O mago norueguês da disco music deste século Lindstrøm visitou um velho registro da carreira solo de Anni-Frid Lyngstad – a morena do quarteto sueco Abba, mais conhecida apenas por Frida – e deu um trato definitivo na canção “I Know There’s Something Going On”, produzida originalmente por Phil Collins. São duas versões: um remix e um dub feito a partir desse remix.
Ficou bem fera. Compara com o original, abaixo:
O homem não vive só de reedições e David Bowie segue atuando normalmente, embora num outro ritmo de trabalho e mirando em outros formatos além do lançamento de discos e a realização de shows (aparentemente, quem viu viu). Ele está prestes a lançar em Nova York sua primeira peça, Lazarus, inspirada no filme O Homem Que Caiu na Terra e estrelada por Anthony Michael Hall (das séries A Sete Palmos e Dexter). A peça estréia no dia 7 de dezembro no New York Theatre Workshop, com temporada até janeiro do ano que vem, e conta com quatro canções inéditas. Não é a única nova produção de Bowie, que compôs outra música inédita para um novo seriado inglês, chamado The Last Panthers.
O jovem gênio Nicolas Jaar também é desses que transformou 2015 em ano de transição: primeiro desfez seu projeto Darkside (que mantinha com o multiinstrumentista Dave Harrington) e depois começou a lançar faixas esporádicas (batizadas de “Nymphs II” e “Nymphs III“), acenando uma mudança lenta em sua própria sonoridade. Ele ainda compôs a trilha sonora não-oficial para um filme de 1969 (o armeno A Cor da Romã) e a trilha sonora oficial para o vencedor da Palma de Ouro de Cannes deste ano, Dheepan, além de remixes como esse que deixou a Florence boa. E esta semana soltou mais uma faixa, outra “Nymphs”, desta vez a quarta, que vem com título próprio, “Fight”. É uma faixa de oito minutos que caminho entre o sinistro e o sexy, juntando referências tão diferentes quanto timbres de Aphex Twin, beats de J Dilla e tecno alemão picotado. Não custa lembrar que Jaar até hoje só lançou um disco – Space Is Only Noise, de 2011 – o que pode indicar que ele esteja preparando um segundo disco.
Tulipa Ruiz é a primeira artista convidada para a edição Singles do Ecossistema da Música, que acontece nesta quinta, no Espaço Cult. A aula de hoje é uma versão reduzida do curso que coordeno no Espaço e que vai para sua quarta edição no início do ano que vem. Tulipa é uma das artistas brasileiras que melhor entendeu a internet e ela compartilha sua experiência, falando sobre os dilemas e os prazeres do artista na era digital, que ao mesmo tempo que tem um contato direto com seu público, tem que assumir o papel de empreendedor. As inscrições podem ser feitas no site do Espaço Revista Cult e esta é a ementa do curso:
Como aliar criação e produção artística
A chegada da internet mudou completamente o mercado de música reconfigurando completamente os hábitos de fruição e de consumo de música, obrigando a todos os diferentes agentes deste meio a se reinventar para encaixar-se neste novo cenário. Mas ninguém foi mais abalado do que o artista – ponto central da produção musical que, de repente, se viu obrigado a lidar com questões que antes ficavam com a gravadora, o produtor e o empresário. Mais do que ponto de partida e de chegada de um processo comercial, o artista hoje é o principal veículo da própria obra, pelo simples fato de estar em contato mais intenso com seu público graças às facilidades do mundo digital.
E na versão brasileira deste cenário, Tulipa Ruiz é uma das artistas que melhor soube encarar o desafio do empreendedorismo aliado à produção artística, participando e atuando diretamente em todas as decisões sobre sua carreira. E ela é a primeira artista convidada a participar do curso Ecossistema Singles – versão de aula única do curso O Ecossistema da Música no Século 21, ministrado pelo jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, no Espaço Cult. Durante a aula, Matias conduz a conversa com Tulipa, que além de contar as importantes decisões feitas durante sua carreira, explica as lições que tirou neste processo e como as aplicou em outras ocasiões.
O curso abordará as seguintes faces da carreira da artista:
1) Lançamento da carreira
– Qual priorizar: show ou gravação?
– O início da formação do público
– Como entrar no circuito de shows
– Como gravar suas músicas do jeito certo
– Como lançar os primeiros materiais para o público
– Quando é preciso ter um empresário
– Qual é a melhor hora de lançar um disco
2) O disco
– Os passos anteriores ao lançamento do disco
– Como lançar um disco
– Como distribuir um disco
– Como fazer o disco ser ouvido
– CD, vinil, streaming, YouTube, download gratuito – como utilizar os meios digitais neste lançamento
– O papel do show de lançamento do primeiro disco
3) Vida na estrada
– A importância da fidelização do público
– Como divulgar um show em tempos de internet.
– É possível fazer uma turnê pelo Brasil apenas com um disco?
