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Hoje no Prata da Casa: Café Preto

Não vou no Prata da Casa de hoje porque vou ao Rio acompanhar o Prêmio Multishow – mas com muita pena de não poder assistir ao show do Café Preto, projeto dub do grande Bruno Pedrosa e do Canibal dos Devotos do Ódio. Você já sabe o esquema do Prata, no Sesc Pompéia, né? A partir das 20h os ingressos, gratuitos, começam a ser distribuídos e o show começa pontualmente às 21h. Abaixo, o texto que escrevi sobre o Café Preto para o programa.

O que acontece quando um dos DJs mais promissores de Recife encontra-se com uma lenda do hardcore pernambucano? A banda Café Preto é fruto dos primeiros experimentos que o DJ e produtor Bruno Pedrosa começou a realizar no meio da década passada, quando se dedicou a levar a música de nomes da nova cena pop do Recife para o mundos dos remixes. Em 2006, lançou Transformer, disco que retrabalhava a obra de nomes familiares dos amantes da nova música pernambucana (Silvério Pessoa, Bonsucesso Samba Club, Eddie, Mombojó, Mundo Livre S/A, DJ Dolores, Erasto Vasconcellos). Foi quando encontrou Cannibal, vocalista e fundador do Devotos do Ódio, a principal banda de hardcore do estado e um dos principais nomes da cena punk brasileira desde os anos 90. Ele já vinha pensando em expandir seus horizontes para o lado da música jamaicana e em conversas com Bruno criou o Café Preto, dedicado inteiramente à vertente mais psicodélica da ilha de Bob Marley, o dub. O grupo ainda conta com a presença do produtor e músico Pi-R, que fazia parte da banda experimental eletrônica Chambaril, entre outros instrumentistas, e teve o primeiro disco mixado por Victor Rice, talvez o principal produtor do gênero no Brasil. O primeiro disco, já disponível para download no site da banda, conta com participações especiais e a capa assinada por Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, e H.D. Mabuse, o “ministro da tecnologia do mangue beat”.

Hoje no Prata da Casa: Circo Motel

Hoje tem o Circo Motel, da ótima “Sunshine” acima, no Prata da Casa do Sesc Pompéia. O show começa às 21h e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Abaixo, o texto que escrevi para o projeto.

O Circo Motel, de São Paulo, é dessas bandas que sofrem com definições musicais. A audição descuidada pode rotulá-los como sendo representante do insosso gênero chamado “pop rock”. Mas basta dar atenção às músicas de seu primeiro disco, Sobre Coiotes e Pássaros, lançado no ano passado, para perceber que eles vão além da música pop grudenta ou do rock domesticado. Entre os acordes e as letras é possível perceber referências de música latina, dance music, psicodelia, blues, samba, soul e MPB – não é à toa que listam os Mutantes, os Rolling Stones, Jorge Ben e Tim Maia como seus faróis musicais. E são mais um dos nomes em ascensão da atual cena paulistana, que abriga tanto rockers de jaquetas de couro a emepebistas de brechó, experimentalistas cabeçudos e ratos de sebos de disco. E é nesta encruzilhada, quando a Augusta encontra o Bixiga, que o Circo Motel acende umas velas para dar sorte, iluminar o caminho, se aquecer e criar um clima.

Hoje no Prata da Casa: Mão de Oito

O setembro do Prata da Casa começa com o primeiro lançamento do selo de Emicida, chamado Laboratório Fantasma, que é a banda Mão de Oito – que teve seu disco de estréia produzido pelo Ganjaman. O show começa às 21h e os ingressos – gratuitos – começam a ser distribuídos uma hora antes, no Sesc Pompéia. Abaixo, o texto que escrevi para o projeto.

