Trabalho Sujo - Home

A estreia do Los Otros


(Foto: Taline Caetano e Gabriel Mendes/Divulgação)

Acompanho o trio Los Otros desde que despontaram no meu horizonte, quando comecei a fazer a festa Inferninho Trabalho Sujo. Formado pelo argentino Tom Motta, a rondonense Isabella Menin e o paraense Vinicius Czaplinski, a banda começou quando os três se encontraram em São Paulo e se mudaram para o mesmo endereço, fazendo shows o tempo todo em todos os lugares que lhe chamam – assim passaram duas vezes pelo Inferninho fazendo ótimos shows. Suas referências vão às bases do rock, cru e direto, mas também melódico e grudento, bebendo de fontes diferentes da história do rock (de White Stripes a Kinks, passando por Talking Heads e Charly Garcia, com direito a versões que fazem ao vivo para músicas de Rita Lee e Elvis Costello). O trio estreia fonograficamente nessa terça-feira, mas antecipou seu primeiro single em primeira mão para o Trabalho Sujo, quando mostram uma música que acaba resumindo as intenções do grupo, chamada “Rotina”. “Ela é a nossa primeira composição original e marcou o ponto de partida da identidade sonora da banda, no início dos ensaios e nos primeiros shows”, explica Isa, emendada por Vini: “Ela geralmente é a música que encerra os nossos shows e acabou se tornando uma das faixas mais marcantes ao vivo, já que chamamos o público pra cantar com a gente”. O vocalista e guitarrista Tom antecipa que ainda terão um clipe para este primeiro single no mês que vem e começam a mirar shows fora de São Paulo, o que já começaram a fazer este ano. “Queremos fazer muitos shows, é a nossa parte favorita disso tudo, e lançar mais um single ainda em 2025, pra depois lançar o nosso primeiro álbum em 2026”, conclui o guitarrista.

Ouça “Rotina” abaixo:  

Dylan segue desafiando os mestres da guerra

Bob Dylan segue usando seu repertório para comentar os acontecimentos recentes como tem feito em seus shows deste ano – e não foi diferente neste fim de semana, quando abriu os três shows de sua Outlaw Tour, que vem fazendo ao lado de de seu compadre veterano Willie Nelson, entre outros artistas, com a desafiadora “Masters of War”, tocando-a pela primeira vez ao vivo desde 2016. A faixa foi composta nos anos 60, quando a crise dos mísseis em Cuba e a guerra do Vietnã atormentavam os cidadãos estadunidenses, e segue atual mais de 60 anos depois, à luz das ameaças que o presidente de seu país vem fazendo a outras naçoes, da guerra na Ucrânia e da situação cada vez mais trágica em Gaza.

Assista abaixo:  

Bob Dylan volta ao estúdio – pela primeira vez depois dos 80 anos!

Por falar em Bob Dylan, o mestre esteve num estúdio de gravação pela primeira vez desde a pandemia — ainda mais, pela primeira vez desde que ultrapassou os 80 anos, há quatro anos — quando passou dois dias no estúdio White Lake, perto de Nova York. Ainda não há nenhuma informação sobre o que ele gravou nos dois dias que esteve lá, mas o estúdio fez questão de soltar um comunicado marcando a passagem (veja abaixo). Seria o primeiro disco de estúdio de Dylan desde o maravilhoso Rough and Rowdy Ways, que ele gravou nos dois primeiros meses de 2020 e lançou ainda no primeiro semestre daquele ano nefasto. Chega mais, Bob!  

O instante certo para No Céu da Pátria Nesse Instante

Esse novo documentário da Sandra Kogut, No Céu da Pátria Nesse Instante, que estreia no próximo dia 14, promete — e promete chegar em boa hora – pois o julgamento do pior presidente da história começa no dia anterior.

Assista ao trailer abaixo.  

Boogarins ♥ Duda Beat

Ouviram a versão que a Duda Beat fez pra “Foimal” dos Boogarins? Ela soa meio alienígena dentro do (bom) EP Esse Delírio – Volume 1 que ela lançou nesta quinta-feira, mas – tirando a voz – é completamente familiar para o público da banda goiana, uma vez que ela basicamente substituiu a voz do Dinho pela sua, praticamente assumindo um karaokê indie pessoal no meio de um disco dance bem interessante. É quase o movimento inverso que Kevin Parker fez com seu Tame Impala há dez anos, quando gravou uma versão idêntica à última faixa do disco mais recente de Rihanna, transformando “Same Ol’ Mistakes” em “New Person, Same Old Mistakes” mudando apenas o timbre vocal da canção.

Ouça abaixo:  

Massive Attack mais perto do Brasil…

O festival argentino Music Wins acabou de anunciar seu elenco este ano, quando, num único dia (2 de novembro) reúnem, no Mandarine Park de Buenos Aires, artistas como Yo La Tengo, Primal Scream, Whitest Boy Alive, a australiana Tash Sultana e a banda francesa L’Impératrice, entre outros nomes menores. Todos citados já têm seus shows marcados no Brasil: o Yo La Tengo toca no Balaclava Fest no dia 9 no Tokio Marine Hall, o Primal Scream vem no dia 11, o Whitest Boy Alive no dia 30 de outubro, L’Imperatrice no dia 4 e a Tash no dia 5, todos estes últimos na Áudio. Só um nome ainda não anunciou sua vinda para o Brasil, justamente o principal nome deste evento – o Massive Attack. Ainda – pois tudo indica que eles estão mais próximos de falar sobre a vinda pra nossa área. Imagina…

Duda Beat ♥ Boogarins

Eis que Duda Beat anuncia um novo disco, um EP bem dance chamado Esse Delírio – Volume 1 que será lançado nesta quinta às nove da noite, e no teaser em que ela mostra trechos das músicas descobrimos que uma das faixas é uma versão para “Foi Mal” dos Boogarins com a participação da banda goiana, que retuitou o anúncio dizendo que a música “tá tipo Tame Impala com Milton Nascimento”.

Saque abaixo:  

Às vésperas do adeus do Saint Etienne

Um dos grupos de música pop mais coerente das últimas décadas, o trio inglês Saint Etienne anunciou no início do ano que se aposentará após o lançamento de seu décimo terceiro álbum, International, que sai no início do próximo mês. Depois de anunciar a despedida com um single produzido pelo chemical brother Tom Rowlands (a deliciosa “Glad”) no primeiro semestre, agora mostra outra faixa com o dedo de outro mago da eletrônica do final do século passado, ao lançar “Take Me to the Pilot”, que foi co-escrita e coproduzida por Paul Hartnoll, da dupla Orbital. Com uma vibe mais de rave – ainda que um tanto domesticada, afinal o Saint Etienne é pop – que o astral dançante do primeiro single, mostra que o grupo quer encerrar sua discografia apontando para as diferentes regiões musicais que frequentou em seus últimos anos. Tomara que o disco venha com uma turnê que leve o grupo para o resto do mundo e que novas gerações possam conhecer discos maravilhosos como So Tough, Good Humour e Foxbase Alpha.

Veja o clipe do novo single abaixo: