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Kendrick Lamar 2017: “Won’t take me out my element”

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Clipe novo de Kendrick Lamar, “Element” não é estiloso apenas por estética. Dirigido pelo próprio Kendrick e pelo fotógrafo alemão Jonas Lindstroem, o vídeo emula o olho clínico e social do fotógrafo Gordon Parks, uma das assinaturas visuais do movimento pelos direitos civis nos EUA nos anos 50 e 60.

David Lynch fez de novo!

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Com um único episódio de Twin Peaks, David Lynch revoluciona mais uma vez a cultura contemporânea – escrevi sobre esse momento mágico do século 21, sem spoilers, no meu blog no UOL.

O oitavo episódio da terceira temporada de Twin Peaks, que já está disponível no Netflix brasileiro, é um marco tanto da história da arte quanto do entretenimento. David Lynch empurrou o público em uma hora exasperantemente bela em que até a noção de tempo e o fôlego se perdia com o passar das cenas. Se cenas dos episódios anteriores desta temporada, como a da caixa de vidro, a do espaço sideral e a do bar sendo varrido, deixaram todos impressionados com a maestria e a ousadia do diretor em reger nossa expectativa como se fôssemos cobaias em um laboratório, neste novo episódio Lynch mostrou que não está pra brincadeira mesmo. E que ele não é um mestre do cinema, o cinema é só sua ferramenta, seu veículo. David Lynch é um Mestre do Tempo.

Recomendo a qualquer um a atravessar esta hora de explosões e implosões psicológicas e físicas mesmo sem nunca ter assistido nenhum episódio. Mesmo sem ter a menor vontade de saber o que é Twin Peaks. A experiência de assistir ao capítulo chamado “Got a Light?” (“Tem fogo?”, numa tradução informal) é transcendental mesmo que você não entenda o contexto. E nem estou falando do contexto da série – e sim do contexto de um seriado de televisão em 2017. Imaginar que um executivo de uma emissora de TV tenha concordado em bancar este momento solene mexe com a nossa esperança sobre a possibilidade de nossa cultura sair da estagnação repetitiva que vivemos desde que a cultura pop atingiu escala industrial.

As cenas vão sendo apresentadas uma atrás da outra sem a menor cerimônia, sem a mínima preocupação de revelar algo (embora nos dê a nítida sensação de estarmos vendo várias revelações) ou de que alguém as entenda. Lynch entrou numa magistral espiral de luz e som que conquista pela beleza estética ao mesmo tempo em que provoca sentimentos desconfortáveis em diferentes escalas. Perguntas críticas à nova temporada da série (quando Cooper vai voltar a si? De onde veio Dougie? Quem é Richard Horne? Cadê Audrey? O que é aquela caixa? O que está acontecendo na cidade de Twin Peaks?) tornam-se minúsculas comparadas aos questionamentos erguidos nesta exuberante hora de surrealismo abstrato sombrio: Existem outras dimensões? Alguém está nos observando? De onde vem o Mal? Como abrimos a caixa de Pandora da humanidade? O que está acontecendo – em tudo?

O oitavo episódio aprofunda-se em questionamentos artísticos provocados pelo diretor em seus inúmeros filmes incompreensíveis, como Eraserhead, Cidade dos Sonhos, Estrada Perdida, Império dos Sonhos. Se Twin Peaks parecia conversar com a linguagem da TV tradicional, ela agora foi para além do mero entretenimento para as massas. Me refiro à Arte com A maiúsculo, aquela que inspira reflexões sobre nossa própria existência. Em uma hora de televisão – com direito a (microspoiler, vai) cinco minutos de Nine Inch Nails -, Lynch reinventa o medo, a expectativa, o mau agouro, a esperança, a violência, a agressividade, a noção de realidade.

