Saiu o livro de Alison Castle sobre o Napoleão de Kubrick. Parece sinistro.
Essa versão que o ator Miles Fischer, do Mad Men, fez para “This Must Be the Place”, do Talking Heads, não homenageia apenas o filme Psicopata Americano. Repare com quem ele se parece no clipe:
Exato! Parece o Tom Cruise, que ele já tinha sacaneado na paródia Super-Herói – O Filme.
Mais engraçado do que isso é descobrir que o personagem interpretado por Christian Bale em Psicopata Americano foi inspirado no próprio Tom Cruise, como a diretora do filme, Mary Harron, revelou em uma entrevista na semana passada:
How did you and Christian Bale develop his character in American Psycho?
It was definitely a process. We talked a lot, but he was in L.A. and I was in New York. We didn’t actually meet in person a lot, just talked on the phone. We talked about how Martian-like Patrick Bateman was, how he was looking at the world like somebody from another planet, watching what people did and trying to work out the right way to behave. And then one day he called me and he had been watching Tom Cruise on David Letterman, and he just had this very intense friendliness with nothing behind the eyes, and he was really taken with this energy.
Kibei esse post do /Film.
Quem mandou essa foi o Luís.
Gainsbourg incitando o público de um show em Strasbourg a cantar o hino nacional francês, “La Marseillaise”, em 1980
Em sua última década de vida, Serge Gainsbourgh abraçou mais uma nova mudança – após tornar-se um dos maiores ícones da música pop francesa, decidiu-se inconscientemente ir além da música e ser apenas pop. Para isso, remodelou sua própria personalidade para uma mídia perfeita para essa transformação: a televisão. Tornou-se um dos nomes mais conhecidos – e festejados – pelo público francês em programas vespertinos sobre futilidades, assumindo o papel de misógino, bêbado e inconseqüente que haviam lhe impingido. Reinventou até o próprio nome, surgindo como Gainsbarre – nome que tem origem num trocadilho em francês de sua música “Ecce Homo” -, um artista estritamente midiático. Este novo personagem deu origem a momentos incríveis da história do pop francês, que iam desde piadas grosseiras sendo contadas em programas familiares (vale ver o vídeo nem que você não entenda francês – só o constrangimento do apresentador já vale)…
…ou queimando dinheiro na TV para reclamar dos impostos que o governo lhe cobrava…
…ou dizendo, em inglês, que queria trepar com Whitney Houston, na cara dela…
…ou aparecendo num leilão para comprar o manuscrito original do hino francês (e provar que não estava difamando a peça ao cantar “Aux arms etc.” – comprou o original para mostrar que o “etc.” estava na primeira versão da letra).
…ou brigando com outros convidados em programas de TV…
…ou fazendo o papel do pai insuportável num clipe pop adolescente qualquer…
Julien Clerc – “Coeur de rocker”
…ou num comercial de TV (único exemplar que encontrei no YouTube – Gainsbourg fez inúmeros comerciais durante os anos 80).
Propaganda da Konica
Pedro continua sua cruzada e segue falando a real sobre MPB e música popular brasileira, além de elogiar Fábio Júnior, no programa Interferência. A dica foi do Ricardo, valeu!
Já está para download gratuito um dos melhores discos de 2009: Repolho – Volume 4.
Pra quem conhece o grupo de Chapecó, a notícia é sinônimo de alegria. Pra quem não conhece, segue um aperitivo – e já já eu publico uma entrevista que estou fazendo com os irmãos Panarotto.
E Distrito 9 é tudo isso que andam falando mesmo. Do mesmo jeito que Blade Runner mudou completamente a ficção científica ao trazer o futuro distante e utópico das sociedades espaciais para o futuro próximo de um planeta Terra em franca decadência, o filme de estréia do diretor Neill Blomkamp aproxima ainda mais o hoje do amanhã. Ao estacionar uma nave espacial à deriva sobre Johannesburgo, o diretor empilha metáforas sobre metáforas para tornar explícitos cada um de nossos preconceitos – e mistura racismo, tortura, canibalismo, xenofobia, miséria, feitiçaria, zoofilia, drogas e armas pesadas com a estética favela movie – tom documental, câmera na mão, chão de terra batida, barracos, crianças e galinhas – que Fernando Meirelles consagrou em Cidade de Deus. O protagonista Wikus van de Merwe é um Michael (do Office) posto em uma situação tão extrema quanto a da tenente Ripley em Alien ou o policial Alex Murphy em Robocop – a diferença é o simples fato de, embora os dois últimos também sejam funcionários de corporações, Wikus não tem experiência militar nenhuma, como a maioria dos telespectadores. Assim, o filme puxa para uma primeira pessoa verité que o torna tão descendente da ficção científica distópica dos anos 80 quanto do documentarismo fictício dos últimos dez anos (Bruxa de Blair, Cloverfield, [REC], Atividade Paranormal). E nos mostra aliens asquerosos que, em última instância, são apenas versões deformadas de nós mesmos. No fim, Distrito 9 chega às mesmas conclusões da ficção científica recente – a de quanto mais nos tornamos soldados, menos somos humanos. Mas até chegarmos neste ponto, atravessamos uma viagem excepcional, de interfaces que flutuam, pessoas que explodem, armas impossíveis e até uma criança ET, com muito som e fúria, neste que é tranquilo um dos melhores filmes de 2009.



