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Tatá Aeroplano & Bárbara Eugenia caem na estrada

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Tatá Aeroplano e Bárbara Eugenia caem na estrada. Esse é o mote de Vida Ventureira, o road album que a dupla lança esta semana, gravado e produzido ao lado dos parceiros Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque, banda que acompanha Tatá desde seu primeiro disco solo. O filme sonoro tem influências dos épicos sentimentais automobilístico e viagens intimistas dos cinemas norte-americano e europeu, mas raízes debruçadas sob as rodovias estaduais curvilíneas do nosso país, pelo interior de Minas, Paraná, São Paulo e Bahia, entre São Tomé das Letras e a Serrinha. É um extensa mas ágil crônica sobre um relacionamento tênue e inusitado como a própria estrada e utiliza a faixa cinzenta de asfalto como ponto de partida para uma viagem física e metafórica que, mesmo com doses consideráveis de psicodelia, deixa transparente sentimentos que ficam à flor da pele como o sol e o vento no rosto, neste que é o disco mais bonito tanto de Tatá quanto de Bárbara.

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Vida Ventureira já pode ser ouvido nas plataformas digitais e eu pedi para que os dois dissecassem o álbum e quis o destino que os dois estivessem num carro quando gravaram as respostas:

Dr. Dre 2017: “How do you spell CEO? D.R.E.”

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Depois de ter abandonado a carreira fonográfica ao despedir-se com o disco Compton, de 2015, o produtor Dr. Dre, pai do gangsta rap, volta com a música nova “Gunfiyah”, feita para a trilha sonora do documentário seriado The Defiant Ones, que a HBO produziu sobre sua relação com outro produtor, Jimmy Iovine, que ajudou a consolidar seu nome após o fim de sua banda original, o NWA. Mas vamos combinar que Dr. Dre já teve dias melhores…

O trailer do seriado, que estreou no início de junho, vem abaixo:

Bonifrate 2017: “O quanto pesa sua bolha retórica”

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Ex-líder do Supercordas, banda que encerrou as atividades no ano passado, Pedro Bonifrate anuncia o lançamento de novo EP pela Balaclava Records com o single “Lady Remédios”, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo. “A música é a faixa-título do meu novo EP, com 5 faixas que trazem diferentes perspectivas sobre a cidade onde eu cresci e onde voltei a morar há cinco anos, a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty”, explica o cantor e compositor. O clipe usa imagens antigas da cidade e a utiliza como metáfora para as transformações impostas pelo capitalismo a comunidades de todos os tamanhos: “Sudoeste armou sobre os sobrados num shopping histórico”, canta sua letra, que ainda fala de “jazigos de uma memória semântica”, “terras que algum rei grilou” e da “patota do cinema novo”. O tom de psicodelia grave é solene e o teclado ao final faz as vezes de metais melancólicos como “The Fool” do Neutral Milk Hotel.

Perguntei para o Pedro se era o prenúncio de um novo disco solo, o primeiro depois que sua banda original pendurou as chuteiras. “Talvez no que diz respeito ao processo de gravação, que mudou um pouco, passou a trazer mais elementos analógicos. Essas gravações não deixaram de ser um estudo, como todas são. Mas ‘Lady Remédios’ é um disco redondo por si só, uma obra de pouco mais de 17 minutos, mas com uma relação bem forte entre as faixas e uma ideia que as permeia. Neste sentido, ele mesmo é mais como o terceiro disco solo, ou mesmo o quarto, quiçá o quinto. Levo esse projeto como sempre levei, na prática. Mas no momento não tenho mais as canções que eu levaria aos Supercordas, então todas vem pra cá. Algumas delas entraram aqui em ‘Lady Remédios’ e outras vão entrar no próximo disco” – o próprio Lady Remédios ainda não tem data de lançamento: “Em breve”, diz Bonifrate.

Lee Ranaldo no Brasil!

