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A nova cena independente na televisão

O programa Metrópolis da TV Cultura pegou o gancho do ótimo Mapa da Música Autoral de São Paulo feito por Alexandre Bazzan e Isabella Pontes, da banda Schlop, para fazer uma matéria sobre a nova cena independente de São Paulo – e além de conversar com Isabella e com algumas bandas também falou comigo e com o Arthur sobre o nosso festival Chama. Assista abaixo (a matéria começa no meio do terceiro minuto do programa):  

Chama mais!

Mais uma edição do Chama que funcionou lindamente, mas noutra escala. Além de ter mais público que a primeira (em setembro de 2025), as bandas desse ano entenderam a chance de trazer participações como convites para shows espetaculares – e todos fizeram apresentações quentíssimas a partir de desafios que se propuseram. Desde a peça de teatro que intercalou as músicas do primeiro show do Copo e Água – que deixou o convidado Rafaekx o tempo todo no palco – à invasão do Nigéria Futebol Clube, que transformou sua apresentação num misto de happening e fluxo, subvertendo expectativas com inúmeros de convidados a mais, além dos anunciados J.Cruz e Tuzin. O trio Los Otros seguiu confiante de seu rockinho básico e a presença da guitarra endiabrada do Fepa deixou-os ainda mais à vontade para conquistar o público, seguido do Celacanto que fez seu show hipnótico e preciso de sempre com direito ao Giba no theremin (e soltando a voz em “Desamarrado”), Yma entregue ao grupo por três canções (incluindo a linda versão para “Queremos Saber” do Gil) e a aparição surpresa da clarinetista Laura Santos. A Nevoara fez um show absurdo, em especial pela presença e magnetismo da guitarrista Duda Freitas, uma guitar heroine de outro planeta. Com a presença de outro ás da guitarra, Samuel Xavier, do Naimaculada, e o coro formado por Rita Martinez, Naty Oliveira e Lara Zanon, o grupo fez um dos shows mais fodas da noite, também graças ao carisma da vocalista Laura Mendes. Depois foi a vez do prog purinho baixar com toda a intensidade do Baile do Peixe, que ainda convidou Sol para várias canções, inclusive trechos do musical Jesus Christ Superstar. Na finaleira, a Cianoceronte fez seu melhor show, com a mesma Duda do Nevoara fazendo a guitarra da banda, e a participação incendiária do poeta Igor Celestino, enquanto o Naimaculada encerrou a noite em seu espetáculo mais ousado, cheio de participações especiais (Dinho dos Boogarins, Cyro do Menores Atos, Francisca Barreto, Nabru e a Sol em sua segunda apresentação na noite) e completamente entregues ao público, tirando onda em tocar “Saídas e Bandeiras” do Milton Nascimento ao lado de Dinho e Chica. Uma noite que terminou em êxtase e exaustão, todos felizes de terem visto e participado das oito apresentações que reunimos neste sábado. Vamos ao próximo! Quando seria bom?

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Começando bem

Bons presságios do primeiro Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira, começando o ano com uma série de sinais que dão uma ideia de como o ano promete. A começar pela casa anfitriã da noite, quando o compadre Arthur Amaral mostrou sua Porta Maldita após uma pequena mas agradável reforma que deixou a área do bar mais espaçosa – e propícia pra virar uma pistinha. A noite abriu com a banda do Vale da Paraiba Infinito Latente, que lança seu primeiro álbum bem nesse início de ano, aproveitando a festa para mostrar as músicas ao vivo pela primeira vez desde o lançamento. Baseada na harmonia da dupla que lidera o grupo, a vocalista Maira Bastos e o violonista João Dussam, o grupo ainda conta com Igor Sganzerla nos teclados, Pedro Sardenha no baixo e Caio Gomes na bateria, mostrando as canções de seu Sem Início Nem Fim na fronteira entre o indie rock e a MPB que tão bem caracteriza essa nova geração.

Depois foi a vez da Schlop aproveitar a oportunidade para mostrar a versão física e palpável do ótimo projeto “O Mapa da Música Autoral de SP”, concebido pelo companheiro da vocalista e líder da banda, Isabella Pontes, Alexandre Bazzan. O levantamento de Bazzan (que pode ser encontrado digitalmente em sua newsletter) reúne tanto casas de show quanto novas bandas e depois falo mais sobre esse ótimo projeto. E o show da Schlop também trouxe novidades: além de consolidar a formação com Lúcia Esteves no baixo e o aniversariante Antonio Valoto (na bateria), a banda começa a mostrar as músicas que lançarão em seu próximo disco, em que regravaram as músicas que Isabella lançou quando a banda ainda era um projeto de uma garota só em seu quarto. A apresentação terminou com Isabella entregando a guitarra para Gustavo Esparça (que toca em bandas tão diferentes quanto Apenas Animais, Onda Quadrada, Elipsismo, Miragem, entre outras) para o momento mais grunge da noite.

