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A volta por cima de Exile on Main St.

Banda de singles memoráveis e álbuns irregulares, os Rolling Stones não têm um consenso tão unânime, seja entre fãs ou críticos, quanto outros colegas de panteão de rock clássico – como Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin ou Velvet Underground – no que diz respeito a que disco seria sua obra-prima. Há quem seja defensor de discos da fase da gravadora London, os fãs da psicodelia bad trip do Satanic Majesties Request, quem morra de amores pelo desespero de Let it Bleed (me conte entre estes), o groove branco de Sticky Fingers ou o vodu de Goat’s Head Soup. O mais perto do posto de melhor disco dos Rolling Stones é o maldito Exile on Main St., disco duplo de 1972, que conta com uma das melhores músicas do grupo (“Tumbling Dice”), embora esta não seja nem de longe uma das mais memoráveis da banda.

O disco segue o mesmo tom: Exile se dá ao luxo de banir até mesmo os refrões de muitas faixas – impensável quando o assunto é Stones – e outras o áudio é soterrado como se fosse sido gravado em um porão. Na verdade, foi – Exile é fruto da estada dos Stones na França, na pequena cidade de Villefranche-sur-Mer, perto de Nice, no litoral mediterrâneo em que Keith Richards alugou a villa Nellcôte, que havia sido usada como bunker nazista na Segunda Guerra Mundial. Produzido pelo mesmo Jimmy Miller que assinou os melhores discos do grupo, Exile foi quando o guitarrista assumiu o comando da banda, deixando pela primeira vez Mick Jagger como coadjuvante. Não que Richards fosse uma espécie de vice do vocalista, mas ele sempre preferiu a sombra e o segundo plano para curtir seus riffs e vocais esganiçados, funcionando como contraponto perfeito à paixão de Mick pelo jet set e pelos holofotes.

Em 1972, foi a vez de Richards mostrar que ele só preferia ficar à sombra e que se ele quisesse, os Stones podiam ser sombrios. Exile é uma incursão a um pântano de blues e boogie norte-americano interpretados por ingleses branquelos que se portavam como piratas – além de contar com a participação de nomes como Dr. John, Gram Parsons e Billy Preston nas faixas. O material de lenda em torno do disco é tão farto que rendeu o excelente Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones, mas fez com que o disco caísse num limbo depois que Jagger resolveu seus problemas pessoais e reassumiu a face dos Stones. Duplo, Exile aos poucos ia sendo esquecido pela banda (mas não pelos ouvintes) como uma espécie de noite mal dormida, um portal para uma realidade alternativa em que Mick mostrava-se desimportante e Keith assumia toda responsabilidade pela banda. No bolo sonoro do disco, os vocais são quase detalhes do disco e Jagger sempre reclamou que não consegue entender o que canta depois que o disco foi lançado (chegou até a sugerir uma remasterização para limpar o álbum, um verdadeiro sacrilégio). E como Paul McCartney nos Beatles, Jagger sempre fez com que a obra do outro autor demorasse para receber o tratamento adequado.

Até que não deu mais: a edição de luxo de Exile on Main St. sai em maio próximo, com 10 faixas inéditas, entre elas “Plundered My Soul”, “Dancing in the Light”, “Following the River” e “Pass the Wine”, além de versões alternativas para “Soul Survivor” e “Loving Cup”, uma edição em vinil com um encarte de 50 páginas e um documentário, chamado Stones in Exile, dirigido por Stephen Kijak, incluindo 10 minutos do lendário documentário fake Cocksucker Blues, nunca lançado. Algumas músicas inéditas receberam um retoque no estúdio, mas nada drástico. “Eu não quero interferir na Bíblia, sabe? Elas ainda têm aquele som ótimo do porão”, disse Richards à Rolling Stone americana.

Vida Fodona #202: Entre a psicodelia e a pista de dança eu fico com as duas

E tenho dito.

Beatles – “I Am the Walrus (Take 17/RM4 Acetate)”
Rolling Stones – “Let it Loose”
Big Star – “The Ballad of El Goodo”
Rita Lee – “O Toque”
Stevie Wonder – “Master Blaster”
Roberto Carlos – “Além do Horizonte”
Wilson das Neves – “Venus”
Jorge Ben – “Menina Mulher da Pele Preta”
Chico Buarque – “Bye Bye Brasil”
Funky Four Plus One – “That’s the Joint”
Tom Tom Club – “Genius of Love (12″ Extended Version)”
Clash – “This is Radio Clash”
Gang 90 & Absurdettes – “Românticos a Go-Go”
Twelves – “Night Vision”
Dunproofin – “Can You Feel Magik”
Holy Fuck – “Balloons”
Pink Floyd – “Flaming”
Snoop Doggy – “Riders on the Storm”
Hall & Oates – “Private Eyes”

Would you take my hand?

Vida Fodona #198: Dez minutos de “Lazy”

Mesmo esquema da semana passada, dando uma geral em períodos históricos recentes bem distintos.

Rolling Stones – “Dancing with Mr. D”
Beck – “I’ll Be Your Mirror”
Cream – “Wrapping Paper”
Pulp – “Birds in Your Garden”
Jorge Ben – “Eu Sou Da Pesada”
Cyz – “Eu Tenho Pena”
Pacific! – “Hot Lips”
Digitalism – “Digitalism in Cairo”
Gal Costa – “Tuareg”
Pink Floyd – “Free Four”
Deep Purple – “Lazy”
XTC – “Merely a Man”
Miike Snow – “Cult Logic”
Céu – “Comadi”
Silver Jews – “People”

Bora?

Vida Fodona #185: Pra variar

É, você acertou: outro Vida Fodona Soundsystem. Este gravado na madruga, no fone, daí a vaibe…

Rolling Stones – “Monkey Man”
Delorean – “Apocalypse Ghetto Blast”
Hood Internet – “Gallery Piece Of Everything”
Tiesto + Tegan & Sara – “Feel it in My Bones”
Cidadão Instigado – “Escolher Pra Quê?”
Elton John + Kiki Dee – “Don’t Go Breaking My Heart”
Bran Van 3000 – “Drinking in L.A.”
Men – “Off Our Backs”
Jupiter Maçã – “Modern Kid”
Justice + Uffie – “Tthhee Ppaarrttyy”
Sonic Youth – “Hey Joni”
Pavement – “Grounded”
Devendra Banhart – “Baby”
Céu – “Cangote”
Paul McCartney – “Bluebird”

Chega mais.

A caixa dos Stones

Falei outro dia da caixa dos Beatles e já apareceu a dos Stones

Mas é aquele papo: pra começar o único atrativo da caixa (exclusiva da Amazon) é esse poster com uma imagem com da fase Sticky Fingers – todos os 13 discos serão lançados em versão em separado junto com a própria caixa, e estes não são exclusivos da Amazon. Não custa lembrar que a caixa também só cobre o período posterior a 1971, quando os Stones se livraram das garras do recém-falecido já-vai-tarde Allen Klein para fundar seu próprio selo. Todo material lançado entre sua estreia nos discos e até a morte de Brian Jones simplesmente não está no pacote – o que torna a caixa longe de definitiva (por mais que contenha umas quatro ou cinco obras-primas). E como, dos discos remasterizados, o único que ainda não foi lançado é o clássico Exile on Main St., a caixa sequer adianta o lançamento deste disco e simplesmente deixa a lacuna, obrigando seu comprador a comprar o disco quando sair, em versão provavelmente mais cara do que seus pares (“é duplo”, vão dizer; em CD, não é, retruco). E se os discos separados custam quase 11 dólares e a caixa passa os 150, não é exagero dizer que você está pagando dez dólares por um poster e pela possibilidade de não escolher deixar uns discos fuleiros dos Stones fora da sua coleção. Legal e tal, mas não compensa.

