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Paranoia

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Tarantino é conhecido por reciclar temas e cenas de outros filmes nos seus próprios, criando uma colcha de retalhos de referências que funciona tanto se você as capta ou não. Seu primeiro filme – Cães de Aluguel, de 1992 – logo chamou atenção pelas referências a Sam Peckinpah e Scorsese, além de surrupiar pontos da história de O Segredo das Jóias, de John Huston, e O Grande Golpe, de Kubrick. Mas eu não conhecia a extrema semelhança deste filme com Perigo Extremo, Lung Fu Fong Wan no original e City on Fire na tradução para o inglês, filme de 1987 do diretor de Hong Kong Ringo Lam que é praticamente o filme de Tarantino cuspido e escarrado, como mostra Mike White, do blog Projection Booth. Saca só:

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Fizeram as contas – e são quase 40 minutos de centenas de pessoas morrendo…

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Não dá pra acreditar que alguém que se considere fã de Guerra nas Estrelas se sinta ofendido com a possibilidade do próximo Jedi ser negro ou mulher. Uma palavra resume esses caras: imbecis – como escrevi no meu blog no UOL.

Um novo Westworld

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No filme de mesmo nome dirigido e escrito por Michael Crichton em 1973, Westworld era um parque de diversões para adultos que fazia robôs viverem papéis de caubóis no velho oeste norte-americano – e aí as coisas começavam a dar errado porque os robôs ganhavam vida. A HBO vai readaptar o livro em uma série e pelo teaser exibido, o conceito de inteligência artificial vai muito além de meros animatrônicos tomando consciência de si…

A nova versão é produzida por J.J. Abrams e tem Jeffrey Wright, Evan Rachel Wood, James Marsden e Anthony Hopkins no elenco. Só estreia no ano que vem.

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A banda de Rivers Cuomo volta a dar as caras com um clipe ridiculamente herege – ou seria heregemente ridículo?

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O editor Jorge Luengo Ruiz mostra em um vídeo como a série Breaking Bad, de Vince Gilligan, é influenciada, tanto temática quanto visualmente, pela obra-prima de Quentin Tarantino, Pulp Fiction.

Não é plágio – é reverência.

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John Kricfalusi mais uma vez faz uma abertura de um episódio dos Simpsons, dessa vez um de Halloween, cheio de referências a Hanna Barbera, Disney e outros clássicos da animação – devidamente desvirtuados, como é de seu feitio.

A primeira abertura para os Simpsons que ele fez foi em 2011, veja só:

Mad Max 8-Bit

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Fury Road recebe o já clássico tratamento retrô digital do pessoal do Cineflx, saca só:

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O vocalista e guitarrista Ruban Neilson, líder do Unknown Mortal Orchestra, pegou uma música do projeto de seu irmão, Kody Neilson, que se apresenta como Silicon, e picotou-a inteiramente, adicionou vocais, percussão e graves, transformando-a em outra música. Compare com a original, que vem logo após o remix.

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Uma marca essencialmente paulistana, o autógrafo em preto e verde que se espalha por paredes, muros e rodovias na região da grande São Paulo finalmente é investigado no documentário Os 3 Atos de Carlos Adão, produzido pelo estúdio Inhamis e a agência Balaclava (não confundir com a gravadora de mesmo nome).

Conversei com os dois diretores do documentário, Diego Navarro e Francisco Franco, por email sobre essa figura conhecida e desconhecida ao mesmo tempo.

Como você entrou em contato pela primeira vez com o trabalho de Carlos Adão?
Diego – Eu conheci de início a lenda do Carlos Adão por amigos de SP. Me falaram sobre esse nome que aparecia misteriosamente em muros, pedras na estrada, muitas vezes acompanhado de alguma palavra agregada, coisas do tipo “Sexo” “É muito gostoso” “é Amor”. A partir daí comecei a reparar nos muros sempre que ia a São Paulo. Quando a Balaclava nos convidou para fazer esse documentário juntos achei meio coincidência e um sinal pra abraçar a ideia.
Francisco – Eu já tinha visto uma pintura quando era novo e ia com a família curtir as férias no litoral paulista. quando vi, fixei a marca e anos depois encontrei uma amiga de Volta Redonda que comentou de uns pixos dele. daí eu me recordei. Quando eu vi que ele estava pintando quadros eu achei uma grande sacada.

Como o interesse pelo personagem aumentou? Vocês o conheciam pessoalmente antes de fazer o filme?
Nós dois não o conhecíamos pessoalmente, somente por fotos, vídeos e intervenções. Depois do primeiro contato, percebemos as possibilidade de abordar vários assuntos da sua vida política, profissional e pessoal. Mas a medida que o conhecemos também percebemos vários outros campos que vão além do personagem que ele construiu. É uma figura em parte misteriosa, com uma história de vida que se confunde com a história de sua marca, e seu estilo de vida, totalmente focado nas intervenções que faz em diversas mídias, internet, música, pinturas, pixos e política.

Por que vocês resolveram fazer esse filme?
O pessoal da Balaclava curtia uma websérie que produzíamos, o Inhamis Oficina, e entraram em contato nos convidando para fazer o filme, o projeto fluiu e percebemos que estávamos na mesma sintonia: fazer um documentário que se tornasse um registro do candidato-economista-pixador e do contexto em que ele existe: um nome que se tornou lenda urbana na maior cidade da América do Sul.
Optamos por gravar com ele – e finalmente conhecê-lo – após todas as entrevistas com os artistas e amigos dele. Essas pessoas descreveram fatos e traços da personalidade dele que reforçaram nossa curiosidade em torno do mito. Escolhemos essa estratégia para ficar do lado das pessoas que só ouvem a respeito de Carlos Adão.
Esse filme é uma iniciativa independente da Balaclava e do Inhamis. Estamos trabalhando nesse projeto há um ano e meio. A produção é assinada pela Balaclava, a direção e montagem é do Inhamis.

A intenção do filme sempre foi falar com o próprio Carlos Adão?
A ideia inicial era acompanhar os rolês do Carlos Adão e extrair daí os fragmentos que contam sua história e mostram sua personalidade. Os entrevistados foram o fotógrafo Costa Lara, pixador Djan Ivson Cripta, o amigo Henan Broto, a amiga de internet Luzinda Vieira, Rafael Senatore, comprador de um quadro, Ricardo dos Santos, da pizzaria Bate Papo, no Guarujá, o grafiteiro e artivista Thiago Mundano, o tipógrafo Thiago Reginato, o tipógrafo e artista plástico Tony de Marco foram convidados para debater conosco os valores artísticos e técnicos da marca, suas impressões sobre o Carlos Adão e a dualidade pixador X político.

Como foi o encontro?
Percebemos que tínhamos um objeto de estudo com bastante personalidade e que seria um desafio não sermos contaminados durante o processo de gravação (ele é um comunicador nato). ficamos entusiasmados com a possibilidade de documentá-lo.

Como Carlos Adão é visto pela cena de grafitti e pixo do Brasil?
A maioria dos pixadores de São Paulo não gostam do Carlos Adão. Quando começou a pintar, ele não tinha noção das regras do rolê, então atropelava várias agendas de pixo. Ele foi abordado uma vez e isso foi registrado em vídeo pelos pixadores responsáveis pelo apavoro. Com o tempo, Carlos se tornou mais sagaz nas regras do pixo e se tornou menos rejeitado.
Outro ponto que o Carlos perde com o movimento é que muitos o consideram um candidato político que se aproveita do instrumento do pixo.

Carlos Adão é conhecido fora de São Paulo? E no exterior?
O Carlos é desconhecido no exterior. Fora de SP, ele é conhecido, mas não muito famoso, nos estados em que já pintou, Paraná, Santa Catarina, litoral do Rio de Janeiro. Dentro de São Paulo, Carlos pinta mais nos arredores – ele é de Taboão – e sempre transita nas rodovias que levam ao litoral e interior do estado.

Quando pretendem lançar o filme?
Estamos procurando um veículo para lançar o filme, não queremos engessá-lo com festivais. Acreditamos que todo brasileiro deve saber quem é Carlos Adão. A previsão de finalização é final de novembro. A partir daí vamos fazer um corre de distribuição. Já estão confirmadas exibições em SP, RJ, Curitiba, BH e Juiz de Fora.