A edição terminou com a primeira apresentação da banda Turmallina na festa, com o quinteto paulistano comemorando dois aniversários na banda, quando a baterista Paula Janssen e o baixista Eduardo Campos ganharam parabéns no palco da Porta Maldita. O grupo caminha por essa improvável vertente da nova cena indie de São Paulo que mistura emo com shoegaze e aproveitou a oportunidade para mostrar músicas novas que estarão presentes em seu primeiro álbum, que está gravado agora. À frente da banda está o guitarrista Caio Silva, que, mesmo sem chamar atenção, equilibra-se entre duas duplas, dividindo os vocais com Gabe Jordano e as guitarras com Marcos Marques, dando uma personalidade específica o grupo.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Infinito Latente, Schlop e Turmallina @ Porta Maldita (23.1)

O primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2026 acontece no dia 23 de janeiro, quando, em mais uma noite na Porta Maldita, reunimos as bandas Infinito Latente, Schlop e Turmallina para esquentar a sexta-feira da próxima semana apontando os nomes que estão formando a nova cena independente nos anos 20. A Porta Maldita fica na rua Luís Murat, 400, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena e abre a partir das 20h. Os ingressos já estão à venda e eu toco entre os shows de cada banda. Vamo lá que o ano tá só começando…

Garotas Suecas, 20 anos: “Não há nada mais bonito do que ser independente”

“Não há nada mais bonito do que ser independente” – citando (e tocando) Sérgio Sampaio os Garotas Suecas começaram a gravação de seu disco ao vivo nesta quinta-feira, quando passaram mais de vinte músicas em pouco mais de uma hora e meia no palco personalizado do Porta Maldita, que recebe o quarteto em duas datas para a gravação do disco que comemora duas décadas de atividade, sempre no meio independente. Visitando canções de diferentes álbuns, com direito a um punhado de versões de músicas alheias que fizeram neste mesmo período, além da já citada “Sinceramente”, que abriu a noite. É muito bom ver o entrosamento da banda, cujos músicos só se olham para confirmar sua dinâmica instrumental, azeitadíssima para essa apresentação. Falando pouco com o público, deixaram a música falar por si e tal entrosamento logo conquistou todos os presentes, com canções que bebem tanto da história da MPB como de joias da soul music, clássicos da história do rock e pérolas do rock brasileiro. E além de faixas de seus quatro álbuns, eles ainda passearam pelo Ronnie Von psicodélico (“Sílvia 20 Horas Domingo”), pela Gal tropicalista (“Vou Recomeçar”), pelo rock de garagem (com “I Can Only Give You Everything” do Them e a versão brasileira para “Psychotic Reaction” dos Count Five, que virou “Caminho de Dor”), pelo soul de Luiz Melodia (“Pra Aquietar”), de Tim Maia (“Não Vou Ficar”) e de Aretha Franklin (“Respect”). Mas essas versões eram mais uma zona de conforto para a banda relaxar e entregar tudo em suas músicas autorais, passando por músicas dos primeiros anos (como “Eu”, “Não Se Perca Por Aí”, “Banho de Bucha”, “Codinome Dinamite”), outras de seu ótimo Feras Bucólicas (como minhas favoritas “New Country”, “Bucolismo” e “Pode Acontecer”), de sua fase de transição (“Objeto Opaco”, “Me Erra” e “Ananás”) e do disco pós-pandemia (“Gentrificação” e “Não Tá Tudo Bem”). Mas o melhor era ver como o grupo se divertia enquanto voltava na própria história. Showzaço que deve se tornar um discaço – e sexta-feira tem mais, pra quem perdeu.

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20 anos de Garotas Suecas!

Discoteco antes da gravação do primeiro disco ao vivo dos Garotas Suecas, que acontece nessa quinta-feira na Porta Maldita. Eles vão gravar na quinta e na sexta, mas só vou discotecar no primeiro dia, antes do show. Depois quem assume o som é o mister Tatá Aeroplano. Chega mais pra comemorar os vinte anos dos Garotas!

