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Paranoia

E acabaram de subir outro show na íntegra do Radiohead – e a apresentação do dia 29 de setembro do ano passado, no mítico Roseland Ballroom de Nova York foi filmada por vários fãs e editada naquele esquema Rain Down que já tínhamos visto por aqui quando a banda se apresentou em São Paulo. Quem quiser baixar pra ver direitinho em casa, é só seguir este link. Abaixo, as quase duas horas de show na íntegra e o setlist da noite:

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4:20

Ou, como o próprio autor de Planetary explica no título de seu post, “por que o filme não me deixou odiá-lo“:

I watched this twice, last week. Well, maybe one and a half times. I watched it once and didn’t like it. And the next day I watched some bits again because, for no reason, parts of it were sticking in my head.
It’s stagey. Stilted. Not all the actors can pull off the Don DeLillo dialogue that Cronenberg (ever a writer’s screenwriter) transposed from book to film. It’s short and still feels flabby in places. The thread of a fairly simple plot gets lost. Among other things.

And yet.

There is something almost brilliant in here, in places. The weird back-projection of the world outside the car the film (mostly) takes place in is a great choice. There are ideas, and ambitions, and… I’m going to have to watch the damn thing again. Because it’s making me think about it.

E você, assistiu? Gostou? Odiou?

4:20

Efeito dominó

“Ai.”

4:20

Na minha coluna do Link desta segunda-feira, falei sobre a rusga entre Latino e Maurício Cid, o capitão do Não Salvo.

O embate entre Latino e o blog Não Salvo: choque de realidades
Canal de Latino foi retirado do YouTube

Você conhece o Latino. Ele é um dos principais nomes da cena pop pós-funk do Rio e um de seus talentos é saber aparecer. Se isso, para a maioria das subcelebridades, é uma qualidade vazia, para ele – cujo outro dom é a capacidade de fazer músicas grudentas – é ouro.

Não à toa emplacou os hits “Baba Baby”, “Tô Nem Aí” e “Festa no Apê” – o último, uma infame versão da música “Dragostea Din Tei”, da boy band O-Zone, da Moldávia. Mas não é que Latino tenha faro para descobrir hits no leste europeu. A música estourou online a partir da coreografia irônica que um gordinho fez em sua webcam. “Dragostea” virou o webhit “Numa Numa” – e Latino achou mais uma mina de ouro. Em 2012, ele emplacou o reggaeton “Danza Kuduro”, que deu o refrão “oi oi oi” para a novela Avenida Brasil.

De olho no próximo sucesso, ele esbarrou com o hit avassalador do coreano Psy, “Gangnam Style”. Latino resolveu fazer sua versão e anunciou a adaptação no Twitter. A música, uma sátira ao estilo de vida de um bairro de novos ricos em Seul, virou a tosca “Despedida de Solteiro”. A decepção foi geral.

Eis que entra o segundo personagem desta coluna, o santista Maurício Cid, de 26 anos, que desde 2008 faz o blog de humor Não Salvo. Entre os vários exemplos de humor na internet brasileira, o herege Não Salvo (que usa Jesus como mascote) é um dos meus favoritos.

A principal qualidade do humor de Maurício é que ele não é produzido apenas por ele. E, no entanto, ele não se encaixa na extensa categoria de blogs que apenas cozinham conteúdo alheio (a escola Kibe Loco de produção). O método de produção de Maurício é típico da internet. Em vez de criar, ele prefere gerir a criação coletiva de seu público. E os 630 mil likes só no Facebook já dão uma amostra de sua enorme audiência. Ele joga uma ideia para seu público, que o alimenta diariamente com piadas infames, vídeos bizarros, sugestões improváveis e grosserias de todo o nível. Todos sentem-se parte de uma gigantesca comunidade que só quer saber de rir.

Assim, é comum que Cid lance alguns desafios. Depois de trocar farpas com Latino no Twitter sobre a adaptação de “Gangnam Style”, ele resolveu mostrar sua força coletiva. Descobriu qual era o vídeo brasileiro que mais tinha dislikes no YouTube (“Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, com 73 mil reprovações) e convocou seus pares para pegar no pé do clipe de “Despedida de Solteiro”. Em 18 de setembro, lançou o desafio. Algumas tantas horas depois, o clipe já tinha mais “joinhas invertidos” (como Cid se refere ao dislike) que o de Teló. Mas não parou por aí. O número ultrapassou os 100 mil e, em 20 de setembro, o site da emissora CNN trazia uma matéria sobre um certo “Brazilian protest”.

Corta para a madrugada da sexta-feira passada, e não apenas o clipe, como todo o canal de Latino no YouTube, foi tirado do ar. A justificativa do YouTube foi que o canal teria infringido direitos autorais. Será que ele não pagou direitos autorais ao autor original da canção? Até o fechamento da edição, nem a produção de Latino (que disse ter entrado em contato com o site para exigir explicações) nem o Google tinham esclarecido a situação.

Não acho que haja motivo para comemorar a queda do canal de Latino, pois tais restrições vão de encontro à legislação que tramita no Congresso brasileiro para regularizar a forma como a internet é tratada pela Justiça do País – o sempre adiado Marco Civil.

Latino poderia ser notificado da infração para que, ele mesmo, retirasse o conteúdo – sem prejudicar seu canal. Isso poderia ter acontecido com qualquer pessoa – e há uma área cinzenta em relação à responsabilidade do conteúdo online.

É bem provável que o canal tenha chamado atenção do Google devido ao protesto de dislikes. E mais uma vez temos um exemplo do embate entre as realidades online e offline, protagonizada por dois de seus principais representantes no Brasil. Não vai ser a última vez que veremos choques deste tipo.

Lembra deles? Ambos estrearam online, abaixo. Primeiro tem o Act of Faith, um prelúdio ao filme principal, Jimmy’s End (que vem logo depois) – e os dois parecem peças de algo muito maior, que pode ter uma cara de David Lynch, mas a meu entender me parece mais retomar o lance de perspectivas fractais do Big Numbers…

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Fazia tempo que não aparecia um desses: um tumblr de texto. O título se autoexplica:

Califa (CA.LI.FA)

s.f. 1. Sin. Califórnia, Estados Unidos 2. Local onde todo coxinha já morou / fez intercâmbio / quer morar. (Ex.: Mêo, meu sonho é morar na Califa. Várias mina, várias onda, várias praia!) 3. Estado mais populoso da América, é também o que que mais exporta matéria-prima coxinha, contribuindo com ícones coxeses como Hollister, The OC, jet bronze, Red Hot Chilli Peppers, pool partys, body shot, spinning e bata com bermuda 4. Não confundir com o outro Califa (aquele que tá de olho no decote dela).

Tem outros exemplos aí embaixo:

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Muito antes do politicamente correto, direto de um clássico do cinema…