Trabalho Sujo - Home

Projetonave + Emicida: “É Necessário Voltar ao Começo”

projetonave-remix

Completando vinte anos na ativa no ano que vem, o clássico grupo Projetonave prepara-se para lançar duas mixtapes que dão uma geral em suas duas primeiras décadas. Remix reúne quase cinquenta colaboradores da banda tanto do hip hop quanto da música eletrônica – que recriaram várias faixas em dois volumes: o primeiro mais baseado em rimas e rap, enquanto o segundo é mais experimental. Assim, eles abriram todas as masters de seus discos e chamaram amigos para trabalhar com as faixas, as rimas, os timbres e os beats que quisessem. Entre elas está a faixa “É Necessário Voltar ao Começo”, primeira música da primeira mixtape de Emicida, Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida Até que Eu Cheguei Longe, de 2009, apresentada em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Saca só:

Vale a comparação com a faixa original, lançada há oito anos, também com o Projetonave.

Além de Emicida, participam do volume 1 de remix nomes como Síntese, Sombra, Yoka, Munhoz, Elo da Corrente, Sala 70, Indee Style, Neguim Beats, entre outros. O volume 2 conta com Cybass, Nave, Sants, Soul One, Mental Abstrato, Master San, Seixlack e Cesrv, entre outros – este último recria “Kings of Sarjeta”, também apresentada em primeira mão aqui:

A relação completa das faixas e colaboradores está no final deste post. Remix vai ser lançado na semana que vem ( tanto em versão streaming (dia 4 de maio em todas as plataformas) quanto física (em um estojo com duas fitas cassete, que começam a ser vendidas no site deles em junho), além de ter uma versão para download no site deles. Conversei sobre o lançamento por email com o Akilez, que segura os vocais e programações do grupo ao lado do baixista Alex Dias, do guitarrista Marcopablo, do baterista Flávio Lazzarin, do tecladista Willian Aleixo e do DJ B8.

Conta a história dessa nova mixtape, como começou a gravação e como elas evoluíram para o projeto final? A ideia sempre foi lançar dois volumes, cada um com uma cara?
Tudo partiu do fato de já trabalharmos muito com samples e recortes, temos essa linguagem de beatmaker já nas nossas composições, principalmente quando acompanhamos MCs, gostamos de dar um caráter de loop e produção adaptado a banda. Partindo desse principio e a data comemorativa dos 20 anos em 2017, pensei em abrir todas nossas sessões de gravação para que todos amigos que convivemos pudessem desconstruir e fazer o que quisessem com as faixas abertas. O critério foi totalmente livre de qualquer direção, na real não tinha nenhuma idéia de como poderia soar a obra toda, pois convidamos pessoas com métodos, conceitos e idéias completamente diferentes, mas com afinidades na maneira de tratar a música. A fita dupla surgiu por necessidade, pois convidei pessoas a mais pensando em que 50% entregaria o remix, mas além de 99% entregarem, surgiram mais amigos querendo contribuir. Tive que brecar, pois não conseguiríamos arcar com todo esse material. Todo o processo foi feito de forma colaborativa e para nós é um dos maiores valores desse trabalho: ter a contribuição de várias pessoas que gostamos somando e respeitando nossa relação com a música. O critério de divisão se deu pela quantidade de músicas, tempo e flow das sequencias. Algumas mais trips quebravam as que continham rima, ai decidimos fazer uma mais de rap mesmo e outra mais experimental, da pra escolher o clima em que se quer viajar sem sobrecarregar.

Como é o processo de colaboração entre vocês e seus convidados? O quanto a colaboração é ao vivo e o quanto evolui durante a produção?
Gostamos de fazer tudo junto e ao vivo, nesse quesito temos essa escola de banda mesmo. Em alguns casos fazemos à distância, mas curtimos começar uma idéia juntos e ir evoluindo mutuamente. Partimos sempre do principio de afinidade e em quase todos os casos temos relação de amizade, acreditamos mais na experiência do que em colabs comerciais, trabalhamos todos esses anos construindo algo sólido entre nós e as pessoas que dividem isso com a gente entendem esse sentimento. Nunca assinamos um contrato com quem quer que seja, isso é muito relevante, e com todos que trabalhamos mantemos uma boa relação até hoje. Gostamos desse formato liberal, colaborativo, mais punk.

Como escolheram os convidados destas duas mixtapes?
Temos uma convivência com grande parte dos convidados, de uma forma ou de outra. Nesse trabalho surgiu a oportunidade de envolver mais pessoas que gostaríamos de trabalhar ou simplesmente por admirar o corre, além de registrar esse momento que essa forma de produção esta latente em SP, poder ter nosso soundbank reciclado por essas pessoas que vivem a musica de forma verdadeira é muito importante pra nós. É um trabalho que possibilita envolver tudo isso ao mesmo tempo, tem muita gente que ficou de fora e que gostaríamos de ter junto nessa tape. Mas acho entraram nomes representativos desse movimento atualmente, e tendo em vista que tudo foi feito de forma lúdica e independente, estamos felizes com o resultado.

Por que vocês não vão fazer shows destas mixtapes?
Chegamos a pensar nisso, mais abortamos a idéia porque seria quase impossível juntar todos em um show, e pela forma que foi feito seria desonesto alguém ficar de fora, então, optamos só pelo lançamento digital mesmo.

Como vocês vêem a evolução do rap brasileiro nos últimos dez anos? As brigas e rixas internas diminuíram, o clima ficou menos pesado e há uma abertura maior para outros gêneros musicais.
É um assunto complexo! Como cultura de rua é um movimento sem dono, todos podem se apropriar, e é o que aconteceu nessa década. A ótica do mais “abrangente” e mais “pesado” depende de qual ponto da cidade ele é feito, nos anos 90 ele era 100% de periferia, muitos apanharam de polícia para manter a coisa funcionando, inclusive eu! Hoje temos pessoas de outras classes sociais no meio, o que eu acho importante… Mas vejo que tem uma lacuna entre as questões levantadas no seu início e isso fica claro no momento atual de pouco envolvimento de MCs novos com a situação política do país. Acredito que nesse momento estamos nos dois pontos da pirâmide, vai levar uns anos pra se juntar la em cima, abertura musical somado a consciência hip hop – como cultura, não gênero musical – e seus fundamentos. Acredito que a evolução não pode ser apenas musical. O rap é um dos poucos gêneros musicais iniciado pela voz do oprimido a trazendo questões sociais bem fortes em sua história, então a evolução é relativa a ótica de quem a vê! Temos muita coisa pra construir e evoluir no nosso país ainda para aparecer em clipe com ouro e carros de luxo.

Tape 1
00:00 – Dj Nato Pk – Em Favor do Réu (Síntese)
03:00 – Nixon – Atritos e Conflitos (Sombra)
06:10 – Skeeter – Get Live (Pac Div)
08:20 – Yoka – War (Phes)
10:25 – Munhoz – Estalo (Amiri)
13:47 – Bolin – Cerrai o Cilho (Síntese)
16:57 – Emicida & Projetonave – É Necessário Voltar ao começo
22:46 – Síntese – Ahow
25:03 – Elo da Corrente – Constelações
27:37 – Comum – Asuncion
30:43 – Sala 70 – Respiro
33:03 – Coyote – Get Live (Pac Div)
35:36 – Lopez – War (Phes)
37:25 – Cabes – Até o fim sampa (Emicida)
39:31 – Diazz – Até o fim sampa (Emicida)
41:36 – Léo Grijó – Guerra (Amiri)
44:40 – Willian Monteiro & Axel Alberigi – Travessia
48:41 – Makoto – Cerrai o Cilho (Síntese)
51:40 – Ahnik – Bucle de Panico (Indee Style)
54:14 – Dario – Quarto Branco
55:50 – Neguim Beats – Constelações
57:18 – BB Jupteriano – Rap Musica (Sombra)

Tape 2
00:00 – Cybass – War (Phes)
02:44 – Cesrv – Kings of Sarjeta
06:15 – Amanda Mussi – Surprise
10:03 – Nave – Respiro
13:00 – Akilez – All Jazzera
16:17 – Sants – War
20:47 – Neguim Beats – Quarto Branco
22:49 – Sala 70 – Respiro
24:25 – Jovem Palerosi – Asunzion EP Mix
28:32 – Soul One – Até o fim sampa
32:38 – Grassmass – The Great Lagoon (DeVonte Saints)
36:46 – Marcopablo – Constelações
39:26 – Formiga – Cão Faminto
43:00 – Abud – Psico Análise
46:00 – Mental Abstrato – Respiro
48:40 – Tiago Frúgoli – Quarto Branco
51:41 – Dj B8 – As cores da cidade
54:40 – Niggas – Dubplate
57:21 – Master San – Agonia
59:56 – MJP – Heroínas e Heróis
1:02:59 – Lopes – War (Phes)
1:05:12 – SonoTws – Bucle de Panico (Indee Style)
1:07:03 – SPVic – Agonia
1:10:10 – Dario – Constelações
1:12:11 – Gondim – The Great Lagoon
1:15:43 – Seixlack – Cerrai o Cilho (Síntese)

Mombojó e Laetitia Sadier juntos ao vivo

summerlong-mombojo

Eis a capa do EP que o Mombojó gravou com a ex-vocalista do Stereolab, Laetitia Sadier, uma das principais influências da banda pernambucana, em primeira mão para o Trabalho Sujo. O EP começa a se materializar a partir desta sexta, quando o grupo pernambucano começa a turnê com a a cantora francesa pelo Brasil tocando as músicas do disco composto e gravado no Recife durante o verão passado (“The Source”, “Power of Touch”, “C’est Le Vent” e “Berlin Friend”).e faixas do próprio Mombojó, de Laetitia e do Stereolab. Os primeiros shows acontecem no Rio de Janeiro, no Sesc Barra Mansa (na sexta) e no Sesc Madureira (no sábado), segue por Curitiba no Teatro Paiol no domingo e chega a São Paulo no fim de semana que vem, com shows no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, nos dias 7 e 8 de maio (dá pra comprar ingressos aqui).

Ecossistema da Música – Distribuição Total: física e digital

mauriciobussab

No próximo dia 23 de maio continuamos com a temporada dos cursos singles do Ecossistema da Música, curso que ministro no Espaço Cult, na Vila Madalena, aqui em São Paulo. O assunto desta edição distribuição – tando de discos físicos quanto digitais – e para dar a aula eu chamei o Maurício Bussab, sócio da Tratore, para explicar como funciona o mercado de discos no Brasil em 2016. Vamos falar sobre streaming, download, vinil, CD e as formas para conseguir chegar em diferentes públicos. A aula Distribuição Total é uma versão de um dia dos cursos do Ecossistema da Música, que radiografam as mudanças constantes do mercado musical neste século. As inscrições podem ser feitas no site do Espaço Cult.

O curso tem a seguinte ementa:

Uma aula sobre a distribuição física e digital para quem quer fazer sua gravação chegar a diferentes públicos, com diferentes hábitos de consumo. Falaremos das mudanças no mercado fotográfico a partir da chegada da internet e como evoluíram as diferentes formas de se ouvir música digitalmente, do download ao streaming e da mudança do modelo de produto para o modelo de serviço. Serão discutidos os seguintes temas:

– Como fazer para estar em todos os lugares no cenário de hoje;
– Quais são as estratégias de distribuição que mais funcionam hoje;
– Se ainda vale a pena fabricar CDs;
– Se streaming é apenas para divulgação ou se é uma fonte de renda;
– Quais plataformas estão disponíveis no mercado brasileiro e as diferenças entre os tipos de serviço;
– Como funcionam os direitos autorais nestas plataformas;
– Como funciona a sincronização;
– O papel do download gratuito;
– A hora de se prensar um vinil.

A aula será ministrada por Maurício Bussab, da distribuidora Tratore, e é uma versão single do curso Ecossistema da Música, criado pelo jornalista Alexandre Matias e pelo Espaço Cult.

Alguém ainda quer ver cenas inéditas dos Beatles?

beatles-inedito

Lógico, mesmo que sejam imagens sem som dos quatro se arrumando antes de entrar em um programa de TV em 1965.

As imagens fazem parte do acervo particular da maquiadora australiana Dawn Swane, que filmava sua rotina, que incluía os bastidores do showbusiness da época, com uma câmera super-8. O acervo foi doado pela filha de Dawn, Melinda Doring, ao instituto governamental National Film & Sound Archive da Austrália e o trecho de 49 segundos com os Beatles registra os quatro antes de entrar para uma gravação do especial The Music of Lennon & McCartney, filmado pela TV Granada, no primeiro dia de novembro de 1965.

Racionais MCs e Kondzilla juntos!