– O que fazer com os registros feitos pelos fãs durante os shows
– Como é o contato com os fãs depois dos primeiros shows
4) Alçar maiores voos
– O que fazer quando o período do disco e dos shows termina
– Como reter a atenção do público de um artista nessa avalanche de informações atuais
– Como lidar com a mídia tradicional e com as mídias sociais
5) Consolidação profissional
– O artista tem que ser empreendedor no século 21?
– A necessidade de entender todos os desdobramentos do mercado relacionado à sua carreira
As inscrições estão no finzinho e ainda e podem ser feitas no site do Espaço Cult.
Depois de oficializar todas as Basement Tapes, o próximo volume da série de piratas oficializados de Bob Dylan mergulha no biênio 1965-1966, considerado o mais fértil e ousado da carreira do compositor. The Cutting Edge 1965–1966: The Bootleg Series Vol. 12 disseca os anos de criação de três dos maiores clássicos de Dylan – Bringing It All Back Home, Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde e será lançada em três formatos: disco duplo, caixa com seis discos e uma enorme edição limitada (cinco mil cópias) com 18 CDs que mostram todos os outtakes e rascunhos de clássicos como “Just Like a Woman”, “Mr. Tambourine Man”, “Love Minus Zero/No Limit”, “It’s All Over Now, Baby Blue”, “It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry”, “Visions of Johanna”, “Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again”, “Bob Dylan’s 115th Dream”, “Subterranean Homesick Blues”, “Positively 4th Street”, “Leopard-Skin Pill-Box Hat” e, claro, “Like a Rolling Stone” – que, apenas ela, ocupa um disco inteiro de versões, takes alternativos e instrumentos isolados. A caixa sairá no dia 6 de novembro, veja como ficam as três versões e um trailer sobre o novo lançamento, logo abaixo:
Pra quem se animar, o site do Dylan dá as dicas onde estão rolando as pré-vendas.
Lulu Santos fez show em Floripa logo após sua passagem pelo Rock in Rio e uma repórter do Diário Catarinense ficou incumbida de entrevistá-lo por email. Qual foi sua surpresa ao receber a resposta que o cantor não apenas não responderia suas perguntas como enviaria respostas para outras perguntas, feitas por si mesmo. Como se não bastasse tudo isso, ele ainda respondeu tudo na primeira pessoa do plural, como se fossem várias pessoas. Seguem as perguntas que ele fez para si mesmo:
Como é trazer este show, com tantos sucessos, para Florianópolis, especialmente depois do show histórico do último sábado no Rock in Rio?
Além dos grandes hits, o que o público pode esperar do show ClubeLux?
A proposta de ClubeLux é exatamente essa: misturar hits com seus novos sucessos? Podemos dizer, então, que esse é um show com a “cara do Lulu”, já que mostra suas diversas facetas e estilos/momentos musicais?
Se alguém tiver curiosidade para saber o que ele respondeu, é só ir no site do DC. Que vergonha alheia desse ego todo…
A BBC liberou o trailer do especial de fim de ano da sua aclamada série Sherlock, que devolve os personagens de Arthur Conan Doyle – bem como seus intérpretes, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman – ao século retrasado, a época de origem de toda esta mitologia.
E uma das novidades do especial é que Sherlock finalmente vai usar seu clássico boné sem constrangimento.
Paul McCartney continua lentamente reeditando todo seu catálogo em versões esticadas com faixas bônus e releituras. O alvo desta vez é o disco Pipes of Peace, que o apresentou a uma geração de novos fãs devido à presença de Michael Jackson em uma das faixas mais memoráveis do disco, “Say Say Say”. Ele aproveitou a reedição para relançar a irresistível faixa com um novo clipe, num remix que é quase um novo verniz na velha canção.
A nova versão apenas acrescenta novos vocais que não foram utilizado na versão original (e assim, por exemplo, Michael Jackson começa a canção, em vez de Paul), estica a duração para quase o dobro da primeira versão e recebe um polimento nos timbres, que ressalta o apelo pós-disco music que o clipe vaudevilliano ofuscava. O novo clipe, no entanto, usa uma versão do tamanho da original:
E o clipe original, para efeito de comparação:
Empenhado, nos últimos meses, na reformulação da emblemática coleção Vaga-Lume e de outras séries tradicionais do catálogo, e fazendo planos para 2016, o departamento editorial da Ática foi surpreendido na sexta-feira, 2, com a notícia de sua extinção. Isso, em meio às comemorações pelos 50 anos da editora – hoje, assim como a Scipione, ela pertence ao grupo Somos Educação (ex-Abril Educação).
Assim, a Maria Fernanda, em sua coluna Babel no Estadão, nos dá a péssima notícia sobre o fim da Editora Ática, casa de séries que ensinaram pelo menos duas gerações a tomar gosto pela leitura (com as clássicas Coleção Vagalume e as antologias Para Gostar de Ler). Não se sabe o destino das coleções, mas fica aí uma dica no ar pra quem quiser se espelhar no exemplo da editora para fazer os jovens retomar o hábito de ler – e começar novas Coleções Vagalumes, em outro formato, com outros autores, outras histórias e novo público.