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Luiza Lian: Oyá Centro da Terra

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A transformação pela qual Luiza Lian está atravessando do seu primeiro para o segundo disco veio na forma de um show-experimento chamado Oyá: Tempo, que ela adapta para o Centro da Terra no início de julho, em uma apresentação única. Luiza Lian: Oyá Centro da Terra também mexe com música eletrônica, moda, vídeo, poesia, arte digital e religião afrobrasielira, mas está sendo repensado para funcionar neste novo espaço, inagurando o mês de julho em um único show, ao lado de seu comparsa Charles Tixier, do grupo Charlie e os Marretas, na primeira segunda-feira do mês, dia 3 (mais informações aqui). Conversei com Luiza sobre esta fase de transição de sua carreira.

O que é Oyá?
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Fala sobre o surgimento do espetáculo.
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Qual papel de Oyá na transição para seu próximo disco?
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Em que pé está o segundo disco?
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Fala sobre sua relação com o selo Risco.
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Como o espetáculo se adapta ao Centro da Terra?
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Sobre selos, festivais e cenas

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Fui convidado para fazer a mediação de um debate neste sábado dentro da Feira de Selos e Publicações, que a Balaclava Records organiza no Sesc Bom Retiro. O evento, gratuito, começa às 14h e reúne bancas de selos como EAEO, Rosa Flamingo, Sinewave, Assustado, PWR, Desmonta, Dissenso, Laboratório Fantasma, Risco, Midsummer Madness, entre outros, além de shows da Luiza Lian e da banda curitibana Marrakesh ʘ. Participo da segunda mesa do dia, que começa às 17h20 e fala sobre festivais e cenas musicais no Brasil, com a participação da Anna Penteado (do festival Vento), da Karen Cunha (que faz o Mês da Cultura Independente) e o Ricardo Rodrigues (do festival Contato). Tem mais informações sobre o evento, além da programação completa, lá na página do evento do Facebook.

Centro do Rock 2017

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A partir do dia 11 de julho, o Centro Cultural São Paulo abre-se para o melhor do rock moderno brasileiro, reunindo nomes como Rakta, Garage Fuzz, Boogarins, Test Big Band, Meu Reino Não é Desse Mundo, Thiago Pethit, Luís E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante + Ventre, MQN, Maglore, Vermes do Limbo + Bernardo Pacheco, Thiago Nassif, Jonnata Doll e os Garotos Solventes, Labirinto e The Baggios, além de debates, filmes e uma edição do Concertos de Discos dedicada à história do rock brasileiro. Mais informações no site do CCSP.

Deerhoof 2017: “But you’re on TV you’re expendable”

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A banda californiana Deerhoof anuncia para setembro seu novo disco, Mountain Moves, e lança o primeiro single, a faixa “I Will Spite Survive”, que conta com a participação de Jenn Wasner, líder do Wye Oak, nos vocais:

Não é a única participação especial do disco, que ainda conta com as presenças da ex-vocalista do Stereolab Lætitia Sadier, da multiinstrumentista Xenia Rubinos, da compositora argentina Juana Molina e da jazzista Matana Roberts, entre outros, além de versões para músicas de Bob Marley, Staple Singers e Violeta Parra, num disco de forte teor político. “Vivemos simultaneamente em dois mundos, uma monocultura maníaca inclinada ao inferno que está guiando a humanidade rumo à extinção e um movimentado submundo lotado de ideias e cheio de otimismo e de vontade de continuar e sobreviver. Mountain Moves recusa o primeiro ao celebrar o último em êxtase”, escreveram na apresentação do disco, cuja capa e ordem das músicas vem abaixo (e o disco já está em pré-venda).

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“Slow Motion Detonation (feat. Juana Molina)”
“Con Sordino”
“I Will Spite Survive (feat. Jenn Wasner)”
“Come Down Here And Say That (feat. Lætitia Sadier)”
“Gracias A La Vida (Violeta Parra Cover)”
“Begin Countdown”
“Your Dystopic Creation Doesn’t Fear You (feat. Awkwafina)”
“Ay That’s Me”
“Palace of the Governors”
“Singalong Junk (feat. Xenia Rubinos)”
“Mountain Moves (feat. Matana Roberts)”
“Freedom Highway (The Staples Singers Cover)”
“Sea Moves (feat. Chad Popple, Devin Hoff)”
“Kokoye”
“Small Axe (Bob Marley Cover)”

Que beleza esse disco novo do Washed Out

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“Chatice. Preguiça. Apatia completa. É uma crise de um quarto de vida ou um desculpa para nunca crescer?”, pergunta-se Ernest Greene, o dono do Washed Out, na apresentação de seu novo disco, Mister Mellow, o primeiro desde Paracosm, de 2013. O disco é um vídeo-álbum e seu tema é discutido como se o disco estivesse em um canal de um YouTuber sem rumo na vida (o disco começa lá pelos dois minutos do vídeo abaixo):

Psicodelia visual

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O episódio mais recente de Twin Peaks levou a série para perto de Júpiter, como nos lembram esses mashups que eu publiquei no meu blog no UOL.

Ainda estamos sentindo os primeiros tremores do espasmo sensorial que foi o oitavo episódio da terceira temporada de Twin Peaks – enquanto alguns tentam decifrar os códigos deixados nas entrelinhas e outros buscam o sentido metafísico em relação ao resto do seriado, muitos deixam-se levar pelo simples aspecto lúdico da exposição ao imaginário sombrio e transcendental de David Lynch e os primeiros filhotes já começam a surgir em forma de paródias, remixes e memes. Um dos melhores até agora é esse incrível mashup entre a deslumbrante cena da primeira bomba atômica ao som de “Echoes”, do Pink Floyd, na versão que o grupo tocou ao vivo em um teatro de arena nas ruínas da cidade de Pompéia, na Itália. Preciso dizer que há spoilers da série para quem não viu o episódio? Tudo bem, está dito:

Não é a primeira vez que “Echoes” se mistura a uma cena imediatamente clássica, deslumbrante e psicodélica. Os fãs do Pink Floyd devem reconhecer essa superposição genial entre a música que ocupa todo o lado B do disco Meddle e o terceiro ato do épico existencial de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisséia no Espaço.

E é claro que iriam fazer o caminho de volta, recriando a cena do episódio histórico de Twin Peaks com a trilha sonora do clássico da ficção científica de Kubrick, “Réquiem para Soprano, Mezzo-Soprano, Dois Corais Mistos e Orquestra”, do compositor húngaro György Ligeti:

Já foi comentado o grau de parenteso entre as duas cenas e a trilha sonora utilizada por Lynch em sua cena original, a tensa “Threnody to The Victims of Hiroshima” do compositor polonês Krzysztof Penderecki já havia sido usada pelo próprio Kubrick em outro de seus clássicos, o filme de horror psicológico O Iluminado, de 1980. É uma composição de tirar o fôlego:

Ainda estou digerindo o episódio e devo escrever sobre seu significado em relação ao resto da série em breve.

A primeira aparição do Cure na televisão

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A primeira vez que o Cure apareceu em um programa de TV foi num show filmado ao vivo em Paris, no dia 3 de dezembro de 1979, com Robert Smith ainda de cabelo curtinho – de onde saiu essa versão incrível da emblemática “A Forest”.

Kendrick Lamar 2017: “Won’t take me out my element”

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Clipe novo de Kendrick Lamar, “Element” não é estiloso apenas por estética. Dirigido pelo próprio Kendrick e pelo fotógrafo alemão Jonas Lindstroem, o vídeo emula o olho clínico e social do fotógrafo Gordon Parks, uma das assinaturas visuais do movimento pelos direitos civis nos EUA nos anos 50 e 60.

David Lynch fez de novo!

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Com um único episódio de Twin Peaks, David Lynch revoluciona mais uma vez a cultura contemporânea – escrevi sobre esse momento mágico do século 21, sem spoilers, no meu blog no UOL.

O oitavo episódio da terceira temporada de Twin Peaks, que já está disponível no Netflix brasileiro, é um marco tanto da história da arte quanto do entretenimento. David Lynch empurrou o público em uma hora exasperantemente bela em que até a noção de tempo e o fôlego se perdia com o passar das cenas. Se cenas dos episódios anteriores desta temporada, como a da caixa de vidro, a do espaço sideral e a do bar sendo varrido, deixaram todos impressionados com a maestria e a ousadia do diretor em reger nossa expectativa como se fôssemos cobaias em um laboratório, neste novo episódio Lynch mostrou que não está pra brincadeira mesmo. E que ele não é um mestre do cinema, o cinema é só sua ferramenta, seu veículo. David Lynch é um Mestre do Tempo.

Recomendo a qualquer um a atravessar esta hora de explosões e implosões psicológicas e físicas mesmo sem nunca ter assistido nenhum episódio. Mesmo sem ter a menor vontade de saber o que é Twin Peaks. A experiência de assistir ao capítulo chamado “Got a Light?” (“Tem fogo?”, numa tradução informal) é transcendental mesmo que você não entenda o contexto. E nem estou falando do contexto da série – e sim do contexto de um seriado de televisão em 2017. Imaginar que um executivo de uma emissora de TV tenha concordado em bancar este momento solene mexe com a nossa esperança sobre a possibilidade de nossa cultura sair da estagnação repetitiva que vivemos desde que a cultura pop atingiu escala industrial.

As cenas vão sendo apresentadas uma atrás da outra sem a menor cerimônia, sem a mínima preocupação de revelar algo (embora nos dê a nítida sensação de estarmos vendo várias revelações) ou de que alguém as entenda. Lynch entrou numa magistral espiral de luz e som que conquista pela beleza estética ao mesmo tempo em que provoca sentimentos desconfortáveis em diferentes escalas. Perguntas críticas à nova temporada da série (quando Cooper vai voltar a si? De onde veio Dougie? Quem é Richard Horne? Cadê Audrey? O que é aquela caixa? O que está acontecendo na cidade de Twin Peaks?) tornam-se minúsculas comparadas aos questionamentos erguidos nesta exuberante hora de surrealismo abstrato sombrio: Existem outras dimensões? Alguém está nos observando? De onde vem o Mal? Como abrimos a caixa de Pandora da humanidade? O que está acontecendo – em tudo?

O oitavo episódio aprofunda-se em questionamentos artísticos provocados pelo diretor em seus inúmeros filmes incompreensíveis, como Eraserhead, Cidade dos Sonhos, Estrada Perdida, Império dos Sonhos. Se Twin Peaks parecia conversar com a linguagem da TV tradicional, ela agora foi para além do mero entretenimento para as massas. Me refiro à Arte com A maiúsculo, aquela que inspira reflexões sobre nossa própria existência. Em uma hora de televisão – com direito a (microspoiler, vai) cinco minutos de Nine Inch Nails -, Lynch reinventa o medo, a expectativa, o mau agouro, a esperança, a violência, a agressividade, a noção de realidade.

Intercalando cenas coloridas com cenas em preto e branco, este episódio mais recente da série sozinho já é a hora de televisão mais ousada do entretenimento moderno. É uma pintura em movimento que confronta nossa própria noção de ser. Se na primeira vinda de Twin Peaks, Lynch mostrou que a televisão podia ser menos didática, mais complexa e não precisava propriamente agradar para atingir seu público, com “Got a Light?” o diretor norte-americano pode ter aberto um mundo de possibilidades para o entretenimento dos próximos anos – mostrando para os novos autores que, sim, eles podem fazer arte sem necessariamente pensar em público, em audiência e em números. Porque, no fim, é a arte que fica.

E agora ficamos duas semanas sem nenhum novo episódio. Até lá, o que pode acontecer? Que época para se viver!