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Rolling Stones às baratas

Desde o começo do ano corre solto o boato que os Rolling Stones estariam preparando mais um novo álbum para começar mais uma nova turnê no meio deste ano e há algumas semanas algumas pistas começaram a aparecer – tanto na internet quanto nas ruas inglesas, em cartazes espalhados com um QR-code – ligando o grupo a uma banda chamada The Cockroaches (“As Baratas”, em inglês). O nome já foi usado pelos Stones em 1977, quando, promovendo o disco que haviam lançado um ano antes (o ótimo Black & Blue), se apresentaram após o show da banda canadense April Wine com este pseudônimo no clube El Mocambo, com capacidade de apenas 300 pessoas, em Toronto, no Canadá (show que foi lançado pelo grupo como o disco ao vivo El Mocambo 1977, em 2022). O QR-code dos cartazes levava para o site thecockroaches.com que, além de vender uma camiseta com a pergunta “WHO THE FUCK ARE THE COCKROACHES?” no mesmo padrão da camiseta que o guitarrista Keith Richards usava nos anos 70 para tirar onda com o vocalista Mick Jagger, também anunciava que no sábado haveria uma revelação – esta veio na forma de coordenadas geográficas em que era possível encontrar um automaticamente raro vinil da banda em questão, nada menos que os próprios Stones com um single que, pelo que se consta, chama-se “Rough and Twisted”. É uma música no padrão clássico do grupo, mostrando-o afiado mesmo aos 64 anos de carreira. Ainda não há informações sobre o lançamento oficial do single, sobre o novo disco ou sobre a nova turnê. Mas é questão de tempo…

Ouça-o abaixo:  

80 anos e dando tudo!

O anúncio da “última canção dos Beatles”, que será lançada na semana que vem com as duas coletâneas clássicas do grupo (a vermelha e a azul) em versões expandidas, é mais um exemplo que a geração baby boom, nascida durante a Segunda Guerra Mundial e responsável por mexer na história da cultura e do comportamento nos anos 60, segue à toda e sem dar sinal de aposentadoria à vista. Nomes como Rolling Stones, Pink Floyd, Roger Waters e os brasileiros Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e Paulinho da Viola endossam sua vida criativa mesmo entrando na oitava década de vida. Foi sobre isso que escrevi na matéria que fiz nesta quinta-feira para o site da CNN Brasil.

Leia abaixo:  

A despedida dos Rolling Stones

Mick Jagger está com oitenta anos, Keith Richards completa suas oito décadas em menos de dois meses e Ronnie Wood fez seus 76 anos no meio deste ano – e mesmo octagenários os Rolling Stones lançam um de seus melhores discos. Hackney Diamonds, lançado nesta sexta-feira, é o primeiro disco de inéditas do grupo em quase 20 anos e é o melhor disco da banda desde, provavelmente, Tattoo You, lançado em 1981. O grupo sabe disso e não o fez por mera autopromoção – ao cogitar que o novo álbum talvez seja seu último disco de estúdio, os três remanescentes da banda o transformaram em uma grande celebração à sua importância, não apenas subindo o sarrafo para apresentar um repertório bem acima da média dos discos anteriores, como convidando compadres e ídolos para participar desta celebração. Só a mera participação de Paul McCartney tocando baixo em “Bite My Head Off” já desequilibra completamente qualquer balança do mundo pop e todos esperamos o momento de vê-la encarnada em algum palco do mundo num literal museu vivo dos anos 60. Mas o disco ainda traz Stevie Wonder e Lady Gaga numa mesma faixa (a deslumbrante baladaça gospel soul “Sweet Sounds of Heaven”, que foi mostrada ao vivo no show surpresa que a banda fez em Nova York nesta quinta-feira no clube Racket, para 600 pessoas, com a participação da própria Gaga), o baixista original da banda Bill Wyman (o Stone mais velho de todos, já com 86 anos!) e Sir Elton John e encerra com uma versão da banda do blues de Muddy Waters que lhes deu o nome. Fechar o disco superproduzido com uma versão crua para “Rolling Stone Blues” foi a forma nada sutil que o grupo cogitou para encerrar sua carreira em estúdio. Em estúdio! Porque a vida nos palcos continua – esperamos vê-los ao vivo em breve.

