
Os Smashing Pumpkins começaram nesta sexta-feira uma turnê ao lado do Weezer que para muitos é uma espécie de turnê dos sonhos, mas a mensagem subliminar desse novo contexto do grupo é apagar a imagem de pessoa insuportável que o dono da banda Billy Corgan tem cultivado desde o início do século. Isso começou desde antes da pandemia, quando Corgan readmitiu o guitarrista James Iha e o baterista Jimmy Chamberlin de volta à formação, e seguiu desde então, passando pelo lançamento da ópera rock ATUM (na linha musical de discos importantes pra carreira da banda, como Mellon Collie and the Infinite Sadness e Machina: The Machines of God), por uma anunciada turnê pelos EUA com o Green Day, Linda Lindas e Rancid no segundo semestre e essa turnê atual em que dividem a noite com a banda de Rivers Cuomo. E isso inevitavelmente mexe com o repertório do grupo, que começa a incluir mais músicas próprias da década de 90 e, pela primeira vez nesta sexta-feira, uma versão para uma música do U2 – uma versão bem boa para “Zoo Station”, faixa de abertura do clássico eletrônico do grupo irlandês Achtung Baby. Abaixo, além da versão citada, ainda dá pra asistir à íntegra do show: Continue

(Foto: Stela Handa/Divulgação)
No ano passado recebemos no Centro da Terra duas sessões com Arrigo Barnabé e o trio Trisca celebrando a obra de Itamar Assumpção num espetáculo que agora virou o disco Arrigo Visita Itamar, o primeiro gravado no teatro, que está sendo lançado em partes a partir de hoje. Nessa sexta-feira, surgem nas plataformas as faixas “O Que Tem Nesa Cabeça?” (de Arrigo, que virou uma espécie de vinheta que atravessa as faixas), “Quando Eu Me Chamar Saudade” (de Nelson Cavaquinho), “Fico Louco” e “Tristes Trópicos”. A segunda parte surge no dia 5 de julho e o a íntegra do disco chega ao público dia 9 de agosto. O Trisca é um trio formado pelo baixista Paulo Lepetit, pelo guitarrista Jean Trad e pelo baterista Marco da Costa, músicos que tocaram com Itamar em seu grupo Isca de Polícia, e seu nome vem desta contração. Abaixo dá pra ver o vídeo desta primeira parte, que também chega ao YouTube nessa sexta-feira, além de um comentário de Arrigo explicando faixa a faixa: Continue

Os papas do trip hop Massive Attack voltaram aos palcos nesta quarta-feira, quando apresentaram-se no Gothenburg Film Studios, na cidade de Gothenburg, na Suécia, dando início à turnê europeia que irão fazer até setembro, passando por festivais como o Montreux Jazz Festival e o Rock en Seine, entre outros. É a primeira vez que o grupo toca ao vivo desde 2019 e para esta primeira apresentação, trouxe algumas armas secretas: além do mestre do reggae Horace Andy (que cantou “Girl I Love You”, “Angel” e “Hymn of the Big Wheel), dos novatos Young Fathers (que cantaram em “Voodoo in My Blood”) e da diva Deborah Miller (que cantou em “Safe from Harm” e “Unfinished Sympathy”), o grupo ainda trouxe ninguém menos que Elizabeth Fraser, vocalista dos Cocteau Twins, que participou do terceiro disco da banda, o clássico Mezzanine. E não bastasse ter cantado “Black Milk” e a imortal “Teardrop”, o grupo ainda acompanhou Liz em uma versão para o hino de Tim Buckley “Song to the Siren”, que ela havia gravado no grupo This Mortal Coil em 1983, em uma versão que, gravada ao lado do guitarrista Robin Guthrie, funcionou como embrião para o surgimento dos Cocteau Twins. E não foi a única versão da noite: o grupo ainda tocou “ROckwrok” da banda pós-punk Ultravox e “Levels” do falecido produtor sueco Avicii. Não encontrei a íntegra do show online ainda, mas abaixo seguem alguns trechos que cacei por aí, além do repertório inteiro da noite: Continue