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Mais show do Lee Ranaldo no Brasil? Por mim, tinha todo ano! O cientista louco do Sonic Youth mostra sua faceta domesticada em sua nova carreira solo, quando lida com canções mais do que experimentos sônicos, e traz seu recém-lançado Electric Trim em uma pequena turnê que passa por Ribeirão Preto (dia 12 de agosto), Curitiba (dia 13), Rio de Janeiro (dia 14), BH (dia 16 – Lirra n’A Obra, imaginem isso!) e finalmente chega a São Paulo, no dia 17. Mais informações no site da Desmonta, que está trazendo o mestre.

Metá Metá 2017: “Esse clarão ninguém vai suportar”

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Em plena turnê europeia, o trio pesado lança EP com músicas que não entraram em sua colaboração com o grupo Corpo, batizado de Gira, que aborda o orixá Exu. “‘Odara Elegbara’ e ‘Ajalaiyé’ são canções que citam o orixá Exu, conhecido no panteão como um Deus primordial, mensageiro entre os demais deuses e os mortais, a força dinâmica que move mundo e todos os seres que nele habitam”, escreve o guitarrista Kiko Dinucci na apresentação do disco. O EP pode ser baixado no site da banda e também ouvido abaixo. E se essas são as músicas que ficaram de fora…

O Grupo Corpo apresenta o espetáculo Gira em São Paulo entre os dias 4 e 6 e 9 e 13 de agosto, no Teatro Alfa (mais informações aqui).

Suicídio, drogas e rock’n’roll

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O que é causa e o que é consequência nas mortes de Ian Curtis a Chester Bennington – escrevi sobre esse assunto no meu blog no UOL.

Instigado pelo punk rock dos Sex Pistols, Ian Curtis foi um dos poucos habitantes de Manchester que assistiram ao mítico show que a banda inglesa fez em sua cidade. Entre os poucos que estavam no público estavam nomes que depois foram bandas como The Fall e The Smiths, além da gravadora Factory. Formou uma das primeiras bandas que instigaram o punk para ir além da agressividade e liderando o Joy Division inaugurou uma nova categoria e um novo jeito de se fazer rock. Gravou dois discos com esta banda e às vésperas da primeira turnê nos Estados Unidos, depois de lançar o disco Closer que tornaria a banda um sucesso, enforcou-se na cozinha de casa, ao som do disco The Idiot, de Iggy Pop.

Kurt Cobain era um nerd norte-americano fascinado pelo indie rock dos anos 80 e pelo hard rock dos anos 70. Formou uma banda que fundiriam as duas vertentes, a princípio antagônicas, e liderando o Nirvana mudaria a cara da indústria fonográfica no início dos anos 90 ao subverter os parâmetros do mainstream e do underground. Preso entre o sucesso e o antissucesso, pagou caro ao viver este paradoxo ao sucumbir à depressão e às drogas pesadas, que finalmente o levaram a meter uma bala na cabeça na casa em que morava em Seattle.

Ian Curtis morreu antes de fazer sucesso. Kurt Cobain morreu depois. Ambos tiraram suas próprias vidas e, a partir de suas mortes, era possível detectar que algo não estava bem com eles.

É fácil chegar a esta conclusão após gestos drásticos de suicidas famosos. Mesmo casos anteriores – como Graham Bond e Richard Manuel – e posteriores – como as recentes mortes de Chris Cornell e Chester Bennington -, causam a sensação de que a música foi o catalisador de sentimentos pessimistas e depressivos que culminaram com a própria morte. Quando, na verdade, foi o contrário.

Foram estes sentimentos que os levaram para a música. Foi a vontade de exprimir sensações que não eram facilmente traduzidas em palavras que os colocou em frente a uma banda, os transformou em astros do rock que conseguiam traduzir estas angústias em letra, música e eletricidade. Não foi o rock que tirou suas vidas ao levá-los para o mundo do sexo, drogas e rock’n’roll ou para o mundo do showbusiness, da indústria e da fama. O gesto final de suas biografias foi a última tentativa de sucumbir sensações que sempre os acompanharam, mesmo antes de montarem suas bandas.