Como quase todas as bandas, o Mão de Oito começou tocando músicas alheias e escolheu beber na fonte da música brasileira para dançar, caçando a essência de artistas tão diferentes quanto Roberto Carlos, Luiz Melodia e Chico Science. Mas aos poucos foram descobrindo seu próprio som e afinando suas influências em composições próprias que aos poucos os colocam no mesmo cânone dos artistas que eram inspirações iniciais. Os paulistanos foram curando seu próprio somo autoral e, misturando grooves mansos, letras apaixonadas e suingue maneiro, e aos poucos incluíam influências estrangeiras, que vão desde a black music que inspirou seus primeiros ícones até o bom e velho rock clássico, passando por outras referências de balanço, de Fela Kuti a Bob Marley. As coisas ficaram sérias mesmo quando foram escolhidos pelo rapper Emicida para ser o primeiro lançamento de seu próprio selo, o Laboratório Fantasma. Vim, o primeiro EP, já está disponível para download através da página da banda no Facebook e foi teve a produção regida pelo maestro Daniel Ganjaman, do Instituto, um dos nomes mais respeitados da nova música brasileira.

Hoje no Prata da Casa: Gang do Eletro

A Gang é a coisa mais legal que saiu de Belém desde que a capital paraense vive seus dias de “a nova Recife” (e isso já tem uns cinco, seis anos…). E o esquema do Prata você sabe qual é – o show é de graça, às 21h, no Sesc Pompéia e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Esse é imperdível! Abaixo o texto que escrevi sobre a apresentação:

O hype ao redor da cena paraense aconteceu antes mesmo de ela estar pronta, por isso foi possível observar sua evolução numa espécie de reality show visto à distância. O tecnobrega vem sendo festejado desde o início da década passada, mas só há pouco tempo começou a produzir artistas que conseguem sair das fronteiras do estado. E se Gaby Amarantos hoje é autora de música de abertura de novela da Globo, o principal nome para se ficar de olho é a Gang do Eletro, um projeto que começou com dois dos principais nomes da cena do tecnobrega – o MC Marcos Madeirito e o DJ Waldo Squash. Juntos, redesenharam o velho tecno como um novo eletro – que tem menos a ver com o techno de Detroit ou o electro filho instrumental do hip hop e mais com designações típicas locais. O “eletro” do grupo remete mais ao sufixo de “eletrodoméstico” do que a um gênero musical, e juntos com os MCs Keyla Gentil e William, eles apontam para a música paraense do futuro, mesmo que com bases simples e letras diretas. “Treme!”, gritam ao comandar a massa.

Hoje no Prata da Casa: Afroeletro

E hoje no Prata da Casa tem o Afroeletro, que, apesar do nome, bebe mais na música nordestina do que no eletro em si – como descrevo no texto que escrevi sobre a banda para o projeto do Sesc. Para ir no show, às 21h, basta chegar no Sesc Pompéia com até uma hora de antecendência para retirar o ingresso (o show é de graça). Vamo aê?

O quinteto paulistano é mais um dos representantes da redescoberta da música africana que vem acontecendo no início desta nova década – e pode enganar a começar pelo próprio nome, já que o sufixo “electro” remete ao batidão pós-hip hop dos anos 80 que serviu de combustível para uma cena dance music – quase sempre com vocalistas geladas – na década passada. Mas em vez de uma incursão pelas sonoridades eletrônicas modernas, a viagem proposta pelo grupo liga o continente africano ao nordeste brasileiro, quando o groove de guitarras secas, baixo no contratempo e percussão polirrítmica se encontram com o tambor de crioula do Maranhão, pontos de candomblé, cantos de capoeira, versos de cavalo-marinho do Pernambuco e até rimas de rap tipicamente paulistano. Seu primeiro disco foi lançado no início do ano e reúne integrantes do Bixiga 70, a guitarra afromacarrônica do paulistano Kiko Dinucci e a presença do pernambucano Siba, num caldeirão de ritmos e melodias que ampliam ainda mais a presença da música africana no Brasil do século 21.

