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Bonifrate 2018: “Já não tem mais”

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O supercorda Pedro Bonifrate manda notícias ao anunciar um single inesperado no fim de ano: “Alfa Crucis” é o início de uma nova fase de composições e gravações que ele começou a desenvolver no meio do ano, depois do que ele chama de “inferno astral elétrico”. “Apliquei um método mega lo-fi nisso, parece mais primitivo que as últimas coisas”, ele me explica sobre a nova música, que define como um “single de consolação, pra ajudar a renovar as energias de forma sonhadora”. Ele aproveita para estrear o clipe em primeira mão no Trabalho Sujo – e explica o novo single logo abaixo:

“Em julho de 2018 aconteceram coisas que eu defini em parte como um inferno astral elétrico: minhas caixas queimaram, minha guitarra caiu e quebrou o nut, a captação do meu violão queimou, um amplificador também, e finalmente meu computador pifou. Eu faria um show solo na Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, aqui em Paraty durante a Flip, e felizmente consegui dar um jeito no violão, porque descobri um muito improvável vizinho que trabalhou anos com luthieria e eletrônica. Então eu consegui ensaiar pro show, com o mínimo que eu tinha funcionando, e nesse esquema de trabalhar com loops que ando fazendo ao vivo.”

“Brincando com o velho tecladinho Casio e um delay analógico eu criei esse loop básico de ‘Alfa Crucis’, e a canção foi feita em poucos dias a partir daí, até cheguei a incluí-la nessas últimas apresentações que fiz aqui. Como eu tenho um gravador Fostex de 4 pistas em cassete e ele pareceu imune ao caos eletrônico, eu resolvi gravar tudo nele. Depois, com um computador novo, exportei os canais, fiz umas poucas edições e mixei digitalmente, mas sem interferir muito no som de fita original, então ficou muito low-fi, como há tempos eu não soava.”

“A vontade de lançar logo essa canção, como um single isolado, veio do fato de ela estar pronta e de eu acreditar que ela pode consolar e energizar alguns corações apreensivos e partidos pela nossa conjuntura política. É uma canção que procura contemplar um futuro em que possamos todos observar as estrelas do nosso céu do sul, apesar de toda a loucura das nossas vidas materiais, e nos entregar ao mistério que é estarmos vivos. Há uma relação temática com um álbum que estou começando a gravar, e provavelmente uma nova versão dela estará nessa coleção, mas não há previsão de que fique pronto tão cedo.”

alfacrucis

Já não tem mais quem possa encontrar a medida das coisas
Só os lábios fônicos e vibrações das baleias dentadas

Já não tem mais quem vá suspeitar da folia
Só você e eu a lamentar a ausência de um disco hipotético

Preguiçosos vimos Alfa Cruz brilhar sobre a casa, nossa casa
Você regalou e pegou no sono a declamar asterismos

Polaris
Urodelos
Eridamus
Afa Al Farkadain
Monoceros
Almagesto

Já não tem mais quem possa encontrar a medida do planeta
Já não tem mais
Já não tem mais
Já não tem mais

23 anos de Trabalho Sujo

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E lá se vão 23 anos em que vi a primeira vez um projeto inteiramente meu se materializando. No dia 20 de novembro de 1995, uma segunda-feira, tive o prazer de ver que uma página que havia idealizado mentalmente e diagramado (mal e porcamente) no PageMaker no computador 486 que tinha no pequeno apartamento em que habitava no cruzamento da Coronel Quirino com a Moraes Salles, em Campinas, havia sido publicada por um jornal local. Essa foi uma entre várias outras epifanias daquele período. Tinha me mudado para a cidade do interior paulista para fazer Ciências Sociais e nem imaginava que fosse parar no jornalismo, bicho que me mordeu sem perceber para mostrar que eu já o conhecia desde sempre.

Nestes 23 anos, o Trabalho Sujo já foi impresso, digital, entrevista, presencial, em áudio, vídeo, playlist, sessão de cinema, podcast, curso, festa. Minhas redes sociais acabam se integrando a este enorme processo individual que nos últimos anos puxou para a música independente brasileira para escolher um foco para uma nova fase que começou em 2014 e que tem movido meus trabalhos como curador e diretor artístico. Já contei essa história várias vezes, além de explicar as motivações deste trabalho (bem como produzindo os frutos deste processo) e tudo indica que estes processos vão se intensificar em breve, à medida em que o próprio site cada vez traz mais referências ao que faço fora dele. A produção dos próximos anos, como nos mais recentes, deverá ser mais presencial que digital – uma boa direção para retomarmos discussões que possam ser mais produzidas e menos vazias que estas publicadas nesse tamagochi gigante que se transformou a internet.

O Trabalho Sujo é jornalismo, é pessoal e é individualista, mas também é um processo coletivo que conta com a presença de pelo menos uma outra pessoa: o leitor. Por isso aproveito para agradecer todos que me ajudaram nesta construção pessoal. Não vou citar nomes porque senão passaria dias listando e inevitavelmente esqueceria de alguéns. Mas todo mundo que colaborou de alguma forma com este site, seja produzindo textos (eventualmente publico texto dos outros), ilustrações ou dado entrevistas, quem discotecou comigo, que me chamou pra fazer um frila ou pra um almoço ou pra um café ou pra um sorvete, que me cumprimentou no meio de um show ou quando estava discotecando, que eu chamei para participar de algum curso ou fazer alguma palestra ou que me chamou para algum debate ou fazer mediação de mesas redondas, quem eu chamei para fazer shows nos lugares em que faço curadoria e quem foi assistir a estes shows, quem foi às minhas festas e aos meus cursos. Viagens, passeios, discussões, shows e festas, encontros presenciais que me aproximaram de pessoas que desconhecia ou que conhecia apenas via internet. O Trabalho Sujo é fruto destes encontros e eles são uma motivação e tanto para continuar nessa. Agradeço a todos que encontrei neste caminho, pessoas incríveis que me ajudaram a ver o mundo de outra forma.

Seguimos juntos, porque, apesar de parecer contraditório, o mantra segue firme: só melhora!

Quando Norah Jones encontra Jeff Tweedy

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Norah Jones vem tateando novos caminhos desde o início do ano, lançando faixas isoladas (o single “My Heart is Full“) e colaborações (fez um dueto com Willie Nelson no disco tributo do ícone country a Frank Sinatra e vai participar do remake que o grupo Mercury Rev irá fazer do disco The Delta Sweete, de Bobbie Gentry) como se estivesse em busca de um novo rumo a seguir. Mas ela acaba de repetir um padrão nesta série de novidades, com a melancólica “Wintertime”, lançada parceria com o líder do Wilco, Jeff Tweedy, e que ainda conta com o filho de Jeff, Spencer na bateria.

É a segunda faixa que Norah grava com Jeff. A outra, “A Song With No Name”, foi lançada em setembro.

Será que os dois cogitam um disco juntos? Não tem como dar errado…

Vida Fodona #577: Vamos retomar aí

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Atrasado, mas indo.

Massive Attack – “Safe from Harm”
My Magical Glowing Lens – “Da Serra Pro Mar”
Beatles – “Hey Jude (Take 1)”
Beatles – “Long Long Long (Take 44)”
Beatles – “Revolution (Take 14, instrumental)”
Bob Dylan – “You’re Gonna Make Me Loneseome When You Go (Take 4)”
Beatles – “Can You Take Me Back (Take 1)”
Bob Dylan – “Simple Twist of Fate (Take 3A)”
Bob Dylan – “Tangled Up in Blue (Take 2, Remake)”
Beatles – “Sour Milk Sea (Esher Demo)”
Bob Dylan – “You’re a Big Girl Now (Take 2, Remake)”
Beatles – “Cry Baby Cry (Unumbered Rehearsal)”
Cat Power + Lana Del Rey – “Woman”
Ana Cañas + Chico Chico – “Tua Boca”
Isaac Hayes – “Never Can Say Goodbye”
Beach Boys – “Here Comes the Night”
Olivia Tremor Control – “Can You Come Down With Us?”
Frank Zappa + The Mothers of Invention – “Absolutely Free”
Malu Maria – “Amando do Espaço”

Noites Trabalho Sujo | 16.11.2018

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A força do número 23 ecoa durante a edição deste mês das Noites Trabalho Sujo, pois no dia 20 de novembro de 1995, coloquei em prática este experimento ativo chamado Trabalho Sujo, que mutou-se em diferentes formatos até chegar neste evento mensal. Portanto, a edição desta sexta (e não sábado, atentem), celebra os 23 anos deste acontecimento que agora materializa-se de diferentes formas em diferentes locais. E para esta celebração, reunimos a formação clássica das Noites Trabalho Sujo (quando recebo meus irmãos Luiz Pattoli e Danilo Cabral) no auditório azul da sede da Trackers no centro, enquanto o auditório preto fica a cargo de William Mexicano, que responde pelos Roots Rock Revolution. Lembrando que só entra na festa quem mandar o nome para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 22h. Venha celebrar este dia mágico!

Noites Trabalho Sujo @ Trackers
23 anos de Trabalho Sujo!
Sexta-feira, 16 de novembro de 2018
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Danilo Cabral e Luiz Pattoli (Noites Trabalho Sujo) e William Mexicano (Roots Rock Revolution)
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 30, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor), bem como os 30 primeiros a chegar na festa.

BK’ e crer para ir

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Gigantes, do carioca BK’, é mais uma prova que o rap nacional vive uma nova fase de ouro.

Chemical Brothers 2018: “Free yourself – dance”

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“Free Yourself”, novo single da dupla eletrônica Chemical Brothers, ganha um clipe produzido pela dupla Dom&Nic (os diretores Nic Goffey e Dominic Hawley, com quem já trabalharam nos vídeos de “Setting Sun”, “Block Rockin’ Beats”, “Hey Boy Hey Girl”, “Believe”, “The Salmon Dance”, “Midnight Madness” e “Wide Open”) em que colocam a inteligência artificial para dançar – sem perder o fascínio e o temor que os robôs exercem sobre a gente.

Fora a sonzeira da dupla.

Cine Doppelgänger: Autoria em Xeque

17 de novembro: 8 ½ (1963) e Adaptação (2002)

17 de novembro: 8 ½ (1963) e Adaptação (2002)

Neste sábado temos a quinta sessão do Cine Doppelgänger, que faço junto com a Joyce Pais do Cinemascope, na Casa Guilherme de Almeida: uma sessão dupla de cinema de graça seguida de um debate sobre os pontos em comum entre os dois filmes. Desta vez reunimos os filmes 8 ½ (1963), de Fellini, e Adaptação (2002), de Spike Jonze, que lidam com o tema da autoria em xeque. O primeiro filme, 8 ½, começa às 11h em ponto e o segundo, Adaptação, às 14h, para que o debate comece perto das 16h30. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da Casa Guilherme (e tem mais informações sobre a sessão aqui). Vamos lá?