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Raimundo Rodrigues Pereira (1940-2026)

Morreu neste sábado um dos nomes mais importantes do jornalismo independente brasileiro e uma das principais vozes de oposição à ditadura militar dos anos 60 e 70, o pernambucano Raimundo Rodrigues Pereira. Fez parte da fundação da revista Veja, onde começou a revelar as torturas feitas pelo regime do período (negada por seus ditadores), seguiu na resistência ao participar da equipe de dois periódicos independentes que marcaram a época: o jornal Opinião (onde começou a trabalhar em 1972) e o jornal Movimento (que fundou em 1975 e o manteve até 1981, sempre sob forte repressão da ditadura), conhecido por se apresentar como “um jornal sem patrões” – por isso mesmo um dos veículos que mais cobriu as greves no ABC paulista no fim daquela década, que acabaram por desestabilizar a ditadura. No Movimento contava com colaboradores como Perseu Abramo, Chico Buarque, Jacob Gorender, Nelson Werneck Sodré, Fernando Henrique Cardoso, Moniz Bandeira e Elifas Andreato. Após a ditadura, criou o jornal diário Retratos do Brasil (que teve vida curta de poucos meses, em 1988) e seguiu colaborando com alguns veículos tradicionais, até fundar a Editora Manifesto, em 1997, que manteve até sua morte. Um herói.

Rádio Eldorado (1958-2026)

Que notícia horrível essa do encerramento das atividades da Rádio Eldorado. O Grupo Estadão simplesmente livrou-se de quase 70 anos de história da música e da comunicação em São Paulo como quem joga fora um envelope usado, demitindo toda a equipe e desligando os equipamentos como quem se livra de um incômodo. Falam que vão manter a marca como uma presença online, mas isso não quer dizer muita coisa. A tradição e a referência para gerações de ouvintes foi jogada no lixo. Que merda.

Moya Brennan (1952-2026)

Morreu, nesta segunda-feira, a irlandesa Moya Brennan, uma das vocalistas do grupo Clannad (a outra era a Enya), que, entre os anos 70 e 80, ressuscitaram a cultura celta e a trouxeram para as paradas de sucesso, sua voz tornando-se um dos timbres mais associados à música daquela cultura ancestral.

Mister Sam (1946-2026)

A própria Gretchen – sua maior criação – foi quem anunciou a morte do DJ argentino Mister Sam, que aconteceu nesta segunda-feira. Um dos principais produtores pop do Brasil na virada dos anos 70 para os 80, ele criou e consolidou as carreiras de artistas pouco lembrados pela história canônica da nossa música, mas que ainda sobrevivem na memória de quem viveu aquele período – como Nahim, Dominó, Sharon, Gugu Liberato, Lady Lu, Rita Cadillac e, claro, Gretchen.

Afrika Bambaataa (1957-2026)

Pioneiro do hip hop, Afrika Bambaataa, que morreu nesta quinta-feira, foi um dos pilares da fundação desta cultura que mudou a cara do final do século 20 e depois ajudou a expandir seus horizontes para além das periferias de Nova York ao cruzá-la com a música eletrônica. Mas as acusações de abuso de menores que surgiram nos últimos dez anos de sua vida destruíram sua reputação. Escrevi sobre sua ascensão e queda em mais uma colaboração para o Toca UOL.  

Ted Nichols (1928-2026)

Autor de temas da maioria dos desenhos animados da fase de prata do estúdio Hanna Barbera, o compositor Ted Nichols morreu no início do ano, mas sua morte só foi comunicada por sua família nesta segunda-feira. Ele trabalhou no clássico estúdio de animação dos EUA entre 1963 e 1972 e foi discípulo do grande Hoyt Curtin (1922-2000), este autor de trilhas da fase de ouro da HB, compondo as trilhas para desenhos como Flintstones, Jetsons, Dom Pixote, Zé Colmeia, Pepe Legal, Manda Chuva, Jonny Quest, Super-Amigos e Smurfs, quase sempre com Nichols como assistente. Este ascendeu ao cargo de diretor musical do estúdio a partir de 1965, quando substituiu o mestre. Seu tema mais conhecido foi o de um novo desenho chamado Scooby-Doo, mas ele seguiu à risca os ensinamentos de Curtin e manteve o padrão HB em desenhos como Josie & As Gatinhas, Homem-Pássaro e Galaxy Trio, Space Ghost, Esquilo Sem Grilo, Corrida Maluca, As Aventuras de Penélope, Máquinas Voadoras, Formiga Atômica, entre outros.

Gerson Brenner (1959-2026)

Morreu Gerson Brenner, galã carismático de novelas na Globo entre os anos 80 e 90 que, em 1997, reagiu a uma tentativa de assalto, tomou um tiro na cabeça e quase morreu: ficou em coma por uns dias e voltou com sequelas que anteciparam o fim de sua carreira.