Trabalho Sujo - Home

Paranoia

Parece o título de uma música do Mundo Livre S/A, mas pelo jeito, não é brincadeira. Em maio de 1988, quando Reagan visitou a União Soviética em mais um encontro com o premiê Mikhail Gorbachov, que fez questão de apresentar o presidente americano para alguns turistas, na Praça Vermelha, em Moscou. Estes lhe fizeram perguntas incomuns como sobre direitos humanos nos Estados Unidos, como percebeu Pete Souza, o fotógrafo que registrou a imagem acima, pinçada pelo blog Iconic Photos. Ao comentar isso com um agente que os acompanhava, este revelou que aquelas pessoas “eram famílias da KGB”, entre elas um turista que Souza, hoje fotógrafo oficial da Casa Branca de Obama, alega ser o atual premiê russo Vladimir Putin. O Kremlin, no entanto, nega. A dica é do Michel, que ainda não tem blog.

O mestre esclarece em sua coluna de hoje: “Só para não haver mal-entendidos: não tenho twitter, nunca terei twitter, nem sei bem o que é twitter”. Então tá.

Por falar em mestre:

E além da ressonância mórfica positiva, Laerte ainda avisa:

Sexta-feira, agora, dia 11/12, programou-se um leilão de arte em solidariedade e ajuda ao Mário Bortolotto.
Pra quem não sabe, Mário Bortolotto, autor, diretor e ator teatral, foi baleado no sábado à noite, durante um assalto.
Também ficou ferido o desenhista Carcarah, que passa bem.
Mário está melhor, mas seu estado é muito complicado.
Eu estarei lá e, junto com outros artistas, como meu filho Rafael, Angeli, Grampá, Mutarelli, Fábio Moon, Gabriel Bá, Cobiaco, faremos um painel que será rifado.
Sexta, dia 11, à noite, no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt.

Guerra dos sexos

Daqui.

Yeah, right.

Não fazia a menor idéia de que Kurt Cobain gostava dos Kids in the Hall – muito menos que eles se conheciam e eram amigos. Nessa entrevista de 2007 para o programa de Tom Green, um dos integrantes do KITH, Scott Thompson, conta como ele conheceu o Nirvana, foi reconhecido por Kurt, saíram na naite e, meses depois, como o impacto da morte do líder do Nirvana influenciou no próprio fim do Kids in the Hall. Tanto que na última cena do personagem Buddy Cole – o “bicha alfa” que era dono de um bar e funcionava como alter ego escrotizador do próprio Thompson -, a criança que aparece no porta-retrato em destaque é o próprio Cobain.

E pra quem duvida da veracidade da notícia, em uma entrevista com o próprio Cobain, feita em janeiro do ano em que ele morreu, ele confirma que conheceu Scott (aos 2:40):

E é incrível como o Krist Novoselic parece o Cameron do Curtindo a Vida Adoidado, não? Nunca nota paralela, Scott está com câncer, como twittei mais cedo. E se você não sabe quem são os Kids in the Hall (mega lacuna na sua formação cultural, devo dizer), comece por aqui.

Apareceu do nada. Ontem à noite o Portishead foi ao programa do Zane Lowe na BBC e tirou da cartola essa improvável “Chase the Tear”, disponibilizada para download hoje de manhã no site da Anistia Internacional, que está vendendo o MP3 para arrecadar fundos. A nova canção é improvável por manter o mesmo clima de exploração de texturas do disco anterior, o cabeçudo Third, mas aproxima-se da melodia e do drama teatral característico do grupo de Bristol – e, mais do que isso, apontar para um possível quarto disco do grupo, para o ano que vem. E o flerte com o pop, quase ausente no hermetismo do último disco (“The Rip” era a exceção), fica evidente quando o instrumental ecoa, quase literalmente, a fase mais clássica do Cure. Fora que, em cima da hora, embaralhou a lista das melhores músicas do ano. Ao menos a minha. Afinal, 2009 só termina dia 31…


Portishead – “Chase the Tear

4:20

No primeiro frila que o David McCandless, do crucial Information is Beautiful, fez para o Datablog, do Guardian, ele abordou uma série de dados em relação às causas de morte relacionadas ao uso de drogas. No infográfico aí em cima, ele relaciona os números de mortes e de cobertura na mídia para cada uma das drogas apontadas em dados oficiais. No segundo, ele relaciona o número de mortes a cada 10 mil casos – e, de novo, quantas vezes isso tem cobertura na mídia.

É claro que ele tá se referindo apenas à Inglaterra, mas vale sublinhar a ressalva que McCandless faz quando coloca um asterisco dizendo que os números relativos à maconha são altamente questionáveis:

The cannabis death’s figure is a bit dubious in my opinion. Firstly, how can you die from cannabis? It’s extremely non-toxic. There has never been a single documented case of fatal cannabis overdose. Also, the government’s own figures don’t tally. While drug figures from the Office Of National Statistics register 19 cannabis related deaths, the mortality stats from the same office log only 1 death.