Douglas Germano só não é integrante oficial do grupo Encruza porque trilha sua carreira solitário, à distância, mas sempre que se encontra com quaisquer dos cúmplices que pertencem ao coletivo informal do atual samba torto paulistano, a liga é imediata. Como vimos nesta quarta-feira quando o sambista, por pouco mais de uma hora, tornou-se o quarto integrante do Metá Metá – e conectar-se com o trio, por mais abertos que sejam Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França, exige um certo fôlego criativo e de palco que não é pra qualquer um. Mas com o Douglas não teve mistério e na apresentação que aconteceu na Casa de Francisca ele parecia ter fez parte do grupo desde o início. Tà certo que sua irmandade musical com Kiko e o fato de sambas clássicos de Douglas serem parte considerável do repertório do Metá já deixa claro que esta simbiose é mais que inevitável, é fato – são artistas univitelinos. Mas vê-la desdobrando-se à nossa frente, transforma aquele encontro aparentemente trivial em um momento único para todos os presentes. O quarteto passeou por momentos centrais do Metá Metá que foram compostos por Douglas (“Orunmilá”, “Oranian”, “Canção pra Ninar o Oxum”, “Sozinho”, “Obá Iná” e “Damião”) e outros (“Oyá” e “Rainha das Cabeças”) feitos em parceria com Kiko, seu irmão de voz e instrumento, com quem dividiu não apenas as fileiras de seu Bloco Afromacarrônico como o clássico Duo Moviola, visitado três vezes nesta noite (“”Cio”, “Premiére Deja Vu” e “Por Favor” – esta com Thiago no cavaquinho -, volta Duo Moviola!). Os quatro também visitaram o repertório de Douglas e músicas como “Àgbá”, “Golpe de Vista” e “Tempo Velho” ganharam uma nova dimensão visitadas naquela formato. A noite ainda teve clássicos do Metá compostos por Kiko (“Cobra Rasteira” e “São Jorge”) que carregam o DNA dos sambas de Douglas e Juçara lembrou que aquele encontro havia acontecido há pouco numa apresentação que os quatro fizeram em Porto Alegre pouco antes da tragédia climática que abateu-se sobre o Rio Grande do Sul, revelando que a renda daquela noite iria para o coletivo RS Música Urgente, que está ajudando a cena musical gaúcha a se reerguer. Uma noite histórica.
Assista abaixo: Continue

Ano passado comentei que a RTP, o canal público de TV em Portugal, havia disponibilizado em seu site a íntegra do clássico programa Discorama que em 1969 recebeu os Mutantes em Lisboa, um dos principais registros audiovisuais de uma das principais bandas da história do Brasil, que já circulava por outros meios em versões de baixa qualidade. Além de tocar ao vivo quatro músicas (“Panis et Circensis”, “A Minha Menina”, “Caminhante Noturno” e “Banho de Lua”, além de uma versão criminosamente cortada pela metade de “Trem Fantasma”), o programa ainda acompanha o grupo passeando pela capital portuguesa ao som de músicas do disco Tropicália ou Panis et Circensis, além de entrevistar Arnaldo Baptista e Rita Lee. E era inevitável que o programa fosse parar no YouTube, como dá para ver abaixo: Continue

Conheci o trabalho de Maxim Ludwig graças à estrela Angel Olsen, que vinha fazendo turnê a seu lado e o inclusive o chamou para cantar junto em sua participação no recém-lançado tributo a Lou Reed, quando cantaram juntos “I Can’t Stand It”, do Velvet Underground. E essa semana mais uma vez ela chamou atenção de seu compadre ao fazer a segunda voz para o single “Mercury Avenue”, que ele acaba de lançar. “Quando Maxim tocou a demo de ‘Mercury Avenue’ pela primeira vez pra mim, eu timidamente perguntei se ele não se importava que eu a cantasse com ele em seu próximo show”, escreveu Angel em seu Instagram, “o verso ‘eu sei como é estar vivo, estive aí antes’ lembrou das tantas vezes que eu me descolei completamente de mim mesma, anestesiada e em busca do mínimo sinal de mudanças ou força. As palavras bateram em mim imediatamente”. Abaixo separei tanto o clipe dessa música lindíssima que os dois acabaram de lançar como o vídeo em que ela menciona sua participação no show de Maxim, assista abaixo: Continue

