
Essa história toda me remete a uma entrevista com o sociólogo Jessé Souza que li no Globo há pouco menos de duas semanas. Alguns trechos:
Quais são as classes sociais do Brasil?
Basicamente, quatro. A alta, que tem capital econômico. Tem a classe média, que não é tão privilegiada quanto a alta, mas se apropria de um capital cultural valorizado, saber científico, pós-graduação, línguas estrangeiras, um conhecimento que tem valor econômico. Essas duas são as classes do privilégio. Para a classe alta, o mais importante é o capital econômico, embora o capital cultural tenha uma função. E, para a classe média, o que prevalece é o capital cultural, embora algum capital econômico também seja necessário.Quais são as classes “sem privilégios”?
As classes populares não têm acesso privilegiado a capital econômico, nem cultural nem social, não vão ter acesso a pessoas importantes. Têm que trabalhar desde cedo, são batalhadores. É essa a nova classe trabalhadora precarizada (chamada pelos economistas de “nova classe média”). Ela foi incluída porque tem um lugar no mercado, tem renda, planos e consumo de longo prazo, mas isso não a torna classe média. A outra classe “sem privilégios” são os muito pobres, que não têm nem precondição para aprender, a quem chamamos de maneira provocativa de ralé. Para as classes média e alta, é bom que exista a ralé, porque assim podem desfrutar de serviços que a classe média europeia e americana já não têm, como alguém para fazer a comida, cuidar dos filhos. É a luta de classes invisível, tipicamente brasileira.Luta de classes?
As classes do privilégio economizam um tempo importante para estudo ou para um trabalho mais rentável, enquanto a ralé limpa sua casa, faz sua comida. Luta de classe é uma classe roubar tempo de outra. Quando a empregada deixa o almoço do filho da patroa pronto para ele estudar inglês em vez de preparar sua própria comida, esse jovem ou criança está usando seu tempo para reproduzir seu capital cultural. E a empregada, usando seu tempo para repetir sua condição social.
A íntegra da entrevista segue aqui.

Não me agradeçam, agradeçam ao Leli, que upou pra gente o filme que eu linkei essa semana.



Consegui descolar essa versão online pro tal Primer, pra quem ainda não teve a oportunidade de assistir a essa obra-prima da década passada (infelizmente, só com legendas em italiano). Prepare-se para um mindfuck em escala épica, que faz Inception parecer só um filme de ação. Um filmaço daqueles que quanto menos você souber sobre o filme, melhor. E ele, ao contrário da tendência do século 21, tem apenas pouco mais de uma hora.


Elvis da cintura pra cima, os Stones cantando “Let’s Spend Some Time Together” em vez de “The Night Togehter” e agora Kendrick Lamar teve de rebatizar seu grande hit para passar na TV americana, no programa desta quinta-feira do Jimmy Kimmel. No título, “bitch” vira “girl”, mas na música vira “trick”. E segue fodaça:


“Um homem e uma mulher se aproximam e se unem no ciclo de vida de um organismo sem idade. Identidade torna-se uma ilusão na medida em que eles lutam para reunir os fragmentos de suas vidas destroçadas”
Essa é a ~sinopse~ de Upstream Color, o novo filme de Shane Carruth, diretor e autor do magnífico Primer, de 2004, talvez a obra mais perturbadora já feita sobre viagens no tempo – e que custou apenas 7 mil dólares. E agora ele vem com este seu segundo filme, sente só:
Dá uma sensação de Terrick Mallick com Darren Aronofsky, um Lynch com complexo de épico, mas eu não duvido nada que seja algo completamente diferente.

