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O revival dos anos 10 já tá pra começar…

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Phoenix, Grizzly Bear, Rapture, Yeah Yeah Yeahs, MGMT, Beach House, Passion Pit, Peter Bjorn and John, Tokyo Police Club, Neon Indian, Washed Out, Tennis, Ra Ra Riot, Miami Horror: o elenco do festival norte-americano Just Like Heaven, que acontece em maio em Long Beach na Califórnia, é uma espécie de Monsters of Rock da geração indie iTunes e quer festejar como se fosse 2009. Em outras palavras, quer dizer que os anos 10 nem bem terminaram e seu revival já começou.

E no meio disso tudo tem a volta do Rapture, hein…

Ride no Brasil!

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Flesch confirmou: o próximo Balaclava Fest, que acontece dia 27 de abril, no Áudio Club, terá como headliner o ícone do shoegazer Ride, além das participações do Terno Rei e da banda camaronense Vagabond (mais informações aqui). Quem contava com essa?

Fernando Catatau: Luz do Fim de Tarde

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Fernando Catatau está mergulhado em outras canções. Ele voltou pra sua cidade-natal como se tivesse encerrado o ciclo que provocava a existência de seu Cidadão Instigado e começou a compor músicas para longe daquele universo musical, canções melancólicas e românticas que remetem à sua nova relação com Fortaleza. É um imenso prazer recebê-lo para mostrar este novo repertório sozinho no palco por duas terças-feiras consecutivas no início de fevereiro no Centro da Terra (mais informações aqui). Conversei com ele sobre esta nova fase numa entrevista sobre esta minitemporada chamada Luz do Fim de Tarde, título de uma destas novas canções.

Phill Veras no CCSP

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O cantor e compositor maranhense Phill Veras apresenta-se neste domingo, a partir das 18h, na Sala Adoniran Barbosa, onde mostra seu disco mais recente, Alma – os ingressos já estão esgotados (mais informações aqui).

Rodrigo Campos: Qualidades Primordiais

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É com grande satisfação que recebemos no Centro da Terra um dos grandes cantores e compositores da música paulistana do século 21, o grande Rodrigo Campos, como primeiro dono das segundas-feiras de 2019. Em sua temporada Qualidades Primordiais, Rodrigo dividiu suas apresentações em quatro elementos, alquimicamente desdobrando suas temperatura e umidade para dissecar sua própria musicalidade. Em cada uma segunda-feira, ele reúne sensações diferentes de seus sambas a partir de seus convidados, “elas servem como um norteador para escolher as participações na temporada”, ele me explica “uma maneira mais de criar uma atmosfera do que fechar um conceito pra cada show. A ideia é ser um pouco aberto”. Na primeira segunda, dia 4, ele recebe os percussionistas Fumaça, Raphael Moreira e Victória dos Santos na noite Frio e Seco, regida pelo elemento terra. Na outra segunda, dia 11, ele recebe a nova colaboradora Maria Beraldo para a noite Quente e Seco, do elemento fogo. Na terceira segunda, a noite Frio e Úmido, do elemento água, ele conta com a participação de Kiko Dinucci e, finalmente, encerra seus trabalhos com a noite Quente e Úmido, do elemento ar, com Maurício Badê e Thiago França (mais informações aqui). Conversei com ele sobre sua temporada e ele conta o que pensou para seu mês de fevereiro no Centro da Terra.

Centro da Terra: Ano 3

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Nos dois primeiros anos em que fiz a curadoria de música do Centro da Terra, o teatro no Sumaré surgiu e se consolidou como um ponto importante no mapa musical de São Paulo, reconhecido tanto pelos artistas como palco pronto para experimentações artísticas, estéticas e cênicas quanto pelo público como local de encontro intenso com uma faceta mais íntima do processo criativo.

Ocupando primeiro a segunda, em 2017, e depois a terça-feira, em 2018, como uma forma de reafirmar a importância da temporada e do acompanhamento contínuo de shows complementares, parto para o terceiro ano nesta curadoria buscando lapidar ainda mais o conceito de espetáculo, diferenciando-o de apresentações simplesmente musicais. O foco centrado no palco, sem distrações constantes como conversas alheias e celulares onipresentes, e a busca de um conceito para os shows tornam estes encontros ao vivo fins neles mesmos. Embora temporadas passadas tenham funcionado como rascunhos para projetos futuros, discos e novos shows de vários artistas, em 2019 pede para reforçar a importância do concerto como uma obra fechada e instantânea, que até pode ser registrada para a posteridade, mas que só pode ser vivida plenamente por quem esteve lá. Arte como testemunho, mais do que como consumo.

A temporada segue central: a sessão Segundamente mantém seu padrão de quatro datas para um artista criar uma nova obra contínua, mas a terça-feira começa a abrir espaços para espetáculos únicos, minitemporadas, shows pontuais e oportunidades que possam surgir. Também não iremos anunciar a programação com um semestre de antecedência, anunciando no mês anterior quais serão as atrações do mês seguinte. Tudo isso para instigar artistas a não se guiar apenas pelo mercado ou pelo pop, explorando novas possibilidades e buscando inspiração em lugares inusitados e acolhedores, que podem também causar estranheza e desconforto. Assim será o terceiro ano de música contínua no Centro da Terra, cuja programação começa a partir de fevereiro.

Tudo Tanto #55: Três Selos

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Na edição desta semana da minha coluna Tudo Tanto, conversei com Rafa, João e Fred, donos dos selos Assustado, EAEO e Goma Gringa, que se uniram com o nome de Três Selos relançar velhos e novos clássicos da música brasileira em vinil – começando pelo último disco de Sérgio Sampaio, Sinceramente. Lê lá no Reverb.

Esta canção se autodestruirá em 24 horas

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John Lennon acordou no dia 27 de janeiro de 1970 com uma música na cabeça. Foi ao piano e a terminou em uma hora. Ligou para George Harrison e Phil Spector – o produtor americano que havia acabado de chegar em Londres a convite de Allen Klein, que era então empresário da Apple, a gravadora dos Beatles – e os chamou para gravá-la naquela mesma noite. Na semana seguinte a música estava à venda como compacto, um feito histórico numa época em que a tecnologia ainda não corria na velocidade atual: entre a composição e a chegada aos ouvintes foram apenas sete dias, um processo-relâmpago comparado à meticulosidade de produção da época.

Sete dias são uma era geológica, se compararmos à velocidade do fim da segunda década do século 21, onde tudo acontece tão rápido que desparece com a mesma pressa que apareceu. E foi a partir desta lógica – e usando uma plataforma perfeita para isso -, que o grupo brasiliense Satanique Samba Trio apresenta, a partir desta sexta-feira, seu disco Instant Karma, que será publicado nos Stories da conta do Instagram do grupo, 28 faixas de quinze segundos que ficarão no ar apenas um dia para evaporar no dia seguinte. É o primeiro álbum lançado neste formato no mundo, “primeiro álbum líquido”, como dizem, “mas não checamos”.

“Foi em uma conversa com o baterista da banda, o Lupa Marques”, me explica o líder do grupo, o lendário Munha da 7. “Falávamos sobre as ideias mais idiotas e auto-destrutivas que já tivemos nos 15 anos de banda, como o Satanique Samba Trio Elétrico e o Ensaio Aberto – e fomos imaginando cenários e chegamos nesta ideia. Talvez seja a interpretação mais literal do termo ‘autodestruição’ que conseguimos encontrar”, lembra.

As músicas foram gravadas num único celular e com “gravadores de fita do tempo do ronca” e seguem a linha de “MPB desconstruidona entoadas como cânticos de celebração à impermanência das coisas”, como explica o líder da banda. “Roçando as bordas das questões a respeito do que é certo e errado no escopo dogmático da música brasileira”, Munha continua. “Aliás, todos instrumentos foram gravados separadamente em um único celular, que inclusive morreu de vez no final das gravações. Ou seja, é do nosso celular pro seu – postei uma foto dele no instagram da banda.”

Instant Karma começa a partir das 17h, hora de Brasília, no Instagram do Satanique.