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Phoebe Bridgers 2026: “This machine is killing me”

Eis “Lost Boys”, primeiro single do novo disco de Phoebe Bridgers, que usa de um clipe e de sua ficha técnica para aprofundar-se um pouco mais em seu recém-anunciado terceiro álbum, Lost Weekend. Misturando RPG, feiras renascentistas, videogame, gangues de moto e uma tradição meio desalentada da vida no interior dos EUA (com um toque sobrenatural e a sensação de rito de passagem), o clipe também revela a presença de Jack Antonoff na produção, de suas comadres de Boygenius Lucy Dacus e Julien Baker nos vocais e a participação de Alex G, que abrirá alguns shows de sua próxima turnê, na ficha técnica do disco, mas, principalmente, coloca-a como foco de luz e de magia neste novo trabalho, disposta a tomar o trono do indie dos EUA para si.

Assista abaixo:  

A vinda de Phoebe Bridgers

O novo disco de Phoebe Bridgers finalmente desponta no horizonte. Toda a movimentação da heroína indie no mês passado – quando fez shows em que proibia celulares em cidades pequenas pelos Estados Unidos até culminar numa apresentação igualmente sem registro no Madison Square Garden, em Nova York, seguida de um anúncio de uma extensa turnê – indicava que ela estava vindo com disco novo aí e eis que ela torna públicos capa, título e data de lançamento de seu terceiro álbum, lançado fielmente pela mesma gravadora indie que a acompanha desde sua estreia, Dead Oceans. Lost Weekend será lançado no dia 14 de agosto e tem o mesmo título de um dos primeiros clássicos de Billy Wilder, o filme de 1945 sobre alcoolismo estrelado por Ray Milland (lançado no Brasil como Farrapo Humano) que também batizou o período devasso que John Lennon passou longe de Yoko Ono, no meio dos anos 70, quando enfiou o pé na jaca com uma turma que morava em Los Angeles formada por titãs como Harry Nilsson, Keith Moon, Ringo Starr, Bernie Taupin, Mickey Dolenz e Alice Cooper (inspiração deste último para sua banda Hollywood Vampires) por dezoito meses entre 1973 e 1975. Não sabemos se o título do disco de Bridgers ecoa essa tradição antialcóolatra e ela deixou um vídeo no YouTube sem título agulhado para estrear nesta quinta-feira – mas nem o nome do novo single sabemos de fato. Vamos ver.

Phoebe Bridgers offline

“É estranho não ter o celular, né?”, disse Phoebe Bridgers logo após uma das músicas em que, graças à proibição do aparelho (e outros dispositivos de registro), calou as mais de vinte mil pessoas que lotaram o Madison Square Garden, em Nova York, na quinta passada, emudecidas e deixando apenas a voz e o som de seu instrumento ecoar no local. Fechando um ciclo de shows-surpresa em lugares pequenos pelos Estados Unidos, ela lotou a maior casa de shows da maior cidade de seu país cobrando um dólar por ingresso e o tíquete tornou-se a única lembrança que o público pode levar para casa. “Eu agradeço que vocês possam tornar esse local uma zona livre de internet”, comentou em seguida, “se vocês enfiaram um relógio da Apple no cu pra gravar isso, por favor, não publique na internet. Confio em vocês.” As restrições para o show incluíram até papel, caneta e lápis para os jornalistas que cobriram a apresentação contassem apenas com a memória para mencionar trechos de letras e até suas falas entre as canções. Como nos shows que fez durante maio, tocou várias músicas ainda sem título de seu novo disco, que deve estar vindo mais em breve do que pensamos, pois a turnê já está com ingressos à venda (embora nada ainda sobre vir para o Brasil)

Veja o ingresso abaixo:  

Phoebe Bridgers está voltando!

