Quem acompanha o rap brasileiro sabe que o Coruja BC1 já é um dos principais novos nomes da cena – e seu primeiro disco, que sai nessa sexta-feira, vem consolidar sua chegada. NDDN é sigla para No Dia dos Nossos (ou Nx Dia dxs Nxssxs) e consagra a aproximação do rapper nascido Gustavo em Osasco e que construiu sua reputação em Bauru com o Lab Fantasma dos irmãos Emicida e Fióti. O disco já teve dois singles lançados (a faixa-título e “Jazz Records“) e sua capa, abaixo, é revelada em primeira mão para o Trabalho Sujo.
BC1 (encurtamento para “buscando o conhecimento em primeiro lugar”) vem traçando sua trajetória em singles, mixtapes e clipes que veio soltando online desde o início da década, mas ganhou moral graças às suas participações nos cyphers, formato que vem se consolidando como uma das principais plataformas de lançamento de novos rappers no país – são rodas de rap em que MCs improvisam seus trechos ao vivo ou em clipes online. Bati um papo com o rapper sobre este novo momento de sua carreira.
2017 está sendo um bom ano para o rap brasileiro?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-2017-esta-sendo-um-bom-ano-para-o-rap-brasileiro
Fale sobre o processo de gravação do seu primeiro disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-fale-sobre-o-processo-de-gravacao-do-seu-primeiro-disco
Como foi a aproximação com o Lab Fantasma?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-como-foi-a-aproximacao-com-o-lab-fantasma
Os cyphers ajudaram a consolidar sua reputação. Fale sobre esta tendência.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-os-cyphers-ajudaram-a-consolidar-sua-reputacao-fale-sobre-esta-tendencia
O Brasil está vivendo um de seus piores momentos políticos. Como o rap pode confrontar essa situação?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-o-brasil-vive-um-de-seus-piores-momentos-qual-o-papel-do-rap-nesta-situacao
Fale sobre o título do álbum.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-fale-sobre-o-titulo-do-album
Quais os próximos passos após o lançamento do disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/coruja-bc1-2017-quais-os-proximos-passos-apos-o-lancamento-do-disco
Participo nesta segunda-feira do Seminário Arte e Pensamento que acontece no Crato, no Ceará, dentro da Mostra Sesc Cariri de Culturas, cujo tema é a invisibilidade da cultura. Falo na mesa “O que você não enxerga na música?” que acontece às 14h e terá a mediação feita pelo professor Ivânio Azevedo, da Universidade Federal do Cariri, e também contará com a participação da minha querida amiga Heloísa Aidar. Mais informações sobre o evento neste link.
Box com a terceira temporada da série de David Lynch traz mais de seis horas de cenas inéditas do evento do ano – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
A terceira temporada de Twin Peaks chega à mídia física no início de dezembro e depois de ser batizada como Twin Peaks: The Return e Twin Peaks: The Third Season, ela agora recebe o título definitivo de Twin Peaks: A Limited Event Series, que reforça a ideia de que a temporada, na verdade, é um longo filme de dezoito horas. E não bastassem os episódios da série lançada este ano que ultrapassam a duração de toda a filmografia de David Lynch até hoje, o lançamento e DVD trará mais de seis horas de extras – ou mais de sete, na opção em blu-ray.
São dez curtas de quase meia hora cada um deles, filmados pelo mesmo Jason S. que trabalhou no documentário sobre o diretor David Lynch lançado no início deste ano, chamado David Lynch: A Vida de um Artista. Os extras têm os seguintes títulos e durações:
1) The Man with the Grey Elevated Hair (29:40)
2) Tell it Martin (29:08)
3) Two Blue Balls (24:14)
4) The Number of Completion (29:17)
5) Bad Binoculars (28:08)
6) See You on the Other Side Dear Friend (30:00)
7) Do Not Pick Up Hitchhikers (26:44)
8) A Bloody Finger in Your Mouth (26:49)
9) The Polish Accountant (28:05)
10) A Pot of Boiling Oil (38:32)
Um breve trecho de uma das filmagens já foi antecipado online e mostra um descontraído Lynch dirigindo os atores Kyle MacLachlan e Laura Dern:
São cinco horas de bastidores e cenas inéditas deste que é o principal evento cultural de 2017. Ainda há a íntegra do painel que o elenco participou na Comic Con de San Diego antes do lançamento da série, que contou com a presença de Kyle MacLachlan, Tim Roth, Dana Ashbrook, Kimmy Robertson, Matthew Lillard, Everett McGill, James Marshall, Don Murray e Naomi Watts e a moderação de Damon Lindelof, um dos criadores de Lost. Ainda há o vídeo que David Lynch enviou para o evento, que abriu a mesa de discussão.
