Trabalho Sujo - Home

Rádio Eldorado (1958-2026)

Que notícia horrível essa do encerramento das atividades da Rádio Eldorado. O Grupo Estadão simplesmente livrou-se de quase 70 anos de história da música e da comunicação em São Paulo como quem joga fora um envelope usado, demitindo toda a equipe e desligando os equipamentos como quem se livra de um incômodo. Falam que vão manter a marca como uma presença online, mas isso não quer dizer muita coisa. A tradição e a referência para gerações de ouvintes foi jogada no lixo. Que merda.

Moya Brennan (1952-2026)

Morreu, nesta segunda-feira, a irlandesa Moya Brennan, uma das vocalistas do grupo Clannad (a outra era a Enya), que, entre os anos 70 e 80, ressuscitaram a cultura celta e a trouxeram para as paradas de sucesso, sua voz tornando-se um dos timbres mais associados à música daquela cultura ancestral.

Mister Sam (1946-2026)

A própria Gretchen – sua maior criação – foi quem anunciou a morte do DJ argentino Mister Sam, que aconteceu nesta segunda-feira. Um dos principais produtores pop do Brasil na virada dos anos 70 para os 80, ele criou e consolidou as carreiras de artistas pouco lembrados pela história canônica da nossa música, mas que ainda sobrevivem na memória de quem viveu aquele período – como Nahim, Dominó, Sharon, Gugu Liberato, Lady Lu, Rita Cadillac e, claro, Gretchen.

Afrika Bambaataa (1957-2026)

Pioneiro do hip hop, Afrika Bambaataa, que morreu nesta quinta-feira, foi um dos pilares da fundação desta cultura que mudou a cara do final do século 20 e depois ajudou a expandir seus horizontes para além das periferias de Nova York ao cruzá-la com a música eletrônica. Mas as acusações de abuso de menores que surgiram nos últimos dez anos de sua vida destruíram sua reputação. Escrevi sobre sua ascensão e queda em mais uma colaboração para o Toca UOL.  

Billy Bass Nelson (1951-2026)

No Parliament desde os tempos em que o grupo chamava-se Parliaments e todos seus integrantes eram vocalistas, Billy Bass Nelson, que morreu nesta semana, foi uma figura crucial na evolução do grupo liderado por George Clinton. Foi ele quem sugeriu que o grupo, originalmente um quarteto vocal de doo-wop, começasse a tocar seus próprios instrumentos para não depender dos músicos das casas em que iam tocar. E foi ele quem chamou Eddie Hazel, monstro da guitarra que seria parte essencial do som do grupo nos anos 70, para tocar o instrumento na nova formação da banda, deixando de lado seu próprio instrumento para aprender a tocar baixo durante os shows! Nelson também sugeriu que Clinton tirasse o “s” do Parliaments para mostrar como seria a nova banda e inventou o termo “funkadelic”, que George usou para batizar a versão mais pesada da banda que se apresentaria com nomes diferentes em situações diferentes. Engrenagem crucial na história deste P-Funk, Billy Nelson tocou baixo no disco de estreia do Parliament e guitarra em seu segundo álbum, além de tocar seu novo instrumento nos três primeiros discos do Funkadelic. Foi o primeiro dos inúmeros integrantes do grupo a brigar com Clinton por dinheiro, deixando a banda e começando a tocar com outros nomes, como os Commodores, Fishbone, Jermaine Jackson, Lionel Richie, Smokey Robinson, além de ter tocado em discos solo de integrantes da banda de Clinton, como Eddie Hazel, Ruth Copeland e Bernie Worrell. Ele chegou inclusive a voltar a tocar com os velhos companheiros, embora esporadicamente, a partir de 1994.

Sly Dunbar (1952-2026)

Morreu nesta segunda-feira um dos maiores nomes da percussão jamaicana, o lendário baterista Sly Dunbar. Nascido Lowell Fillmore Dunbar, Sly ganhou este apelido na adolescência, quando começou a tocar com aquele seria seu maior parceiro em toda vida, o baixista Robbie Shakespeare, no momento em que a música da ilha caribenha em que nasceram passava por sua maior transformação. O ska tornava-se rock steady e aos poucos o novo gênero deixava de ser tão dançante para assumir uma doçura que vinha da soul music norte-americana, mutando-se no que depois se tornaria mundialmente conhecido como reggae. Sly e Robbie começaram a tocar juntos em grupos da primeira fase do gênero, como Revolutionaries (que também tocava como Aggrovators) e suas influências vinham da própria ilha – especificamente do baterista dos Skatalites, o lendário Lloyd Knibb, e do baterista dos Booker T & The MGs nos Estados Unidos, Al Jackson Jr. Os Revolutionaries tornaram-se a banda do histórico Channel One Studios no mesmo ano em que Bob Marley tornou-se um artista global, o que provocou uma procura mundial pelo novo ritmo jamaicano. Logo os dois começariam a trabalhar como uma dupla e assinar Sly & Robbie, tocando tanto com lendas conterrâneas (como Gregory Isaacs, “Scratch” Lee Perry, Junior Murvin, Black Uhuru, Peter Tosh, Chaka Demus & Pliers, Bunny Wailer, Jimmy Cliff e o próprio Bob Marley) a titãs da música pop tão diferentes quanto Bob Dylan (que os reuniu com Mark Knopfler e Mick Taylor no disco Infidels, onde gravaram “Jokerman”), Herbie Hancock (com quem gravaram “Future Shock”), Grace Jones (com quem gravaram três álbuns), Serge Gainsbourg, Madonna, Fugges, No Doubt, Sinéad O’Connor, Britney Spears e os Rolling Stones. Robbie já tinha ido para o outro plano em 2021 e agora os dois se reúnem novamente no céu do reggae. Vai em paz.