
Nenhum viral explica uma idéia tão errada quanto essa:
Eugênio que sacou essa.

O diretor de Drive fala sobre a importância do sexo e da violência como elemento fantástico na narrativa cinematográfica e detalha porque esta última funciona tão melhor e tem um apelo tão direto, ainda que oposto à sua presença fora da ficção ou do cinema.
Gostou? A íntegra da conversa do diretor em uma das Summer Talks oferecidas pelo Film Society of Lincoln Center·em Nova York pode ser assistida abaixo:


Talvez o grande feito jornalístico dos Mídia Ninja não tenha nada a ver com os protestos do meio deste ano e esteja acontecendo exatamente agora, ao servir, graças ao último Roda Viva, de isca para o início da discussão sobre esse tal de Fora do Eixo. Essa entidade há alguns anos vem tomando conta de diferentes corredores da produção cultural brasileira, com um discurso prolixo, evasivo e muitas vezes contraditório e constantemente teve seu modus operandi questionado – além de falar mais sobre política do que sobre cultura. Será que há algum whistleblower disposto a mostrar as coisas como elas realmente são do lado de dentro do Fora? A transmissão 3G e o jornalismo POV dessa nova comunicação ninja poderia mostrar, mesmo que na base do relato anônimo (pode usar a máscara do V, tá tranquilo), as trincheiras direto do front das Casas Fora do Eixo? E não custa lembrar que documentos digitais não se destroem facilmente.
Eis a grande reportagem de cultura no Brasil de 2013.
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Alguns textos já ajudam a costurá-la:
- O depoimento da cineasta Beatriz Seigner
- O desabafo de Daniel Peixoto, ex-Montage, em relação à forma como o coletivo atua
- O longo artigo sobre o grupo no site Passa Palavra
- A curta indireta anônima no site do Centro de Mídia Independente
O Vlad propõe uma interessante autocrítica que poderia ser proferida pelo coletivo(Vlad apagou sua sugestão)- E o Mini já compilava links relacionados ao tema há muitos tempo, no Tumblr Discurso Alternativo
- Manuela Barem fala sobre sua experiência com o grupo ainda no Mato Grosso do Sul
- Fernanda Popsonic também conta o que viveu
- O Gustavo também faz boas perguntas, além de resgatar um post apagado
- Laís conta histórias mais escabrosas – e deixa esse vídeo ao final de seu post
- O Alt Newspaper detalha os problemas da entidade em Pernambuco
- O Caco conta mais histórias envolvendo o coletivo em Macapá
- A Shannon dá seu parecer como observadora externa
- George fala da presença do coletivo na América Central
- E o UOL entrevistou Pablo Capilé
E agora criaram o Fora do Eixo Leaks de fato.
Alguém aí quer falar ou linkar mais algo?
Praticamente um ser humano!


CUIDADO.


Há tanto a ser comentado sobre esse momento (que conecta-se com os megaprotestos de junho de 2013, o momento pós-internet do jornalismo brasileiro e o estado da cultura nacional em 2013), mas acho que é melhor ver o que está acontecendo antes de sair falando por aí. Daí a íntegra do Roda Viva de ontem aí embaixo:
Pra quem está completamente à parte da discussão (é possível?), a Camila explica mais detalhadamente:
O Mídia Ninja (uma abreviação livre de Narrativas Independentes Jornalismo e Ação) não obedece à formalidade nem aos rituais da mídia tradicional. Suas imagens são transmitidas em tempo real, sem nenhuma edição. Não há vistas aéreas, não há tomadas a partir de postos de observação: é rua o tempo inteiro, e o ponto de vista é o mesmo do manifestante. Daí as imagens tremidas em meio à correria e os longos trechos de caminhada em busca dos pontos onde se reagrupam os dispersados. A narrativa é crua. Não tenta (nem seria capaz de) explicar ao espectador o que está acontecendo. Com seu material bruto, coloca o público no centro da ação.
Mas a quem pertencem as mochilas? A um grupo de ativistas que, depois de fazer uma cobertura ao vivo da Marcha da Liberdade, realizada em São Paulo em 28 de maio de 2011, lançou uma série de programas de debates transmitidos pela internet em um canal batizado de PósTV. Ligados a diferentes grupos militantes, a maioria deles fazia parte do Movimento Fora do Eixo, coletivo cultural fundado em 2005 por produtores de Campo Grande, MT, Rio Branco, AC, Uberlândia, MG, e Londrina, PR, com o objetivo inicial de promover músicos e bandas de todas as regiões do Brasil, em especial as situadas além do eixo Rio-São Paulo. Presente em 25 cidades, agora também se ocupa da organização de festivais e eventos no Brasil e no exterior, novamente fora do circuito comercial tradicional.
Os autointitulados ninjas, que sempre mostram a cara, expandiram sua grade de programação no primeiro turno das eleições municipais no ano passado, realizando programas diários que discutiam as diferentes candidaturas em 20 cidades do País. Para tanto, se valeram da capilaridade – e dos recursos – do Fora do Eixo. No começo deste ano, visitaram aldeias dos guaranis-caiovás no Mato Grosso do Sul para uma série de reportagens e cobriram o Fórum Social Mundial na Tunísia. Quando se preparavam para discutir linhas de pauta, alternativas de financiamento e os próximos passos da iniciativa, os 20 centavos explodiram nas ruas e os ninjas se jogaram de cabeça nos protestos.
A maioria deles não tem formação jornalística. O chamado núcleo duro, responsável pelas transmissões que ajudaram a dar visibilidade ao coletivo, é formado por cerca de dez jovens, quase todos com menos de 25 anos. A exceção é Bruno Torturra, de 34, que trabalhou na revista Trip por 11 anos como repórter, editor e diretor de redação. Ele, que ficou nos bastidores coordenando as coberturas, orientando quem estava na rua, afirma que a cobertura era guiada por instinto, por um “espírito de perdigueiro sem muito adestramento, sem processos e técnicas que são, sim, muito valiosos”.