Suas carreiras musicais eram tentativas de superar dores que sempre estiveram presentes. Não foi a tristeza, a angústia e a depressão que simplesmente tiraram suas vidas – foram elas que os transformou em autores, músicos e astros do rock. O luto dos fãs não é apenas a tristeza da perda de um ídolo, mas o reconhecimento de que aquilo que eles sempre falaram em suas músicas era de verdade.

Centro do Rock 2017: MQN e Boogarins

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Invasão goiana no CCSP: o MQN de Fabrício Nobre volta à atividade fazendo os primeiros shows desde 2011 e abre a noite para os Boogarins, que lançam o ousado terceiro disco Lá Vem a Morte, tocando-o pela primeira vez ao vivo. Os ingressos já estão esgotados faz tempo, mas vai que rola (mais informações aqui)… Os shows começam às 18h.

Pé de Calçada!

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Três forças do alto astral reúnem-se neste domingo para celebrar o São João tardiamente e espantar o frio do inverno: Jesuino Brilhante, Trabalho Sujo e Bloco do Apego apresentam o Pé de Calçada – um arrasta-pé ao ar livre com muita música, comida, bebida e calor humano, pra sair de casa e festejar de graça. E ainda tem apresentação da dupla de forró Caramurú e Julião.

Pé de Calçada & Forrobodó e comidiinhas
Domingo, 23 de julho de 2017
Das 14h às 19h.
Rua Arruda Alvim, 180. 11 26493612
No som: Noites Trabalho Sujo + Bloco do Apego + Caramurú e Julião
Comidas e bebidas, de R$ 5 a R$ 15
Na rua, de graça
Apoio Amstel
Design Juj Azevedo

Centro do Rock 2017: Meu Reino Não é Desse Mundo

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O projeto de anarcogospel do Negro Leo é a principal atração do showcase que o selo carioca Quintavant faz no CCSP neste sábado dentro da programação do Centro do Rock, que ainda tem shows do Thiago Nassif (que apresenta o disco Três, que gravou com Arto Lindsay) e do Lucas Pires (que apresenta o espetáculo Hot On N’Aldeia Global). Mais informações sobre os shows, que começam às 19h, aqui.

A fase Berlim de David Bowie em uma caixa

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Seguindo a série de edições especiais da vida de David Bowie, é a vez de mergulhar entre os anos 1977 e 1982 do mestre morto no ano passado – escrevi sobre a caixa A New Career in a New Town no meu blog no UOL.

Mais uma caixa de discos vem dissecar outra fase de David Bowie. Depois de destrinchar a primeira fase de sua carreira na memorável caixa David Bowie Five Years (1969-1973), lançada em 2015, e de se aprofundar na fase de transição do artista no meio dos anos 70 na ótima David Bowie Who Can I Be Now? (1974-1976), de 2016, o mergulho no arquivo do artista que morreu no início do ano passado traz a tona a caixa A New Career in a New Town (1977-1982), que reúne as gravações da época em que Bowie mudou-se para Berlim, na Alemanha, até o disco que é considerado sua última obra-prima da fase clássica, Scary Monsters (And Super Creeps), de 1980.

São onze CDs (ou treze vinis) que reúnem reedições dos principais discos que ele lançou na época, como Low, “Heroes” (e o EP de mesmo nome, lançado em seguida com versões da música em alemão e francês), Lodger (em duas edições, sendo a mais recente com nova mixagem feita pelo produtor Tony Visconti), o duplo ao vivo Stage (também em duas edições), Scary Monsters e a coletânea Re:Call 3, reunindo músicas que só saíram em compacto neste período (incluindo a íntegra do EP Baal, com a trilha sonora que Bowie fez para a peça de Bertolt Brecht de mesmo nome. O título da caixa é o nome da última faixa do lado A de Low, que completou 40 anos no início de 2017.

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Entre as novidades da caixa (que ainda traz um livro de capa dura com 128 páginas) está uma versão mais longa, com quase dois minutos a mais para “Beauty And The Beast”, do disco “Heroes”, de 1977, que foi lançada originalmente num disco promocional lançado nos EUA.