Fotos: Natália Pires
Uma das principais especulações a respeito da fase 3 da Marvel é a forma como abordarão o personagem Dr. Estranho, talvez o super-herói que menos dependa da ciência de toda a editora. O animador Alex Silver, da This is Productions, resolveu fazer sua versão para a abertura do filme e embora o resultado certamente fique longe do que virá, ele dá umas dicas do que esperar do filme, que vai ser estrelado por Bennedict Cumberbatch.
E esse Flaming Lips na trilha sonora matou a pau.
Conheço Matias Maxx desde o século passado e ele sempre foi um dos principais ativistas da causa canábica no Brasil – a planta é onipresente em sua vida e obra e passa pelo seu zine Tarja Preta, a loja Cucaracha no Rio de Janeiro e a revista SemSemente, além de ter inspirado o onipresente Capitão Presença. Sua última incursão ao mundo verde é o programa de turismo canábico Narcoturista, em que ele encarna o Macoñero Mascarado e dá um rolê por lugares que tenham a ver com a erva. O próximo episódio vai ser gravado no Uruguai e ele quer aproveitar a ida pra ir à fundo na experiência da legalização da maconha no nosso vizinho do sul – e pra isso montou uma campanha de crowdfunding no Catarse para fazer tudo do jeito certo. Bati um papo com ele sobre o programa, a campanha, a viagem e a situação das drogas no Brasil. Pra colaborar com o crowdfunding, clique aqui.
Falaê qual é a do programa.
Então, a idéia do Narcoturistas surgiu meio por acaso. Eu já tinha aquela máscara há muito tempo e basicamente usava no carnaval e na Marcha da Maconha. Aí eu levei ela numa viagem que fiz com o Daniel Paiva para Amsterdã em 2012. A gente foi cheio de gás numas de fazer matérias pra revista semSemente, e também gravar um documentário. Mas era a Cannabis Cup, a gente ficava chapado o tempo todo, e todos nossos possíveis personagens estavam ou super ocupados ou super chapados também.
Foi quando a gente teve essa idéia: fazer um programa de turismo apresentado pelo Macoñero Mascarado. Mas nem isso a gente conseguiu fazer direito. Aí o material ficou arquivado por dois anos quando a gente resolveu pegar pra editar de novo, dublar a porra toda e fazer a magia do cinema acontecer. Um pouco antes da gente lançar, fui ao México de férias, levei a máscara e gravei umas doideiras lá. Mês passado quando fui cobrir a Marcha da Maconha de BH também levei a máscara e daí surgiu o terceiro episódio, em “Brumadim”. A gente também tá fazendo sem pressa um episódio no Rio e um em SP, aonde a gente já gravou uma baldada lá no volume morto da Cantareira…
Agora, o que eu quero com isso? Essa pergunta é dificil. Acho que é dar continuidade ao que eu sempre fiz com a Tarja Preta, que é informar, mas sem perder o bom humor jamais.
O Narcoturistas é só você e o Daniel?
Ele é meu sócio na jogada. Ele é cartunista, co-editor da Tarja Preta e músico, toca na Orquestra Voadora, no Marofas Grass Band, no Luisa Mandou um Beijo e uma porrada de outras bandas daqui do Rio. Então nós dois fazemos praticamente tudo: dirigimos, atuamos, dublamos, filmamos e roteirizamos. Aí tem o DJ Babão que faz a mixagem e sonorização, e o Daniel Tumati que faz os gráficos, efeitos visuais e animações. Mas a gente vai envolvendo mais gente aos poucos: no segundo episódio tem desenho do MZK e no terceiro do Daniel “Etê” Giometti, dos Muzzarellas. No segundo episódio, também contei com a importante parceria do diretor mexicano Julio Zenil, que já fez clipes de várias bandas mexicanas como o Control Machete e é quem fundou a Marcha da Maconha de lá. Se a gente conseguir alcançar a meta do Catarse a idéia é despachar ele pro Uruguai também.
O quanto o Brasil já evoluiu no que diz respeito ao trato das drogas?