Intercalando cenas coloridas com cenas em preto e branco, este episódio mais recente da série sozinho já é a hora de televisão mais ousada do entretenimento moderno. É uma pintura em movimento que confronta nossa própria noção de ser. Se na primeira vinda de Twin Peaks, Lynch mostrou que a televisão podia ser menos didática, mais complexa e não precisava propriamente agradar para atingir seu público, com “Got a Light?” o diretor norte-americano pode ter aberto um mundo de possibilidades para o entretenimento dos próximos anos – mostrando para os novos autores que, sim, eles podem fazer arte sem necessariamente pensar em público, em audiência e em números. Porque, no fim, é a arte que fica.

E agora ficamos duas semanas sem nenhum novo episódio. Até lá, o que pode acontecer? Que época para se viver!

Todo o show: Radiohead ao vivo no Glastonbury, 2017

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E o Radiohead voltou ao topo do festival inglês Glastonbury vinte anos após ter tocado na mesma posição pela primeira vez na história do evento com um showzaço que pode ser ouvido na íntegra na BBC (a partir do trigésimo minuto, quando a transmissão da rádio dedica-se ao show, registrado ao vivo). As câmeras da BBC também registraram parte do show no vídeo abaixo, que infelizmente começa lá pela metade do show (a partir de “Idioteque”). Se alguém encontrar uma versão na íntegra em vídeo manda o link aí…

Watch live video from GlastonburyFestival on www.twitch.tv

Olha o setlist, que maravilha:

“Daydreaming”
“Lucky”
“Ful Stop”
“Airbag”
“5 Step”
“Myxomatosis”
“Exit Music (For A Film)”
“Pyramid Song”
“Everything In It’s Right Place”
“Let Down”
“Bloom”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“Idioteque”
“You And Whose Army?”
“There There”
“Bodysnatchers”
“Street Spirit”

Primeiro bis
“No Surprises”
“Nude”
“2+2=5”
“Paranoid Android”
“Fake Plastic Trees”

Segundo bis
“Lotus Flower”
“Creep”
“Karma Police”

Que banda! Que show!

Hercules & Love Affair ♥ Sharon Van Etten

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O produtor nova-iorquino Andy Butler está aos poucos reativando seu projeto de disco-house Hercules & Love Affair, que não lança disco novo desde 2014. E depois do ótimo single que lançou no início do ano com os vocais de Faris Badwan, do Horrors (ouça “Controller” no final deste post), agora ele se junta à querida Sharon Van Etten para a faixa-título de novo álbum, Omnion, que deverá ser lançado em setembro – e cuja capa do single (acima), disfarça a melancolia da capa do disco (abaixo, junto com a ordem das músicas):

Omnion

“Omnion (feat. Sharon Van Etten)”
“Controller (feat. Faris Badwan)”
“Rejoice (feat. Rouge Mary)”
“Are You Still Certain? (feat. Mashrou’ Leila)”
“Running (feat. Sísý Ey)”
“Fools Wear Crowns”
“Lies (feat. Gustaph)”
“Wildchild (feat. Rouge Mary)”
“My Curse and Cure (feat. Gustaph)”
“Through Your Atmosphere (feat. Faris Badwan)”
“Epilogue (feat. Gustaph)”

Thiago França: Depois a Gente Vê – 26.6.2017

thiago-franca-depois-a-gente-ve-orquestra

Culminando o junho de improvisos regidos por Thiago França em sua ocupação das segundas-feiras do Centro da Terra, o saxofonista reúne a Orquestra Instantânea de Sopros, um coletivo acústico de instrumentos de sopro formado na hora do espetáculo – inclusive com a presença de integrantes do público que trouxerem seus instrumentos, mesmo não sendo músicos profissionais. Thiago explica melhor no papo que tivemos como funciona o improviso desta segunda ao mesmo tempo em que explica porque nesta segunda-feira não tem cortesia nem meia entrada.

