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Um upgrade na Flip

paulowerneck

Conversei com o Paulo Werneck sobre seu terceiro ano consecutivo como curador da Flip logo após a coletiva de anúncio da programação desse ano (que terá Irvine Welsh, Karl Ove Knausgård e Kate Tempest, entre outros) e ele fez um balanço do rumo de suas escolhas, para aproximar a festa literária de Paraty a discussões mais contemporâneas. Esta é a primeira de uma série de matérias sobre a Flip que estarei fazendo para as redes sociais do Itaú, patrocinador do evento.

Uma Flip voltada para o século 21
Moderna, feminina e com espaço aberto ao debate, a Festa Literária de Paraty se transforma em sua 14ª edição

Com a celebração da obra da poetisa carioca Ana Cristina César, homenageada da Festa Literária de Paraty (Flip) deste ano, a terceira curadoria consecutiva feita por Paulo Werneck consagra um olhar atual sobre a produção literária brasileira.

Esta fuga para o século 21 começou com a escolha de um artista contemporâneo (Millôr Fernandes, em 2014, o primeiro homenageado a ter participado de uma Flip), de um novo olhar sobre a obra de um autor clássico (Mario de Andrade, no ano passado, quando sua homossexualidade foi trazida à pauta) e agora a consagração de uma mulher (a segunda homenageada na história da Flip, a primeira foi Clarice Lispector, em 2005), que navega pelas águas da poesia.

O anúncio da programação deste ano aconteceu nesta terça, três de maio, no Museu do Futebol, em São Paulo, e a escolha de uma mulher como homenageada também contribuiu para o peso feminino no evento — dos 39 convidados, 17 são mulheres.

“Tem esse movimento desde o Millôr, de fato”, concorda Werneck, em entrevista exclusiva logo após a coletiva de apresentação. “Mas, realmente, depois de explorar os grandes autores do século 20, a Flip se volta para um tipo de autor menos pertencente ao panteão literário. A Ana Cristina César sem dúvida era consagrada, mas talvez ela não estivesse neste panteão. E isso é muito interessante pois consegue colocar em questão o valor da obra de um escritor. É interessante vê-la lado a lado com um Drummond, com um Manuel Bandeira e ver o que significa isso, quais são as diferenças, quais são as semelhanças”.

Entre as mulheres convidadas da 14ª edição da festa, que acontece em Paraty, no Rio de Janeiro, entre os dias 29 de junho e 3 de julho, estão nomes de diferentes abordagens e estaturas. Há desde a vencedora do Nobel de Literatura do ano passado, a bielorrussa Svetlana Aleksiévitch à neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, passando pela inglesa pop Kate Tempest, a historiadora britânica Helen Macdonald, a cronista peruana Gabriela Wierner e a ensaísta brasileira Heloísa Buarque de Hollanda. A curadoria também provoca questões atuais ao trazer temas como jornalismo, ciência, sexo, urbanidade e o cérebro humano.

“Você pegou um ponto importante”, continua o curador, “de fato está trazemos mais para esse momento atual e trazendo novas sensibilidades literárias. A gente não tem compromisso com uma cena cultural do passado. E quando você vai homenagear o Graciliano Ramos você tá falando dos anos 1930, quando eram poucas representantes mulheres, como a Raquel de Queiroz, a Cecília Meirelles. O desafio é fazer essas homenagens e trazer para um contexto contemporâneo”.

Além das mulheres, os homens que marcam presença no evento também são de renome, como o escocês Irvine Welsh (autor do livro pop Trainspotting, que deu origem ao filme), o norueguês Karl Ove Knausgård (da série Minha Luta), o brasilianista Kenneth Maxwell, o jornalista Caco Barcellos e o artista plástico Guto Lacaz, que, como grande parte dos nomes da edição deste ano, também trazem as discussões do evento para este século.

A programação completa pode ser vista no site da Flip, que está de cara nova. Acesse: www.flip.org.br

Bossa nova transatlântica

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A singela bossa nova em inglês “Power Of Touch” é a primeira faixa do EP Summer Long, que o Mombojó gravou com a ex-vocalista do Stereolab Laetitia Sadier, a vir a público. Uma música dócil e meiga, sem mostrar as garras tortas que fizeram a moral das duas partes do disco.

Tomara que as outras músicas sigam um rumo menos previsível. O grupo também gravou um minidocumentário contando a história da parceria, que é meio conto de fadas pro lado da banda.

O grupo apresenta-se neste fim de semana ao lado da própria Laetitia em duas apresentações em São Paulo, depois de passar pelo Rio de Janeiro e por Curitiba, onde foi feita a foto acima (por Ícaro Castilho).