Hoje no Prata da Casa: O Terno

E o hoje o Prata da Casa recebe O Terno, que está lançando seu primeiro disco, batizado 66, neste começo de semestre. Sabe como funciona o Prata, né? Chega lá pelas 20h que é quando os ingressos (gratuitos) começam a ser distribuídos – e o show rola pontualmente às 21h. Vamo lá? Abaixo o texto que escrevi sobre o trio pro programa do projeto:

O jovem trio paulistano é um dos muitos grupos da cidade que estabeleceram suas raízes nos mesmos anos 60 que viram os Beatles e a invasão britânica nos EUA, a Motown e o nascimento da soul music, o tropicalismo e a jovem guarda no Brasil. Esse território é fértil há muitas décadas e não só bandas de São Paulo vêm beber nessa fonte; o rock gaúcho, por exemplo, é outro clássico exemplo deste parentesco musical. N’O Terno, liderado pelo filho do Mulheres Negras Maurício Pereira, Tim Bernardes (Guilherme Peixe no baixo e Victor Chaves na bateria completam o grupo), essa referênca passa para a metalinguagem e a citação à década surge tanto em disco quanto em letra – vide o primeiro disco, batizado apenas de 66, que também é o nome da primeira faixa trabalhada pelo grupo, que brinca com a dicotomia entre a nostalgia e a modernidade em letras como “Me diz meu Deus o que é que eu vou cantar? Se até cantar sobre ‘me diz meu Deus o que é que eu vou cantar’ já foi cantado por alguém?”.

Hoje no Prata da Casa: Maíra Freitas

Quem encerra a programação do Prata da Casa de julho é a Maíra Freitas, pianista de primeira, que fica entre a música instrumental, o jazz, a bossa nova e o samba. O show começa às 21h, no Sesc Pompéia, e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Abaixo, o texto que escrevi para o show dela.

O samba sempre esteve associado a instrumentos de corda (como violão ou cavaquinho) e percussão, mas o piano nunca foi um parente distante – afinal ele é, essencialmente um instrumento de cordas e de percussão e foi através dele – e do violão de João Gilberto – que o gênero transmutou-se na bossa nova. Maíra Freitas, pianista de formação clássica, lembra desta conexão ao dividir o holofote entre seu instrumento e sua bela voz, que apesar de nos remeter para as praias cariocas dos anos 60, também nos envia tanto para o samba de roda quanto para os antigos sambas-enredos, influências que vieram do berço, uma vez que seu pai, Martinho da Vila, revolucionou ambas searas. Sua abordagem, no entanto, é quase de câmara, como pede sua formação original. Mas isso não deixa o calor do gênero de fora, nem o suíngue macio que escorre entre seus dedos, pelas canções.

A queda de Júpiter Maçã

Uma notícia ruim: Júpiter Maçã caiu do segundo andar do prédio em que mora em Porto Alegre na manhã desta quinta-feira. Segundo a Zero Hora, ele fraturou o pulso e uma vértebra e teria alta nessa sexta-feira. Vamos torcer pra tudo isso ser apenas um susto e que nada mais grave aconteça a um dos grandes nomes da psicodelia brasileira. Pude assistir a um show que ele fez em São Paulo há um mês e filmei algumas faixas, veja abaixo:

 

Hoje no Prata da Casa: Mahmundi

Mahmundi é um dos novos nomes do Rio de Janeiro e fico muito feliz de tê-la escolhido para a edição de hoje do Prata da Casa. O Prata começa às 21h e uma hora antes os ingressos começam a ser distribuídos (é de graça). O Prata da Casa acontece toda terça-feira, no Sesc Pompéia. Abaixo, o texto que escrevi para a programação do projeto. Vamo lá!

Há um novo verão no Rio de Janeiro em 2012 – e ele não lembra nem aquele da bossa nova, nem o das dunas da Gal, o da Lata, nem o de Fausto Fawecett ou do do funk carioca. O parentesco direto é com o início dos anos 80, quando uma geração de artistas saía aos poucos da sombra da MPB para metamorfosear-se no que ficou conhecido posteriormente como o rock brasileiro dos anos 80. Mas naquele meinho de 70 com 80, na virada da década antes de “Você Não Soube Me Amar” da Blitz conquistar o Brasil, o pop e a MPB eram um bicho híbrido, que reunia Lulu Santos com A Cor do Som, o Noites Tropicais de Nelson Motta com a nova carreira solo de Rita Lee, Guilherme Arantes com Ritchie, Metrô com Boca Livre. É deste universo sonoro – de onde também vêm o Silva e Cícero, que já tocaram no Prata deste ano – que também vem a carioca Mahmundi, acenando para o Chromeo e Hall & Oates ao mesmo tempo em que aprecia a vista da noite sob os Arcos da Lapa.