Como é que funciona a Orquestra Instantânea de Sopros? Qualquer um pode tocar?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/thiago-franca-depois-a-gente-ve-como-funciona-a-orquestra-instantanea-de-sopros

Como reger um improviso coletivo desta natureza?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/thiago-franca-depois-a-gente-ve-como-reger-um-improviso-coletivo-desta-natureza

Fale sobre a questão do dinheiro arrecadado nesta noite.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/thiago-franca-depois-a-gente-ve-fale-sobre-a-questao-do-dinheiro-arrecadado-nesta-noite

O que achou da experiência de improvisos no Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/thiago-franca-depois-a-gente-ve-o-que-achou-da-experiencia-de-improvisos-no-centro-da-terra

Sky Ferreira feito domingo de manhã

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Ficou bem boa essa versão que a Sky Ferreira fez para o hit dos Commodores, “Easy” – uma música que não tem como não dar certo, mas que encaixou-se perfeitamente o timbre grave e meio preguiçoso da cantora. A versão está na trilha sonora do novo filme do Edgar Wright, Baby Driver (que no Brasil vai se chamar Em Ritmo de Fuga):

Ao vivo no Cult 22

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Participei ao vivo, nesta sexta, da edição da semana do programa Cult 22, que eu nunca mais tinha ouvido desde que saí de Brasília. Marcos Pinheiros e Carlos Marcelo criaram o programa em 1991 e por dois anos foi um das fontes que eu tinha de música nova naqueles tempos pré-históricos antes da chegada da internet para os meros mortais. Por isso, tenho a maior satisfação de voltar ao programa agora como entrevistado – e sabendo que ele segue sendo transmitido pela rádio Cultura de Brasília, agora apenas com o Marcos no comando, mesmo depois de turbulências nestas duas primeiras décadas. Segue abaixo o live que eles fizeram direto do programa, que tem a participação de vários artistas que vieram ao PicNik, quando bato um papo ao lado do Lucio Ribeiro – também convidado do programa e do festival – sobre cena independente, o legado de Kid Vinil e rock e mainstream.

O filme do Nicolas Jaar

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Bem foda esse documentário em primeira pessoa que o Nicolas Jaar fez com o pessoal do Boiler Room, usando como gancho seu disco mais recente, Sirens, tocado no clube nova-iorquino Aviv, que fechou as portas no ano passado.

Guided By Voices não para!

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Depois que a banda de Bob Pollard voltou à ativa no ano passado, o grupo já está indo para seu terceiro disco a partir desta nova encarnação. O recém-anunciado How Do You Spell Heaven, que deve ser lançado em agosto, aparece após o lançamento do primeiro disco duplo da história da banda, August by Cake, lançamento que também coincidiu de ser o centésimo disco da carreira de seu líder. O novo álbum, cuja capa e o nome das músicas vem a seguir, é o vigésimo quinto lançamento dos heróis do indie rock americano, na ativa desde 1986, mesmo que com duas pausas (a primeira entre 2005 e 2010 e a segunda entre 2014 e 2016). O grupo também antecipou a faixa-título do álbum, que já está em pré-venda:

https://soundcloud.com/gbv-inc/just-to-show-you

guided-by-voices-how-do-you-spell-heaven

“The Birthday Democrats”
“King 007”
“Boy W”
“Steppenwolf Mausoleum”
“Cretinous Number Ones”
“They Fall Silent”
“Diver Dan”
“How To Murder a Man (In 3 Acts)”
“Pearly Gates Smoke Machine”
“Tenth Century”
“How Do You Spell Heaven”
“Paper Cutz”
“Low Flying Perfection”
“Nothing Gets You Real”
“Just To Show You”

Rumo ao PicNik

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Chego em Brasília neste fim de semana para conferir a edição anual do festival PicNik, uma festa que cresceu, virou mercado, já se espalhou por outras cidades e agora faz um dos festivais mais legais da minha terrinha. A edição deste fim de semana tem Mustache e os Apaches, Bixiga 70, O Terno, Tagore, Ava Rocha, Firefriend, Blank Tapes, Glue Trip e outros tantos. De graça, na Torre de TV, sábado e domingo – mais informações aqui.