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Nicolas Godin entre a música erudita e o ruído eletrônico

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Ao mesmo tempo em que o Air revisita toda sua discografia relançando-a em vinil, uma das metades da dupla francesa lança-se em carreira solo. Nicolas Godin começou o mês apresentando o primeiro gosto de Contrepoint, seu disco de estreia, que será lançado ao fim do ano e é nos apresentado com o single “Orca”, cujo clipe foi dirigido por Sean Pecknold, irmão do líder do Fleet Foxes, Robin. A faixa é um boa apresentação da zona que o músico quer explorar, entre os limites da execução na música erudita e a excelência da tecnologia de gravação, citando o pianista Glenn Gould como inspiração.

O disco será lançado até o fim do ano pela gravadora Because Music.

Ainda tentando entender Bobby Fischer

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À luz de cinebiografias que fuçaram personalidades fortes e geniais nos últimos anos (do Turing do Jogo da Imitação ao Zuckerberg de A Rede Social e o Hawking de A Teoria de Tudo), é a vez de Hollywood se debruçar sobre a vida do campeão de xadrez norte-americano Bobby Fischer (vivido por Tobey Maguire), que reencena o clássico embate da Guerra Fria sobre um tabuleiro quando ele enfrentou o campeão russo Boris Spassky (vivido por Liev Schreiber) no filme Pawn Sacrifice, sem previsão de estréia no Brasil. Eis o trailer:

Mas é claro que a carreira do “Muhammad Ali do xadrez” é só metade da biografia de Fischer, que torna-se um comentarista político paranoico com o passar dos anos. Vamos ver se o filme entra nesse mérito. Mas talvez a melhor contribuição deste filme seja nos fazer revisitar o excelente documentário Bobby Fischer Against the World, que encontrei legendado no YouTube.

Paulo César Pereio YOLO

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Esse rap que o Pereio gravou pra marcar a volta de seu programa no Canal Brasil é ao mesmo tempo constrangedor como nos lembra da importância de sujeitos como ele justamente para macaquear momentos assim.

Kung Fury é o cúmulo dos anos 80

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A grande sensação cinematográfica mundial neste fim de semana é o inacreditável filme de meia hora Kung Fury, escrito, dirigido e atuado por David Sandberg – um misto de Johnny Depp e Ryu do Street Fighter – que mistura a estética Miami Vice à aurora da psicodelia eletrônica, vikings, dinossauros e nazistas na comédia policial de artes marciais Kung Fury e é uma grande elegia à cultura pop dos anos 80, como se Drive fosse um filme do trio Zucker Abrahams & Zucker escrito pelo Tarantino. Já havia linkado aqui o inacreditável clipe de de “True Survivor” mas não sabia que era dessa pequena obra-prima que custou 600 mil dólares bancados via crowdfunding.

A era de ouro do cinema está só começando. Imagina quando esses novos autores começarem a largar as referências…

Jonny Quest vai virar um filme de Robert Rodriguez!

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O site Deadline confirmou que Robert Rodriguez foi chamado para dirigir a adaptação em carne e osso para o desenho animado Jonny Quest (antes que alguém se esqueça totalmente dele). O projeto já rola nas mãos da Warner há anos e é a primeira vez que Rodriguez se envolve diretamente com Hollywood desde o terceiro remake que ele fez pra seu El Mariachi, há dez anos. Mas como um dos trunfos do estúdio Troublemaker do diretor é a série infantil Spy Kids, além do absurdista Shorts e do frenético Shark Boy & Lava Girl, tudo indica que o remake pode estar nas mãos certas. Resta saber se Rodriguez irá se aprofundar na natureza improvável daquela família há meio século…

Os passos de Giorgio Moroder

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O maestro italiano da disco music vem capitalizando cada vez mais sobre o fato de ter voltado ao holofote graças ao Daft Punk há dois anos. Depois de mostrar as íntegras de seus próximos hits ao lado de divas deste século como Britney Spears, Sia, Kylie Minogue e Charli XCX, ele agora apresenta todo seu disco num clipe teaser coreografado. Fodaço.

Por que faço o Trabalho Sujo

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Desde que o Trabalho Sujo era uma ideia eu já me acostumei ajustá-lo de acordo com a situação.

Chego agora a essa nova fase pensando no que o site pode ser nos próximos anos sendo que ele nunca foi planejado para ser um site, um conceito que mal existia quando o Trabalho Sujo nasceu. Fora que não dá pra saber o que esperar dos próximos anos – quem sabe? As mudanças que aconteceram na minha vida nos últimos 20 anos mostraram que não adianta fazer muitos planos nem tentar agarrar o controle da vida, é melhor deixar levar com o fluxo, ser levado pela corrente da vida, que não é só sua. O fim dOEsquema e o novo layout do Sujo é uma forma de organizar um pouco a casa e as ideias antes do aniversário de 20 anos que acontece em novembro. Não sei o que vou fazer em novembro, mas me parece uma boa meta de tempo.

