye Webster, as Linda Lindas, a MC Carol e a Kacey Musgraves tocando “Dreams” do Fleetwood Mac com a letra passando no telão para o público cantar junto. Não vi a Kim Gordon no Auditório (mor fila), mas teve Dinosaur Jr (que mandou sua versão de “Just Like Heaven”), a Sharonzinha, Yo La Tengo quebrando tudo (Fabio Bianchini surgiu no meio de “Tom Courtenay”) e o Tame Impala no céu (Kevin puxou até “Last Nite”, essa mesma). E, claro, o motivo de eu ter vindo parar aqui: a volta do Pavement, que fez 1h40 do melhor show que já vi deles na vida (já tinha visto 5). A banda tocou cinco músicas de cada disco, Stephen Malkmus é o guitar hero dessa geração e lavou a alma de indies velhos e novos. Nota 10 pra avalanche de shows (já o funcionamento do bar e a má administração daquela quantidade de gente não conseguiu nem nota pra passar de ano). Claro que filmei um monte, seguem os vídeos abaixo:

Lindo demais o show que Anaïs-Sylla fez esta segunda-feira no Centro da Terra, revelando um pouco do disco que está fazendo com Caê Rolfsen, que tocou na apresentação ao lado de Bruno Prado e Eddu Ferreira, durante a pandemia. Entre as joias da noite, que contou com viagens musicais ao Mali, ao Haiti e ao Senegal, ela ainda apresentou uma versão maravilhosa para “Lugar Comum”, de Gilberto Gil e João Donato.
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Depois de dois longos anos, Anaïs-Sylla começa a mostrar o disco que vem fazendo em parceria com Caê Rolfsen sobre como a diáspora africana conversa com sua obra e seu trabalho. No espetáculo Traversée – Travessia, apresentado nesta terça-feira, a cantora francesa de ascendência senegalesa sobe ao palco do Centro da Terra numa formação inédita, que inclui, além do violão de Caê, Bruno Prado nas percussões e beats e Eddu Ferreira no baixo e teclados, com iluminação de Camille Laurent. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Que benção essa terceira apresentação de Kiko Dinucci no Centro da Terra, mais uma vez explorando diferentes possibilidades em sua temporada Pocas. Nesta segunda, ele dedicou-se à sua terra firme, o samba, e convidou os bambas Henrique Araújo, Xeina Barros e Alfredo Castro para desfilar seu repertório sem usar nenhum instrumento de corda, apenas o gogó e um ocasional instrumento de percussão. Visitou clássicos do Metá Metá, “Luz Vermelha” que fez para Elza Soares, uma homenagem ao Barba dos Barbatuques, a faixa-título de seu disco mais recente e músicas de seus mestres, tudo remixado ao vivo pelo mesmo Bruno Buarque que registrou seu Rastilho. Casa cheia para assistir a uma celebração mágica. Haja axé!
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Tocante a apresentação que Nina Maia e Chica Barreto fizeram nesta terça-feira no Centro da Terra. Depois de passar por composições próprias e clássicos que as influenciaram (de Gershwin a Milton Nascimento), as duas largaram os instrumentos e convidaram Luiza Villa para encerrar a apresentação com uma belíssima versão para “Serenata do Adeus”, de Vinícius de Moraes.
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Nina Maia e Chica Barreto juntam suas forças para a delicada apresentação Miradeiro, que apresentam nesta terça-feira, no Centro da Terra. Nina toca teclado, Chica, violoncelo e as duas apresentam músicas próprias e clássicos da música brasileira com esta formação enxuta, ao mesmo tempo em que convidam Zuíza Villa, Nina Libeskind e o grupo Cordão de Jade. Os ingressos para esta apresentação já estão esgotados.

Na segunda segunda-feira de sua temporada Pocas no Centro da Terra, Kiko Dinucci visitou paisagens desconhecidas em seu próprio violão, indo do norte da África ao Japão medieval, passando pelo sertão brasileiro e por desertos na Lua, usando seu instrumento como cajado e facão, abrindo picadas e marcando caminhos. À sua cola, Gustavo Infante levava seu violão para galáxias distantes ou para viagens intracelulares, aumentando ou encolhendo timbres em gravadores de fita analógica, enquanto Maria Cau Levy explorava cores e texturas filmando obras que espalhara pelo palco, acompanhada de Karime Zaher, que fitava tudo da coxia. Uma hora tão fantasmagórica quanto espiritual e extrassensorial – tudo ao mesmo tempo.
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Ao propor desconstruir o Centro da Terra em sua apresentação Quando a Tua Tela Quebra, Marina Melo colocou o público no palco e o transformou em uma roda de conversa, explorando diferentes ângulos do teatro como uma forma de desafiar as convenções.
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