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Frank Jorge de Natal

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Dias depois de realizar um sonho – abrir um show de Paul McCartney -, Frank Jorge trancafiou-se no estúdio com o velho cúmplice Thomas Dreher e pariu uma canção de natal sem necessariamente falar da data festiva. “É uma influência direta das sonoridades que sempre ouvi e gosto muito de bandas de rock dialogando com orquestra: The Beatles, The Zombies, The Jam, Eletric Light Orchestra, dentre outras tantas”, explica o epitômico roqueiro gaúcho, que mostra sua “Vida na Vidade (Allegro ma non Tanto)”, que lança oficialmente nesta segunda-feira pelo selo 180 , em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“A tecnologia da informação através da internet e das redes sociais, nos proporciona facilidades de acesso aos conteúdos, assim como, avanços comunicacionais. Os governos relapsos e corruptos sonegam à população boas condições de vida e convivência”, teoriza o eterno líder da Graforréia sobre a música nova. “‘Vida na Vidade (Allegro ma non tanto)’ é uma canção sobre esta equação: seguir vivendo e sendo um ser humano em cidades tensas/ superpovoadas e paradoxalmente, abandonadas.”

Temperada por um cravo bachiano surrupiado por Dreher, a faixa se inspira no compositor barroco como ponto de partida. “O tema predominante, a cidade, traz também minha inquietação sobre como deveria ser a vida de do compositor J.S. Bach nos séculos 17 e 18, que mesmo com adversidades do contexto histórico, nos deixou um legado impressionante de concertos, missas, cantatas…” O apego ao pop em relação ao erudito é influência direta da psicodelia mccartneyana na canção do bardo gaúcho.

Tudo Tanto #36: A longa jornada de Otto

Otto

A minha coluna Tudo Tanto da edição de setembro da revista Caros Amigos conta a trajetória de Otto, que fez o ex-percussionista do Mundo Livre S/A se tornar um dos grandes nomes da música brasileira contemporânea.

Um longo caminho
Depois de duas décadas de carreira solo, Otto lança seu melhor disco e está pronto para as massas

Lembro da primeira vez que vi Otto ao vivo, ainda no Mundo Livre S/A. O ano devia ser entre 94 ou 95 e o grupo apresentava-se num lugar chamado A Casa, se não me engano um evento organizado pelo jornalista Alex Antunes. Já tinha ouvido falar que o Mundo Livre ao vivo não funcionava, que seu disco de estreia, Samba Esquema Noise, de 1994, havia ganhado um corpo no estúdio – através das mãos dos produtores Carlos Eduardo Miranda e Charles Gavin – que a banda não tinha no palco. Mas aquilo ali era um pouco demais.

A banda realmente não segurava as pontas ao vivo, com o vocalista Fred Zero Quatro esforçando-se para manter o brio e a cara de cool enquanto a banda atrás dele se engalfinhava para fazer aquelas músicas manterem-se de pé. Mas o percussionista da banda não ajudava nada. Otto, que na época usava uma longa cabeleira loira, e era apenas coadjuvante no grupo, teimava em solar atabaques, pandeiros e tambores à revelia do que estava sendo tocado. Cantarolava atravessando a voz de Fred apenas para tomar fuziladas visuais dos olhos do vocalista. Metade do público estranhava por achar o percussionista sem noção e a outra metade sorria ao achar tudo muito doido.

Não era uma banda desajustada. O que acontecia ali naquele palco – e em tantos outros shows da banda naquele período – era uma disputa velada entre os dois artistas por espaço na banda. Depois de um tempo soube que Otto tinha suas próprias composições, que eram menosprezadas ou ignoradas por Fred Zero Quatro, fundador e dono do Mundo Livre S/A. Otto resolvia aquela briga pulando em frente ao holofote na frente do vocalista ao puxar suas próprias canções – ou rascunhos de canções – no meio das canções de Zero Quatro. O resultado eram shows desastrosos, que aumentava ainda mais a fama que a banda tinha de não funcionar ao vivo.

Isso inevitavelmente seria resolvido com a saída de Otto da banda, depois que gravaram seu segundo disco, o subestimado Guentando a Ôia, de 1996. Sem grupo, ele aos poucos foi se aproximando da música eletrônica e, graças a dicas e conselhos do jornalista Camilo Rocha e do produtor Apollo 9, ele reinventou-se como um artista solo. O mesmo Miranda que lançou o Samba Esquema Noise do Mundo Livre S/A abria espaço para a nova empreitada do músico ao transformá-lo no carro-chefe do selo que inaugurava numa gravadora brasileira novíssima. Samba Pra Burro, o disco de estreia de Otto, foi o disco que inaugurou o selo Matraca em 1998 e um dos primeiros lançamentos de uma gravadora que fez história, a Trama.

Os primeiros shows que Otto fez solo, no entanto, não faziam jus ao ótimo disco de estreia. Tocando percussão acompanhado de um produtor, os shows não tinham força nem presença, por mais carismático que o artista fosse. Isso só foi resolvido quando chamou o tecladista e produtor Daniel Ganjaman, que trabalhava com rap, para montar uma banda. A Jambro Band – nome que vinha de um trocadilho criado por Otto, pelo fato da banda ser uma “jam de broders” – teve diversas formações e aos poucos o pernambucano foi consolidando a reputação ao vivo. Além de Ganjaman, passaram pela Jambro Band nomes como Fernando Catatau e Rian Batista (ambos do grupo Cidadão Instigado), os percussionistas conterrâneos Marcos Axé e André Male, o guitarrista cearense Junior Boca, o baterista paulistano Maurício Takara (irmão de Ganjaman), entre outros. A banda funcionou como aquecimento para parte de uma geração de músicos radicados em São Paulo e ajudou a Ganjaman a idealizar os shows do coletivo Instituto, que criaria ao lado de Rica Amabis e Tejo Damasceno anos depois. Os discos mais emblemáticos deste período são o pesado Condom Black, de 2001, e Sem Gravidade, de 2003. Enquanto cruzava o Brasil com sua banda, ainda teve tempo de lançar uma versão remix para seu primeiro disco chamada de Changez-Tout, lançado no ano 2000. Esta segunda fase foi encerrada com o disco ao vivo MTV Apresenta, lançado em 2005.

A partir daí começa a terceira fase de sua carreira, que parece ter chegado ao ápice com o recém-lançado Ottomatopeia. Em um período de mais de uma década, Otto forjou uma nova personalidade musical, mais romântica, existencialista e popular que a que consolidou sua carreira solo, gravando discos de forte apelo emocional. O trio de discos iniciado com Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (de 2009), continuado com The Moon 1111 (de 2011) e aparentemente concluído com Ottomatopeia (de 2017) consagra sua parceria com o baterista da Nação Zumbi, Pupilo, como produtor de discos cheios de participações especiais e inspirações fortes – o disco de 2009 é batizado a partir da frase que abre o livro A Metamorfose de Franz Kafka, e o de 2011 é diretamente inspirado pelo Dark Side of the Moon de Pink Floyd e pelo cinema francês de François Truffaut. Os discos têm participações de músicos como Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, Fernando Catatau, Dengue, baixista da Nação Zumbi e duetos com cantoras como Céu, Luê, Tainá Muller e Julieta Venegas. São discos que marcam uma fase sóbria e um tanto sombria de suas composições, o primeiro destes influenciado pelo fim do casamento com a atriz Alessandra Negrini e pela morte de sua mãe.

Ottomatopeia, no entanto, abre a janela e deixa a luz entrar neste período noturno. Um disco solar, de forte sotaque tropical e raízes latinas, o disco recém-lançado é o álbum mais forte da carreira de Otto e consagra sua carreira como um dos principais cantores e compositores da música brasileira atual. É seu disco mais fácil e também mais brega (no melhor sentido do termo), com direito à dupla de guitarristas paraenses Felipe e Manoel Cordeiro e dueto com Roberta Miranda na faixa “Meu Dengo”. Uma carreira tortuosa, que conseguiu encontrar a própria voz às duras penas e que agora está pronta para as massas. Ave Otto!

O dia em que David Bowie tocou com o Devo

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Mark Mothersbaugh, líder do Devo, narra histórias de bastidores do primeiro disco de sua banda, que incluem causos com David Bowie, Brian Eno e gente do rock alemão dos anos 70 – falei sobre o relato no meu blog no UOL.