O maior grupo de rap do Brasil chama o papa do funk ostentação para lançar o primeiro clipe do disco Cores e Valores

pretozica

Dois dos maiores fenômenos de popularidade da periferia brasileira se encontram pela primeira vez em um clipe que é apenas o início de uma parceria. “Preto Zica” é o primeiro clipe que os Racionais MCs lançam para o disco Cores e Valores, lançado no final de 2014, e é dirigido por ninguém menos que Kondzilla, o diretor de clipes que transformou o funk ostentação em um fenômeno nacional. Com apenas dois minutos, o clipe é um curta metragem sobre o clima tenso da realidade retratada pelo grupo e deve dar a tônica dos próximos trabalhos que o grupo irá seguir fazendo com o diretor, uma trilogia de vídeos que continuará com “Somos o Que Somos” e “Eu Compro”, também do disco mais recente do grupo.

E não se assuste se essa parceria chegar até os cinemas…

Boogarins viajando no Pet Sounds dos Beach Boys

O grupo goiano recria “Let’s Get Away for a While” para um disco tributo ao filhote cerebral de Brian Wilson

boogarins-2016

Enquanto os Boogarins viajam pelos Estados Unidos disseminando psicodelia brasileira pela América do Norte (na foto acima o quarteto goiano vê neve pela primeira vez), eles ainda encontram tempo para participar de um tributo ao clássico Pet Sounds, dos Beach Boys, que completa meio século de existência neste 2016. O disco The Reverberation Appreciation Society Presets A Tribute To Pet Sounds foi organizado pelo pessoal do festival Levatation (o antigo Austin Psychic Fest), que acontece no próximo fim de semana, e reúne neopsicodélicos como Black Angels, Shivas, Morgan Delt, Cosmonauts, Shannon And The Clams e Indian Jewelry, entre outros, para recriar as clássicas faixas do disco. Ao grupo goiano coube a reinvenção da instrumental “Let’s Get Away for Awhile”, em que o vocalista Dinho recria a melodia principal da canção com a boca, enquanto a banda entorta para uma viagem meio High Llamas. Ficou demais:

Dá pra ouvir o disco inteiro abaixo:

E também dá pra ouvir a participação do grupo goiano no programa de rádio World Cafe, da rádio XPN, da Filadélfia, na sexta passada – clica aqui.

Vida Fodona #525: Like Prince

vf525

Já que não tem Prince no Spotify, me restou fazer uma playlist com suas influências e quem foi influenciado por ele, gente com quem ele trabalhou de perto, músicas que ele esteve envolvido, músicas que compôs gravadas por outras pessoas, músicas que compunham o cenário musical sexyfunkee que ele personificava.

Chaka Khan – “I Feel For You”
Sly & the Family Stone – “Thank You (Falletinme Be Mice Elf)”
Gap Band – “You Dropped A Bomb on Me”
Earth Wind & Fire – “Let’s Groove”
Stevie Nicks – “Stand Back”
Martin Solveig – “Jealousy”
Daft Punk – “Give Life Back to Music”
Patrice Rushen – “Forget Me Nots”
Parliament – “Flashlight”
Cameo – “Shake Your Pants”
The Time – “Get it Up”
Bobby Brown – “My Prerrogative”
Michael Jackson – “Smooth Criminal”
Bangles – “Manic Monday”
Madonna – “Like a Prayer”
DeBarge – “I Like It”
George Michael – “Father Figure”
Beck – “Debra”
Brandy + Monica – “The Boy is Mine”
TLC – “Waterfalls”
Sébastien Tellier – “Look”
2Pac – “All Eyez on Me”
Junior M.A.F.I.A. + Notorious B.I.G.- “Get Money”
George Clinton – “Atomic Dog”
Honeycut – “Tough Kid”
Patti LaBelle – “Yo Mister”
Zapp – “So Ruff, So Tuff”
Midnight Star – “No Parking on the Dance Floor”
Swing Out Sister – “Breakout”
Darryl Hall & John Oates – “Private Eyes”
Mary J. Blidge – “Family Affair”
Erykah Badu – “Cel U Lar Device”
General Elektriks – “Boucin’ Off the Wall”
Commodores – “Lady (You Bring Me Up)”
Michael Jackson – “The Way You Make Me Feel”
Neneh Cherry – “Buffalo Stance”
Sheena Easton – “Sugar Walls”
Aretha Franklin – “Nothing Compares 2 U”