Outros extras são itens promocionais que foram usados para antecipar a chegada da nova temporada, como o documentário Twin Peaks: The Phenomenon, produzido pelo canal Showtime, dividido em três partes.
Uma galeria de fotos de bastidores e todos as dezoito variações do logotipo da Rancho Rosa, a produtora responsável pelo seriado. Há também curtas que Lynch produziu antes do lançamento da série, como Piano, Donut, Woods, People, Places, Albert (abaixo) e In – cinema:
Além destes, há mais dois extras que só estarão na versão em blu-ray da temporada, os curtas Behind the Red Curtain (29:17) e I Had Bad Milk in Dehradun (28:11) filmados por Richard Beymer no cenário do Black Lodge, e A Very Lovely Dream: One Week in Twin Peaks (27:09), dirigido por Charles de Lauzirika durante as primeiras semanas de filmagem da nova temporada no estado de Washington em 2015.
São mais de seis horas de extras, um sonho para fãs do seriado e de David Lynch.
O elenco de Stranger Things esteve no programa de James Corden para um tributo à clássica gravadora de soul music – veja lá no meu blog no UOL.
Desde a primeira temporada de Stranger Things sabemos que os garotos que formam o elenco principal da série têm uma surpreendente queda pela música – e o apresentador de TV ingles James Corden, anfitrião do programa norte-americano The Late Late Show na emissora CBS, resolveu pegar carona no talento dos pré-adolescentes e no sucesso da segunda temporada do seriado. Finn Wolfhard (Mike), Gaten Matarazzo (Dustin), Caleb McLaughlin (Lucas) e Noah Schnapp (Will) reúnem-se como um grupo chamado The Upside-Downs em que recriam – com direito a coreografia e tudo mais – clássicos da Motown, a principal gravadora de soul dos Estados Unidos, como “I Want You Back” dos Jackson Five, “My Girl” dos Temptations e “I’ll Be There” dos Four Tops. Assista:
É uma jornada. Sempre reservo o penúltimo mês do ano para celebrar mais uma volta ao redor do sol de meu projeto pessoal, um evento que agora comemora 22 anos chamado Trabalho Sujo. E como todo mês de novembro, transformo nossa catarse mensal em um grande encontro de ícones da cultura deste século em prol das boas vibrações e do alto astral. Ao meu lado, como sempre, o cientista comportamental Danilo Cabral, ajuda a manter as condições perfeitas de temperatura e pressão no auditório azul, conduzindo a espaçonave para outras dimensões. No auditório preto, duas masterclasses apresentadas por duas duplas célebres: a psicóloga de zeitgeist Vera Egito e a fotopesquisadora Camila Cornelsen deixam o audiovisual em segundo plano para mergulhar num mundo sonoro dos sonhos em quem ninguém fica parado. Logo após sua apresentação, o mentor underground Mancha e seu pupilo JP sintonizam frequências de outras esferas para melhorar ainda mais o astral da madrugada. O frio e a chuva fora de época parecem lutar contra a congregação harmônica desta noite, mas quem já foi sabe que a temperatura externa é algo que conseguimos manter fora de nossa celebração. E só pode entrar no recinto os convivas que se anteciparem e mandarem seus nomes pelo endereço eletrônico noitestrabalhosujo@gmail.com até o dia do evento.
Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Sabado, 11 de novembro de 2017
22 anos de Trabalho Sujo
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Danilo Cabral, Vera Egito, Camila Cornelsen, Mancha e JP.
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 40, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor). Os cem primeiros a chegar pagam R$ 25.
O rapper Eminem mostra a ótima balada “Walk on Water” com uma participação pra lá de especial, ninguém menos que Beyoncé, e a faixa parece reforçar um novo álbum prestes a ser lançado. A especulação sobre Revival começou com um post no Instagram feito por seu empresário Paul Rosenberg, apontando para uma campanha publicitária de um remédio falso, que conta até com um site de mentira.
Mas os boatos começam a virar verdade depois que o próprio Eminem conectou o tal remédio à nova música em um post em sua conta no Instagram:
O que importa é que a música é boa, o flow de Eminem está diferente (mais pausado, como na peitada que deu em Donald Trump há pouco tempo) e que possivelmente teremos um bom disco em breve.
