O Bezzi chamou a gente pra participar de seu programa online Benzetacil – e lá fomos eu, Danilo e Luiz conversar sobre os quatro anos da festa, os vinte anos do Trabalho Sujo, uma arqueologia de internet brasileira e muita música boa.
Aproveitando o lançamento de mais uma caixa com raridades de Bob Dylan, eis que surge um clipe alternativo para o clássico “Subterranean Homesick Blues”, que vem em versões diferentes – desde a primeira versão acústica até o assalto de bandoleiros elétricos que conhecemos e amamos. Da mesma forma, Dylan aparece descartando as cartolinas com trechos da música em takes diferentes e outras locações, mas sempre com Allen Ginsberg ao fundo, como se fosse um mero coadjuvante.
A dupla canadense Junior Boys prepara o território para seu próximo disco com a própria faixa-título e “Big Black Coat” vai para um passado sombrio dos integrantes Jeremy Greenspan e Matt Didemus, antes de descobrir a house e a soul music, quando ainda eram fascinados por industrial, techno e tecnopop.
Dono de um dos melhores discos de 2015, o baladeiro norte-americano vem cedendo ao pop na nova formação de seus shows e com sua nova banda de apoio – os Duk – vem tocando versões de hits modernos, como “Forever” do Haim…
…”Can’t Feel My Face” do Weeknd…
…”Untitled” do D’Angelo…
…e “Somewhere Only We Know” do Keane.
As quatro versões foram registradas no show que ele fez sábado passado, em Washington, nos EUA.
O National está começando a explorar os rumos de seu próximo disco – e para isso está experimentando ao vivo. Além de mostrar uma música nova num show em Los Angeles na semana passada, o grupo norte-americano convidou Lauren Mayberry, vocalista do grupo Chvrches, para dividir os vocais em “I Need My Girl” no show que fizeram domingo em São Francisco.
O casamento dos timbres de Lauren e do vocalista Matt Berninger funcionou bem o suficiente para que possamos cogitar uma colaboração entre os dois no próximo disco. Ia ser demais.
O sambista paulistano Rômulo Fróes chega a seu sexto disco fazendo um balanço de sua carreira, numa espécie de disco-pausa em que resgata composições próprias que nunca foram gravadas por ele, e sim por outras intérpretes. Por Elas Sem Elas reúne canções que ele escreveu para Mariana Aydar, Nina Becker, Juçara Marçal, Juliana Perdigão e Elza Soares, entre outras, reduzidas ao denominador mínimo da voz e do violão que, em se tratando de Rômulo – fiel devoto de João Gilberto que não compartilha da linha ortodoxa da música brasileira quem chamam de “MPB” – reduz tudo aos menores sons e tons, cercados de silêncios e pausas. Ele conta mais sobre o disco num texto escrito para o Trabalho Sujo, em que explica também porque escolheu a canção “Porto”, originalmente gravada por Mariana Aydar, para começar a divulgar o disco. A faixa – e a capa de Rodrigo Sommer, abaixo – também aparece pela primeira vez com exclusividade para cá:
“Por Elas Sem Elas é quase um disco fora da curva na minha discografia até aqui. Digo isto porque, pela primeira vez na minha carreira, as canções escolhidas não se agruparam de um modo mais claro que as organizasse em torno do pensamento estético que venho desenvolvendo ao longo dos meus discos e que sempre determina para mim a hora de se lançar mais um novo trabalho. O mote aqui foi tão somente registrar na minha voz, canções que foram lançadas anteriormente por cantoras e que até aqui não haviam sido gravadas por mim. Talvez por isso, tenha optado por lançá-las na sua forma mais primitiva, do modo como todas as minhas canções nascem, no formato voz e violão. Tentei dessa forma, trazer alguma unidade a este conjunto de canções, a princípio, tão díspares. Pela primeira vez, deixei em primeiríssimo plano, o que para mim é o centro do meu trabalho: minha relação com a composição e minha busca por continuar a transformar a forma canção. Nunca meu trabalho ficou tão exposto quanto nesse disco. Com as canções despidas de qualquer aparato sonoro, amplia-se o foco do núcleo letra-melodia, facilitando o seu acesso, mas também a avaliação sobre seu êxito ou não. Escolhi como single deste álbum a canção ‘Porto’, porque acho que ela represente bem, alguns dos muitos caminhos que desenvolvi até aqui em busca de uma voz própria. Composta há muitos anos, ela faz parte de um período em que eu, atrás dessa voz, me propus a trabalhar com os diversos gêneros da cancão, fato que me levou, com o tempo, a me aproximar do samba, especialmente os sambas de caráter mais triste, mais rebaixado, menos luminosos, de artistas como Paulinho da Viola, Cartola, Batatinha e acima de todos, Nelson Cavaquinho. Muito por conta de enxergar uma certa similaridade, digamos, negativa, com o samba, me lancei na tentativa de compor um fado. Porto, é essa minha tentativa de compor um fado, mas que por minha completa falta de intimidade com o gênero, mesmo com a linda letra de Nuno Ramos e sua geografia imaginária em que se aproximam as cidades de Lisboa e Salvador, ainda assim, esta tentativa acabou-se revelando, quando muito, um quase-fado. Por isso mesmo gosto muito desta canção, pelo quase, pelo entre, que ela contém. É este não-lugar que busco para a minha música. Um lugar em que não se reconhece com facilidade sua origem e que não realiza por completo seu destino. Como diz a letra da canção: ‘tava perto, quase lá, quase pus meu pé a areia’.”
Por Elas Sem Elas será lançado gratuitamente no site oficial do compositor a partir da sexta que vem.
Há algo nesse clipe novo do Drake, “Hotline Bling”, que transcende a facilidade da música e a eleva para outro nível. Não são as dançarinas nem a dancinha do Drake, nem as linhas tortas e retas ou as tonalidades monocromáticas sobre o cenário minimalista. É o conjnto destas imagens com uma das melhores canções de Drake – beats em câmera lenta, uma letra sem meias palavras nem segundas intenções, um tempero discreto de teclado e um vocal quase cúmplice – que tornam o vídeo lançado nesta segunda uma pequena obra-prima.