Sem lançar discos solo desde o ótimo Punisher, de 2020 (sem contar o disco com o supertrio Boygenius, que fez a rapa nos Grammy de 2024), Phoebe Bridgers teve um maio agitado que começou com o anúncio de sua estreia nos cinemas (quando estará no filme Primetime, que estreia lá fora em setembro). Logo depois anunciou um show surpresa no mesmo dia do show, padrão que acabou se repetindo em várias cidades dos EUA. Nesta quinta-feira, ela fechou essa primeira etapa de sua nova fase ao manter a mesma lógica dos shows surpresa em uma das maiores casas de show do mundo, ao lotar o Madison Square Garden de Nova York anunciando o show na própria quinta-feira em flyers impressos e pôsteres colados em postes pela cidade (cobrando um dólar pelo ingresso!). O show manteve o padrão dos anteriores – abriu e fechou com músicas de seus dois primeiros discos, mas o miolo era composto apenas por músicas inéditas, com um agravante: todo mundo tinha que deixar seu celular na entrada. Até os jornalistas que foram convidados para essa apresentação tiveram que assinar um acordo de confidencialidade para não contar nada sobre as músicas novas (e, lógico, não registrar nada). Nessa sexta-feira, ela mostrou que a primeira etapa foi concluída e acaba de dar início à nova fase, abrindo a venda de ingressos do que está chamando de Lost Tour pelos Estados Unidos (com abertura do Alex G) e por alguns países da Europa (com abertura do ex-Black Country New Road Isaac Woods). Sobre o disco nenhuma novidade ainda, mas devemos ter algo muito em breve…

Primavera Sound São Paulo – Dia 2

O segundo dia da versão paulistana do Primavera Sound correu ainda mais suave do que o primeiro. Talvez por não ter atrações tão midiáticas quanto Arctic Monkeys ou Björk, o domingo do festival atraiu um público mais afeito ao trabalho dos artistas – ou, melhor dizendo, das artistas. O festival consagrou uma versão feminina do pop contemporâneo que se traduzia tanto no público quanto no astral coletivo, deixando tudo mais receptivo e suave, tolerante e acolhedor. O domingo foi das mulheres e mesmo que Travis Scott tenha atraído uma enorme massa para o palco do patrocinador principal (o pior palco do evento, disparado), corações e mentes foram tragados pela alma fêmea do festival, que no segundo dia foi representada especificamente por Phoebe Bridgers, Jessie Ware (o melhor show de todo o fim de semana!), Lorde e Arca.

Vamos aos shows…  

Um ano sem Daniel Johnston

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No dia 11 de setembro do ano passado perdemos o doce e alucinado Daniel Johnston, ícone do rock independente norte-americano e um dos compositores que, de uma forma improvável, bissexta e errática, fez a conexão entre o rock clássico dos anos 60 e o indie rock a partir dos anos 80. Sua família juntou fãs célebres para fazer uma homenagem ao seu legado no aniversário de um ano de morte no espetáculo online (claro) Honey I Sure Miss You – A Tribute To The Life, Art, And Music Of Daniel Johnston, que aconteceu nesta sexta. E entre popstars como Jeff Tweedy, Beck, Devendra Banhart, Phoebe Bridgers e Kevin Morby, quem brilhou mesmo foi o próprio Jonston, que roubou a festa póstuma quando, ao final da apresentação, foi revelado um vídeo do primeiro dia do ano de 1991, em que ele compõe “When I Met You”, que iria gravar três anos depois numa versão sem instrumentos, ao piano, fazendo anotações nos intervalos da composição, num momento único de criação de um gênio ímpar.

É de chorar, diz aí.

E essa “Fake Plastic Trees”?

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“Fake Plastic Trees”, clássica balada do segundo disco do Radiohead, já havia sido revisitada há pouco tempo pela vocalista do Paramore, Hayley Williams, e agora é a cantora folk norte-americana Phoebe Bridgers quem traz uma versão de chorar da música gravada para o programa Piano Session, da rádio inglesa BBC. Ela já tinha revisitado “Everything is Free”, da Gillian Welch, em parceria com a nossa querida Courtney Barnett nesta quarentena e agora ela divide o palco com a novata inglesa Arlo Parks, que acompanha a balada ao piano.

Lindaço hein.

Courtney Barnett segue à toda

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Até a quarentena, os planos de Nossa musa indie australiana Courtney Barnett eram atravessar o primeiro semestre abrindo para a turnê pro Nick Cave, ideia que ficou para um futuro indefinido. Para compensar ela não parou de tocar neste período, mostrando versões para músicas que gosta. Há uma semana ela já tinha revisitado “Everything is Free” que Gillian Welch compôs quando as pessoas começaram a baixar música de graça na internet, há vinte anos. Ao lado de Phoebe Bridger, ela puxou a versão na edição virtual do festival folk de Newport – cada uma em seu canto, harmonizaram bonito os vocais.

Agora ela volta a um de seus ídolos conterrâneos, o herói folk australiano Kev Carmody, que está ganhando uma nova edição do disco-tributo que fizeram em sua homenagem em 2007. Cannot Buy My Soul. A bela versão de Courtney para “Just For You” foi elogiada pelo próprio autor da canção.

Que mulher.