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Um novo Help e a nova música dos Arctic Monkeys

Tem música nova dos Arctic Monkeys nesta quinta-feira! Quem avisou foi a ONG War Child, que arrecada fundos para ajudar crianças que vivem em regiões de conflito, que, depois de recuperar a coletânea que organizou há mais de trinta anos para as plataformas online, anunciou uma nova compilação que começa a ser revelada esta semana. A coletânea original, chamada apenas de Help, reunia canções de artistas como Radiohead, Orbital, Portishead, Massive Attack, Suede, Sinéad O’Connor, Boo Radleys, a primeira gravação dos Manic Street Preachers após o desaparecimento de seu guitarrista Richey Edwards, uma colaboração entre os Charlatans e os então novatos Chemical Brothers, uma versão de “Come Together” dos Beatles com uma banda formada por Noel Gallagher, Paul McCartney e Paul Weller e a única vez que Oasis e Blur estiveram num mesmo disco, e serviu de inspiração para este novo volume, cuja participação dos Monkeys já estava sendo especulada depois que a banda compartilhou o post em que a ONG anunciava a nova compilação em seus stories. A confirmação veio nesta terça com um post da própria War Child, avisando que a música estará disponível nesta quinta, a partir do meio-dia no horário de Brasília, e quem quiser ouvi-la antecipadamente pode se inscrever no site deles.

A trilha sonora do The Moment da Charli XCX é o novo disco do A.G.Cook

Quando Charli XCX despediu-se do verão Brat no final do festival de Coachella do ano passado, ela não estava apenas colocando o ponto final em seu bem sucedido experimento pop de 2024, como também estava esticando-o como reticências para um novo momento para o disco. O momento em si (er…) era o próprio filme The Moment, que estreia no próximo dia 30 nas telas do hemisfério norte, pseudodocumentário feito no meio da turnê do infame disco verde-limão que lida com a dor e a delícia de se cumprir uma agenda intensa quando se chega um ponto alto do showbusiness (que inclui, mais infâmia de piada interna, documentários sobre turnês gigantescas). O documentário começou a ser revelado ali, quando, no telão, ela duvidava sobre o fim do verão Brat e, no som, ouvíamos um remix de “I Love It”, hit da dupla sueca Icona Pop que colocou Charli no mapa mundial da dance music em 2012, que dá ênfase em dois versos da canção: “Eu amo” e “eu não me importo”. Foi revelado no ano passado que o remix era, na verdade, uma faixa inédita do produtor e broder de Charli, A.G. Cook, que assina a trilha sonora do documentário e batizou aquele último suspiro de Brat de “Dread” (nojo), sintetizando o lado pesado da fama multimilionária que quase nunca é mencionado por seus protagonistas. Na semana passada, Cook lançou mais uma música da mesma trilha, um IDM pesadíssimo chamado “Offscreen”, o que indica que Brat seguirá vivo por mais alguns meses mesmo que Charli esteja mais ocupada com sua carreira nos cinemas – e siga dando aulas de como lidar com o mondo pop na terceira década do século 21.

Assista abaixo:  

Nação Zumbi Sinfônico

A Nação Zumbi vai celebrar o aniversário de 30 anos de seu segundo disco Afrociberdelia em grande estilo, quando dividem o palco com do Theatro Municipal de São Paulo com a Orquestra Experimental de Repertório que, sob a regência de Wagner Polistchuk, visita o clássico disco de 1996 em apresentação única no dia 3 de fevereiro. Os ingressos já estão à venda.

E veio a Courtney Barnett!

O disco novo de Courtney Barnett estava quicando e finalmente é anunciado! Creature of Habit abre com a música que ela lançou no ano passado (“Stay In Your Lane“) e foi revelado com o lançamento de mais um single, “Site Unseen”, em que nossa querida Courtneyzinha convida a heroína alt.country Waxahatchee para um dueto. É seu primeiro disco desde o instrumental End Of The Day, de 2023, e o primeiro com canções desde Things Take Time, Take Time, de 2021. Creature of Habit será lançado no dia 27 de março e já está em pré-venda. Confira a capa, o nome das músicas e o clipe da música nova abaixo:  

Todd Haynes no CCBB!

Nesta quarta-feira, o Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo dá início à Mostra Todd Haynes, que, com curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, reúne 23 obras, entre filmes dirigidos por Haynes e outros que dialogam com sua obra. Entre os filmes do homenageado estão seus primeiríssimos filmes, como O Suicídio (de 1978) e Assassinos: um filme sobre Rimbaud (de 1985), Carol, Dottie Leva Palmadas, Longe do Paraíso, os inacreditáveis Mal do Século e Não Estou Lá (sobre Bob Dylan), O Preço da Verdade, Veneno, Segredos de um Escândalo, Sem Fôlego, Velvet Goldmine e o documentário que ele fez sobre o Velvet Underground. Além dos filmes de Haynes, a mostra ainda reúne títulos como Uma mulher Sob Influência de John Cassavetes, O Medo Devora a Alma de Fassbinder, Jollies da Sadie Benning e Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles de Chantal Akerman, entre outros. A programação completa está no site do CCBB.

Janis no MIS!

Aproveitando o aniversário de Janis Joplin neste dia 19, o MIS de São Paulo acaba de anunciar a exposição Janis, que reúne mais de 300 itens da cantora psicodélica, entre fotografias, figurinos, manuscritos e outros itens cedidos pela família da própria. A exposição começará só no dia 16 de abril, mas os ingressos já estarão à venda a partir desta semana.

