De leve, mas…
A capa da parada desta edição ficou a cargo do brou Arnaldo, veja só:
- Soko – “I’ll Never Love You More”
- Lulina – “Argumentos”
- John Cale – “Fear is the Man’s Best Friend”
- Nick Cave & the Bad Seeds – “Mersey Seat”
- The Bird and The Bee – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
- Supercordas – “Índico de Estrelas”
- Arnaldo Baptista – “Eu Não Estou Nem Aí”
- Lissie – “Pursuit of Happiness”
- Tame Impala – “Remember Me”
- Tulipa Ruiz – “Efêmera”
- Xx – “Shelter (DJ Cremoso Remix)”
- Mombojó – “Papapa”
- Apples in Stereo – “Dance Floor”
- Julian Casablancas – “I’ll Try Anything”
- Lily Allen – “Everybody’s Changing”
- Lobsterdust – “Say It Ain’t Flow“
- Of Montreal – “Sex Karma”
- Pavement – “Shady Lane”
- Céu – “Visgo da Jaca”
- Autotune the News – “Double Rainbow”
- Jamie Lidell – “I Wanna Be Your Telephone”
- Gnarls Barkley – “Going On”
- Darwin Deez – “Up in the Clouds”
- Music Go Music – “Warm in the Shadows”
- Tulipa Ruiz – “Brocal Dourado”
- Pato Fu – “Todos Estão Surdos”
- Breakbot + Irfane – “Baby I’m Yours”
- Mayer Hawthorne – “Your Easy Lovin’ Ain’t Pleasin’ Nothin’”
- Miike Snow – “Billie Holiday”
- Cut Copy – “It’s Working”
- Scissor Sisters – “Invisible Light”
- Franz Ferdinand + Marion Cotillard – “The Eyes of Mars”
- Phoenix – “If I Ever Feel Better”
- LCD Soundsystem – “You Wanted a Hit (Soulwax Remix)”
- Kid Cudi – “Day’N’Night (Party Ben Remix)”
- Dancing Pidgeons – “Ritalin”
- N*E*R*D + Nelly Furtado – “Hot N Fun”
- Bombay Bicycle Club – “Always Like This”
- Wale – “Freaks (Bird Peterson Remix)”
- Xx – “VCR (Matthew Dear Remix)”
- Chromeo – “Don’t Turn the Lights On”
- Two Door Cinema Club – “Something Good Can Work (Twelves Remix)”
- Black Keys – “Strange Desire”
- Chemical Brothers – “Another World”
- Yeasayer – “O.N.E.”
- Aloe Blacc – “I Need a Dollar (Pristine Blusters & DJ Mulher ‘Millionaire’ Remix)”
- 80 Kidz + Lovefoxxx – “Spoiled Boy”
- João Brasil – “One Poker Touch”
- Miami Horror – “Sometimes (Bo$$ in Drama Remix)”
- Time – “Get it Up”
- Do Amor – “Chalé”
- Superchunk – “In Between Days”
- Beck – “Need You Tonight”
- Paul McCartney- “Check My Machine”
- Curtis Mayfield – “Move on Up”
- Pacific! – “Hot Lips”
- Sonic Youth – “Stereo Sancitity”
- Jamaica – “Short and Entertaining”
- Mayer Hawthorne – “Maybe So, Maybe No (Reggae Mix)”
- Astrud Gilberto – “Beginnings”
- Arnaldo Baptista – “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”
- Siba + Cidadão Instigado – “Deus é uma Viagem”
- Cat Power – “Sea of Love”
- Radiohead – “Gagging Order”
- Anna Scouten – “Blood Bank”
- Lou Barlow – “On Fire”
- Jeff Mangum – “Oh Comely”
- Paulo Moura + Wagner Tiso – “Doce de Coco”
- Beck – “Beechwood Park”
- Grizzly Bear – “A Boy From School”
- National – “Bloodbuzz Ohio”
- New Order – “Sister Ray”
- Pharoah Sanders – “The Creator Has a Master Plan”
- Pink Floyd – “Interstellar Overdrive”
- Grinderman – “Heathen Child”
Como disse, na minha coluna de ontem no Caderno 2 peguei o gancho do Inception para falar da onipresença da ficção científica nos dias de hoje.
Parece invenção
A influência da ficção científica
Há menos de um mês, neste mesmo espaço, comentei sobre a dificuldade que Christopher Nolan teve para manter o tema de seu novo filme, Inception, em sigilo absoluto. De roteiro complicado e histórias que se superpõem, a produção estreou sexta passada no Brasil com o insosso título de A Origem (sendo que os personagens se referem o tempo todo a uma certa “inserção”).
Mas pode ficar na boa: não vou falar sobre sua história – e recomendo, caso você não o tenha assistido ainda, que se blinde contra possíveis spoilers (o termo em inglês que designa informações que estragam a surpresa de um determinado filme ou série).
A Origem é só mais um dos inúmeros exemplos de como a ficção científica é onipresente no imaginário do século 21. Se formos analisar apenas cinema, os exemplos vão desde nomes gigantes (Matrix e Wall-E) a filmes menores (Moon, Filhos da Esperança, Donnie Darko) e passam tanto por remakes (Planeta dos Macacos, a nova trilogia de Guerra nas Estrelas e o Jornada nas Estrelas de J.J. Abrams) quanto pelos inúmeros filmes de super-herói.
Sim: super-heróis são a forma mais trivial e rasteira de ficção científica. Não são seres fantásticos e mitológicos, embora se comportem como se fossem. Mas por trás de todo super-herói há uma origem explicada cientificamente – mesmo que à base da pseudociência.
Nascido no século 18 com As Viagens de Gulliver (que terá versão para o cinema, com Jack Black, no final do ano), o gênero tornou-se popular no fim do século seguinte graças a nomes como H.G. Wells e Júlio Verne e entrou no século 20 como uma espécie de subliteratura, feita para ser consumida de forma rápida e rasteira. Longe da crítica literária, os autores do novo gênero aproveitaram esta liberdade para usar discos voadores, robôs, viagens no tempo e alienígenas como metáforas para a condição humana. Assim, autores como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Philip K. Dick, William Gibson e Neal Stephenson podiam criar seus universos livremente, o que serviu de base para a atual onipresença do gênero no mundo todo.
Acontece que esta liberdade que a ficção científica deu a esses autores permitiu que eles pudessem viajar em uma ciência inexistente, imaginária – que serviu como inspiração para muitos cientistas criarem invenções que nasceram na cabeça de escritores.
Eis o motivo do gênero estar em voga atualmente: vivemos num século cujas principais inovações científicas foram imaginadas por artistas. Sim – vivemos em um mundo de ficção científica. E parece que não há nada mais para ser inventado ou imaginado.
Que nada. A Origem – e outros tantos filmes de ficção científica que ainda virão por aí – cogita uma ciência que parece de mentira, inventada. Até que algum cientista se disponha a transformá-la em realidade…


