Trabalho Sujo - Home

Juca de Oliveira (1935-2026)

Juca de Oliveira, que morreu neste sábado, foi um dos maiores nomes das artes dramáticas do Brasil. Viveu a fase áurea do Teatro Brasileiro de Comédia e do Teatro de Arena, fez a transição para a televisão, onde virou astro nacional e protagonista de clássicos da TV Tupi (especialmente Nino, O Italianinho), transformando-se num dos maiores nomes da telenovela nos anos 70 e 80. Também experimentou o cinema (fez o clássico O Caso dos Irmãos Naves, que Luiz Sérgio Person dirigiu em 1967), mas nunca arredou o pé do palco, seu principal território e paixão.

Jair “Gatto” Fonseca (1958-2026)

Morreu um dos grandes antiheróis da música mineira. Jair “Gatto” Fonseca veio das letras e participava do coletivo Cemflores, em que estudantes da UFMG lançavam publicações independentes e faziam intervenções artísticas no final dos anos 70. Deste mesmo núcleo artístico surgiu o projeto punk – que depois virou a banda de mesmo nome – Divergência Socialista, liderado pelo saudoso Marcelo Dolabela, que também reunia John Ulhoa (futuro Pato Fu) na formação, e que trouxe Jair para a música. Ele seguiu no grupo seguinte de John, o Sexo Explícito, surgido em Belo Horizonte em 1982, mas dois anos depois criou seu próprio conjunto, o pós-punk O Último Número, reforçando suas raízes poéticas desde o nome, título de um poema de Augusto dos Anjos. Com este lançou dois discos independentes que marcaram a cena mineira do período e são joias pouco ouvidas do pós-punk brasileiro, O Strip-Tease da Alma (de 1987) e Filme (do ano seguinte), que marcaram a curta carreira do grupo e mostraram o trabalho de Jair para o resto do Brasil. A banda ainda lançou um terceiro álbum (Museu do Mundo), quando tentou voltar em 2001, mas Jair seguiu carreira nas letras, como professor formado e pós-graduado na mesma UFMG que começou e há vinte anos atuava como professor de literatura comparada da UFSC, em Florianópolis. As letras sempre foram seu principal habitat, tanto que se considerava mais “escritor de canções” do que compositor.

Country Joe McDonald (1942-2026)

Responsável por um dos momentos mais memoráveis do filme e do festival de Woodstock, o cantor estaduindense de folk Country Joe Macdonald, morreu neste sábado. Depois de desperdiçar três anos no exército de seu país (quando serviu em uma base norte-americana no Japão), voltou para os EUA no meio dos anos 60 e envolveu-se com o ativismo antiguerra, tanto em publicações independentes, passeatas e, finalmente, música. Uniu-se ao camarada Barry “The Fish” Melton e aos poucos a dupla acústica de folk Country Joe & The Fish tornaria-se uma banda de rock psicodélico. Ela foi escalada para tocar em vários festivais daquele período histórico, especialmente o Monterey Pop Festival em 1967 e Woodstock dois anos depois, logo após terem decidido terminar com o grupo. Naquele mesmo ano lançara seu primeiro disco solo, Thinking of Woody Guthrie, em homenagem a seu ídolo, pioneiro da folk music nos EUA. Foi esse espírito que o levou a entoar uma canção que havia composto em 1965 e que entrara no repertório de sua banda no formato eternizado por Guthrie, voz e violão. E assim transformou “I-Feel-Like-I’m-Fixin’-to-Die Rag” num dos grandes momentos do evento e num hino antibélico do período, com seu refrão cantando num tom mórbido: “1-2-3-4, por que estamos em guerra? Não me pergunte, não me importo, a próxima parada é o Vietnã. 5-6-7 abram os portões do paraíso. Não tempo pra se perguntar, todos nós vamos morrer!”. Após Woodstock engrossou ainda mais seu ímpeto na carreira solo, no ativismo e na gravadora Rag Baby, batizada em homenagem a uma das revistas independentes que publicava nos anos 60, além de voltar algumas vezes em reuniões do The Fish (que aconteceram em 1977 e 2004).