O Arco e a Flecha de Iara Rennó – primeiro a flecha

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Iara Rennó vem amadurecendo sua carreira solo na miúda, curtindo lentamente uma mistura de gêneros, linguages e temas que parece ter arredondado perfeitamente em seu próximo trabalho – a dupla de discos Arco e Flecha, que chega ao público no fim deste mês. São discos complementares e divididos por gêneros: Arco é tocado por uma banda composta apenas por mulheres e em Flecha ela reúne uma banda formada por Lucas Martins (que toca com a Céu) no baixo, Curumin na bateria, Gustavo Cabelo na guitarra, Maurício Badê na percussão e os Bixiga 70 Maurício Fleury (teclados), Daniel Gralha (trompete), Cuca Ferreira (sax barítono) e Douglas Antunes (trombone). E ela escolheu lançar o novo disco no Trabalho Sujo, mostrando os dois primeiros singles, um por semana, por aqui, começando pelo single do disco masculino, Flecha, chamada “Querer Cantar”. Ela fala sobre a faixa composta em parceria com Gustavo Galo, da Trupe Chá de Boldo: “Antes de ser música, ‘Querer Cantar’ é sina. É essa voz que não cala nem no silêncio da noite profunda, que sopra no canto d’ouvido e faz a pele do tambor dançar. É o poema flecha direta do Ofá de Gustavo Galo, que me acertou em cheio. A canção mais rápida que já compus: fez-se quando a escrita atingiu minha retina, no tempo de um tiro. De Flecha. Do Arco. Por isso, nesta quinta-feira Oke Arô! ‘Querer Cantar’ lança ao mundo estes discos irmãos, Ibeji, opostos-complementares, Yin-Yang, noite-dia, côncavo-convexo, Arco & Flecha.” É um começo forte de um disco bem plural:

Oxossi
De ofá
De sol
De lá
Oxossi
De ketu
Do lado
De cá
Oxossi
Da mata
Da meta
Da mira
Oxossi
Do arco
Da íris
De olhar

Oke arô
Oke arô
De tanto querer
Querer cantar

Radiohead: “Burn the Witch”

burnthewitch-

Atualização: A banda acaba de lançar música nova com direito a clipe em stop motion, dirigido por Chris Hopewell:

Eis a letra (logo a seguir, uma tradução que fiz):

Stay in the shadows
Cheer at the gallows
This is a round up

This is a low flying panic attack
Sing a song on the jukebox that goes

Burn the witch
Burn the witch
We know where you live

Red crosses on wooden doors
And if you float you burn
Loose talk around tables
Abandon all reason
Avoid all eye contact
Do not react
Shoot the messengers

This is a low flying panic attack
Sing the song of sixpence that goes

Burn the witch
Burn the witch
We know where you live
We know where you live

E a tradução:

Fique nas sombras
Comemore a forca
Arredondando pra cima

Isso é um ataque de pânico
Cante uma música com a jukebox que passa

Queime a bruxa
Queime a bruxa
Sabemos onde você vive

Cruzes vermelhas em portas de madeira
E se você flutuar vai queimar
Conversa solta pelas mesas
Abandone toda razão
Evite todo contato com os olhos
Não reaja
Atire nos mensageiros

Isso é um ataque de pânico voando baixo
Cante uma música de seis centavos que passa

Queime a bruxa
Queime a bruxa
Sabemos onde você vive
Sabemos onde você vive

Forca, portas pintadas de vermelho, referências ao clássico Homem de Palha (o original inglês), críticas à música escapista (o “sixpence” que traduzi como “seis centavos” pode ser uma referência à banda descartável Sixpence None the Richer), mulheres que eram queimadas caso não afundassem nos rios… O clima bonitinho do clipe contrasta com o teor pesado da música e da letra, antecipando que o clima do nono disco do Radiohead pode ser bem grave.

Seguimos à espera.

(O post original vem a seguir):

De repente, deu branco no Radiohead:

radiohead-branco

A banda inglesa deletou todo o histórico de suas redes sociais neste fim de semana, logo depois de mandar alguns teaser por correspondência para alguns fãs.

burnthewitch

E no início do dia eles começam a postar vídeos tipo os do Wallace & Gromit em sua conta no Instagram:

Um vídeo publicado por Radiohead (@radiohead) em

O site deles já voltou a funcionar esta manhã e exibe o segundo post do Insta como um teaser… Em comum, “Burn the witch” – “queimem a bruxa” – a internet? As redes sociais? Afinal – “sabemos onde você mora”. Ou é um comentário sobre a ascensão do novo fascismo? E lá vamos nós de novo…

Pélico na novela

pelico-2016

O cantor e compositor paulistano Pélico comemora a nova fase inaugurada com seu ótimo disco Euforia, lançado no ano passado, com a inclusão da versão que fez para “Não Há Cabeça”, de Ângela Ro Rô, na trilha sonora da novela Velho Chico. A música foi gravada para o tributo à cantora lançado há três anos e ressurge agora o aproximando de um público ainda maior e para aproveitar a oportunidade produziu um clipe para a música, lançado com exclusividade aqui no Trabalho Sujo. Conversei com ele sobre esse momento de sua carreira.

