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Você perdeu o show do Madrid no Prata da Casa?

Não apenas foi uma das melhores terças do ano, como surpreendeu até os mais otimistas, apresentando o repertório do primeiro disco da dupla, que também desponta como um grande disco de 2012 (e com direito a piano de cauda no palco e show encerrado com uma versão excelente para “Destroy Everything You Touch”, do Ladytron). Tou subindo os videozinhos, linko aqui depois.

Hoje no Prata da Casa: Madrid

E a atração que abre o segundo semestre da minha curadoria no Prata da Casa do Sesc Pompéia é o Madrid – projeto do Adriano e da Marina depois que deixaram suas bandas anteriores (o Cansei e o Bonde, respectivamente). O esquema do Prata você já sabe: chega às 20h para pegar o ingresso (que é gratuito) e o show começa uma hora depois. Abaixo o texto que escrevi para a programação do evento. Vamo lá?

Adriano Cintra e Marina Vello pertencem a gerações e cidades diferentes, mas seus destinos se cruzaram quando duas de suas bandas atingiram o sucesso no exterior. Adriano foi o arquiteto da ascensão do Cansei de Ser Sexy e depois de anos entre as canções do Ultrasom e as guitarras do Butchers’ Orchestra, investiu na dance music de um grupo formado por ele – à bateria nos primeiros anos e à guitarra nos últimos – e um bando de garotas da moda. Já Marina era uma das vozes do Bonde do Rolê, o improvável trio de funk carioca de Curitiba que apelava para a pornografia e para a escatologia enquanto assumia os berros sobre o batidão. Os dois grupos foram os líderes brasileiros da chamada “geração MySpace”, quando a internet permitiu que grupos daqui tivessem uma exposição maior no exterior. Meia década depois daquela época e já fora dos dois grupos, Marina e Adriano se reencontraram apaixonados pela canção e, no formato piano e voz, deixam para trás a juventude do indie pop para abraçar melodias e arranjos adultos, longe da pista de dança ou dos shows de rock.

Hoje no Prata da Casa: Caio Bosco

Hoje a atração do Prata da Casa é o Caio Bosco, que era do Radiola Santarosa, de Santos, e agora investe em carreira solo. Os shows do Prata começam às 21h, na choperia do Sesc Pompéia, e os ingressos (de graça), podem ser retirados uma hora antes. Abaixo, o texto que escrevi para o show de Caio hoje:

O hip hop funciona tanto como uma força própria, que cada vez mais se firma como um dos principais manifestações culturais da atualidade, como uma porta de entrada para universos musicais diversos, uma vez que, como gênero musical híbrido, permite se esgueiras por diferentes estilos, épocas e nacionalidades. Veja o caso de Caio Bosco, que começou como MC no duo de hip hop santista Radiola Santa Rosa. Depois de lançar dois discos que receberam elogios da crítica especializada (Disqueria, de 2005, e Duberia, do ano seguinte), partiu para a carreira solo e ampliou seus horizontes musicais, com experimentações que já vinha testando em seu antigo grupo (que misturava rap com rock, dub e música eletrônica). Em seu primeiro disco, agrega o papel de cantor à seu vocal de MC e assume a guitarra como instrumento e inclui a soul music como linha mestra de seu novo trabalho, cantando suavemente o que antes rimava com veemência. Seu primeiro disco, batizado apenas com seu nome, foi lançado este semestre.

Hoje no Prata da Casa: Jorginho Neto

E hoje no Prata da Casa é dia de samba-jazz: o bamba Jorginho Neto promete debulhar bonito numa noite que pode ser uma boa opção para comemorar o dia dos namorados (prum pré-programa ou prum after-jantar). É só chegar no Sesc às 20h, quando os ingressos começam a ser distribuídos, e o show começa uma hora depois. Abaixo, o texto que escrevi para o projeto.