Algumas novidades vão ficar mais evidentes com o tempo, mas já antecipo umas de cara. Aos poucos o Leitura Aleatória (aquela coleção diária de links) vai voltar, Facebook e Twitter passam a funcionar de forma diferente em relação a postagem de conteúdo do Trabalho Sujo e externo (o Instagram é uma conta cada vez mais pessoal, tô quase pensando em botar o cadeado na porta e não replicar pro Facebook); haverá uma newsletter e seções específicas com periodicidade a definir; além de explorar mais a relação do site com eventos ao vivo. Ah, o 4:20 acabou (por isso aquele monte de “The End”) pois ter cumprido seu papel e disseminado a hora mágica para o mundo. É como as fotos da tapioca: continuo comendo-as todas as manhãs, mas depois que eu lancei o hype não preciso insistir mais nisso, né? E ainda tem uma coluna pra você mandar suas dicas pra cá.

O Sujo começou depois de uma demissão. Tinha sido demitido do jornal que trabalhava, o Diário do Povo, e estava naquela encruzilhada entre retomar o curso de Ciências Sociais na Unicamp, fazer um fanzine e continuar publicando de alguma forma em algum jornal – o vírus do jornalismo havia me infectado e quem conhece sabe como é essa cachaça. Antes de ser demitido eu publicava num caderno voltado para o público adolescente chamado Diário Pirata (justo esse nome!) que fazia sucesso na cidade por ser a única publicação em Campinas que não falava ou com adultos ou com crianças – e a equipe liderada pela gênia Adriana Villar aproveitava-se dessa zona cinzenta para inventar pautas e abordagens que gostaríamos de ler, uma das minhas primeiras grandes lições da profissão: só faça uma matéria que você queira ler.

Havia acabado de comprar meu primeiro computador, um trambolho Compacq comprado numa promoção da Fenasoft de 1994, e brincava com versões dos programas que os jornais usavam pra diagramar e ilustrar suas páginas, os arcaicos Aldus PageMaker e Corel Draw. Meu primeiro fanzine começou a ser rascunhado digitalmente, usando um scanner de mão e fotos que já vinham no computador para ilustrar matérias sobre diferentes assuntos. O nome havia surgido numa névoa matutina dessas e vinha com sobrenome: o subtítulo “Porque alguém tem de fazê-lo” margeava tanto a versão original de um zine que nunca existiu quanto as primeiras edições do Trabalho Sujo de fato.

Um dos motivos do sucesso do Diário Pirata era a literal ausência de concorrência – o principal jornal da cidade, o Correio Popular, não tinha nada que se parecesse com o Diário Pirata – e anos depois quando começou a sua versão (chamada de… “Geração”) não chegava aos pés do trabalho que fazíamos na redação da Vila Industrial. E foi ali que o editor-chefe do jornal – ou em algum terceiro tempo no Bar Azul ou no City Bar – ficou sabendo que eu iria vender uma coluna para o correio. E depois me chamou na redação para outra daquelas grandes lições do jornalismo que carrego pra vida: ele fechou o caderno não por falta de interesse, mas porque tinha de cortar papel, e ao saber que eu toparia trabalhar como frila – minha proposta original para o Correio -, me convidou para trazer aquela coluna para o jornal. E me deu a contracapa do caderno de cultura das segundas-feiras. Eu simplesmente reempacotei meu fanzine para um formato de página de jornal e, diagramando no PageMaker e editando no Corel, levei a coluna num disquete para a redação, que ainda não tinha internet. Descia à sala de produção para escanear fotos e aplicá-las na página e aos poucos fui me ficando familiarizado com todo o lado industrial do jornal. Até então só sabia o que acontecia até que o texto chegava à página. Como frila, passei a frequentar a gráfica.

Assim começou o Trabalho Sujo que, em menos de seis meses, já teve que aprender a se adaptar, quando o Correio simplesmente comprou o Diário e passou a sucatear o antigo concorrente, levando a linha editorial para o pior estilo espreme-sai-sangue. Consegui manter o Sujo a duras penas, pois ele saiu da contracapa de cultura para dar espaço à nova colunista Sônia Abrão (é…) e foi para o alto da página dois, em cima dos quadrinhos e do horóscopo, em versão preto e branco. A fase trevas do Diário durou um ano e aos poucos sua autoestima foi sendo retomada, mesmo sempre abaixo da do ex-concorrente e atual “casa grande” de uma tentativa de império dos jornais do interior que mal conseguia chegar às cidades vizinhas. Nesse meio-tempo me tornei ilustrador do jornal (pois era o único na redação que sabia usar o Corel Draw), contratado e fazendo o Trabalho Sujo na paralela, sem receber a mais por isso. Em pouco tempo, tornei-me editor de arte do jornal, quando fiz um novo projeto gráfico para o Diário (que morreu em 2012 com o logotipo que eu havia feito) e ajudei o jornal a criar seu primeiro site. E ali plantei também a primeira versão digital do Trabalho Sujo, que devia ter um link do tipo http://www.diariodopovo.com.br/suplemen/TrabSujo/index.htm. A versão em papel tinha voltado a ganhar espaço e como o Rio Fanzine n’O Globo passava a ocupar a página dupla central da edição de domingo. Eu que diagramava e escrevia tudo, sempre, mas nessa época já tinha colaboradores fiéis como o grande Roni César, comparsa de editoria de arte e ilustrador de primeiríssima, e o mestre Sérgio Carvalho, o Serjão, até hoje um dos meus fotógrafos favoritos.

Em 1999, o Sujo foi para a contracapa de sábado e, no meio daquele ano, fui chamado para ser o editor de cultura do Correio Popular. Pra evitar problemas de autoria, em vez de levar o Trabalho Sujo para o Correio, simplesmente fechei a coluna impressa e abri o site no Geocities, onde começava a publicar textos que escrevia para o Correio e para outros veículos – na época eu já colaborava com O Globo, o Estadão e a Gazeta do Povo de Curitiba -, mas aos poucos fui entendendo a lógica daquela nova mídia. E antes de eu mudar para São Paulo já havia transformado o Trabalho Sujo do Geocities em meu site pessoal. Depois veio o Gardenal, veio OEsquema e aquela história que eu tava contando e, aos poucos o Trabalho Sujo também foi mudando.

De lá pra cá passei pelas redações da Conrad, da Trama, do Estadão e da Editora Globo sempre levando o Sujo como uma atividade paralela, um misto de hobby e missão, mas ao mesmo tempo ele ia ressaltando qualidades e manias que sempre fiz questão de prezar. Ao assumir o próprio domínio do Trabalho Sujo, o site segue como coluna de novidades e notícias, misturando opiniões e nichos diferentes para tentar acompanhar as transformações que estão acontecendo atualmente. Mas também começa uma produção ainda mais autoral, de produzir conteúdo específico pra cá e levar o site como meu principal veículo. Vai ser um processo lento porque ele requer uma baita organização em vários aspectos, mas o primeiro passo é esse novo site, que ainda tem uma série de coisinhas pra resolver e ajustes para serem feitos, além de outras novidades que prefiro ir apresentando com o passar do tempo.

O Trabalho Sujo é um trabalho em andamento e pode assumir outros formatos em encarnações futuras e por mais que ele seja um projeto individual, ele não funciona sozinho. Essa mudança estética e organizacional de agora, por exemplo, só aconteceu graças ao nobre auxílio dos mestres Jairo e Cauê: Jairo foi editor de arte do Estadão na época em que eu estava no Link e sempre que podíamos fazíamos páginas juntos; é dele esse logo Ralph Steadman que marca o site em diferentes plataformas; Cauê eu conheço das internas da internet como um dos caras que mais manjam de WordPress que eu conheço; é ele quem me ajudou na migração e adaptação de um tema inteiro para esse site que você está vendo agora.

E claro, você, leitor. Conheci algum dos meus melhores amigos desta forma: lendo textos deles e delas ou elas e eles lendo meus textos, pois esse contato por escrito é mais superficial que do o contato por rádio ou por vídeo, mas provoca uma intimidade e aproximação que conecta cabeças. Estou no fundo escrevendo como uma longa terapia em fluxo de consciência, organizando ideias e teorias em textos sobre produtos de cultura pop pra que consiga exprimir melhor o que está acontecendo ao nosso redor. Essa conexão, que antes só acontecia no papel, agora pode acompanhar o leitor em qualquer situação. E acho que essa é a graça disso que estamos fazendo aqui – seja nesse início de renascença dos blogs (o que é o Medium senão isso?), nas redes sociais ou nos aplicativos em que adicionamos uns aos outros – e que me faz crer que possa ser a saída pra essa profissão que a maioria lamenta. Falta paixão e sobra estatística, eu quero mais o jornalismo-arte.

Vamo pra festa?

20 anos de Grand Prix, do Teenage Fanclub

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Apesar do Bandwagonesque ser celebrado como o grande disco do Teenage Fanclub, meu disco favorito deles – e o mais redondo da discografia da banda – é o irrepreensível Grand Prix, lançado exatamente há vinte anos. E nessas coincidências cósmicas, o Dave Grohl festejou a importância da banda num show na quarta passada, quando seu Foo Fighters dividiu a noite com a banda escocesa, justo em Manchester. O próprio Norman Blake twittou:

Não chegou a ser um cover, mas Grohl escolheu uma de suas músicas mais pop (“Big Me”, do primeiro disco dos Fufa) pra fazer reverência à banda.

Dica do Ricardo (valeu!). E se você não conhece o Grand Prix, faça-se esse favor….