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O adeus de Edwyn Collins

O ícone indie britânico Edwyn Collins anunciou sua turnê de despedida no começo do ano, que atingiu um ponto máximo neste sábado, quando tocou em sua cidade-natal Glasgow e reuniu-se com os ex-integrantes da clássica banda que fundou no início dos anos 80, os imortais Orange Juice. Ao lado do guitarrista James Kirk e do baterista Steven Daly, ele, que já tinha tocado diversas músicas de sua antiga banda no decorrer do show (além de, evidentemente, seu maior sucesso solo, a inevitável e irresistível “A Girl Like You”), passeou por duas músicas emblemáticas do grupo no bis do show, quando puxaram “Felicity”, do primeiro disco You Can’t Hide Your Love Forever, de 1982, e o primeiro single da banda, “Blue Boy”. Apenas o baixista original David McClymont, que hoje mora na Austrália, não esteve presente no show, que aconteceu no Teatro Real da cidade escocesa. Bonito.

Assista abaixo:  

LCD Soundsystem + Pulp ♥ Heaven 17

Quando Pulp e LCD Soundsystem anunciaram que fariam shows juntos no Hollywood Bowl, clássica arena de shows em Los Angeles, nos Estados Unidos, é claro que sabíamos que seriam apresentações memoráveis. O que não dava para prever era a colaboração entre os dois grupos que aconteceu quase no final do show do grupo de Nova York, quando o vocalista do Pulp Jarvis Cocker juntou-se à banda para tocar a memorável “(We Don’t Need This) Fascist Groove Thang”, um dos hits da clássica banda de tecnopop Heaven 17, um improvável mas coerente ponto de encontro entre os dois grupos. O LCD Soundsystem já tinha tocado a música no disco ao vivo Electric Lady Sessions, que foi gravado no histórico estúdio Electric Lady que Jimi Hendrix fundou em 1968, mas nunca a havia tocado num show de fato como aconteceu na apresentação de sexta-feira, quando Cocker dividiu os vocais com a vocalista do LCD Nancy Whang – ainda mais cantando ESSA música em plenos Estados Unidos de 2025. Bom demais!

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Paul McCartney ressuscita “Help!”

Paul McCartney começou a perna estadunidense de sua turnê Got Back! (aquela com a qual ele passou aqui há dois anos) com uma música que não tocava desde o ano em que ela foi composta, 60 anos atrás. Paul só havia tocado “Help!” ao vivo depois do fim dos Beatles quando incluiu um trecho da canção no setlist da turnê Flowers in the Dirt, a primeira que o trouxe ao Brasil, em 1990. Mas ela nunca havia tocado a música na íntegra como fez no primeiro show desta nova fase de apresentações, que aconteceu nessa sexta-feira, na arena Santa Barbara Bowl, na cidade de Santa Barbara, na Califórnia. Com menos de cinco mil lugares, a casa de shows pode evitar que as pessoas usassem seus celulares durante o show, por isso o único registro que se tem até agora deste momento foi capturado do lado de fora do ginásio a céu aberto. Não se sabe ainda nem se ele vai incluir “Help!” no repertório dos próximos shows ou se vai aproveitar para resgatar músicas que não toca há tempos. De qualquer forma, estaremos aqui esperando.

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Rosé ♥ Lana Del Rey e Paul Simon

Dos maiores nomes do K-pop, as integrantes da banda Blackpink – possivelmente o maior girl group de todos os tempos – estão dedicando-se a divulgar suas carreiras solo enquanto não lançam mais nada coletivamente, além dos shows. E embora minha favorita seja Lisa (que lançou um dos melhores discos de dance music do ano, o ótimo Alter Ego), provavelmente a mais conhecida de todos – pelo menos deste lado do planeta – é Rosé, que ano passado emplacou um hit com Bruno Mars, a insuportável “APT.”. Mas essa semana ela resolveu mostrar que não está nessa só pra fazer o povo dançar e, em uma apresentação no programa do entrevistador Howard Stern, puxou duas músicas alheias para mostrar a amplitude de suas referências, ao emendar a balada “Norman Fucking Rockwell” de Lana Del Rey com a imortal “50 Ways to Leave Your Lover”, de Paul Simon. Ficou fino, saca só.

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Como Assim? @ Estúdio Aurora (27.7)

Agora vai! Depois de um começo de ano caótico, finalmente vamos conseguir fazer o primeiro show de 2025 da Como Assim?, banda não-autoral que tenho com Carlão, Potuma e Pablo desde o início da década. Nesta apresentação, mostramos mais uma vez composições alheias que funcionam como trilha sonora daquele táxi pós-balada, misturando George Michael com Ritchie, Johnny Cash com Sade e New Order com Stooges. Desta vez quem abre a noite é outra banda não-autoral, a Transtorno, que faz seu show de estreia. Os concertos musicais acontecem a partir das 20h deste sábado, dia 27 de setembro, no Estúdio Aurora (Rua João Moura, 503. Sala 12. Pinheiros) e os ingressos já estão à venda.

Dua Lipa ♥ Ariana Grande e Gloria Estefan

A turnê que Dua Lipa está fazendo pelos EUA passou pela Flórida e dessa vez ela celebrou duas musas de duas épocas diferentes de um dos estados mais latinos daquele país, quando tocou duas noites em sua capital, Miami. Na primeira noite, quinta passada, ela puxou o hit “Conga” do grupo Miami Sound Machine liderado por Gloria Estefan para evocar a filha mais ilustre da cidade de Boca Ratón, Ariana Grande, com seu hit de dez anos atrás “One Last Time”.

Confira abaixo:  

Tame Impala como se fosse o Drácula

Kevin Parker cada vez mais abre a cortina para revelar o que podemos esperar do próximo de seu Tame Impala, Deadbeat, desta vez mostrando “Dracula”, terceiro single do disco que será lançado no próximo dia 17. Como os dois singles anteriores (“End of Summer” e “Loser”), a nova faixa reforça a influência eletrônica e de dance music no novo álbum, fazendo parecer que, enquanto esperávamos que Dua Lipa ficasse mais psicodélica ao chamar Parker para produzir seu disco mais recente, foi o produtor australiano que infectou-se da dance alto astral da musa anglo-albanesa. Ao mesmo tempo, “Dracula” é a música mais acessível das que já foram lançadas e acena para um Tame Impala mais tradicional, ainda que o clipe faça referências a Thriller do Michael Jackson, a cena rave australiana e à dancinha que os personagens da turma do Snoopy fazem num baile de formatura do segundo grau dos moleques do desenho animado. O disco ainda é uma incógnita, mas essa música desceu bem.

Assista abaixo:  

Prontos para o novo Magdalena Bay?

A dupla norte-americana Magdalena Bay, autora de um dos melhores discos do ano passado – e possivelmente da década! -, volta a lançar músicas novas, só que agora sem os poucos recursos que tinham quando lançaram o soberbo Imaginal Disk (cuja capa, por exemplo, foi feita com um efeito especial literalmente artesanal). Felizmente a estabilidade comercial não afetou a criatividade dos dois, que lançaram músicas excelentes e complementares ao mesmo tempo em que o clipe que fizeram para uma delas, a ótima “Second Sleep”, dá uma amostra do que pode ser sua prometida versão visual do disco de 2024 e deixa a vocalista Mica Tennebaum à vontade para soltar toda sua performance dramática, tão boa quanto sua presença vocal. O lado B deste single, a jazzy e melancólica “Star Eyes”, não vem com clipe, mas juntas duas canções dão uma bela amostra do caminho que eles podem percorrer já que têm reconhecimento e a atenção do público. E se esse novo single é o aperitivo de um novo álbum (eles não falaram nada sobre isso, mas já disseram que não haverá edição deluxe de Imaginal Disk e tratam as novas músicas como uma nova fase), tudo indica que teremos um disco ainda melhor em breve… Tomara!

Confira abaixo:  

Saiu a programação do Sesc Jazz 2025!

Um dos eventos do Sesc mais esperados do ano, o Sesc Jazz acaba de revelar sua impressionante escalação de sua sexta edição, que acontece entre os dias 14 de outubro e 2 de novembro e traz uma seleção absurda de shows e atividades formativas em quatro unidades em São Paulo (Sesc 14 Bis e Pompeia com os principais shows, além de ter outras atividades no Sesc Vila Mariana e no Consolação) e outras cidades do estado, como Franca, São José do Rio Preto, Guarulhos e São José dos Campos. As atrações são amplas e louváveis, como o encontro de Dom Salvador com Amaro Freitas, duas celebrações à Lenny Andrade, o encontro de Evinha com Marcos Valle e o de Luedji Luna com Alaíde Costa, Allan Abbadia misturando Moacir Santos com John Coltrane, o Aláfia revisitando o clássico Mothership Connection, do grupo Parliament-Funkadelic, o Trio Mocotó voltando ao clássico Força Bruta, que gravou com Jorge Ben, Virgínia Rodrigues voltando ao seu disco de estreia, Sol Negro, com Tinganá Santana, além de apresentações do grupo Aguidavi do Jêje, do ganês Alogte Oho, do grupo colombiano De Mar y Río, o percussionista uruguaio Hugo Fattoruso e seu grupo Barrio Sur, a colombiana Lido Pimienta, o colombiano Fruko e a haitiana Moonlight Benjamin, entre muitos outros (mais informações neste link). Confira a programação completa abaixo:  

Finalmente, Vovô Bebê!

Finalmente Vovô Bebê trouxe seu ótimo Bad English, disco com músicas em inglês que compôs durante a pandemia e que lançou no semestre passado, para uma apresentação ao vivo, que aconteceu dentro da bissexta mas resistente programação do Prata da Casa do Sesc Pompeia. Veio acompanhado de uma banda de ouro, reunindo velhos e novos camaradas, cada um com suas próprias carreiras em segundo plano para celebrar o trabaho do compadre: Gabriel Ventura na guitarra, Carol Mathias nos teclados, Guilherme Lírio no baixo e Uirá Bueno na bateria. E para não perder a oportunidade – afinal shows dele em São Paulo são menos frequentes do que gostaríamos – ele não só passou por boa parte do repertório do disco novo como visitou músicas de seus outros discos. E no meio de “Briga de Família”, música que batiza seu disco de 2020, recebeu a participação não anunciada de Ana Frango Elétrico, que subiu no palco quando a música se metamorfoseou num improvável mashup com a pedrada “Cross the Tracks (We Better Go Back)”, de Maceo & The Macks. Ana seguiu no palco por mais duas canções, quando primeiro dividiu os vocais de sua “Coisa Maluca” como Vovô, que é coautor da canção, para depois descambar na espetacular “Insista em Mim”, uma das melhores músicas brasileiras dessa década. Showzaço, cheio de gente artistas na plateia, todos esperando há um tempão por esse show.

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