Marcelo “Mitsu” Pretto (1967-2026)

Triste a notícia da morte precoce de Marcelo Pretto, o Mitsu, vocalista dos grupos Barbatuques desde os primeiros anos do grupo e A Barca, onde se esmiuçava em questões da cultura popular brasileira, além de ter uma carreira solo, que nos deixou neste domingo. Carismático e inconfundível, era figura central nas apresentações do Barbatuques e sua voz uma das principais armas secretas do grupo.

Dennis Carvalho (1947-2026)

Um dos nomes mais influentes da TV brasileira, Dennis Carvalho morreu neste sábado, no Rio de Janeiro. Paulistano da Mooca, começou a trabalhar como dublador e ator ainda em São Paulo, até ser contratado pela Globo no final dos anos 60, quando, depois de atuar em várias novelas, começou a dirigi-las. Foi neste cargo que entrou para a história, ao tornar-se o principal parceiro do autor Gilberto Braga, com quem trabalhou junto em clássicos da telinha como Dancin’ Days (1978), Brilhante (1981), Vale Tudo (1988), O Dono do Mundo (1991), Anos Rebeldes (1992) e Celebridade (2003), entre outras. Seu último trabalho antes da morte foi a direção do programa Show 60 Anos, que comemorava o aniversário da emissora. Só isso dá uma ideia da importância que o diretor tinha para a empresa.

Neil Sedaka (1939-2026)

Um dos grandes nomes da música pop dos Estados Unidos, o cantor e compositor Neil Sedaka, que morreu nesta sexta-feira, já teria um lugar no panteão do pop se fosse apenas compositor – em mais de seis décadas de atuação, compôs mais de mil músicas. Começou na ascensão do rock’n’roll, mas logo começou a aplicar seu talento no pop sofisticado que era feito no lendário Brill Building, em Nova York, trabalhando ao lado de monstros sagrados da canção dos EUA como Burt Bacharach, Carole King e Neil Diamond. Mas ele mesmo era um popstar e cativava multidões com sua voz aguda, embora sempre longe do que era considerado moderno ou cool. Mas isso não abalou sua biografia, visto que seguia apresentando-se ao vivo até o ano passado. A pena de compositor ele aposentou em 2022.

Éliane Radigue (1932-2024)

Éliane Radigue, uma das primeiras mulheres a lidar com música concreta e música eletrônica, morreu nesta segunda-feira. Ouvinte do pioneiro Pierre Schaeffer nos tempos em que as rádios de Paris reproduziam os experimentos dos compositores eruditos contemporâneos, ela tornou-se sua aluna e assistente após encontrá-lo por acaso na rua no meio do século passado. Depois de mais de uma década aprendendo a partir da experiência, começou a compor e lançar suas próprias obras ao entrar em contato com o sintetizador, tornando-se uma das principais compositoras de música concreta e admirada por titãs da música contemporânea como Philip Glass e Steve Reich.

Willie Colón (1950-2026)

Dos maiores nomes da história da música latino-americana, o portorriquenho Willie Colón, trombonista que ergueu a salsa como a conhecemos hoje, morreu neste sábado. Contratado pela lendária gravadora Fania quando tinha apenas 15 anos de idade, ele já circulava pela cena jazz de Nova York com seu instrumento e aos poucos aproximou os ritmos latinos daquela nova vizinhança. Ás tanto como trombonista quanto como compositor, escreveu sucessos para Celia Cruz, Héctor Lavoe e Ruben Blades, enquanto consolidava sua reputação como músico, trazendo outros gêneros latinos – com o chá-chá-chá, o mambo e a jíbara – para os clubes nova-iorquinos e, consequentemente, para o mercado fonográfico dos EUA, tendo sido um dos primeiros grandes nomes latinos a cantar naquele país em espanhol.