O registro de uma conexão improvável entre dois gigantes da música moderna foi encontrado recentemente por um de seus autores, quando o líder da banda new wave Devo revelou que teria gravações de seu grupo ao lado de ninguém menos que David Bowie. A revelação aconteceu na noite desta segunda-feira, quando, num encontro na loja de discos Sonos, em Nova York. Mark Mothersbaugh, fundador e principal mentor do grupo Devo, era uma das atrações em um painel de discussão sobre a importância de David Bowie, cuja morte completa dois anos no próximo mês, e reuniu nomes como o músico Nikki Sixx do Mötley Crüe, a líder do grupo Perfect Pussy (e ex-VJ da MTV norte-americana) Meredith Graves e o fotógrafo Mick Rock, todos contando histórias do tempo em que conheceram o ícone inglês. O papo teve a mediação feita pelo jornalista Rob Sheffield.

“David Bowie chegou e disse: ‘Quero produzir vocês”‘, lembrou Mothersbaugh quando se referia a um dos primeiros shows de sua banda, no meio de 1977, na casa Max’s Kansas City. “E nós falamos que não tínhamos contrato com gravadoras. E ele disse: ‘Não importa, eu pago”‘. Essa foi apenas uma das histórias contadas pelo líder do Devo, de acordo com o blog Bedford and Bowery.

Mothersbaugh continuou lembrando que Bowie não falou da boca pra fora e que o músico inglês subiu no palco para acompanhar a banda no segundo show que eles fizeram naquele lugar, no mesmo dia. “Ele subiu no palco e disse: ‘Essa é a banda do futuro e eu vou produzi-los este natal em Tóquio!’ E nós todos ficamos: ‘Parece ótimo. Estamos dormindo em uma van em frente ao Bowery essa noite, em cima do nosso equipamento”. Aquela noite terminou com Bowie levando a banda para seu hotel, levando-os para comer sushi, coisa que eles nunca tinham visto na vida.

Meses depois, Brian Eno, que produziria o primeiro disco do Devo (Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!, de 1978) levou a banda para o estúdio Conny Plank, em Colônia, na Alemanha, e no primeiro dia de gravação tocou em uma sessão com o grupo, David Bowie e outros músicos alemães. “O Devo tocou com David Bowie, Brian Eno, Holger Czukay (do grupo alemão Can) e alguns outros músicos eletrônicos alemães que estavam por ali”, revelou Mark, que também contou que acabou de reencontrar a gravação histórica deste dia. “Eu ainda não a escutei, mas acabei de encontrar esta fita”, contou.

Como se não bastasse, ele ainda contou as fitas originais das gravações do primeiro disco, gravadas em 24 canais e cheias de anotações feitas por Eno. “Tem umas faixas com coisas escritas como ‘vocais de David’ e ‘sintetizadores extra de Brian’ e eu de repente eu lembro que tirei essas participações quando estávamos fazendo a mixagem final do disco”, explicou, acrescentando que não usou essas gravações no disco final porque haviam se envolvido com empresários picaretas, levando-o a se tornar “completamente paranoico em relação a pessoas se metendo nas nossas coisas”.

No final, Mothersbaugh deixou a dúvida no ar. “Acho que deveríamos ver o que tem nessas fitas. Estou realmente curioso pra saber o que diabos fizemos.”

Krist Novoselic e David Grohl juntos novamente

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No meio do show que os Foo Fighters fizeram nesta terça-feira na cidade de Eugene, no estado do Oregon, nos EUA, Dave Grohl convidou seu velho veterano de Nirvana, o baixista Krist Novoselic, para puxar juntos uma das primeiras músicas de sua banda, “Big Me”. A reunião ainda contou com a presença do quarto Nirvana Pat Smear, chamado por Kurt Cobain para acompanhá-los em seu último ano e que atualmente está em turnê com os Fufa.

Como foi a sessão de encerramento do Segundamente

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Eis a íntegra do show que encerrou o ano no Centro da Terra, reunindo treze cobras da atual música brasileira: Alessandra Leão, Saulo Duarte, Thiago França, Luísa Maita, Papisa, Negro Leo, Luiza Lian, Tatá Aeroplano, Maurício Takara, Iara Rennó e Tiê, além dos convidados Marcelo Cabral, Rafa Barreto e Charles Tixier.

Que noite!