Um dos instrumentos de sopro mais antigos do mundo (suas origens remontam ao Egito antigo e os ancestrais mais próximos da versão moderna já existiam no século XV), o trombone foi incorporado à música brasileira com uma personalidade específica, que logo se associou à musicalidade do samba. Mas ao ser incorporado ao samba jazz na metade da década de 60, ganhou papel de protagonista e ajudou a revelar nomes que mesclavam o ritmo, a melodia e o sabor do samba à liberdade harmônica e estilística do jazz, lançando carreiras de músicos como Raul de Souza, Bocatto e Paulo Malheiros. Jorginho Neto é o caçula desta linhagem e, depois de tocar com nomes como Roberto Menescal, Johnny Alf, Banda Mantiqueira e Sandália de Prata (além de ser integrante do sexteto MP6), lança seu primeiro disco, batizado apenas de Samba Jazz. Nele, não apenas reverencia o cânone do seu instrumento no Brasil como aponta novos horizontes para um gênero tido como parado no tempo.

Hoje no Prata da Casa: Elo da Corrente

E hoje quem toca no Prata da Casa é o Elo da Corrente. Sabe como é o esquema no Prata, né? A partir das 20h, os ingressos começam a ser distribuídos no Sesc Pompéia – e o show, de graça, começa às 21h. Vamo lá? Abaixo, o texto que escrevi para o projeto.

Entre o disco mais recente dos Racionais MCs, Nada Como um Dia Após o Outro Dia, de 2002, e a ascensão de Emicida, o hip hop paulistano teve uma série de novos protagonistas que ajudaram a consolidar sua fama ao mesmo tempo em que tiraram a pecha fora da lei que poderia transformar o gênero em caricatura. Nomes como Sabotage, Kamau, De Menos Crime, SNJ, Z’África Brasil e Mamelo Sound System ajudaram a moldar esta nova faceta, mas não sozinhos – e entre as promessas que surgiram na década passada está o grupo Elo de Corrente. Com participações em coletâneas como Direto do Laboratório e Raps de Verão Volume 1, entre outras, o trio bolou o show Missão de Pesquisas Folclóricas, montado em cima de gravações feitas na década de 1930 por Mário de Andrade, no mesmo ano (2009), que lançou seu único EP, batizado de O Sonho Dourado da Família, com sete faixas, e, aos poucos, prepara-se para o lançamento de seu primeiro álbum, ainda sem título definido.

Hoje no Prata da Casa: Rodrigo Caçapa

Roots e moderno ao mesmo tempo, o pernambucano Caçapa fez um dos grandes discos de 2011 sobrepondo camadas de violas e percussão que ecoam uma tradição secular e o modernismo minimalista. Você já sabe como funciona o esquema do Prata: os shows, de graça, começam às 21h na choperia do Sesc Pompéia e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do show. Abaixo, o texto que escrevi para o show desta semana:

Caçula na geração do mangue beat, o pernambucano Rodrigo Caçapa fez o caminho inverso da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, que colocaram o maracatu no mesmo mapa pop mundial que contemplava o punk inglês, o rock americano, o afro-beat e a música eletrônica. Caçapa foi influenciado tanto pelo rock estrangeiro que ouvia quando era adolescente pelas aulas de música erudita que teve quando começou a estudar violão e pela música tradicional de seu estado de origem. Depois de 15 anos atuando como músico e produtor profissional, ele finalmente lançou seu disco solo no ano passado. Elefantes na Rua Nova tem forte ênfase na música de raiz instrumental mas sem deixar suas referências extrapernambucanas de fora. No comando de violas e bombos de 10 e 12 cordas – e o auxílio luxuoso de Hugo Lins no violão baixo e Alessandra Leão no pandeiro e no ganzá -, ele conduz o ouvinte a um universo rural e sertanejo mas irreversivelmente moderno, mesmo que não transpareça à primeira audição.

