Trabalho Sujo - Home

Paranoia

“Tecnologia é mato, o importante são as pessoas”
@dpadua

Não conheci o mineiro @dpadua pessoalmente, mas há quase dez anos acompanho e admiro seu trabalho, seja na militância de causas relacionadas à liberdade no mundo digital (dos protestos anti-Lei Azeredo ao trabalho no Metareciclagem), como na criação de dispositivos e ferramentas que inspiravam a criação coletiva e a organização 2.0, como o blogchalking (um plugin que permite localizar blogs por regiões geográficas, que foi o responsável por colocá-lo no mapa em 2002, quando pautei matéria com o criador para a falecida revista Play) e o Xemelê (linguagem baseada no protocolo XML, que facilitava a troca de informações para desenvolver um projeto coletivo, desenvolvido ainda no projeto Metáfora e adotado pelo Ministério da Cultura de Gilberto Gil). Envolvido com a criação do Blog do Planalto, ele estava afastado há dois meses do trabalho para lidar com a doença que lhe levou na quinta de noite. Mas, raízes firmes no campo fértil do mundo digital, é fácil prever que seu legado começa a entrar em ação a partir de agora e que seu nome será muito maior do que quando em vida. Valeu, rapá!

4:20

Maestro Vader

Muito boa a entrevista que o Jorge Ben deu ao Pedro Alexandre Sanches na Trip desse mês:

É verdade que você queria ser jogar de futebol, e não músico?
É, joguei no infanto juvenil do Flamengo. O futebol era bom, mas eu tinha que correr pra trabalhar, estudar, pagar as contas. Lá não ganhava nada, não era remunerado. Até que apareceu a música, mas era outra coisa que eu também não queria.

Ai, meu Deus, o que seria de nós?
Meu pai e minha mãe não gostavam. Naquele tempo músico era considerado um marginal, aquelas coisas. Não tinha respeito. Eu trabalhei um pouquinho de despachante, das 10h às 16h. E, nesse ínterim todo, eu já estava na alquimia.

Estudando, freqüentando grupos?
Estudando. E tinha um grupo, um grupo de adeptos maravilhosos. Eram da América do Sul, e tinha um brasileiro, professor ou reitor de faculdade, de São Paulo. Junto com um grupo de adeptos da alquimia, ele viu uma transmutação, em 1958.

De metal em ouro?
É, é. Eles viram, e falaram pra mim: “É uma arte”. Quando conversei com eles falei de São Tomás de Aquino… A igreja proíbe falar que ele foi alquimista. Proíbe, mas ele foi. O papa Silvestre deixava, isso no século 13, porque São Tomás de Aquino era um cara de família riquíssima. E ele quis ser padre, monge. Seus pais tinham preparado ele pra ser o conde de Assis, maravilhoso, ricaço. Tanto que se internou sozinho. Foram tirá-lo de lá, e ele falou: “Quero ser padre, gosto daqui”. Em pleno século 13 ele escreveu aquilo tudo, já fazia arte com alquimia. E esses caras daqui viram em 1958, deviam ser grandes na alquimia pra ser convidados pra ver. A todo lugar que tinha ourives, eu ia com outro amigo estudante ver como se fazia ouro. E a gente ficava indignado, eu conto isso numa música do disco Solta o pavão [de 1975, na faixa “Luz polarizada”]: “Coloque o seu grisol sobre a luz polarizada…”.

Nunca entendi essa letra, “coloque o seu…”?
O seu grisol sobre a luz polarizada. Grisol é um frasco de vidro inquebrável. E aquele que forja a falsa prata e o falso ouro não merece a simpatia de ninguém. A gente ficava indignado, todas essas lojas de ourives, pô, aquele ouro todo… era mais metal que ouro. Os alquimistas falavam que é preciso um ouro que não se pode falsificar, é o ouro de dentista, aquele ouro 14, ouro malhado.

Ainda existem alquimistas?
Eu conheço, na França. Na Europa ainda tem. No Brasil não, não tem.

E você já foi um alquimista?
Não, eu nunca cheguei a fazer transmutação.

Nicolas Flamel e Paracelso (personagens das canções de A Tábua de Esmeralda) eram alquimistas?
Eram, Nicolas Flamel, ele é que é meu muso. Ele e a mulher dele. Ele é “O namorado da viúva”. Ninguém queria ela – não, eles queriam, mas tinham medo, porque ela era rica e já era viúva três vezes. Flamel é do século 15. É o meu muso [cantarola], “namo-mora-rado da viúva”…

E Paracelso é “o homem da gravata florida”?
É! A história dele é maravilhosa também. Tem até hoje a casa dele na Suíça alemã. Levei o Gilberto Gil na casa do Nicolas Flamel. E, por incrível que pareça, o Gil viu uma coisa lá que eu vi, só nós dois vimos, na casa de Nicolas Flamel. Depois eu perguntei: “Gil, você viu uma coisa que eu vi?”. Ele falou: “Eu vi, você viu?”. Foi incrível.

Mas o que foi?
Vi uma coisa lá, na casa de Nicolas Flamel.

Não vai contar o quê?
Não, não. Mas vimos.

E não era sob o efeito de alguma substância?
Não, não. Vimos uma coisa lá. Nós vimos alguma coisa, mas bonita, não feia. Uma coisa bonita.

Tim Burton no MoMA

Lembra do livro do Tim Burton que eu falei ontem? Tá atrelado a essa exposição dedicada à obra do diretor que estréia no próximo domingo no MoMa, em Nova York.

4:20

É isso mesmo: esse robozinho tem um cérebro com células vivas. Em outras palavras: fudeu.

Um especial de TV sobre o meu filme favorito com dois de seus maiores nomes – o autor Anthony Burguess (que diz que a expressão que batiza seu livro foi ouvida era “uma boa e velha gíria puramente do leste de Londres”) e o ator Malcolm McDowell (que desmente a história de que Kubrick era um cara difícil de se trabalhar) -, além de falar do vocabulário mezzo-russo, os cenários e da trilha sonora eletrônica de Walter Carlos. Vi no Cargo.

Johnny Cash was arrested in October 1965 at the El Paso International Airport after U.S. Customs agents found hundreds of pep pills and tranquilizers in his luggage as he returned from a trip to Juarez, Mexico. The Man in Black spent a night in the county jail and later pleaded guilty to a misdemeanor count, for which he paid a $1000 fine and received a 30-day suspended sentence.

Do Smoking Gun, claro.