Chama Festival – Segunda Edição

Marque na sua agenda: a segunda edição do Chama Festival acontece no dia 7 de fevereiro, quando A Porta Maldita e o Inferninho Trabalho Sujo juntam suas forças de novo para mostrar as novas bandas que estão surgindo na cena musical brasileira. Novamente teremos oito bandas, cada uma delas trazendo um convidado, nos dois palcos da Casa Rockambole, mostrando como a cena musical brasileira está quente nesta terceira década do século. Vamos anunciar os nomes ainda este mês, mas quem comprar o ingresso antes de mostrarmos o elenco paga mais barato. Vamos nessa!

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Chama acesa

Que maravilha o #chamafestival2025 neste sábado na Casa Rockambole. Tudo funcionou lindamente e juntos transformamos uma noite fria de sábado numa celebração festiva de uma parcela considerável comunidade musical paulistana em formação. Artistas e bandas que estão, em sua maioria, nos primeiros anos de carreira, mostraram serviço enquanto se divertiam e faziam sua arte. A Orfeu Menino tacou fogo no festival de cara, botou todo mundo pra dançar e os sopros de Lalá Santos acentuaram o groove do quinteto. Depois o Saravá encaixou-se bem com Ricardo Paes, do Naimaculada, e seu tom meio blues e soul funcionou lindamente com a melancolia pesada do trio. Em seguida, o grupo D’Artagnan Não Mora Mais Aqui trouxe seu noise pós-punk torto e melódico, em que o guitarrista do Nigéria Futebol Clube, Rodrigs, não teve dificuldade para entrar – e prometeu a vinda de seu primeiro álbum. A Monstro Bom trouxe seu indie pop com as intervenções eletrônicas do Lauiz e também falou da vinda de seu disco de estreia. A alternância entre palcos funcionou e todos conseguiam ver tudo, sem perder o show anterior ou o seguinte. O Tutu Naná derreteu todos com ruído e melodia e Karin Santa Rosa tornou-se quinta integrante do grupo. Mas ninguém estava preparado pro que o Gabiroto iria fazer: ele começou o show tendo suas mãos tatuadas no palco (enquanto cantava) e, depois de convidar Trash para a noite, abriu uma clareira no público para a entrada de uma garota pendurada no teto por num tecido, um cara de pernas de pau e bailarinas com, um verdadeiro circo freak. A noite terminou com duas doses pesadas de rock: a psicodelia do Applegate com o hard rock do Malvisto e a crueza do Ottopapi com a presença efusiva da estreante da Isabella Gil. Shows que deixaram todos extasiados e felizes, com a casa cheia pra ver nomes que sequer tinham ouvido falar. E assim a curiosidade vence a apatia. Missão cumprida!

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Chama Festival | 13.9.2025

Ottopapi, D’Artagnan Não Mora Mais Aqui, Gabiroto, Orfeu Menino, Monstro Bom, Tutu Naná e Applegate são as atrações da primeira edição do Chama Festival, que tem como o intuito mostrar as novas bandas brasileiras que estão surgindo nesta década. Idealizado por mim e pelo Arthur Amaral (que criamos estes celeiros de talentos no Inferninho Trabalho Sujo e no Porta Maldita), o festival reúne oito bandas – que por sua cada uma delas recebe seus respectivos convidados: Ottopapi recebe Isabella Gil, D’Artagnan Não Mora Mais Aqui convidou o Rodrigs do Nigéria Futebol Clube, Gabiroto chamou o Trash, Orfeu Menino veio com a Lalá Santos, Monstro Bom trouxe o Lauiz, Tutu Naná convocou Karin Santa Rosa e Applegate acionou o Malvisto. O festival acontece no sábado dia 13 de setembro de 2025 a partir das 16h20 na Casa Rockambole. Os ingressos já estão à venda.

Pra encerrar a noite numa boa

E depois de uma noitaça na Casa Rockambole, que tem horas pra fechar, arrastamos os sobreviventes do Inferninho Trabalho Sujo de sexta prum after na Porta Maldita, que teve um arraiá rock organizado pelas bandas Miragem, Schlop e Nunca Foi Tão Fácil, com direito a bingo, pescaria e rifa (com direito a um pano de prato do Steely Dan). Achei que ia chegar depois dos shows, mas ainda consegui ver a metade do show da Schlop – e por mais que a Bella, líder da banda, estivesse mais preocupada do que normalmente, o show seguiu aquela vibe indie lo-fi foda-se característica da banda, fazendo a noite terminar num astral relax depois do turbilhão de sons que havíamos feito um pouco antes. Bom demais.

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