Allen Klein (1931-2009)

Eis um nome à altura do título “monstro do rock“: ele comemorou a morte de Brian Epstein com um soco no ar e grunhindo “I got them”, é um dos principais responsáveis pela separação dos Beatles (e tem uma música do grupo – “You Never Give Me Your Money” – feita em sua “homenagem”) e era dono do catálogo dos Stones inteiro antes de Sticky Fingers (sim, “Satisfaction”, Let it Bleed, “Gimme Shelter”, “Jumping Jack Flash” – tudo ia pro bolso dele). O vídeo acima é uma pequena amostra do impacto do sujeito da história do rock – é a apresentação do personagem Ron DeCline, vivido por John Belushi no filme All You Need is Cash, paródia que o ex-Monty Python Eric Idle e o compositor Neil Innes fizeram dos Beatles – se rebatizando de Rutles. Mas a fama do sujeito não era muito diferente dessa paródia, não…

E por falar em Beatles…

Saca essas fotos…

…Paul McCartney fumando um cigarrets, tomando um dry martini enquanto flana de avião por sobre o globo. Se existisse a carta “bon vivant” do Tarô, podiam por essa foto aí embaixo…

…e essas dos Stones…

…sem os dois caras aí embaixo, a música pop seria muito mais chata e menos interessante – e só lamento seu mau gosto caso discorde…

Altos massa, hein. Essas fotos foram desenterradas do arquivo do empresário Bob Bonis, um dos primeiros caras a cogitar a possibilidade de levar as bandas inglesas para os Estados Unidos e transformar isso em uma espécie de “novo gênero” – juntando bandas de um mesmo lugar, cunhou o rótulo “British Invasion” e inventou um modus operandi de posicionamento global de cenas locais que foi replicado à exaustão, da explosão do reggae à conquista mundial pelo Abba, passando pelo grunge, o rock gaúcho, as cenas punk de ambos extremos do Atlântico, o mangue beat e a eletrônica parisiense deste século. Bonis morreu em 91, mas seu filho encontrou os negativos e slides há pouco e resolveu torná-los públicos. A princípio, 50 fotos das turnês dos Beatles e dos Stones entre 64 e 66 serão exibidas na mostra The British Are Coming, na Not Fade Away Gallery, em Nova York, mas elas são uma pequena fração de uma coleção que conta com 3.500 fotos inéditas, de vários grupos da época. As que estão aí em cima eu peguei no Telegraph (ainda tem várias outras lá, como o Ringo apontando uma arma pra própria cabeça, Mick Jagger de sunga e Lennon fumando um cigarrinho backstage).

Vida Fodona #146: Como é que foi de carnaval?

Hoje temos Beck tocando Dylan, muita psicodelia e algum samba, dub de Franz Ferdinand, nova do Yeah Yeah Yeahs, Olivia Tremor Control ao vivo, b-side do Elliott Smith, Tom Waits com os Stones, Frank Jorge, White Stripes, Jorge Ben em Paris e Phantom Band.

Mussum & Os Trapalhões – “Descobrimento do Brasil”
Of Montreal – “Alter Eagle”
Yeah Yeah Yeahs – “Dull Life”
Franz Ferdinand – “Feel the Pressure”
White Stripes – “We’re Going to Be Friends”
Rômulo Fróes – “Amor Antigo”
Frank Jorge – “Não Espero Mais Nada”
MGMT – “The Youth”
Olivia Tremor Control – “Holiday Surprise”
M. Ward – “Shangri-La”
Elliott Smith – “Suicide Machine”
Jupiter Maçã – “Beatle George”
Led Zeppelin – “Ten Years Gone”
Tom Waits & Rolling Stones – “The Ghost of Tom Waits”
Jorge Ben – “Caramba… Galileu da Galiléia”
Beck – “Leopard-Skin Pill-Box Hat”
Papercuts – “Future Primitive”
She & Him – “I Put a Spell on You”
Phantom Band – “Crocodile”

Vamo?