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Música de Selvagem no CCSP

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O grupo instrumental finalmente junta os quatro vocalistas com quem gravou o disco Volume Único – Luiza Lian, Pedro Pastoriz, Tim Bernardes e Sessa – numa apresentação inédita nesta quinta-feira, no Centro Cultural São Paulo, a partir das 21h (mais informações aqui).

Vida Fodona #573: Não falho no meio da semana

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Sem muita conversa.

Giancarlo Rufatto – “Um homem médio, um homem em busca de um conflito”
Boogarins – “Lá Vem a Morte, Pt. 1”
Siba – “Marcha Macia”
Luscious Jackson – “Naked Eye”
Warpaint – “Heads Up”
Red Hot Chili Peppers – “Bloodsugarsexmagik”
Sade – “Paradise”
Massive Attack – “Safe From Harm”
Letrux – “Vai Render”
Ava Rocha – “Periférica”
Luiza Lian – “Iarinhas”
Glue Trip – “Time Lapses”
Nina Becker – “Voo Rasante”
Lion Rock – “Rude Boy Rock”

Geoff Emerick (1945-2018)

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Morre Geoff Emerick, o engenheiro de som que ajudou os Beatles a moldar sua sonoridade e a se aventurar no estúdio de gravação. Estive com ele no fim do semestre passado, em Porto Alegre, quando ele me contou sobre algumas das inovações que fez ao lado do grupo – e contei lá no Reverb.

Tika e Kika: Colar

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Tika e Kika já tinham carreiras estabelecidas quando começaram a conversar sobre a possibilidade de se transformarem numa dupla – e as duas conversaram comigo sobre isso no mesmo dia sem avisar uma pra outra que fariam isso. Incentivei o gesto na hora, principalmente conhecendo o alcance vocal e as personalidades complementares das duas, e a partir disso elas criaram a temporada Colar, que apresentam nas próximas terças-feiras de outubro no Centro da Terra. As duas são acompanhadas por Igor Caracas e recebem amigos durante toda a temporada (mais informações aqui). Conversei com as duas sobre esta nova fase de suas carreiras e como irão fundir duas carreiras em uma só.

Como vocês duas se conheceram?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tika-e-kika-como-voces-duas-se-conheceram

O que já fizeram juntas?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tika-e-kika-o-que-ja-fizeram-juntas

Como surgiu a ideia de se transformar em uma dupla?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tika-e-kika-como-surgiu-a-ideia-de-se-transformar-em-uma-dupla

Por que a temporada chama-se Colar?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tika-e-kika-por-que-a-temporada-chama-se-colar

Como vão funcionar os shows?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tika-e-kika-como-vao-funcionar-os-shows

Passada a temporada, vocês vão lançar algo em dupla?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tika-e-kika-passada-a-temporada-voces-vao-lancar-algo-em-dupla

Criolo 2018: “No Brasil, quem tem opinião, morre”

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Criolo lança “Boca de Lobo”, em que põe o dedo em várias feridas destes dias apocalípticos que vivemos no país num clipe que vê os bichos escrotos da política destruírem paisagens conhecidas de São Paulo.

A faixa abre com uma citação de Waly Salomão, cada verso da música é uma pedrada, até o refrão que desmonta “1 Por Amor, 2 Por Dinheiro” dos Racionais:

“Agora, entre meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu”

Aonde a pele preta possa incomodar
Um litro de Pinho Sol pra um preto rodar
Pegar tuberculose na cadeia faz chorar
Aqui a lei dá exemplo: mais um preto pra matar
Colei num mercadinho dum bairro que se diz “pá”
Só foi meu pai encostar pros radin’, tudin’ inflamar
Meu coroa é folgado das Barra do Ceará
Tem um lirismo bom lá, louco pra trabalhar
Num toque de tela, um mundo à sua mão
E no porão da alma, uma escada pra solidão
Via satélite, via satélite
15% é Google, o resto é Deep Web
A guerra do tráfico, perdendo vários ente
Plano de saúde de pobre, fi, é não ficar doente
Está por vir, um louco está por vir
Shinigami, deus da morte, um louco está por vir
Véio, preto, cabelo crespo
Made in Favela é aforismo pra respeito
Mondubim, Messejana, Grajaú, aqui é sem fama
Nos ensinamentos de Oxalá, isso é bacana
Na porta do cursinho, sim, docim de campana
LSD, me envolver, tem a manha
Diz que é contra o tráfico e adora todas as crianças
Só te vejo na biqueira, o ativista da semana