O produtor e amigo Carlos Eduardo Miranda já tinha cantado a bola sobre o Luneta Mágica, quinteto psicodélico de Manaus, antes de ser chamado pela banda para produzir seu novo material. “O melhor é que eles conhecem muito de música, é impressionante, e não só do tipo de som que eles fazem”, explica o produtor, que assinou o novo single da banda, “Parte”, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo. Os vocais em falsete derretidos por sobre camadas de guitarras lisérgicas parece ir atrás da tendência psicodélica inaugurada no Brasil pelos Boogarins, mas a banda vai para além. Formado por Daniel Freire (baixo e vocais), Eron Oliveira (bateria), Pablo Araújo (vocais e guitarra), Victor Neves (synth e programações) e Erick Omena (guitarra), o grupo é uma das bandas brasileiras que irão tocar no próximo Lollapalooza e deve começar a gravar o próximo álbum em 2018.
Encontrei com os irmãos Tulipa e Gustavo Ruiz na véspera do lançamento de seu novo disco, batizado apenas como Tu, e eles ainda estavam decidindo questões de última hora. Tulipa me mostrava a capa recém-mudada do disco (“sem as bolinhas”, dizia lembrando da versão anterior) enquanto Gustavo se orgulhava da contracapa que havia acabado de ser fechada, bem como o lançamento físico do disco. Entendo errado e pergunto se havia entrado uma versão de “Físico”, um dos carros-chefes do disco mais recente, Dancê, de última hora no disco, mas eles falavam do lançamento em CD. “Ia ser só digital, mas as pessoas começaram a pedir o CD, então a gente resolveu fazer CD”, emenda a cantora. Me espanto com o “só digital” e eles entendem na hora: “Não, vinil a gente sempre vai querer fazer”, respondem quase juntos e rindo, concordando.
Os dois são uma unidade de trabalho, que dividiu-se em duas metades por questões práticas: uma delas expande-se protagonista, a outra retrai-se coadjuvante. Mas são o mesmo ser, a divisão é natural: Tulipa foi para os holofotes e Gustavo manteve-se coautor, músico e, principalmente, produtor. A união torna-se evidente a partir do próprio conceito do novo disco, que apesar de ser batizado a partir do apelido de Tulipa, também fala da parceria ao ser nomeado como o pronome da segunda pessoa e também com a sonoridade de dois, em inglês.
Tu é um disco a dois, apenas de voz e violão. “Ia ser um disco de releituras com as minhas zonas de conforto, mas o processo levou a gente pra outro lugar”, explica Tulipa, que conta que este formato em dupla com o irmão no violão vem sendo testado desde o início de suas apresentações, antes do lançamento de seu primeiro disco, em 2010. “Principalmente quando íamos para o exterior”, completa Gustavo.
“No ano passado a gente fez bastante esse formato, que eu chamo de ‘nude'”, conta Tulipa, a partir de variações da banda que a acompanhou no lançamento de seu terceiro disco, Dancê, de 2015. “Tínhamos três formatos, o full, com a metaleira, o redux, só com a banda, e o nude. E a gente começou a fazer muito show nesse formato e as músicas foram ficando diferentes, maduras ao mesmo tempo em que elas voltavam a ser como elas já tinham sido, voltando pra sua essência, que era quando compúnhamos a dois. Ficamos com a vontade de gravar esse disco, tirar uma foto desse momento.”
“Nossa intenção era gravar isso no México, que a gente tem ido com frequência, e lançar um disco ao vivo num teatro”, continua Gustavo. Mas um terceiro elemento entrou na equação e ajudou a mexer no destino daquele disco, que ainda era uma ideia.
“Desde quando fazíamos esse formato na época do Efêmera (seu primeiro disco), o Stepháne (San Juan, cantor, compositor e percussionista) falou que queria gravar a gente daquele jeito. Ele sempre esteve muito próximo da gente nos três discos, dando pitacos inclusive além da música, na arte. E ele sempre nos lembrava que esse formato era muito forte e aos poucos íamos percebendo isso, que ele tem uma força que chega mais perto do que com a banda, nas letras, na melodia”, lembra a cantora. “Daí o encontramos esse ano e ele está numa ponte Rio de Janeiro-Nova York porque agora ele é percussionista da banda do Bernard Purdie (um dos bateristas de James Brown) e ele tá nesse trânsito, terminando o disco dele com o Scotty Hard (produtor nova-iorquino que já trabalhou com a Nação Zumbi e Mamelo Sound Sytem). E, durante um almoço ele nos falou sobre isso e falou sobre gravar nesse formato, da conexão com o Scotty e, de repente, ‘por que a gente não grava nós três?'”
Os irmãos assentiram na hora – e estamos falando de agosto deste ano, três meses atrás. “Eu só começo a pensar em disco novo depois que acaba a turnê”, lembra Tulipa, explicando que a turnê do Dancê ainda tem shows marcados pra fevereiro do ano que vem. “E de repente aconteceu isso de um disco novo aparecer enquanto o outro disco ainda não tinha acabado. E no ano que vem eu quero gravar disco com banda de novo, por isso se a gente não gravasse aquilo ali, na hora, o momento ia passar. Era um negócio 1-2-3 e já, grava agora, lança agora. Porque depois pode ser que nem faça mais sentido.” Ela também gostou de ter anunciado um disco de surpresa, sem criar expectativas ou publicar foto que é o primeiro dia de gravação. “Isso parece que faz as pessoas cansarem do disco antes de ele sair. Eu mesmo canso!”
Mas o disco acabou ganhando outros contornos. “Achei que fosse ser um disco intermediário, um projeto intermediário só de releituras entre dois discos de inéditas, mas aos poucos ele foi ganhando corpo de quarto disco”, explica, enquanto lembra que, na semana anterior à ida para Nova York, ela e Gustavo compuseram cinco novas músicas. “Elas surgiram ainda aqui, na semana que a gente ia viajar” e lembra como compuseram a música em espanhol “Terrorista del Amor” durante um paad-thai oferecido por Ava Rocha em sua casa, que contou com a presença de Saulo Duarte e da fotógrafa Paola Alfamor.
“A gente tinha um monte de música a mais que íamos gravar, mas elas foram caindo. E também culpa desse 2017 transformador e difícil, que pautou muito a gente e ajudou a definir os critérios pra entender quais músicas que estariam no disco. Por conta desse momento difícil e conservador eu sabia que tinha que cantar ‘Pedrinho’ e ‘Desinibida’ de novo, que aliás são as mesmas pessoas, só que em corpos diferentes. Eu preciso me cercar desses personagens, ter eles do meu lado. A mesma coisa ‘Dois Cafés’ e ‘Algo Maior’, que têm coisas que a gente precisa dizer novamente.”
Esta última, gravada com o Metá Metá no finzinho de Dancê, nunca foi tocada ao vivo, à exceção de uma única apresentação, no Loki Bicho, quando os irmãos tocavam neste formato. “A Juçara (Marçal, do Metá Metá) estava lá e eu chamei ela na hora. E foi tão bonito, eu tava com dúvida na letra, postei a letra no Instagram e todo mundo cantou junto. Ela é uma espécie de mantra que é importante repetir, repetir, repetir…”
A entrada de Stepháne no novo disco, gravado no estúdio de Scotty no Brooklyn nova-iorquino, foi crucial para enxugar ainda mais as gravações. “É um disco falso simples”, continua Tulipa. “Ele só tem uma voz, sem coro, e eu adoro cantar coro. Ele só tem um violão. É muita síntese. A gente criou uma série de regras e ficou meio assustado, mas ficou assim, desse jeito, e o Stepháne foi muito importante nisso, pra me fazer achar uma voz, um jeito mais flat de cantar”. Só há overdubs de percussão em todo o disco e a única participação externa do disco é a de Adan Jodorowsky, filho do mago cineasta Alejandro, que Tulipa conheceu em duas oportunidades no México, num festival de literatura e outro de cinema, sempre recebendo homenagens pelo pai. Ao gravar em espanhol, ela queria entrar no idioma com um anfitrião nativo, para não parecer intrometida, e a sugestão do nome de Adan também surgiu às vésperas da gravação. E ao conectar Adan a uma música composta com Ava, ela não deixa de notar a conexão entre os pais cineastas, ambos românticos idealistas de outra época – “terroristas del amor”, afinal.
“O disco também vem de uma necessidade de fazer as coisas de um jeito mais simples. Precisei fazer um disco olho no olho, com o máximo de verdade e amor. A gente tá cansado, o colesterol tá alto nas hipernarrativas de tudo, as produções são todas megalomaníacas, e a linguagem, que é o básico, sempre fica por último”, continua a cantora. “Tu vem dessa necessidade de, no simples, ser muito legal. Nossa tecnologia mais de ponta é o humano”.
Tu já tem shows agendados para esse ano no Rio de Janeiro (dia 21 de novembro no Teatro Net), em São Lourenço (cidade mineira onde os dois foram criados, dia 8 de dezembro, em praça pública) e em São Paulo (no Sesc Pinheiros, dias 9 e 10 de dezembro) e no ano que vem em Salvador (no Teatro Castro Alves, dia 26 de janeiro) e no Psicodália (festival em Rio Negrinho, Santa Catarina, dia 13 de fevereiro).