Trabalho Sujo - Home

A volta do Superchunk!

superchunk

E não eram só singles: o Superchunk terminou de gravar um novo álbum, o primeiro desde I Hate Music, de 2013, e acaba de anunciar seu lançamento para fevereiro de 2018. O disco chama-se What a Time to Be Alive e o grupo decano do underground norte-americano o apresentou lançando a faixa-título, com tons tão políticos quanto as faixas que vieram gravando esporadicamente nos últimos anos.

Eles nem parecem que envelheceram. Será que alguém os traz para o Brasil mais uma vez?

Matéria-Prima e Projetonave no CCSP

materiaprima

Duas entidades do novo rap brasileiro se encontram nesta quinta-feira na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo: de um lado o bardo do rap mineiro que já passou pelo Quinto Andar e Subsolo e agora chega à sua carreira solo, do outro o ótimo grupo instrumental paulistano Projetonave, a banda do Manos e Minas que já acompanhou grandes nomes da black music brasileira. O encontro acontece no lançamento do disco 2 Atos, produzido por Gui Amabis, a partir das 21h (mais informações aqui).

Lucio Maia caribenho

Enquanto a Nação Zumbi prepara-se para o lançamento de seu Radiola NZ (o grupo acaba de revelar o primeiro single, uma versão para “Refazenda” de Gilberto Gil), seu guitarrista Lucio Maia começa mais um projeto paralelo, desta vez voltado para a música latino-americana, especificamente caribenha, com referências musicais como Celia Cruz, Tito Puente e Willie Bobo. Lucio Maia começou a rascunhar o Quarteto Los 5 ainda com o baterista Tom Rocha, no Recife, mas o trouxe para São Paulo reunindo um time que conta com Mauricio Fleury (Bixiga 70) nos teclados, Fábio Sá no baixo, Felipe Roseno na percussão e Hugo Carranca (Otto) na bateria. Ainda no início de seus trabalhos, o grupo instrumental faz sua primeira apresentação na quinta-feira da semana que vem, no Sesc 24 de Maio (mais informações aqui). Conversei com o guitarrista sobre os rumos desta nova empreitada, que deve começar as gravações de um primeiro disco no início de 2018.

Como surgiu o Quarteto Los 5?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lucio-maia-2017-como-surgiu-o-quarteto-los-5

Como chegaram a esse nome?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lucio-maia-2017-como-chegaram-a-esse-nome

Quais são as referências que vocês trazem para o grupo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lucio-maia-2017-quais-sao-as-referencias-que-voces-trazem-para-o-grupo

A ideia é ser um projeto paralelo ou é algo pontual, com duração limitada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lucio-maia-2017-a-ideia-e-ser-um-projeto-paralelo-ou-e-algo-pontual-com-duracao-limitada

Vocês têm planos de gravar disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lucio-maia-2017-voces-tem-planos-de-gravar-disco

Como vai ser este primeiro show? Algum convidado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/lucio-maia-2017-como-vai-ser-este-primeiro-show-algum-convidado

Chromeo 2017: “That’s why I keep pressin’ ya…”

chromeo-juice

O Chromeo está de volta e anunciou seu próximo disco, Head Over Heels, com o balanço suave do single “Juice”, em que eles mostram que as pernas que sempre ostentaram em seus discos anteriores na verdade eram suas.

O disco ainda não tem data de lançamento – e é o primeiro que a dupla canadense lança desde White Women, de 2014.

Vida Fodona #560: Novembro vai ser mais tranquilo

vf560

Começando as comemorações dos 22 anos do Trabalho Sujo.

Flora Mattos – “Perdendo o Juízo”
Tommy James & The Shondells – “I Think We`re Alone Now”
Rakta – “Memória do Futuro”
Baco Exu do Blues – “Te Amo, Desgraça”
Letrux – “Coisa Banho de Mar”
Smith – “Baby It’s You”
Boogarins – “Camadas”
Tiê + Luan Santana – “Duvido”
Lorde – “In the Air”
Spoon – “WhisperI’lllistentohearit”
War on Drugs – “Strangest Thing”
Rimas + Melodias – “Origens”
Alexandre Basa + Lurdez da Luz – “Liri Sista”
A Tribe Called Quest – “We the People”
Tulipa Ruiz – “Game”
Beta Band – “Dry the Rain”
Ventures – “Walk Don’t Run”
Cream – “Lawdy Mama”

A volta do Me & the Plant

Quatro anos depois de seu primeiro disco, o grupo Me & the Plant, projeto pessoal do multiinstrumentista carioca Vitor Patalano, ganha corpo e proposta. Seu Mithras Lab, mostrado em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, é um álbum duplo conceitual que Patalano dividiu em duas metades. “Um disco com uma temática mística (Mithras), e outro com temática científica (Lab), dois temas aparentemente antagônicos, mas na verdade interdependentes”, explica. “Esse álbum foi meu instrumento de reconciliação entre esses dois universos, porque a música cria atalhos para o absoluto. Na antiguidade, o mesmo homem era capaz de ser tocado pela ciência e pelo misticismo, como Pitágoras, que intuía a música a partir da matemática, e vice-versa. Mas com o tempo o homem se especializou, se polarizou e hoje vejo uma tendência de reunião destes polos, uma catedral e um acelerador de partículas são templos distintos para a adoração dos mesmos deuses, sejam eles sagrados ou pagãos. Em ambos os casos, estamos erguendo uma obra para tentar amplificar nossa pequenez.”

Ainda são canções criadas ao redor do violão, mas que tomam rumos mais ambiciosos, épicos e elétricos que o disco anterior, The Romantic Journeys of Pollen, produzido pelo Kassin, que fez o grupo ser parte da safra de artistas que reuni quando fui curador do Prata da Casa do Sesc Pompeia em 2012. Vitor fala compara a dinâmica musical com a dualidade proposta no disco. “Pra gente, o palco é um local de cerimônia e o estúdio é um laboratório. E nós experimentamos bastante. Fiz muitas demos. Sampleei. Ressampleei. O álbum tem desde um violoncelo com cordas de tripa de carneiro até música programática generativa. Tratei as demos como hipóteses, que ia testando, corrigindo, melhorando. Depois das demos prontas as músicas foram todas regravadas, agora já com a participação dos músicos. e foram muitos colaboradores, em especial o Daniel Ganjaman e o Kassin, mentor da banda desde o início.”

Além dos já citados, Mithras Lab também reúne uma banda de músicos reunidos a partir da nova base de Vitor, em São Paulo (ao contrário do disco de estreia, gravado com outros cariocas). “A nova formação da banda, além do Rocco Bidlovski na bateria, e do Beto Montag no vibraphone, que já tocavam no Me & the Plant, conta com Regis Damasceno, na guitarra e violão, Meno Del Picchia no baixo e três backing vocals, Ana Cigarra, Claudia Noemi e Luana Jones. Houve mais tempo para produção, e isto se reflete no show.”

Tempo é a chave para o novo disco, que Vitor compara ao vegetal que batiza o projeto. “O tempo das plantas é diferente. Vejo a arte como uma semente, que precisa de um terreno propício, de cuidado, depuração, de exposição às intempéries, às estações, ao tempo. O mundo dos homens, tecnológico, de dados processados em milissegundos, está posto para atender às urgências do mercado, mas a floresta não tem pressa. A melhor forma de o artista independente resistir nesse ecossistema de inteligências artificiais é oferecer sua capacidade de contemplação: sua natureza. E entre a contemplação e seus frutos, vai tempo.”

O grupo mostra o novo trabalho nessa sexta-feira, no Sesc Vila Mariana (mais informações aqui), e o show segue a linha da apresentação do grupo no festival catalão Primavera Sound este ano. “Foi bonito. Me and the Plant florindo no Primavera teve um forte apelo simbólico para a banda”, lembra Vitor. “Foi ótimo poder manter contato e dividir o palco com outros artistas brasileiros e do resto do mundo, e se sentir fazendo parte de um movimento.”

Araçá Azul via Damon & Naomi

damon-naomi

A dupla Damon Krukowski e Naomi Yang, que formava o Galaxie 500 ao lado de Dean Wareham, acaba de lançar o disco ao vivo Everything Quieter Than Everything Else composto por gravações que fizeram na capital japonesa Tóquio em 2005 e 2008 e a faixa que encerra o álbum é uma versão para o lamento “Araçá Azul”, do disco experimental de mesmo nome lançado por Caetano Veloso em 1973, que mistura-se com uma resposta que a dupla fez para a música do baiano, chamada “The Earth is Blue”.

araca-azul

40 anos de Rocket to Russia

rocket-to-russia

O melhor disco dos Ramones completa quatro décadas de existência – escrevi sobre o disco no meu blog no UOL.

Quando Rocket to Russia, o terceiro disco dos Ramones, foi lançado no dia 4 de novembro de 1977 – há exatos 40 anos -, o grupo sabia exatamente o que queria. O álbum aperfeiçoava uma fórmula que o quarteto nova-iorquino vinha trabalhando desde antes de seu explosivo disco de estreia e que chegava ao auge naquele conjunto de canções. O disco também foi atropelado pelo disco de estreia dos Sex Pistols (o caótico Never Mind the Bollocks, lançado na semana anterior), o que desvirtuou completamente o conceito que o grupo nova-iorquino havia criado ao redor daquele novíssimo gênero chamado “punk rock”.

Porque Rocket to Russia, ao contrário de Never Mind the Bollocks, não era um disco de ruptura, muito pelo contrário. É o disco em que os Ramones sublinham que sua sonoridade tosca e agressiva não era negação do som que haviam crescido ouvindo e sim uma forma de retomar valores essenciais do cânone clássico do rock’n’roll que haviam se perdendo entre sinfonias de rock progressivo, solos virtuosos de bandas de hard rock e baladas adocicadas cantaroladas por cantores-compositores. Ao mesmo tempo é o disco que melhor captura a dinâmica sonora do grupo, consagrando seu formato para a eternidade – e reúne um cardápio repleto de canções clássicas a ponto de rotineiramente ser confundido com uma coletânea de melhores músicas da banda.

Rocket to Russia começa no primeiro semestre de 1977, quando o grupo lança o single “Sheena is a Punk Rocker” com “I Don’t Care” no lado B. As duas músicas haviam sobrado do disco anterior (o segundo álbum, Leave Home) e pareciam consolidar a geração que foram pioneiros. Dois anos antes, o grupo havia sido uma das principais bandas a puxar um cordão de novos grupos ao redor do bar de motoqueiros CBGB’s (descoberto pelo Television) e funcionava como um ponto em comum entre grupos tão diferentes quanto o grupo de Patti Smith, o ainda trio Talking Heads, o Stilettoes que num futuro próximo mudaria seu nome para Blondie e o próprio Television. Dois anos depois, as quatro bandas tinham contratos com gravadoras estabelecidas e discos lançados, o que provocava uma sensação num círculo específico de Nova York de que a cidade vivia uma cena tão mágica quanto a da Londres dos primeiros dias dos Beatles ou de São Francisco no início da psicodelia.

Os Ramones eram, de longe, o grupo mais coeso daquela cena – e sua coesão vinha justamente de sua simplicidade: músicas curtas, temas diretos, letras na cara do ouvinte, poucos acordes em uma parede de som. Eram também sucintos visualmente – o uniforme camiseta, jaqueta de couro, calça jeans rasgada e tênis fortaleciam aquela personalidade única que criavam ao se batizarem com um sobrenome (de um pseudônimo usado por Paul McCartney no início dos Beatles) e se rebatizarem todos com aquele sobrenome. Eram uma banda mas também um grupo de irmãos ou de clones e não importavam qual era sua função na banda, todos soavam idênticos: crus, diretos, barulhentos mas com uma pequena dose de melodia.

Johnny Ramone, Tommy Ramone, Joey Ramone e Dee Dee Ramone

Johnny Ramone, Tommy Ramone, Joey Ramone e Dee Dee Ramone

O grupo também sabia de sua influência para além de Nova York. Ao visitar Los Angeles e Londres em duas curtas turnês em 1976, o grupo pode entrar em contato com os principais grupos punk daquelas cidades e sua materialização parecia confirmar para os outros que era possível embarcar naquela onda contracultural que pregava os valores do faça-você-mesmo e a necessidade de se expressar de forma urgente. Os Ramones estavam no olho do furacão do movimento punk global e sabiam exatamente de sua importância.

Tanto que ao lançar o compacto de “Sheena is a Punk Rocker” e “I Don’t Care” eles pareciam determinar suas principais diretrizes. De um lado consolidavam o gênero pelo nome, registrando pela primeira vez o termo “punk rock” em disco. A nova faixa também fazia uma improvável concessão aos Beach Boys, repetindo uma fórmula eternizada pelo grupo dos irmãos Wilson só que com o dobro da velocidade e o triplo do peso. O lado B, por sua vez, reforçava a crueza estética, tanto pelos mínimos acordes (surrupiados, anos mais tarde, pelo Legião Urbana para compor a base de sua “Que País é Esse?”), quanto pela mensagem, um foda-se generalizado para tudo e para todos.

Com aquele primeiro disquinho os Ramones reforçavam que sabiam que o som que faziam era uma nova tendência, não pertencia apenas a eles. E ao reforçar o lado bubblegum anos 60 com o hit “Sheena is a Punk Rocker” eles aos poucos mostravam que pertenciam à história do rock e não haviam aparecido para encerrá-la.

E foi com esse espírito que entraram no Media Sound Studios para registrar seu terceiro disco. As gravações de Rocket to Russia – que começou a ser gravado com o nome de Get Well – começaram em agosto daquele ano e, além de regravar as duas músicas que haviam lançado anteriormente como single, eles tinham algumas cartas na manga. Uma delas, no entanto, apareceu de uma hora para outra, quando puderam ouvir a parede de guitarras do segundo single dos Sex Pistols, “God Save the Queen”. Mostraram para o engenheiro de som do disco, Ed Stasium, com a incumbência de soar mais barulhento que o grupo inglês. “Sem problemas”, disse o técnico, que foi o produtor efetivo do álbum, apesar dos créditos listarem Tony Bongiovi e Tommy Ramone neste papel.

Entre as armas secretas estavam três versões de músicas antigas, que sublinhavam que o grupo sabia de onde vinha aquela sua sonoridade. Além da vibe contagiante de “Sheena is a Punk Rocker”, o grupo ainda trouxe para o disco pérolas dos anos 60 como “Surfin’ Bird” (dos Trashmen), “Do You Wanna Dance?” (de Bobby Freeman) e “Neeedles and Pins” (gravada pelos Searchers). Sem muita dificuldade os Ramones transformaram aquelas versões em suas e fizeram as versões definitivas para todas elas (mesmo que “Needles and Pins” não tivesse entrado na edição final, vindo aparecer apenas no disco seguinte, Road to Ruin).

Várias outras músicas de Rocket to Russia refletiam aquela sonoridade sessentista, como a balada de bailinho “I Wanna Be Well”, “Rockaway Beach” (puro turma da praia), “Ramona” (que ainda transformava o grupo em personagens, quando Joey apresentava os integrantes da banda como se fosse um tema de desenho animado), “I Can’t Give You Anything” (que poderia ter sido composta pelo The Who) e “Here Today, Gone Tomorrow”. Juntas com esporros punk como o hino “Cretin Hop”, “We’re a Happy Family” e a perfeita “Teenage Lobotomy”, aquelas faixas reforçavam que Rocket to Russia não queria apagar a história do rock para escrever a sua e sim colocar-se no cânone do rock clássico em que eles achavam que pertenciam.

E no disco em que melhor traduziram sua sonoridade (e que quase foi produzido por Phil Spector, que começou a paquerar o grupo naquela época), os Ramones também se eternizaram como ícones da história do rock. Rocket to Russia sabe da própria importância e ela se encontra tanto no todo como em seus detalhes (a foto da capa foi feita pelo mesmo Danny Fields que os descobriu dois anos antes, as ilustrações da contracapa e do encarte foram feitas pelo ilustrador do fanzine Punk, John Holmstrom). É o disco que consolida os Ramones como o principal agente do punk e também sua obra-prima. Além de ser um disco divertido – e engraçado – pra cacete.

Rimas & Melodias + Kondzilla

rimas-elza

A crew paulistana de R&B e hip hop Rimas & Melodias se une ao Kondzilla, papa brasileiro da música no YouTube, para celebrar Elza Soares em uma faixa chamada apenas “Elza”.