La La Land é o caralho
SP é Glorialândia
Novo herói da Disney
Craquinho, da Cracolândia
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana
Um por rancor, dois por dinheiro, três por dinheiro, quatro por dinheiro
Cinco por ódio, seis por desespero, sete pra quebrar a tua cabeça num bueiro
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys

Nem Pablo Escobar, nem Pablo Neruda
Já faz tempo que São Paulo borda a morte na minha nuca
A pauta dessa mesa “coroné” manda anotar
Esse ano tem massacre pior que de Carajá
Ponto 40 rasga aço de arrombar
Só não mata mais que a frieza do teu olhar
Feito rosa de sal topázio
És minha flecha de cravo
Um coração que cai rasgado nas duna do Ceará
Albert Camus, Dalai Lama
A nós ração humana, Spock, pinça vulcana
Clarice já disse, o verbo é falha e a discrepância
É que o diamante de Miami vem com sangue de Ruanda
Poder economicon, cocaine no helicopteron
Salário de um professor: microscópico
Feito papito de papel próprio
Letra com sangue do olho de Hórus
É que a industria da desgraça pro governo é um bom negócio
Vende mais remédio, vende mais consórcio
Vende até a mãe, dependendo do negócio
Montesquieu padece, lotearam a sua fé
Rap não é um prato aonde cê estica que cê qué
É a caspa do capeta, é o medo que alimenta a besta
Se três poder vira balcão, governo vira biqueira
Olhe, essa é a máquina de matar pobre!
No Brasil, quem tem opinião, morre!

La La Land é o caralho
SP é Glorialândia
Novo herói da Disney
Craquinho, da Cracolândia
Máfia é máfia e o argumento é mandar grana
Em pleno carnaval, fazer nevar em Copacabana
Um por rancor, dois por dinheiro, três por dinheiro, quatro por dinheiro, cinco por ódio, seis por desespero, sete pra quebrar a tua cabeça num bueiro
Enquanto isso a elite aplaude seus heróis
Pacote de Seven Boys

Essa semana promete…

A hora e a vez de Paula Santisteban

paulasantisteban

Paula Santisteban foi um presente que meu irmão Carlos Eduardo Miranda deixou para todos nós – o último disco com a produção do velhinho encerra seu legado musical com sutileza e candura, concentrando toda a beleza e a simplicidade da música em uma cantora única, que canta o antídoto musical perfeito para os dias tensos e fúteis que atravessamos. E, pessoalmente, é um presente que Miranda me deixou – cuido da direção artística deste lançamento a convite da própria Paula desde o meio do semestre passado por sugestão deste meu amigo, que tanto me falava deste trabalho e tanto apostava neste disco. O presente não foi a própria Paula nem o convívio com seu círculo social e sua arte, mas a própria ideia de acompanhar o lançamento de um disco e pensar em estratégias comerciais (quem faz a foto da capa? Quem lança o disco? Onde será o show? Qual será o repertório? Quem acompanhará o lançamento?) que partissem de questionamentos mais estéticos e reforçassem a delicadeza e precisão do disco. Cada novo contato é uma pequena aula sobre como encarar a música e a arte a partir de sua beleza. O disco, que já está nas plataformas digitais pela Warner Music, com capa feita por Bob Wolfenson, chega ao palco pela primeira vez neste domingo, no Auditório Ibirapuera, a partir das 19h, com uma miniorquestra de nove músicos e um repertório que inclui clássicos da música brasileira e uma versão para uma música de Elliott Smith (mais informações aqui). Estarei lá para acompanhar mais este passo de uma promissora escalada.

#NósSim

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Que movimento maravilhoso. Que data linda. Que exemplo histórico. Quanta organização. O ato puxado pelas mulheres neste sábado dia 29 de setembro de 2018 em dezenas de cidades pelo Brasil reuniu centenas de milhares de brasileiros de todas as cores, tamanhos, gêneros e ideologias num mesmo coro contra a intolerância, a truculência, a agressividade e a tensão que dominam nossos dias desde o início desta década – e pode ter começado a encerrar esta fase deprimente que o país vive desde aqueles nada saudosos dias descontrolados de junho de 2013.

O candidato líder das pesquisas, o inominado Ele a quem o Não se dirigia, conseguiu seu primeiro feito histórico que não é digno de vergonha ou constrangimento: uniu as forças progressistas brasileiras em um mesmo cenário e num mesmo coro, dando voz a sentimentos que não tinham eco nesta época de bolhas digitais em que todos querem gritar mais alto. E apesar da firmeza na insistência do “não”, do pulso firme em não arredar pé e da sempre escandalosa gritaria da torcida do outro time, não se viu nenhum gesto violento, nenhuma truculência, nenhuma agressão.

E isso é mérito feminino. O fato deste grande ato ter vindo das mulheres mudou completamente a cara da discussão e nossos cenhos, sempre fechados a cada novo e surreal acontecimento político em 2018, puderam relaxar. No lugar das expressões tensas e da fisionomia preocupada surgia um sorriso, um brilho no olhar, um suspiro aliviado. No início temia-se que trogloditas da ultradireita pudessem aproveitar da gigantesca reunião para disseminar o medo e o terror. Mas todos estavam a postos caso eles aparecessem – e seriam claramente expostos como os brucutus que provocam este cenário turbulento.

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A primeira coisa que todos percebiam logo ao chegar no Largo da Batata, em São Paulo, ou em qualquer outro ponto de partida do ato em várias cidades do país, era a extrema diversidade de público. Estavam lá gente de todos os credos, cores, preferências, ideologias, idades e classes sociais. Famílias, casais, mulheres grávidas, crianças, idosos, grupos de amigos e conhecidos – todos levantando a bandeira da esperança, da tolerância, da paz e do amor. E, principalmente, vários partidos: bandeiras de quase todos os candidatos à presidência (além de nomes que pleiteiam cargos estaduais) foram erguidas ao lado umas das outras sem nenhum embate, nenhuma discussão – nem sequer um muxoxo ou esgar. Em pouco tempo, todos estavam à vontade, cantarolando e batucando juntos, mas sem perder o foco e a seriedade do momento político.

E quando aquele mar de gente gritava “ele não”, o principal timbre era feminino. Afinal, esta vitória não é apenas feminista – mas feminina. Não temos medida exata de como a força das mulheres está revertendo esta onda reacionária que assola o planeta – mas é inegável seu protagonismo. O futuro deve agradecer a todas as minas e manas que decididas, marcharam contra a perturbação masculina que quer que o mundo volte para o século passado, atropelando conquistas e valores humanistas apenas no grito e no soco. Esta atitude dantesca é uma clara reação aos progressos sociais conquistados nas últimas décadas, não apenas no Brasil.

E não apenas femininos. As vozes das mulheres ecoavam sentimentos presos nas gargantas de negros, gays, pobres, pessoas com necessidades especiais, imigrantes, miseráveis, famintos e tantos outros que compõem a imensa maioria da população do planeta e são chamados de forma quase jocosa pelo establishment branco, rico, hetero e sexagenário de “minorias”.

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Acompanhei a concentração do #EleNão no Largo da Batata e sua dispersão depois na Paulista – não pude seguir a emocionante subida da Avenida Rebouças para assistir à Ana Frango Elétrico no Centro Cultural São Paulo (e digo que valeu a pena, mas perdi o show do Marcelo Callado) – e nos dois momentos me veio um sentimento oposto ao de exclusão e divisão que nos faz parar de falar com amigos, desamigar conhecidos do Facebook ou desistir de dialogar com pessoas que antes pareciam razoáveis. Em vez de nos sentir isolados e acuados, nos sentimos parte de uma coisa só, uma senhora festa, um enorme carnaval – sem brigas, sem álcool, sem nada forçado. Cada um que estava ali pode voltar a se sentir parte deste enorme coletivo que chamamos de país – e ver que a dita cisão que separa o Brasil em dois grupos, a tão propalada polarização pregada pela Globo e pelo Facebook, é artificial e serve interesses específicos. Sabemos gostar uns dos outros e podemos conviver numa boa desde que haja tolerância e respeito. Se isso não acontecer, já sabemos dizer não.

E lá pelo meio do ato esquecíamos da vil figura que nos motivou a nos reunir neste sábado histórico. Tanto o “ele” quanto o “não” se dissolveram na coletividade positiva do #NósSim. Vamos lá.