Conta a história de como você gravou essa música: você já conhecia a obra da Angela Ro Rô ou foi conhecer por causa do tributo?
Em 2013 o Zé Pedro e o Marcus Preto me convidaram pra participar do Coitadinha Bem Feito, um disco em homenagem à Ro Rô. Eles me deram uma lista de cinco ou seis músicas dela, aí eu escolhi a “Não Há Cabeça”. Lembro que o Preto me sugeriu a “Não Há Cabeça”, disse que ela tinha muito a ver com o meu trabalho, e isso me deu mais certeza com a escolha da música. Eu conhecia bem o Angela Ro Rô de 79 e o Escândalo de 81. Mas, a partir do tributo, eu mergulhei mais fundo na obra dela. Adoro participar de tributos por conta disso também, você acaba mergulhando no universo do artista.

Como a música foi parar na novela? Alguma música sua já teve esse nível de exposição? Como está sendo a reação dos seus fãs e do novo público?
Sinceramente, eu ainda não sei. Eu acredito que foi uma escolha do diretor da novela, Luiz Fernando Carvalho, sei que ele é bem conectado com a “nova geração” da música brasileira. Minha produtora e eu estamos tentando entrar com contato com ele, em breve termos essa resposta. É a primeira vez que tenho essa exposição. É impressionante, toda vez que a música toca na novela, o WhatsApp e as mensagens no Facebook bombam. A reação dos fãs tá rolando muito bem. Agora, se já existe um novo público por conta da música na novela, acho que vamos sentir essa diferença um pouco mais pra frente.

Você acha que a “nova geração da MPB” – que já tem uns dez anos de estrada – finalmente está rompendo a barreira do grande público?
Caramba, é verdade, essa “nova geração” já tem uns 10 anos. Assustei! Então, eu acredito que aos poucos e mesmo sem investimentos milionários a gente tá chegando. Mas sei que ainda falta muito pra gente dividir espaço nas rádios e programas de TV mais populares com artistas do sertanejo, do forró… Onde há muito investimento, grana pesada, saca?
Também acho que não é só grana, entre outras coisas, é uma questão de postura artística também. Um artista que não faz um trabalho muito popular não precisa ter medo ou desconfiança de ser ouvido e consumido pelo grande público.

E como chegar no rádio? É a grande barreira?
Já temos espaço em muitas rádios em todo o Brasil, mas o pulo do gato é a gente conseguir, sem ter que pagar aquela graninha, entrar na programação das rádios mais populares. Eu tenho duas músicas gravadas – uma pelo Toni Ferreira e outra pelo Filipe Catto – que tocam muito nas rádios, e vi de perto a importância, principalmente fora das grandes capitais, de se ter uma música tocando diariamente nessas rádios. Muitas pessoas vão aos meus shows por conta disso, pra ouvir essas músicas, olha que nem são cantadas por mim. Ou seja, as rádios populares ainda são uma grande barreira e precisamos chegar nelas com dignidade.

Você já está trabalhando em um novo disco ou vai seguir 2016 com o trabalho do ano passado?
Esse ano continuo trabalhando o Euforia, acabei de estrear o Dos Nós, um novo show, com repertório dos meus três discos e mais releituras, num formato mais intimista – guitarra, violão, sanfona e piano elétrico. E ando compondo pra outros artistas, um trabalho que amo fazer.

Anos 80 nota 1000

mytoy

O clipe de “My Toy”, do segundo disco do Breakbot, inverte o ponto de vista do clássico da sessão da tarde Mulher Nota 1000, para recriar os anos 80 como pede a música original.

Rumo à Fortaleza

Conexoes-Mesa

Embarco neste sábado para Fortaleza, para participar de um debate e prestigiar o festival Maloca Dragão 2016, que está sendo realizado desde quinta na capital cearense. O evento já acontecia há alguns anos com base no centro cultural Dragão do Mar, mas a partir da edição deste ano espalha-se por vários lugares da cidade. A programação inclui shows, exibição de filmes, lançamentos de discos, encontros com escritores, peças e discussões sobre teatro, dança e programação infantil – e entre os artistas que participam do evento estão Mundo Livre S/A, Digitaldubs,, Bixiga 70, Daniel Peixoto, BNegão, La Cumbia Negra, Fernando Catatau e o Instrumental com Manoel Cordeiro, Saulo Duarte e a Unidade, DJ Dolores, Daniel Groove e Anelis Assumpção. A minha participação acontece dentro do primeiro Conexões Maloca, ciclo de debates que reúne nomes como Helô Aidar, Paul Lewis, Melina Hickinson, Yuri Kalil, Karen Cunha, Marcelo Damaso e Ana Turra. Participo da mesa sobre comunicação, difusão e promoção, que será mediada pelo jornalista e DJ Guga de Castro e terá a participação da Patrícia Palumbo, da Yasmin Muller do Deezer e da jornalista Debora Pill. A mesa começa neste sábado às 14h, no Auditório do Dragão do Mar e a entrada para todas as atrações do festival é gratuita (embora esteja sujeita à lotação do lugar). Tem mais informações no site do evento.

ConexõesMaloca