Spotify Talks na Sim São Paulo

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A última edição do ano do Spotify Talks, ciclo de discussões que concebi ao lado do Spotify, acontece nesta quinta no CCSP, dentro da programação da Sim São Paulo. O tema da edição é Um Gênero Chamado Bahia e joga foco na produção musical atual do estado baiano, com as participações de Baco Exu do Blues, Larissa Luz e Giovani Cidreira e mediação feita pelo jornalista Luciano Matos, idealizador e produtor do programa Radioca e do festival de mesmo nome. O evento acontece no jardim suspenso do CCSP a partir das 13h e é gratuito para o público. A apresentação da discussão é minha. Eis a sinopse da discussão:

A música produzida na Bahia sempre foi fundamental em todos momentos de nossa história. Samba, bossa nova, tropicália, axé e até o rock nacional tiveram dedo de baianos – e muitas vezes as duas mãos. Nos últimos anos, um novo cenário de artistas, produtores e festivais vem ganhando força. Ofuscado por muito tempo pela indústria do axé, finalmente, esse universo fértil e criativo ganha atenção fora do estado. Diversos nomes mostram que novamente a Bahia tem algo novo e forte a dizer. Mais uma vez, a música baiana aparece tendo a diversidade e o diálogo como marcas. pop, samba reggae, mpb, rock, eletrônica, reggae, funk, dub, pagode, afro se frequentando e misturando. A tradição sendo visitada, mas não como algo intocável e imutável, muito menos apenas como uma revisita. Um olhar para o passado, mas apontando para o futuro. Espontaneamente, nos guetos, nas ruas e nos palcos. Os ritmos afros assumidos sem pudor, jazz com toques afros, rap com candomblé, rock com atabaques, eletrônica com samba reggae, orquestra com quebradeira, tudo junto de forma natural e autêntica. Samba de roda virando pagode e avançando ainda mais com trap, beats e sintetizadores. Uma Bahia meio misteriosa, meio sedutora, sempre cantada, mas pouco compreendida, que andava carregada de estereótipos e se mostra novamente viva, criativa e ativa. Um estado ainda muito pobre e muito desigual. Negro por essência, mas totalmente aberto e receptivo. Marcado por festas populares, pelo sincretismo, mas historicamente vanguardista. É um pouco dessa Bahia que artistas como BaianaSystem, Orquestra Rumpilezz, OQuadro, ÀttooxxÁ, Luedji Luna, Lívia Nery, IFÁ, Africania, Josyara, Opanijé, Maglore, Vivendo do Ócio e também Baco Exu do Blues, Larissa Luz e Giovani Cidreira, que participam deste último Spotify Talks do ano, que terá a mediação feita por Luciano Matos, do festival baiano Radioca.

Como sempre, apresento o painel, que faz parte da série de debates que concebi junto ao Spotify desde o ano passado.

Pela quinta vez na Sim São Paulo

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A quinta edição da principal convenção de música de São Paulo começou nessa quarta-feira, com show de Ava Rocha e Jards Macalé, e começa suas discussões a partir desta quinta, no Centro Cultural São Paulo. Mais uma vez participo do evento, desta vez fazendo a mediação de duas mesas: Música ilimitada: artistas empreendedores a frente de novos negócios (que terá as participações de Tiê – da Rosa Flamingo -, Heloisa Aidar, Mariana Aydar e Marcio Arantes – da Brisa – e Tomás Bertoni e Diego Marx – da Rockin’ Hood), que acontece nessa quinta, às 15h, e Música e Games: Um encontro de dois gigantes das indústrias criativas (que terá as participações de Bruno Capelas, do Estadão, e Pablo Miyazawa, da IGN Brasil), que acontece também às 15h, mas no sábado – as duas ocorrem na Sala Lima Barreto. Também participo do Meet Up Encontre os programadores de espaços e eventos públicos de São Paulo, que terá, além da minha presença respondendo pelo Centro Cultural São Paulo (onde sou curador de música), a participação de Gabrielle Araujo, Vander Lins e Danilo Cabral (da Secretaria Municipal de Cultura), Renata Letícia (do Museu da Imagem e do Som) e Marco Prado (da Secretaria de Cultura do Estado), que ocorre sexta-feira, às 14h, na Sala de Ensaio I. E entrego um dos troféus da primeira edição do Prêmio Sim São Paulo, que será apresentado no sábado, às 19h. Todas as atividades da Sim São Paulo são abertas ao público que comprou o passaporte do evento (além dos showcases diurnos, gratuitos, que acontece todas as tardes na Sala Adoniran Barbosa) e a íntegra da programação pode ser vista no site da Sim.

O sentido de Twin Peaks 2017

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Mike e Tim do podcast de cinema Now It’s Dark comentam sobre a terceira temporada de Twin Peaks como uma crítica à decadência cultural norte-americana.