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Jaki Liebezeit (1938-2017)

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O baterista do Can, Jaki Liebezeit, morreu neste domingo vítima de uma súbita pneumonia, como a página oficial da banda comunicou. A notícia é duplamente triste não só pelo mundo ter perdido um dos grandes monstros de seu instrumento, mas também porque Jaki havia acabado de anunciar um show em homenagem à sua banda que contava com os integrantes originais da banda Irmin Schmidt e Malcolm Mooney na formação, além dos guitarristas do Sonic Youth, Thurston Moore e Lee Ranaldo, no elenco. Abaixo, alguns momentos de Jaki em ação no auge da banda, bem como um solo de bateria no último vídeo.

A quinta vez de House of Cards

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No dia da posse de Donald Trump, Netflix anuncia a data da volta de Frank Underwood. Postei lá no meu blog no UOL junto com um teaser da nova temporada.

O serviço de vídeos em streaming Netflix esperou passar a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anunciar a data de estreia de sua quinta temporada, que acontece no dia 30 de maio deste ano. O teaser que anuncia a nova safra de episódios ergue a bandeira norte-americana de cabeça pra baixo sob um céu completamente cinzento.

Não custa lembrar que em sua quarta temporada, a série fechou o tempo de uma forma surpreendente, reunindo tensões que envolviam imprensa, corrupção, política internacional e terrorismo, atingindo um patamar de tensão que nunca havia chegado perto nas temporadas anteriores. Resta saber se Frank Underwood, o presidente norte-americano fictício vivido por Kevin Spacey, é páreo para o personagem que agora senta no Salão Oval na Casa Branca da vida real.

Noites Trabalho Sujo | 21.01.2017

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Ajustando os controles para o coração do verão. O solstício iniciado na última entrada de sol em capricórnio tem enfrentado uma conjuntura vibracional pesada que ainda ecoa do período cósmico que dominou 2016. À medida em que concretizam-se as relações e as realizações que pairaram sobre o ano passado, a sensação de imobilidade e o descontrole moral refletem-se na temperatura e na atmosfera – resultado das pesadas nuvens cinzentas que pairam nos céus do início de 2017. É exatamente o aspecto ideal para colocar em prática os experimentos que conduzimos na antena de concreto disposta em frente ao Largo do Paysandú, na maior metrópole latina do Hemosfério Sul deste planeta. O encontro acontece mais uma vez em uma madrugada iniciada às 23h45, uma semana após a entrada do cientista-chefe Alexandre Matias na quadragésima segunda volta ao redor do Sol, idade que todo mochileiro intergaláctico sabe estar ligada ao próprio sentido da vida. Tal momento de transição é compartilhado pelo psicomergulhador de águas profundas do groove Danilo Cabral e o explorador antroposófico Luiz Pattoli, que juntos formam o instituto que batiza o evento. É a partir de seu laboratório central de paredes azuis que os três conduzem a ignição de boas vibração e a consequente fricção destas áureas que visa dissipar as nuvens do céu para que o contato com a estrelar solar possa entrar com força e começar a derreter as más influências que pairam sobre o planeta. Os três são escudados pelo ultramaratonista do som Jesse Marmo, que atende pelo codinome de Kowalski, e que veio diretamente da outra ponta da Dutra para estimular a formação do alto astral. No laboratório preto, o maestro eletrônico Carlos Costa conduz colisões de ondas sonoras de épocas diferentes e depois passa as boas energias para a dupla de fisicistas bon vivant Girls Bite Back, formada pelas doutoras Ana Prado e Nath Capistrano, que ajudam na concentração de ondas de puro delírio para que elas consigam atingir a maior circunferência tridimensional a partir do edifício da Trackers, para enfim começarmos o ano da forma apropriada. Não deixe-se acanhar pela chuva, que é parte das condições do experimento, e envie seu nome para o endereço eletrônico noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h do sábado 21 de janeiro de 2017. As confirmações chegam até às 22h e só pode entrar no recinto quem enviar seu próprio nome.

Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Verão 2017!
Sábado, 21 de janeiro de 2017
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral (Noites Trabalho Sujo), Ana Prado e Nathalia Capistrano (Girls Bite Back), Jesse Marmo (DJ Kowalski) e Carlos Costa.
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 35 só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Os cem primeiros a chegar pagam apenas R$ 25. O preço da entrada deve ser pago em dinheiro, toda a consumação na casa é feita com cartões. Chegue cedo para evitar filas.

