
Dois humoristas – um inglês e um americano – num vôo de ida e volta entre Londres e Nova York…


Minha coluna no Link de hoje é um comentário – sem spoilers – sobre a segunda temporada de Black Mirror, que cada vez torna-se mais importante.

O ‘Além da Imaginação’ do novo século digital
Black Mirror: série pode ser melhor produção de TV no ano
Há meio século, quando a televisão era novidade, o formato seriado foi um dos primeiros a propor uma linguagem típica da nova mídia, diferente de programas de auditório e de notícias que imitavam fórmulas consagradas no rádio. A nova mídia já havia se consolidado em lares norte-americanos e logo invadiria as salas de estar pelo mundo. A caixa luminosa e falante aos poucos descobriu as maravilhas da fita gravada, transmitindo pequenos filmes semanalmente para um público que ainda se acostumava ao novo aparelho e à sua linguagem.
O seriado imitava a fórmula narrativa das peças de teatro que já havia sido absorvida pelo cinema e, nos anos 1950, foi adaptada para a televisão. A principal diferença era o fato de que a TV, muito mais do que o cinema e o teatro, falava com milhões de pessoas ao mesmo tempo. Então era preciso diluir a produção para que as histórias fossem simples – e atingir cada vez mais gente.
Mas, há 50 anos, um contador de histórias começou a mexer neste formato. Depois da consolidação do seriado, ele passou a ser submetido a novas possibilidades – e um dos primeiros a puxar a mudança foi o escritor e roteirista Rod Serling. Cansado das restrições que sofria devido aos patrocinadores, resolveu partir para a ficção científica. E assim criou The Twilight Zone (A Zona do Crepúsculo, como bradava seu título original em inglês), conhecido no Brasil como Além da Imaginação.
O seriado aproveitava a novidade que era a TV para propor novos dilemas e situações pitorescas ao cogitar mudanças absurdas ou surreais em cada novo episódio. Histórias com meia hora de duração (chegaram a ter uma hora, mas só na quarta temporada) retratavam perfeitamente o clima da época.
O início dos anos 60 estava ensanduichado entre a década de 50 – que viu a ascensão da classe média norte-americana ao mesmo tempo em que se vivia a paranoia anticomunista, traduzida em histórias de horror e ficção científica – e o nascer do novo decênio, que, ainda sob a sombra da Guerra Fria, assistiu a mudanças nos direitos civis e no tratamento à mulher, além da popularização de substâncias de expansão da consciência e de celebridades em escala global.
Vivemos hoje uma época parecida com o início dos anos 60. A novidade não é mais a TV, mas a internet. Passamos já da fase de deslumbramento com o fato de estarmos em contato com o mundo inteiro instantaneamente. Mas… cadê o nosso Além da Imaginação?
Está na TV – mas ainda não passou na TV brasileira, nem tem previsão, como confirmei com a assessoria de imprensa do canal inglês BBC por aqui. Black Mirror, criado por Charlie Brooker, já comentado neste espaço, teve sua segunda temporada exibida mês passado. São só três curtos episódios, mas que pegam na veia – e no estômago – quando usam, como Além da Imaginação, nossa relação com novas tecnologias e mídias como metáfora para nos atentar para problemas que nos afligem em escala aparentemente menor.
Não vou contar as histórias nem as surpresas (e são muitas) dos episódios Be Right Back, White Bear e The Waldo Momento, mas insisto que merecem atenção, pois talvez sejam a melhor produção na TV em 2013 até agora.
O ano começou há dois meses, mas vai ser difícil alguém tirar este trunfo do seriado de Brooker. Ele aborda temas como política, violência, alienação, amor, marketing, justiça, inteligência artificial, relações familiares, vingança, morte, reality show, mercantilização da experiência humana, parques temáticos e televisão. Tudo filtrado por TVs de plasma enormes, telefones portáteis, redes sociais, transmissões ao vivo, vida digital e avatares. Talvez só não seja perfeito porque não foi criado para a própria nova mídia, como o Além da Imaginação era em seu tempo.
Mas, por outro lado, como assistir a um programa de TV inglês que só foi exibido oficialmente em seu país? Quem sabe, sabe.

E a notícia de cinema do fim de semana no festival South by Southwest deste ano é o papo que o Danny Boyle está pensando seriamente em retomar a obra que lhe colocou definitivamente no mapa do cinema mundial. Boyle, o roteirista John Hodge e o ator Ewan McGregor já haviam marcado história no cinema inglês com o pesado Cova Rasa e continuariam trabalhando juntos em Por Uma Vida Menos Ordinária, mas foi com o filme de 1996 que o trio não apenas mostrou para o resto do mundo o que estava acontecendo na Inglaterra depois da acid house e em paralelo ao britpop (ajudando, inclusive, a popularizar a música eletrônica da geração Prodigy, Underworld e Chemical Brothers no planeta) como foi responsável por um dos melhores registros do que eram os anos 90 (ao lado de Seinfeld e Pulp Fiction). Boyle contou ao blog The Playlist que pretende voltar à trupe de desordeiros que o consagrou:
“Isso já vinha rolando há um tempo. Sempre houve este plano a longo prazo para um Trainspotting 2, se John produzir um roteiro suficientemente decente, não vejo nenhuma barreira para reunir Ewan ou todo o resto do elenco. (…) O motivo para fazer isso de novo é que as pessoas louvam o original (…) Então você tem de ter certeza de que não irá desapontar as pessoas. Este será o único critério”
O filme, contudo, deverá começar a ser produzido no ano que vem ou talvez em 2015. O diretor confirma que a sequência será inspirada em Pornô, que o autor do Trainspotting original (um livro), Irvine Welsh, escreveu 10 anos depois. Resenhei este livro para a Folha de São Paulo na época em que ele foi lançado no Brasil.



Só edição: ficou legal. Veja abaixo:


Imagina…

Pegaram os 15 segundos do novo disco do Daft Punk que apareceram nessa semana e botaram o Ron Swanson pra dançá-los – sem parar.
Bom dia.