O discurso tá evoluindo, sobretudo depois da decisão do STF de 2011 que declarou inconstitucional o crime de apologia às drogas. No entanto o Brasil é um dos países que mais tem gente presa por crimes relacionados à droga. A maioria são pequenos traficantes, usuários muito pobres e alguns cultivadores. E mesmo após essa decisão do STF (ADPF 187), ainda tem gente sendo presa por vestir camisetas com folhas de maconha ou mesmo por cantar músicas sobre maconha – como aconteceu com o Cert da Cone Crew algumas semanas atrás -, sendo que ambas as situações foram explícitas como inconstitucionais no voto do ministro Celso de Melo na ocasião.
O Brasil é muito complicado, pois ao mesmo tempo que você vê uma expansão do que é a cultura canábica e os negócios canábicos, a maioria dos políticos e acadêmicos que defendem a legalização não sacam nada de cultivo ou mesmo de experiências de legalização em outros países, nem mesmo do nosso vizinho Uruguai. Ao mesmo tempo o STF deve votar a inconstitucionalidade do crime de uso de drogas no inicio de agosto, o que é um puta avanço. Mas que se não for acompanhado de alguma forma de regulamentação do cultivo/produção, distribuição e venda das drogas não resolve muito.
Há uma safra de produção audiovisual brasileira que trata sobre o tema. Qual a importância do cinema nisso?
Muito importante. Sobretudo quando esses filmes têm repercussão na grande mídia, como foi o caso do Quebrando o Tabu e do Ilegal, que tiveram trechos exibidos no Fantástico. No caso do Ilegal o filme conseguiu sensibilizar a população de um jeito que dobrou a Anvisa que regulamentou o CBD em tempo recorde, ainda que longe do jeito ideal. Tem também o Cortina de Fumaça do Rodrigo MacNivem que é muito bom.
Além do documentário, você é ferrenho ativista da causa. Como anda a Sem Semente? E que mais você está aprontando?
Sim, eu frequento a Marcha da Maconha desde 2002, e passei a organizá-la no Rio a partir de 2007, nesse meio tempo inspirei o Capitão Presença, e no meu trabalho como fotojornalista, seja na Bizz ou na Vice, sempre tentei levar essa pauta. A semSemente enfrenta os mesmos problemas que qualquer publicação independente com baixo orçamento no país, então a gente tá numa fase de reestruturação. Queremos passar para um formato semestral a partir do próximo semestre. Agora no Uruguai, além de um novo episódio do Narcoturistas também pretendemos gravar um documentário responsa.
Nos últimos dias tive a oportunidade de conhecer o chefe do Instituto Regulador da Canabis do Uruguay e o ex-chefe da junta de drogas de lá, então se prepara galera que vem coisa boa aê. Mas para executar o projeto em sua excelência temos primeiro que bater a meta do Catarse.
Então solta um trocado aê maaaan!!!
A TVE gaúcha fez um especial em quatro partes sobre a cena que surgiu ao redor do Estúdio Vórtex, em Porto Alegre, e deu origem à cena gaúcha dos anos 80, entrevistando nomes como Wander Wildner, Frank Jorge, Carlos Gerbase, Humberto Gessinger, entre outros. Material importante num país que não registra suas cenas regionais nem seu passado musical, com várias imagens de época.
Dica do Mini.
Lindaça essa capa que o mestre Chris Ware fez pra matéria que a New Yorker escreveu sobre o Minecraft no mês passado.
Não agradeça a mim, agradeça ao já clássico blog NYC Taper, responsável por registros piratas dos grandes autores indies de nossa época. Desta vez coube ao site registrar a íntegra do primeiro show acústico da história do Wilco, que o grupo fez no fim do mês passado, na edição deste ano de seu evento pessoal Solid Sound Festival. Eles separaram a faixa “Hesitanting Beauty” em que Jeff Tweedy festejou o casamento gay no meio da canção.
O show inteiro (setlist a seguir) pode ser baixado aqui e a foto que ilustra o post é de Robert Loerzel, da Underground Bee.