Assista abaixo a participação de Lady Gaga no show de lançamento do novo álbum:  

A história do fundador dos Rolling Stones: Brian Jones

Apesar de ter entrado para a história como a banda da dupla Mick Jagger e Keith Richards, a verdade é que os dois que mais tarde encarnariam os Rolling Stones, entraram na banda depois que ela foi fundada – e seu fundador chama-se Brian Jones. Foi o guitarrista loiro demoníaco quem vislumbrou a possibilidade de montar uma banda de rhythm’n’blues elétrico em Londres e até Ian Stewart, eterno tecladista da banda que foi limado da formação original porque o primeiro empresário da banda, Andrew Loog Oldham, o considerava grandalhão demais para um grupo juvenil, tocava com os Rolling Stones antes da entrada de Keith e Mick. A aliança entre o vocalista e o outro guitarrista, que fez o grupo começar a compor suas próprias músicas, foi firmada para contrapor o peso da liderança de Brian, sujeito do novo documentário de Nick Broomfield, que dirigiu Kurt & Courtney (1998), Biggie & Tupac (2002), Whitney: Can I Be Me (2017) e Marianne & Leonard: Words of Love (2019). The Stones and Brian Jones contará a história do ponto de vista do Stone mais elétrico, mais endiabrado e mais ousado dos cinco integrantes originais – e como o peso do sucesso foi lhe tirando a importância dentro de sua própria banda. O filme estreará nos EUA em novembro, não tem previsão de lançamento no Brasil (alô In Edit!) e o primeiro trailer traz imagens inacreditáveis de Jones, veja abaixo:  

O Evangelho segundo os Rolling Stones, com Stevie Wonder e Lady Gaga

No segundo single de seu próximo álbum, Hackney Diamonds, os Rolling Stones não deixaram barato e soltaram logo um gospel de mais de sete minutos que ecoa os clássicos números lentos do grupo, como “Shine a Light”, “Worried About You”, “Winter”, “You Can’t Always Get What You Want” e até “I Just Want to See His Face”. E o clima de igreja de “Sweet Sounds of Heaven” é reforçado pela presença dos convidados ilustres da vez, ninguém menos que Stevie Wonder entre o piano, o piano elétrico e o synth bass (linha que o grupo usou para escrever o arranjo de sopros da faixa) e uma Lady Gaga, que consegue ser simultaneamente protagonista e coadjuvante, ambos apenas reverenciando a importância que sentem em relação ao grupo. Os dois guitarristas da banda – dois dos últimos sobreviventes, Keith Richards e Ron Wood – misturam-se com os convidados como se já tivessem tocado juntos por décadas, deixando terreno e holofote para Mick Jagger brilhar, que aproveita essa luz para celebrar o amigo Charlie Watts: “Abençoe o pai, abençoe o filho, ouça o som dos tambores enquanto eles ecoa pelo vale e explode”. Bom demais.

Ouça abaixo:  

Rolling Stones vindo pro Brasil?!

Calma que ainda é cedo pra cravar, mas o sexagenário grupo inglês já deu uma pista de cara ao anunciar seu primeiro álbum de músicas inéditas em quase 20 anos em uma coletiva nesta quarta-feira. Hackney Diamonds é o primeiro disco com novas composições do grupo desde A Bigger Bang, de 2005. Desde então o grupo só entrou em estúdio para lançar Blue & Lonesome, um disco composto só por versões de blues, em 2016, e os outros discos que lançou eram de gravações ao vivo de diferentes épocas de suas seis décadas de carreira. O novo disco, cujo título faz referência à forma como os cacos de vidro após assaltos a joalheiras eram referidos, deve sair no dia 20 de outubro e já tem convidados de luxo como Lady Gaga, Paul McCartney e Stevie Wonder. O disco ainda conta com as últimas gravações do falecido Charlie Watts e o novo baterista, Steve Jordan, foi uma sugestão do próprio Watts, que morreu em 2021. O novo disco ainda conta com a participação do antigo baixista da banda, Bill Wyman, e deve ter mais convidados anunciados em breve – e resta aquela especulação de que uma das faixas traria McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria, no maior supergrupo de todos os tempo. Por enquanto, o grupo – resumido agora a um trio formado por Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood – só apresentou a data de lançamento, a capa do novo álbum e o primeiro single, “Angry”, acompanhado de um clipe estrelado pela atriz Sydney Sweeney, que passeia num conversível entre outdoors que passeiam por diferentes fases da banda. E no finzinho da música, Jagger canta que “ainda tomo os remédios e estou indo pro Brasil”. Estamos esperando:

Assista aqui: