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Máquina do Tempo: 26 de outubro

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Na Máquina do Tempo do site Reverb visitamos outros 26 de outubro para ver os nascimentos de Milton Nascimento e Belchior, os Beatles fumando um no Palácio de Buckingham e a morte de Rogério Duprat – chega mais.

Laura Jane Grace and the Devouring Mothers no CCSP

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A vocalista trans Laura Jane Grace, líder do grupo norte-americano Against Me, lança sua autobiografia Tranny – lançada no Brasil pela editora Powerline – e conversa com os fãs a partir das 18h na Praça das Bibliotecas do Centro Cultural São Paulo em evento gratuito (mais informações aqui) para depois fazer o show com sua banda The Devouring Mothers e faz show às 21h no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).

Máquina do Tempo: 24 de outubro

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Entrando na Máquina do Tempo, visitamos outros 24 de outubro em anos passados e assistimos a James Brown gravar seu clássico disco ao vivo, “Bad” do Michael Jackson chegando ao topo das paradas e o Irã aprovando o Queen – leia mais lá no Reverb.

Paula Santisteban no Rio e em São Paulo

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Autora do último disco produzido pelo meu irmão Miranda, Paula Santisteban se apresenta nesta quarta na Unibes Cultural em Sâo Paulo, com a participação da Tiê (mais informações aqui) e na quinta no Blue Note Rio, com a participação da Nina Becker e do mestre Kassin (mais informações aqui). Os dois shows seguem o calendário de lançamento de seu primeiro álbum, desta vez no formato que Paula compôs o disco, com guitarra (Eduardo Bologna), teclados (Marcos Romera), baixo (Eric Budney) e bateria (Daniel de Paula). Estou tendo o prazer de trabalhar na direção deste lançamento e fui a ponte entre Paula e estas duas grandes cantoras brasileiras deste século. Antes do show de São Paulo, às 19h, eu bato um papo com ela sobre o processo de criação desta bela e delicada coleção de baladas que é seu disco de estreia, no lounge da Unibes Cultural (do lado do Metrô Sumaré), de graça. É só chegar. A Débora da Unibes conversou com Paula numa entrevista que está no site do espaço e abaixo segue o release que escrevi sobre o disco que leva seu nome.

Onde tudo se perdeu? Quando o encanto se quebrou? O que aconteceu com a magia da vida, antes tão presente e tão sentida, hoje soterrada pela banalidade dos números, das medidas, dos fatos, do mal. O pequeno tornou-se insignificante, o diferente, desprezível, o simples, ruim.

A longa e intensa jornada deste início de século parece pegar a todos pelo pescoço para que se perceba a necessidade da valorização do que é corriqueiro, rotineiro, comum. Há um ambiente tóxico criado pelo excesso de adjetivos deste novo agora que exige que tudo se destaque de forma desproporcional. Não sabemos mais o que é genial, o que é incrível, o que é único de fato – tudo é vendido desta forma ao cubo, aumentando nossos anseios e expectativas para um futuro que inevitavelmente nos causará frustrações.

Mas, como já cantava um saudoso bardo do século passado, há uma brecha em tudo e é por ela em que entra a luz. Por mais intensos e sufocantes tenham sido os últimos anos, esta sensação aos poucos cria antídotos naturais em diferentes esferas, produzindo alentos espirituais que podem vir de muitas formas – e a música é uma delas.

Paula Santisteban sabe disso. Dona de uma personalidade musical única no atual cenário musical brasileiro, ela condensa em seu primeiro disco um conjunto de sentimentos e impressões que vai de encontro à massa cultural produzida atualmente. Usando sua voz como estandarte deste manifesto, ela nos conduz à entrada de um lugar quase secreto e dado como perdido: a consciência da beleza do simples.

No conjunto de dez faixas reunidas sob seu nome, ela acalenta o ouvinte com sua voz sabendo exatamente onde o levar. São dez baladas apaixonantes e refinadas, tocadas por uma banda de músicos de primeira, gravadas como há muito não se gravava, com arranjos deslumbrantes tocados por cordas, madeiras e metais. Tudo construindo um pedestal para uma voz que prefere descer deste posto e juntar-se aos músicos como mais um instrumento – mas sem nunca perder sua centralidade.

Como queria o amigo Carlos Eduardo Miranda, um dos principais nomes da indústria fonográfica brasileira dos últimos vinte anos, responsável pela produção do disco – foi o último registro a levar sua assinatura, antes de sua morte prematura aos 56 anos, no início deste ano. Responsável por revelar nomes tão diferentes quanto Raimundos e Otto, Miranda foi crucial para o estabelecimento das carreiras como Skank, O Rappa, Chico Science e Nação Zumbi, além de personalidade-chave para o desenvolvimento de cenas independentes em Porto Alegre (sua cidade-natal), Recife, São Paulo, Brasília e Belém. Redesenhou o mapa do pop brasileiro das últimas décadas e era conhecido pela personalidade carismática, pelo enorme coração, pelo amor pela cultura pop, pelo apreço à esquisitice e pelas histórias deliciosas, sempre contadas às gargalhadas e lágrimas.

Mas Miranda tinha um lado pouco conhecido do grande público. Suas camisas floridas, seus comentários no programa de calouros Ídolos e o fato de ter lançado artistas tão jovens e jocosos como Cansei de Ser Sexy e Virgulóides escondia uma paixão pela refinação, uma verdadeira devoção pelo esmero, pelo capricho, pelo delicado e pela sofisticação. Fã incondicional da sonoridade analógica dos anos 70, ele já havia demonstrado sua excelência neste tipo de produção ao assinar os trabalhos de artistas como Nina Becker, Estela Cassilatti e da banda mineira Transmissor. E sabia que o trabalho com Paula Santisteban seria o ápice desta sua faceta como produtor. Só não sabia que iria ser seu último – e também um legado formidável para encerrar sua discografia e para lançar a carreira desta nova artista.

“O Miranda falava que esse disco seria um disco pra quem gosta de som”, me explica Paula, ao contar todo o processo que culminou com seu primeiro disco, que tomou dois anos de ensaios com sua banda – formada pelo guitarrista Eduardo Bologna, que também é o diretor musical do álbum, pelo tecladista Roberto Pollo, pelo baixista Eric Budney e pelo baterista Daniel de Paula – para escolher repertório e construir um álbum que Miranda queria que tivesse cara de LP, com quarenta e cinco minutos de duração e com uma separação entre o que era lado A e lado B.

Tinham vinte canções e destas escolheram dez. Miranda comentou as letras, ajudou a escolher os músicos e os instrumentos, além do arranjador para este trabalho, o músico Ed Côrtes. “O Miranda dizia que foi muito acertado trazer o Ed, pois ele trouxe uma atmosfera cinematográfica, visual, e até algo das orquestras do pai dele, Edmundo Villani Côrtes, um dos maiores compositores eruditos brasileiros, vivo, que também fazia arranjos para grandes orquestras de televisão e bailes”, continua Paula.

O processo de gravação ecoa a era analógica e quase tudo foi gravado em takes inteiros, sem edição, sem overdubs, sem efeitos ou nada que transformasse o som dos instrumentos originais – nem mesmo o próprio instrumento dobrado. Quase nenhuma compressão, nada que ressaltasse um instrumento em relação ao outro, como se o ouvinte pudesse estar no mesmo ambiente que os músicos. Primeiro gravaram baixo, guitarra e bateria, depois teclados, depois a orquestra e finalmente a voz.

“A maior participação do Miranda foi na construção da voz”, segue explicando Paula. “Ele simplesmente me fez olhar para minha voz verdadeira, sem truques, sem maquiagem. Foi reduzindo tudo o que não fosse a minha voz de verdade. Isso fez com que ela ficasse muito contida: era o que eu não cantava, e não o que eu cantava, que trazia a emoção nas canções. A entrega das palavras e a expressão e não a interpretação. Fui zero intérprete, fui eu!” A excelência chegou à precisão do microfone específico para aquele registro, um Neumann valvulado de 1952.

A mixagem de Maurício Cersosimo ressaltou este aspecto intimista, próprio das canções de Paula, sem perder um aspecto épico e espaçoso, devido aos respiros entre instrumentos feitos nesta fase da gravação. Greg Calbi, dos EUA, masterizou o disco respeitando estas qualidades, colocando a cantora no meio da banda como se fosse ela mesma uma instrumentista.

“Venho de uma família de artistas, não só de instrumentistas, o que me fez trazer para o meu trabalho, algo visual, tátil, além da partitura”, Paula reforça. “Os andamentos são muito lentos, pois essa ideia de desacelerar está no disco. É um disco de baladas que falam da vida, de separações, de momentos de tristeza, de constatações, de calma, de amor calmo, profundo, de maternidade, de vida e morte, de amor de casal. É um disco maduro, adulto, de uma mulher mãe, de uma cantora e compositora que vive a música na sua essência. Um disco muito humano, na essência da palavra, pois usamos muito pouco de tecnologia, somente usamos como suporte para nossas ideias. E também humano, por conta da coletividade e do amor e amizade que trouxemos através dos encontros que o disco proporcionou.”

Neste sentido, o papel de Miranda foi muito além do que se espera de um mero produtor fonográfico. “Ele foi como um guru, um guia de amor o tempo todo, trazendo o caminho certo de tudo”. Inclusive na minha participação no disco. Velho amigo, Miranda me falava o tempo todo sobre o processo do disco de Paula, ressaltando que eu só iria ouvi-lo quando estivesse pronto. No dia em que morreu, conversamos pela parte da manhã e ele reforçou que queria que eu participasse deste processo – e estava conversando com Paula também sobre isso. Após sua morte, nos encontramos e ela pode me mostrar o disco, que havia acabado de ser gravado e começava a ser mixado – a começar pela tocante “As Janelas da Cidade”, o primeiro single do disco. Juntos, começamos a desenhar o lançamento deste último gesto artístico de nosso querido compadre. E a partir daí vieram as fotos de Bob Wolfenson para a capa do álbum, a assinatura com a gravadora Warner, o lançamento do álbum no Auditório Ibirapuera – e assim Paula Santisteban vai deixando sua marca, que também é a marca antevista por seu produtor.

“Acredito que o disco, em sua essência, traz essa cor laranja, azulada de um fim de tarde”, ela conclui. “Essa vontade de caminhar, de olhar paisagens, de desacelerar, de entrar em um lugar dentro, em águas profundas. Música, tocada, cantada, sem glamour. É um disco que abraça e não que afasta.”

Rap brasileiro contra o ódio e pela democracia

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D2, Criolo, Rappin Hood, Don L, BNegão, Brown, Emicida e outros se posicionam contra o fascismo nas eleições brasileiras ao ler o manifesto Rap pela Democracia em uma só voz.

Eles criaram um site para explicar melhor o que está em risco – confere lá.

Dissecando o Álbum Branco

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O cinquentenário do disco mais conturbado dos Beatles vai ser comemorado com o lançamento de uma edição deluxe de um dos discos duplos mais clássicos da história. Lançado em novembro de 1968, o disco flagra a fragmentação da maior banda de todos os tempos em registros secos e diretos, sem as firulas e detalhes dos dois álbuns anteriores. A capa espartana e o título direto – The Beatles, álbum branco é um apelido – são algumas pistas de que as coisas não andavam bem dentro do núcleo-duro da banda. Também pudera: sofreram o primeiro fracasso (com o filme Magical Mystery Tour), perderam o empresário Brian Epstein de forma violenta, criaram uma gravadora que não dava dinheiro – e marcava os dez anos em que os três fundadores da banda (John, Paul e George) conviviam continuamente. O peso bateu em Ringo, o primeiro beatle a sair dos Beatles, que ficou fora do grupo por uma semana durante as gravações do álbum.

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O novo Álbum Branco vem em vários formatos: disco duplo em vinil, disco triplo em CD e uma caixa com seis CDs e um blu-ray – e um livro com fotos da época da gravação e textos sobre o período. Mas entre as pérolas que a nova edição traz, temos a íntegra das fitas que o grupo gravou na casa de George Harrison em Esher, talvez a última vez que os Beatles se sentiram como um grupo. Lá, gravaram uma série de demos de músicas que se tornariam o Álbum Branco ou que iriam usar em suas futuras carreira solo. Estas faixas estão reunidas em um único disco, chamado de Esher Demos, seguindo a ordem do disco. Além destas gravações, também há dois discos com versões alternativas para todas as faixas do álbum, reunindo 50 canções. Como, por exemplo, esta versão acústica para uma das melhores músicas de George, “While My Guitar Gently Weeps”.

Eis a relação das faixas dos seis CDs – mais informações na própria página dos Beatles.

CD 1
“Back In The U.S.S.R.”
“Dear Prudence”
“Glass Onion”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”
“Wild Honey Pie”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill”
“While My Guitar Gently Weeps”
“Happiness Is A Warm Gun”
“Martha My Dear”
“I’m So Tired”
“Blackbird”
“Piggies”
“Rocky Racoon”
“Don’t Pass Me By”
“Why Don’t We Do It In The Road?”
“I Will”
“Julia”

CD 2
“Birthday”
“Yer Blues”
“Mother Nature’s Son”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey”
“Sexy Sadie”
“Helter Skelter”
“Long, Long, Long”
“Revolution 1”
“Honey Pie”
“Savoy Truffle”
“Cry Baby Cry”
“Revolution 9”
“Good Night”

CD 3
“Back In The U.S.S.R. (Esher Demo)”
“Dear Prudence (Esher Demo)”
“Glass Onion”
“Ob-La-Di Ob-La-Da (Esher Demo)”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill (Esher Demo)”
“While My Guitar Gently Weeps (Esher Demo)”
“Happiness Is A Warm Gun (Esher Demo)”
“I’m So Tired (Esher Demo)”
“Blackbird (Esher Demo)”
“Piggies (Esher Demo)”
“Rocky Raccoon (Esher Demo)”
“Julia (Esher Demo)”
“Yer Blues (Esher Demo)”
“Mother Nature’s Son (Esher Demo)”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Esher Demo)”
“Sexy Sadie (Esher Demo)”
“Revolution (Esher Demo)”
“Honey Pie (Esher Demo)”
“Cry Baby Cry (Esher Demo)”
“Sour Milk Sea (Esher Demo)”
“Junk (Esher Demo)”
“Child Of Nature (Esher Demo)”
“Circles (Esher Demo)”
“Mean Mr Mustard (Esher Demo)”
“Polythene Pam (Esher Demo)”
“Not Guilty (Esher Demo)”
“What’s The New Mary Jane (Esher Demo)”

CD 4
“Revolution 1 (Take 18)”
“A Beginning (Take 4)/Don’t Pass Me By (Take 7)”
“Blackbird (Take 28)”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Unnumbered Rehearsal)”
“Good Night (Unnumbered Rehearsal)”
“Good Night (Take 10 With A Guitar Part From Take 7)”
“Good Night (Take 22)”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”
“Revolution (Unnumbered Rehearsal)”
“Revolution (Take 14 Instrumental Backing Track)”
“Cry Baby Cry (Unnumbered Rehearsal)”
“Helter Skelter (First Version Take 2)”

CD 5
“Sexy Sadie (Take 3)”
“While My Guitar Gently Weeps (Acoustic Version Take 2)”
“Hey Jude (Take 1)”
“St Louis Blues (Studio Jam)”
“Not Guilty (Take 102)”
“Mother Nature’s Son (Take 15)”
“Yer Blues (Take 5 With Guide Vocal)”
“What’s The New Mary Jane (Take 1)”
“Rocky Raccoon (Take 8)”
“Back In The U.S.S.R. (Take 5 Instrumental Backing Track)”
“Dear Prudence (Vocal, Guitar & Drums)”
“Let It Be (Unnumbered Rehearsal)”
“While My Guitar Gently Weeps (Third Version Take 27)”
“You’re So Square) Baby I Don’t Care (Studio Jam)”
“Helter Skelter (Second Version Take 17)”
“Glass Onion (Take 10)”

CD 6
“I Will (Take 13)”
“Blue Moon (Studio Jam)”
“I Will (Take 29)”
“Step Inside Love (Studio Jam)”
“Los Paranoias (Studio Jam)”
“Can You Take Me Back (Take 1)”
“Birthday (Take 2 Instrumental Backing Track)”
“Piggies (Take 12 Instrumental Backing Track)”
“Happiness Is A Warm Gun (Take 19)”
“Honey Pie (Instrumental Backing Track)”
“Savoy Truffle (Instrumental Backing Track)”
“Martha My Dear (Without Brass And Strings)”
“Long Long Long (Take 44)”
“I’m So Tired (Take 7)”
“I’m So Tired (Take 14)”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill (Take 2)”
“Why Don’t We Do It In The Road? (Take 5)”
“Julia (Two Rehearsals)”
“The Inner Light (Take 6 Instrumental Backing Track)”
“Lady Madonna (Take 2 Piano & Drums)”
“Lady Madonna (Backing Vocals Take 3)”
“Across The Universe (Take 6)”

Máquina do Tempo: 21 de outubro

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Na Máquina do Tempo do site Reverb, o dia 21 de outubro lembra o último show de Keith Moon com o Who, as mortes de Shannon Hoon e Elliott Smith e o primeiro vinil com dois lados – por aqui.