…Ronaldo me manda o poema de Horace Smith, escrito como em resposta ao original de Percy Shelley, lançado no mês seguinte ao lançamento do original, em 1818. O título de ambos? Ozymandias:
In Egypt’s sandy silence, all alone,
Stands a gigantic Leg, which far off throws
The only shadow that the Desert knows:
“I am great OZYMANDIAS,” saith the stone,
“The King of Kings; this mighty City shows
“The wonders of my hand.” The City’s gone,
Nought but the Leg remaining to disclose
The site of this forgotten Babylon.
We wonder, and some Hunter may express
Wonder like ours, when thro’ the wilderness
Where London stood, holding the Wolf in chace,
He meets some fragments huge, and stops to guess
What powerful but unrecorded race
Once dwelt in that annihilated place.
Aí vamos ao de Shelley:
I met a traveller from an antique land
Who said: Two vast and trunkless legs of stone
Stand in the desert. Near them on the sand,
Half sunk, a shatter’d visage lies, whose frown
And wrinkled lip and sneer of cold command
Tell that its sculptor well those passions read
Which yet survive, stamp’d on these lifeless things,
The hand that mock’d them and the heart that fed.
And on the pedestal these words appear:
“My name is Ozymandias, king of kings:
Look on my works, ye Mighty, and despair!”
Nothing beside remains: round the decay
Of that colossal wreck, boundless and bare,
The lone and level sands stretch far away.
Que perna é essa… E não custa lembrar que Damon Lindelof admitiu ter surrupiado várias idéias (“From the flashbacks to the non-linear storytelling to the deeply flawed heroes, these are all elements that I try to put into everything I write”) de Watchmen – que conta com um de seus principais personagens batizado a partir deste poema.
Fora a conexão entre o deus Hórus e Horace (tanto o do poema como o da Dharma – vale a pena rever uns flashbacks do Ben e um sonho – ou lembrança? – do Locke – fora que o ator era o Tooms, do Arquivo X) que o Ronaldo citou – vamos conversar sobre isso no Comentando Lost de amanhã, em dose dupla.
Mais notícias da série em quadrinhos que deu origem ao tão falado filme: vocês sabiam que existe um RPG inspirado na HQ, que foi lançado logo depois de sua primeira edição? E mais: que Alan Moore aprovou esse RPG? Não é brincadeira, não: dá uma sacada neste post do Once Upon a Geek.
Parece que eles estão apenas começando a aparecer…
E já que voltamos a Watchmen, o filme está bem na bilheteria, mas longe do resultado que previa o estúdio e isso fez com apressassem o lançamento do DVD complementar ao filme em uma semana – Os Contos do Cargueiro Negro (a história em quadrinhos dentro da história em quadrinhos) virou um desenho animado com voz do ator Gerard Butler (“THIS IS SPARTA!”) e seu DVD ainda contará com o minidocumentário fake Under the Hood, em que a biografia de Hollis Mason – o Coruja original – é recapitulada em entrevistas e imagens de época, como um programa de TV.
Originalmente, cada um dos três primeiros capítulos de Under the Hood – a autobiografia de Mason – vinham ao final das três primeira edições de Watchmen em quadrinhos. E como caiu na rede é peixe, já vazou tanto o torrent do Cargueiro Negro (que tem 26 minutos) quanto o do Under the Hood (que tem 38). Além desses, o DVD ainda conta com outros extras, como uma cena não usada no filme (The Two Bernies, que confronta os dois personagens quase figurantes que habitam a esquina-símbolo da HQ em Nova York, o dono da banca de jornal e o leitor, ambos Bernie), uma entrevista com Zack Snyder, um documentariozinho chamado The Books of Watchmen e algo chamado de A First Look at the Green Lantern (será?). Não me agradeçam – agradeçam ao Danilo, que passou da hora de fazer seu próprio blog. E eu acho que já havia linkado o trailer do Black Freighter aqui, mas em todo caso…
E aqui tem um outro preview, com algumas entrevistas:
Mas não achei nenhuma imagem do Under the Hood.
Resta saber como andará o filme durante o ano. Porque há uma versão de três horas e dez minutos do filme pronta para ser lançada em DVD, mas Snyder prometeu que se o filme fosse bem na estréia, ele poderia voltar aos cinemas, na versão ainda mais longa, no meio do ano, data em que o DVD do filme deve ser lançado (e imagina a quantidade de extras que viriam neste). E há quem ache que Watchmen pode tornar-se cult – o fato do filme estar fazendo muita gente buscar o quadrinho original pode fazer com que estas mesmas pessoas queiram rever o filme para compará-lo a HQ. Fora que no próximo mês e meio, nenhum filme tão grande vai ser lançado no cinema – até maio, quando teremos, quase na seqüência um do outro, Wolverine, Anjos e Demônios, Jornada nas Estrelas, O Exterminador do Futuro 4 e o Up da Pixar. E como a caixinha de surpresas de Snyper parece nunca ter esvaziado, não duvide se ele lançar ainda mais coisa com a grife Watchmen até o fim do ano… E não estou falando em merchandising…
Isso sem contar o Watchmen Motion Comics, que está saindo em DVD em tem CINCO HORAS:
E se você tá achando que Watchmen é febre, já aviso: o transformação de Alan Moore em ícone pop só está começando. Agora que as grandes publicações vão começar a tratá-lo com a seriedade que ele merece.
E por falar nisso…
Só podia ser coisa do Springfield Punx, blog especializado em simpsonizar super-heróis:
Ele juntou todos num papel de parede.
No Springfield Punx, vi também o link pra esse outro mashup, os Watchsons:
E essa informação é só pra quem já leu o quadrinho – se você só assistiu ao filme Watchmen, não leia o que vem a seguir, porque eu vou contar o final da história…
Mesmo abortando o final apocalíptico-lovecraftiano na versão para o cinema de Watchmen, Zack Snyder conseguiu citar a lula-alienígena-gigante que invade Nova York no início do último capítulo de Watchmen em quadrinhos, matando milhões de pessoas ao mesmo tempo. Como ficou com medo de equivaler o impacto do original – deixando em aberto a possibilidade de outras pessoas tentarem refilmar a minissérie num futuro próximo -, o diretor da adaptação de Alan Moore batizou o plano perfeito de Ozymandyas de S.Q.U.I.D. (“Lula”, em inglês), que, no filme, é uma sigla para “Sub QUantum Intrinsic Device”, que surge em um ou outro detalhe de cena.
Já o leu o Watchmen em quadrinho? Tá com um tempo? Ouve bem em inglês? Então saca só esse episódio da clássica série The Outer Limits, dos anos 60. Há quem diga que o seriado seria uma resposta institucional a outro líder de audiência, Além da Imaginação, uma vez que seu criador Leslie Stevens, ao que consta, seria um agente do governo norte-americano dentro da emissora ABC. Neste episódio, The Architechs of Fear, vemos a criação e execução de um plano Veidtiano até dizer chega – ainda mais no sentido original de Watchmen – que pode ter sido a inspiração original para o próprio Alan Moore (que cita o episódio no encerramento da série). O episódio tem quase 50 minutos, vale assistir.