Encarnado e desencantado! Como Juçara falou logo no começo da primeira das duas apresentações que está fazendo no Centro da Terra neste começo de mês, retomar seu primeiro disco solo em formato acústico fecha a tampa de um alçapão que nos foi aberto bem quando ela começava uma temporada de shows no teatro revisitando seu primeiro disco (que naquele março de 2020, que viu o começo da pandemia, completava seis anos) sem instrumentos elétricos – e sem microfones ou amplificadores, só no gogó e na unha, como ela mesma disse. A nova versão acústica de seu Encarnado, que agora completa 10 anos, foi diferente daquela antes de entrarmos na tragédia pandêmica, pois além de microfone e instrumentos plugados também contava com a iluminação de Olívia Munhoz, que já havia feito no primeiro aniversário do disco esse ano, no Sesc Vila Mariana. Ao seu lado, os suspeitos de sempre (Kiko Dinucci, pela primeira vez tocando violão com cordas de aço num show, Rodrigo Campos e Thomas Rohrer) a ajudavam a conduzir-nos a um território cru e direto, sem meios termos passando por novos (“A Velha da Capa Preta” de Siba, “Ciranda do Aborto” – o momento mais intenso do disco e do show – e “João Caranca” de Kiko, “Pena Mais Que Perfeita” de Gui Amabis, “Velho Amarelo” de Rodrigo, “Presente de Casamento” de Romulo Froes e Thiago França e “Canção Pra Ninar o Oxum” de Douglas Germano, entre outras) e velhos (“E o Quico?” de Itamar Assumpção e “Não Tenha Ódio no Verão” de Tom Zé) clássicos da música brasileira. Dois destes últimos surgiram nessa versão ao vivo, primeiro “Xote de Navegação”, de Chico Buarque (em que Juçara foi acompanhada apenas por Rohrer tocando um fuê!), e depois “Comprimido” de Paulinho da Viola (em que trocou “um samba do Chico” por “um samba do Kiko”). Com a luz de Olívia perseguindo os silêncios e esporros do som (indo da penumbra quase completa aos faróis na cara do público), a apresentação terminou com um bis intenso, quando ela voltou a música do Tom Zé e pediu para que o público a acompanhasse seus gritos do refrão, fazendo com que todos exorcisassem, aos berros, o pesadelo dos últimos quatro anos, transformando o teatro numa câmara de descompressão de frustrações do período pandêmico. Irretocável. E terça que vem tem mais.
Assista abaixo: Continue

Em março de 2020, Juçara Marçal começou uma temporada no Centro da Terra em que visitava seu primeiro disco solo, Encarnado, num formato diferente – colocando seus chapas Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rohrer, que marcaram presença no disco, para tocar instrumentos acústicos, dando uma outra roupagem às canções. Mas o mês desta temporada também foi o mesmo em que afundamos naquele pesadelo chamado pandemia do coronavírus e inevitavelmente a série de apresentações foi suspensa após a primeira noite. Mas sempre conversava com ela sobre a possibilidade de retomarmos aqueles shows. Eis que finalmente conseguimos realizá-los novamente agora neste início de junho, com duas apresentações, que além de ter Kiko tocando violão de aço, Rodrigo no violão e cavaquinho e Thomas na rabeca, ainda traz a luz da Olívia Munhoz, que iluminou o show de aniversário do disco, que completa 10 anos em 2024, agora no início do ano. Serão duas apresentações em duas terças, 4 e 11, e a primeira delas já está com ingressos esgotados.
#jucaramarcalnocentrodaterra #jucaramarcal #centrodaterra2024

Paul McCartney veio ao Brasil no ano passado e o José Norberto Flesch acaba de cravar que ele volta ainda esse ano! São poucas informações adiantadas pelo Flesch, que deixou no ar a possibilidade de ele passar por cidades que não passou na vinda de 2023 pra cá (quando passou por Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro) e que sua décima primeira vinda ao Brasil aconteceria entre novembro e dezembro deste ano. Pra quem perdeu o fio da meada, Paul veio ao Brasil em 1990, 1993, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2017, 2019 e 2023! E é claro que estaremos lá mais uma vez, rezando nossa missa beatle e cantando todos os nanananas de “Hey Jude” possíveis. Triste é quem não tem um ídolo desse quilate vindo pra cá toda hora.
Veja abaixo o anúncio do Flesch: Continue

A primeira noite da temporada que o Test está fazendo no Centro da Terra durante este mês foi só um aperitivo da experiência sônica que a dupla formada por João e Barata irão proporcionar neste mês de junho. Sem participações musicais, a rigor foi um show semelhante aos que a banda vem fazendo, mas a convidada da noite deu um tempero extraordinário para a apresentação. A vídeo-artista Carol Costa cobriu o show dos dois com um amálgama de imagens que misturava filmes educativos de antes da Segunda Guerra Mundial, comerciais dos anos 70, documentários sobre a natureza e cenas de cirurgias criando uma colagem visual aparentemente díspare que ia criando um sentido à medida em que era sincronizada com as cadênciais em que os dois alternavam intensidades de velocidade e ruído. E ao fazer isso num teatro, com o público sentado, o trio criou uma sensação de cinema imersivo que deixou a plateia emudecida por quase uma hora sem parar, vítima de um impacto fulminante. E se pensarmos que os próximos shows terão a presença de outros músicos e manipuladores de som, o céu da experimentação é o limite para eles. Impressionante.
Assista abaixo: Continue