O primeiro disco solo de Kiko Dinucci

O guitar hero dos anos 10 em São Paulo finalmente vai lançar um disco com apenas seu nome, depois de quase 20 trabalhados gravados com diferentes grupos e parceiros. Cortes Curtos foi gravado em cinco dias depois de passar anos sendo curado por seu autor e tem influência cinematográfica desde o título, que faz referência ao Short Cuts de Robert Altman. “Pensei em fazer uma espécie de Transformer paulistano. Não como uma referência musical direta, mas sobre estética, conceitualmente”, ele disse ao Pedro, no Estadão, citando o clássico disco de Lou Reed produzido por David Bowie em 1972. Cortes Curtos deve ser lançado no início de fevereiro e tem participações de Juçara Marçal, Tulipa Ruiz e Ná Ozzetti. Leia a reportagem sobre o disco aqui.

Indícios da Teoria Pixar?

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A ideia de que todos os filmes da Pixar se passam no mesmo universo ganha um reforço do próprio estúdio de animação – veja o curta que postei lá no meu blog no UOL.

Muitos já conhecem a Teoria Pixar, criada pelo jornalista norte-americano Jon Negroni, que cogita a possibilidade de que todos os filmes da Pixar sejam interconectados e se passam em momentos diferentes da mesma linha do tempo. A teoria cogita um universo em que animais, seres humanos e máquinas vivem uma constante disputa territorial e que os filmes do estúdio de animação mostrariam diferentes momentos desta história ao contar a evolução de uma humanidade bem diferente da nossa. Esta teoria, por maiores que sejam as evidências encontradas para comprová-la, ainda não foi admitida oficialmente pela Pixar.

Mas este curta recém-lançado pelo estúdio reforça a teoria ao localizar uma série de cenas escondidas em diferentes filmes do estúdio que contém personagens e referências a outros filmes, como o urso Lotso do terceiro Toy Story em uma cena de Up ou o dinossauro de O Bom Dinossauro em uma cena de Monstros S/A. Olha que legal:

Isso não quer dizer que a Pixar tenha confirmado que a tal Teoria Pixar seja verdade, embora deixe esta dúvida no ar. Aos que não conhecem esta teoria, há um site dedicado a explicá-la, como vários vídeos (como este abaixo, em inglês). O jornalista Ramon Vitral traduziu para o português a teoria logo que ela foi divulgada, em 2013:

O contexto da axé music

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Escrevi no meu blog no UOL sobre o documentário Axé – Canto do Povo de um Lugar, que traça as origens e avalia a importância do pop feito na Bahia dos anos 80 para cá, que estreia neste fim de semana.

A força da axé music pode ser medida tanto pela forma como ela foi aceita como quanto ela foi rejeitada. O próprio rótulo que a batiza foi criado de forma irônica, desmerecendo pejorativamente a vontade daquela cena musical ser consumida fora do Brasil. Na pesquisa que fiz para o especial de 30 anos da axé music para o UOL há dois anos, as menções à axé music se dividiam em dois grandes grupos: reportagens criticando a ascensão popular daquela sonoridade como um entrave que a indústria fonográfica havia criado para a “boa música” – em sua grande maioria reclamações feitas por bandas e produtores de rock – e anúncios sobre a realização de inúmeros shows com todos os artistas que hoje formam o panteão da axé. Não havia uma tentativa de entender ou contextualizar aquela enorme transformação musical baiana e seu impacto na cultura brasileira ou entrevistas com seus protagonistas para que eles falassem sobre tudo aquilo.

O documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar, de Chico Kertész, que estreia neste fim de semana em circuito comercial, vem suprir esta lacuna. É um filme que mergulha na origem daquela cena musical, acompanha seu desenvolvimento e seu apogeu a partir de entrevistas com todos os nomes que fizeram sua história. Ouvimos as histórias sendo contadas em primeira mão por seus grandes ícones (Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Luiz Caldas, Chiclete com Banana, Olodum, Ivete Sangalo), os coadjuvantes mais conhecidos (Araketu, Asa de Águia, Banda Mel, Claudia Leitte, Netinho, Sarajane), sempre enfatizando a influência dos blocos afro. Ainda há entrevistas com as vacas sagradas Gilberto Gil e Caetano Veloso, que entram menos como padrinhos musicais e mais como testemunha de alguns momentos desta história, e com produtores e empresários, que explicam uma questão abraçada pelos artistas e pelo próprio documentário: axé music não é um gênero musical, e sim uma forma de fazer música pop de sucesso em escala industrial a partir de Salvador.

Mas o Axé: Canto do Povo de um Lugar vai além da fórmula básica do documentário sobre música produzido no Brasil neste século, que enfileira entrevistas e as alterna com fotos e reproduções de manchetes e páginas de jornais e revistas. A pesquisa audiovisual do filme mergulha na gênese histórica da axé e volta com cenas em movimento dos primeiros trios elétricos, do embate dos blocos afro com os trios no início dos anos 80 e apresentações do início de carreira – e entrevistas – de quase todos os artistas mencionados. Em vários momentos, a cena descrita pelos entrevistados é exibida logo em seguida, provocando pequenas revelações visuais no decorrer do filme.

Este nem é seu grande mérito. A força do documentário persiste justamente em contextualizar uma movimentação cultural que começou a sacudir Salvador para além do carnaval na virada dos anos 70 para os 80 e como esta movimentação foi percebida por uma nova geração de artistas que entendeu que poderia conquistar o Brasil sem precisair da Bahia. Até então, se um artista quisesse atingir sucesso nacional, teria que se mudar para São Paulo ou, principalmente, para o Rio de Janeiro, que até os anos 80 era a capital cultural brasileira. A axé music inverte esse paradigma e obriga Rio e São Paulo a olharem para a capital baiana sempre em busca do próximo sucesso do verão.

Tanto que todos os protagonistas são categóricos ao afirmar que o pai da axé music não é um músico, um compositor ou um intérprete, e sim um produtor musical. Wesley Rangel, falecido no início do ano passado, foi quem viu a viabilidade comercial daquela música e transformou seu Estúdio WR no coração de mãe que reunia todos artistas, novatos e veteranos. Foi ele também quem estabeleceu a ponte entre Salvador e o Rio de Janeiro, tornando possível a explosão nacional de Luiz Caldas, o Elvis Presley daquele rock’n’roll baiano.

Carnaval em Salvador

Carnaval em Salvador

O filme também é didático ao explicar as diferenças entre os gêneros musicais de cada artista, falando em samba-reggae, fricote, galope, pagode. Na matriz de todos eles está o chamado “samba duro”, gênero musical característico da região do recôncavo baiano, menos malemolente que o samba carioca, mais pronunciado e empolgante. Alguns dos grandes momentos do documentário estão quando pioneiro Gerônimo (autor de “Eu Sou Negão”) e o maestro Letieres Leite fazem a genealogia musical daquela cena – ou quando vemos a história da criação do repique de percussão característico do samba-reggae. E, claro, a clássica passagem sobre como Daniela Mercury parou São Paulo no histórico show sob o vão do Masp, na Avenida Paulista, em 1992 – e com imagens deste show.

A presença dos artistas – e seu aprofundamento pessoal para além dos personagens que eles criaram no palco – é outra grande qualidade do documentário. Da sempre inspiradora Daniela Mercury ao hilário Gerônimo, passando pelo senso comercial do Cumpadi Washington e de Beto Jamaica e por depoimentos inspirados de heróis locais desconhecidos no resto do país como Vovô do Ilê, Márcio Vitor, Lazinho, Tatau e Tonho Matéria, a forma como as entrevistas são conduzidas permite entender melhor a manha baiana, um jeitinho específico que está nas entrelinhas dos hits e dos refrões.

Axé só peca por sua extensão, mas isso não é propriamente um defeito. Ao querer ser o filme definitivo sobre esta cena, ele debruça-se sobre a história de cada bloco, dando atenção a atrações menores do ponto de vista histórico como a Banda Mel, Banda Beijo e o Harmonia do Samba. Num dado momento estamos assistindo Ricardo Chaves (do hit “É o Bicho”) contar sobre sua trajetória ou ouvindo falar sobre a importância atual de Saulo Fernandes (ex-Banda Eva), o que destoa da história principal, mas não chega a incomodar.

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No fim das contas, Axé: Canto do Povo de um Lugar é uma aula de história mais do que um filme sobre uma cena musical. Insiste em buscar a nascente e explicar como a música pop produzida em Salvador entre os anos 80 e 90 dominou o país e chamou atenção do resto do mundo, levando o Olodum ao Central Park em Nova York e Michael Jackson ao Pelourinho. É um filme obrigatório para quem gosta de música brasileira, mesmo aos que repudiam a axé.

A reinvenção de Toro y Moi

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Chaz Bundick deixa o pseudônimo Toro y Moi em segundo plano e assume o próprio nome em novo projeto, um disco gravado ao lado dos irmãos Jared e Jonathan Mattson, que atendem por Mattson 2. É a primeira vez em que ele coloca o próprio nome num álbum, depois de anos brincando com pseudônimos como Toro y Moi (seu projeto de quarto que virou uma banda), ,Les Sins e Sides of Chaz, além de fazer remixes para outros artistas. “Star Stuff”, faixa-título do disco que já está em pré-venda e será lançado no final de março, segue o mesmo clima de funkzinho alto astral característico de seu projeto original.

Felipe S 2017: “Um vendaval que destrua tudo”

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O primeiro disco solo do vocalista do Mombojó, Felipe S., chega às plataformas digitais na semana que vem e ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo sua faixa de abertura, a tensa canção de protesto “Anedota Yanomâmi”. “Comecei a fazer a Anedota em 2013, durante as manifestações”, explica o vocalista, que produziu todo o disco. “Nasceu de más lembranças, de ver um amigo sendo agredido por um branco careca enrolado numa bandeira do Brasil. Em 2015 o disco Mulher do Fim do Mundo, da Elza Soares, me marcou bastante e me fazia refletir sobre essa composição ainda não finalizada. E também me lembro de finalizar a letra logo depois do acidente de Mariana no fim de 2015. Tudo isso envolvido por uma sensação de que nós seres humanos não sabemos viver juntos e que a ganância está em alta, vindo numa nuvem reacionária que toma o mundo. É como se eu estivesse num sonho e um índio estivesse tentando me explicar a desilusão de quem mata ou rouba nesse nosso mundo opressor, mas numa lingua que eu não compreendesse. O filme O Abraço da Serpente” foi também uma grande inspiração pra essa música. E tô com os índios na filosofia de que a natureza é a nossa dona e não nós os donos dela.”

Arcade Fire contra Donald Trump

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Lançada no dia anterior à posse de Donald Trump, a música nova do grupo indie canadense Arcade Fire, “I Give You Power”, conta com a diva soul Mavis Staple no vocal e parece ter alvo definido : “Eu lhe dei poder e posso tirar”, repete a letra sobre um groove industrial. A banda não mencionou nenhuma referência a Trump, mas o posicionamento progressista do grupo e o teor de crítica social de suas letras parece deixar claro sobre quem o grupo está falando. A música só pode ser ouvida no mesmo Tidal (ouça aqui) que ainda restringe a audição do melhor disco do ano passado, o Beyoncé da Lemonade, o que quer dizer que talvez o álbum que ainda não sabe se o grupo vai lançar, também deverá ficar restrito a essa única plataforma de streaming, uma vez que o casal Win Butler e Régine Chassagne é sócio da empresa fundada pelo marido de Beyoncé, Jay-Z. Atualização: A banda liberou a música em outras plataformas digitais:

Mas tudo indica que o novo disco está a caminho. Além do grupo já ter programado uma série de shows para o meio do ano, o Arcade Fire também trocou o ícone de suas redes sociais, substituindo-o por um símbolo do infinito com um marca de copyright, o que pode ser uma crítica às megacorporações que estão transformando todos aspectos da vida em produto – o que tornaria “I Give You Power” um hino ainda mais forte e direto não apenas contra Trump, mas contra toda o sistema político atual, cujos valores originais foram corroídos por estas grandes empresas.

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O início de um filme de terror… B!

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É sério que o lema do governo Trump é o mesmo do filme Purge: O ano de eleição?

kag

Diz o Washington Post:

Halfway through his interview … Trump shared a bit of news: He already has decided on his slogan for a reelection bid in 2020.

“Are you ready?” he said. “ ‘Keep America Great,’ exclamation point.”

“Get me my lawyer!” the president-elect shouted.

Two minutes later, one arrived.

“Will you trademark and register, if you would, if you like it — I think I like it, right? Do this: ‘Keep America Great,’ with an exclamation point. With and without an exclamation. ‘Keep America Great,’ ” Trump said.

Putz…

Como não ter um mau pressentimento sobre isso?