Centro da Terra: Fevereiro de 2026

Prontos para retomar as atividades musicais no Centro da Terra? Em fevereiro fazemos o já tradicional mês sem temporada – pois uma das segundas-feiras é de Carnaval – e reunimos seis apresentações inéditas para dar o tom do ano que estamos preparando. O mês começa na primeira segunda-feira, dia 2, quando a querida Ná Ozzetti junta-se ao seu irmão Marco Ozzetti antecipando o lançamento deste último, mostrando as canções do disco Música na Poesia, em que musicam poemas de Simone Bacelar, no espetáculo de mesmo nome. No dia seguinte, a terça dia 3, Carla Boregas e Maurício Takara mais uma vez começam o ano no palco do teatro desta vez com convidados, chamando Marcelo Cabral, Juliana Perdigão e Philip Somervell na apresentação Par Expandido. Na segunda segunda-feira do mês, dia 9, o capixaba Juliano Gauche vem ao teatro mais uma vez testar ao vivo músicas de seu próximo álbum, A Balada do Bicho de Luz, em que explora uma sonoridade mais rock e psicodélica em canções inéditas. No dia seguinte, na terça dia 10, é a vez da brasiliense Paola Lappicy mostrar as músicas de seu próximo trabalho, o disco Coisas Que Eu Quis Te Dizer Antes de Tudo Acabar, em que flerta com a música eletrônica ao lado do produtor Vortex Beat. Na segunda-feira após o Carnaval , dia 24, é a vez do gaúcho Pedro Pastoriz mostrar suas novidades em primeira mão no show Bafinho Quente ao lado de novos parceiros musicais. Na última terça-feira do mês, dia 25, quem estreia no palco do Centro da Terra é a cantora Fernanda Ouro, que mostra o espetáculo que está preparando em homenagem à Clara Nunes, chamado de A Deusa dos Orixás. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h, os ingressos já estão à venda através do site do Centro da Terra e a partir deste ano criamos uma forma de apoiar o teatro que garante meia entrada em todas apresentações (visite o site para descobrir como apoiar nosso trabalho).

Voa Manu!

Manu Julian começou seu 2026 com os dois pés firmes no palco do Bona, mostrando que é um dos nomes para ficar de olho nesse novo ano (se você acompanha meu trabalho sabe disso faz tempo). Em sua primeira apresentação com banda, ela expandiu o microverso que começou a moldar ao lado do fiel escudeiro Thales Castanheira, guitarrista que tornou-se diretor musical da nova apresentação, sem perder a emotividade e intensidade dramática, que anda no fio da navalha com a timidez e a incerteza, qualidades que equilibrava no detalhe dos shows que fazia até aqui. Uma vez acompanhada de sua irmã de Pelados Helena Cruz no baixo, da precisa e eficaz Bianca Godói na bateria e do irmão Jvka disparando efeitos e segurando percussões, Manu decolou de um jeito disposta a ver o horizonte ainda mais de cima. Passeando por composições alheias e próprias, ela não só repassou músicas que já estavam em seu repertório (com sua deliciosa “Sempre Mais”, a versão para os argentinos El Príncipe Idiota “Novedades”, “Mexe Comigo” dos Pelados e “Fala” dos Secos e Molhados), como estreou várias músicas inéditas, como a ótima “2058” (parceria com Sophia Chablau, que deveria estar no show mas teve um problema de saúde), “Copo Vazio”, o reggaeinho “Tuí”, “Balada Boba”, “Bomba” (parceria com Theo Cecato e Téo Serson) e a intensa “Make Me WIld”, que encerrou o curto show, que ainda teve versões novas para músicas da Sophia (a bela “Se Você”) e uma de Felipe Vaqueiro (a ótima “Lamento da Pia Quebrada”, com a qual abriu a noite). Com o volume de som e a presença de mais amigos no palco, Manu deixou a fragilidade em casa e entregou-se em seu melhor show até hoje, seja soltando sua voz maravilhosa, deixando seu corpo pulsar a vibração das canções ou fazendo piadas infames entre as músicas. Voa Manu!

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R.E.M. ♥ Buster Keaton

Depois de parelharem Radiohead com Nosferatu e A Woman of the World com Pearl Jam (!?), o coletivo norte-americano Silents Synced, que coloca bandas indies para funcionar como trilha sonora para filmes mudos, atravessa o Atlântico para mostrar o excelente Sherlock Jr. de Buster Keaton ao som de músicas dos discos Monster e New Adventures in Hi-Fi do R.E.M. em sessões na Inglaterra e na Irlanda. Tomara que essas excursões para o exterior desses mashups em salas de cinema consiga chegar por aqui, imagina…

Veja um trecho abaixo:  

Tela Brasil: Um aplicativo de streaming só com filmes brasileiros – e lançado pelo Ministério da Cultura

A conversa de que o Ministério da Cultura tem planos de lançar um aplicativo de streaming para exibir gratuitamente centenas de longas, médias e curta metragens brasileiras vem rolando nos bastidores desde quando o filme da vez era Ainda Estou Aqui, no começo do ano passado. Só que no começo deste ano uma notícia tornou público o lançamento próximo do aplicativo, chamado de Tela Brasil, o que fez o próprio MinC falar oficialmente sobre a iniciativa numa nota publicada neste domingo. E volto a falar o que havia comentado quando ouvi falar da primeira vez deste serviço: se fazem isso pra cinema, dá pra fazer pra música, pra livros, pra produção audiovisual de forma bem mais ampla e pode ser o início de uma saída das asas das big tech do hemisfério norte. Ou vocês não perceberam como o site de assinatura digital do governo federal praticamente fez serviços gringos semelhantes desaparecerem do nosso dia-a-dia? Fora que o Brasil tá voltando a ficar na moda, mas isso é outra conversa…

Leia a nota abaixo: