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Nedra Talley Ross (1946-2026)

Nedra Talley Ross, última sobrevivente das Ronettes, o grupo pop de garotas que estabeleceu este formato, morreu neste domingo. Mesmo não tendo a fama que suas primas Veronica e Estelle Bennett conseguiram, ela foi quem mais resistiu à volta do grupo aos palcos, que foi tentada várias vezes depois que o trio encerrou suas atividades em 1966. Apadrinhadas pelo mago da produção pop do início dos anos 60 Phil Spector, elas têm um lugar na história da música gravada graças ao clássico “Be My Baby”, mas seu repertório é um dos mais sólidos daquela primeira fase da soul music. Nedra deixou a banda depois que Spector queria tornar Veronica – que se tornaria sua esposa e adotaria o nome artístico de Ronnie Spector, inspirando musas de todas as épocas desde Diana Ross a Amy Winehouse – e sua conversão para a religião a distanciou da música pop, trazendo-a para a música evangélica, onde gravou um disco e alguns singles em 1978. Ela só voltou a reunir-se com suas ex-companheiras de banda em duas ocasiões: ao mover um processo contra Phil Spector no início do século e ao ser entronizada no Rock and Roll Hall of Fame em 2007, quando foram apresentadas pelo rolling stone e fã Keith Richards. Estelle morreria dois anos depois e Ronnie morreria em 2022.

Rádio Eldorado (1958-2026)

Que notícia horrível essa do encerramento das atividades da Rádio Eldorado. O Grupo Estadão simplesmente livrou-se de quase 70 anos de história da música e da comunicação em São Paulo como quem joga fora um envelope usado, demitindo toda a equipe e desligando os equipamentos como quem se livra de um incômodo. Falam que vão manter a marca como uma presença online, mas isso não quer dizer muita coisa. A tradição e a referência para gerações de ouvintes foi jogada no lixo. Que merda.

Gregg Foreman (1972-2026)

Fundador da clássica banda de pós-punk/garage rock dos anos 90 nos EUA Delta 72, o músico, DJ e jornalista Gregg Foreman foi encontrado morto em sua casa nesta terça-feira. Além de liderar sua banda entre 1994 e 2001, ele trabalhou com artistas como Steve Albini, Jello Biafra, James Williamson, Alan Vega, Bobby Gillespie e Mark Lanegan, além de ter dirigido a banda de Cat Power por um bom tempo e ter feito parte do Pink Mountaintops e do Gossip. Foi também DJ de mod e pós-punk e tinha uma festa na Filadélifia chamada The Turnaround, além de ter atuado como jornalista de música no final dos anos 90 e ter seu próprio programa de entrevistas no rádio chamado The Pharmacy. Um herói do underground dos EUA, amado por vários artistas e desconhecido do público em geral.

Moya Brennan (1952-2026)

Morreu, nesta segunda-feira, a irlandesa Moya Brennan, uma das vocalistas do grupo Clannad (a outra era a Enya), que, entre os anos 70 e 80, ressuscitaram a cultura celta e a trouxeram para as paradas de sucesso, sua voz tornando-se um dos timbres mais associados à música daquela cultura ancestral.

Mister Sam (1946-2026)

A própria Gretchen – sua maior criação – foi quem anunciou a morte do DJ argentino Mister Sam, que aconteceu nesta segunda-feira. Um dos principais produtores pop do Brasil na virada dos anos 70 para os 80, ele criou e consolidou as carreiras de artistas pouco lembrados pela história canônica da nossa música, mas que ainda sobrevivem na memória de quem viveu aquele período – como Nahim, Dominó, Sharon, Gugu Liberato, Lady Lu, Rita Cadillac e, claro, Gretchen.

Afrika Bambaataa (1957-2026)

Pioneiro do hip hop, Afrika Bambaataa, que morreu nesta quinta-feira, foi um dos pilares da fundação desta cultura que mudou a cara do final do século 20 e depois ajudou a expandir seus horizontes para além das periferias de Nova York ao cruzá-la com a música eletrônica. Mas as acusações de abuso de menores que surgiram nos últimos dez anos de sua vida destruíram sua reputação. Escrevi sobre sua ascensão e queda em mais uma colaboração para o Toca UOL.  

Ted Nichols (1928-2026)

Autor de temas da maioria dos desenhos animados da fase de prata do estúdio Hanna Barbera, o compositor Ted Nichols morreu no início do ano, mas sua morte só foi comunicada por sua família nesta segunda-feira. Ele trabalhou no clássico estúdio de animação dos EUA entre 1963 e 1972 e foi discípulo do grande Hoyt Curtin (1922-2000), este autor de trilhas da fase de ouro da HB, compondo as trilhas para desenhos como Flintstones, Jetsons, Dom Pixote, Zé Colmeia, Pepe Legal, Manda Chuva, Jonny Quest, Super-Amigos e Smurfs, quase sempre com Nichols como assistente. Este ascendeu ao cargo de diretor musical do estúdio a partir de 1965, quando substituiu o mestre. Seu tema mais conhecido foi o de um novo desenho chamado Scooby-Doo, mas ele seguiu à risca os ensinamentos de Curtin e manteve o padrão HB em desenhos como Josie & As Gatinhas, Homem-Pássaro e Galaxy Trio, Space Ghost, Esquilo Sem Grilo, Corrida Maluca, As Aventuras de Penélope, Máquinas Voadoras, Formiga Atômica, entre outros.