Hoje no Prata da Casa: Psilosamples

E hoje temos o grande Zé Rolê a.k.a. Psilosamples no Prata da Casa. O show – de graça – começa às 21h e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Vamos? Abaixo segue o texto que escrevi sobre o trabalho dele para o projeto…

Zé Rolê vem de Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais, para acrescentar um ar rural e caipira antes impensável à música eletrônica brasileira. Pilotando um computador em que recorta e picota pedaços de sons para compor seus beats tortos – e estes trechos de áudio podem ser violas caipiras, sanfonas, pífanos, diálogos, vozes aleatórias, percussão acústica e artificial a sons puramente sintéticos e eletrônicos, tranformando seu trabalho solo – batizado de Psilosamples – numa espécie de visita alienígena à roça brasileira. Seu primeiro disco, Mental Surf, vem sendo cotado como um dos principais lançamentos de 2012. Mais psicodélico que dance music, o trabalho não abandona o ritmo, unindo a cadência da música de raiz à levada hipnótica que o coloca na prateleira da IDM de artistas como Aphex Twin e Autechre – mas numa versão brasileira e sensivelmente matuta.

Hoje no Prata da Casa: Silva

E quem perdeu o Silva no Sónar pode assistir ao show do capixaba nesta terça-feira no Prata da Casa, vamo? O show começa às 21h e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Aí embaixo segue o texto que escrevi para a programação da noite:

O capixaba Lucio Silva de Souza estuda música desde os três anos de idade, é violinista de formação clássica e também passou por diferentes bandas de rock em sua cidade natal, Vitória. Mas estas referências não estão tão evidentes em seu primeiro trabalho autoral solo, batizado apenas de Silva. Com um único EP lançado no final do ano passado, ele aproxima a música eletrônica feita no quarto e no computador de uma musicalidade brasileira que o aproxima de uma nova cena de artistas cariocas, de nomes como Cícero, Dorgas e Mahmundi, que ultrapassaram o dilema que pressionou o grupo Los Hermanos a ter de escolher entre o indie rock e a MPB. Em seu primeiro disco, a canção é seu principal veículo, mas ela é filtrada por texturas eletrônicas e intervenções instrumentais que tornam sua musicalidade inclassificável. Faixas como “Imergir” e “12 de maio” conversam tanto com o pop brasileiro do século 21 quanto com a bossa nova, a chillwave e o rock brasileiro dos anos 80. Mas não é nada que você possa esperar, a partir desta descrição.

Hoje no Prata da Casa: Quarto Negro

E a primeira atração do mês de maio no Prata da Casa deste ano é a banda paulistana Quarto Negro. O show começa às 21h e os ingressos – o show é de graça – começam a ser distribuídos às 20h. Abaixo, o texto que escrevi sobre a banda para a programação do projeto.

As bandas de indie rock do Brasil quase sempre esbarram em dois problemas: o fato de parecerem derivativas de alguns artistas específicos, dificilmente trazendo a realidade brasileira para o branco drama de sua musicalidade; e também a dificuldade de encontrar uma sonoridade boa para traduzir sua contribuição artística em música que não pareça gravada na garagem ou no quarto. Em seu primeiro disco, Desconocidos, o quarteto paulistano Quarto Negro ultrapassa esses dois obstáculos com naturalidade e desenvoltura. Gravado no verão europeu do ano passado, em Barcelona, o disco conclui um processo de três anos desde que a banda começou a tocar até atingir uma maturidade que já esteve em palcos nova-iorquinos. E apesar de claramente indie, as referências expostas também mostram que beberam tanto da fonte do rock clássico quanto da música brasileira contemporânea.

Tibless no Prata da Casa

Essa semana não teve Prata da Casa (foi mal, esqueci de avisar), mas semana que vem o projeto do Sesc cuja curadoria está na minha mão por todo 2012 volta com o show do Quarto Negro. Mas não custa recapitular o que rolou nas últimas semanas. O Tibless veio de Minas com um soul meio R&B e uma banda azeitadíssima…


Tibless – “Saudade Do Cê”

…mas aí, em dado momento do show, ele liga o modo afro beat.


Tibless – “Water No Get Enemy”

Boa surpresa.