Nesta quinta-feira, às 21h, a cantora paraense Luê convida Siba e Juliana Strassacapa e Mateo Piracés-Ugarte (do grupo Francisco El Hombre) para mostrar músicas de seus dois discos e outras canções na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui).
Ela fez sua fama compondo música para os outros, mas o ápice de sua carreira aconteceu quando resolveu sair dos bastidores e cantar suas próprias canções. A cantora e compositora norte-americana Carole King começou a trabalhar com música como parte do time do Brill Building, uma das principais usinas de produção de música pop nos anos 60 e, com o marido Gerry Goffin criou uma parceria que rendeu hits que seguem clássicos até hoje, como “Will You Love Me Tomorrow” gravado pelas Shirelles, “The Loco-Motion” lançado pela babá do casal, Little Eva, e mais tarde regravada pelo grupo Grand Funk Railroad e Kylie Minogue, “One Fine Day” das Chiffons, “I’m into Something Good” dos Herman’s Hermits, “Don’t Bring Me Down” dos Animals, “”Goin’ Back” de Dusty Springfield, e “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, de Aretha Franklin, além de terem várias músicas produzidas por Phil Spector.
Ao separar-se de Goffin, King começou uma bem-sucedida carreira solo, que começou com o disco Writer e culminou com a obra-prima Tapestry, disco irmão de Mud Slide Slim and the Blue Horizon de James Taylor, pois foi gravado no mesmo período e conta com participações em comum (entre elas, os vocais de Joni Mitchel), mas infinitamente superior. Juntos os dois discos deram a tônica dos cantores e compositores dos anos 70. E cantando suas próprias canções, ela tornou-se um dos principais ícones da música norte-americana daquele período.
Eis a importância do lançamento do DVD Carole King – Live at Montreux 1973, que a gravadora Eagle Vision promete lançar no dia 14 de junho. A íntegra do show que King fez em Montreux em 1973 reúne um conjunto de 18 canções, em que ela visita seu Tapestry na íntegra – sozinha ao piano – além de ser acompanhada depois por uma banda de onze músicos para tocar músicas de seu disco Fantasy, que seria lançado naquele ano.
Três jovens veteranas do rock independente brasileiro criaram uma banda para fazer uma viagem de van para a Argentina – esta é a gênese do Florcadáver, que une as forças de Amanda Buttler (do Sky Down), Theodora Charbel (Sixkicks, Papisa) e Célia Regina (do Miêta) num mesmo projeto que lança seu projeto de crowdfunding para pagar esta viagem em primeira mão no Trabalho Sujo, com o vídeo de sua primeira faixa, “Baleia”.
O centro do encontro foi o acampamento Girls Rock Camp, que ajuda meninas a se tornarem roqueiras, que já havia sido frequentado pelas três, como monitoras. “Conheci as meninas no voluntariado do Girls Rock Camp, a Célia, guitarrista do Miêta, quando participei pela primeira vez do Camp no ano passado e a Theodora, que eu já sacava de longe no SixKicks, neste ano”, lembra Buttler. “Lá pro fim do último Camp a Célia tava conversando com a Marcela Matos, fotógrafa e veterana do Camp desde o início, e falando sobre a vontade dela de ser voluntária no Chicas Amplificadas, a versão argentina do acampamento, que acontece no mês de julho, e ela jogou essa ideia de viajar pra lá a bordo da minivan que ela, Marcela, tem pra exatamente esse tipo de rolê.”
“Nessa a Célia mandou um papo de querer montar uma banda pra ir tocando de São Paulo até lá, transformando o trajeto rumo ao camp numa turnê”, continua a baixista. “E convidou eu e a Theo, perguntou se estávamos afim de voluntariar no Chicas e de montar essa banda com ela. Voltamos pra casa, Célia em Belo Horizonte e Theo e eu em São Paulo – ela é de Cuiabá mas mora aqui agora -, e começamos a planejar à distância o que poderíamos fazer pra concretizar essa idéia. Decidimos montar um projeto de financiamento coletivo no Catarse pra viabilizar essa viagem. Aos poucos se juntou ao rolê a Thamú Silva, também voluntária do Camp, que somou pra fazer a produção da tour. A Kaline Toledo entrou pra cuidar do registro em foto e vídeo da viagem toda. Foi assim que montamos o grupo de seis mulheres que vai fazer essa viagem.” Kaline também fez o lyric vídeo acima.
“Desde que comecei a trocar idéia com a Célia e com a Buttler lá no Camp percebi uma conexão de idéias, estilos musicais e processos criativos”, continua a baterista Theodora. “A Buttler me chamou pra casa dela, onde tem o estúdio do Berna (Bernardo Pacheco, produtor, chegando lá já me senti a vontade com a bagunça ao redor dos instrumentos. Sentei na bateria, ligamos os microfones com bastante reverb e delay anos 80, a Buttler começou a tocar umas notas soltas no baixo e eu fui acompanhando, quando percebemos tínhamos criado três músicas numa tarde! A melodia da ‘Baleia’ veio de primeira quando comecei a cantar improvisando enquanto tocava, depois fomos tomar um ar e percebemos o quanto ela era chiclete e tinha potencial de single. Trabalhamos nela mais uns dois ensaios e mandamos pra Célia lá em BH brisar nas guitarras, que ficaram derretidas do jeitinho que a gente gosta.”
“A Célia veio pra São Paulo em abril, ensaiamos juntas pela primeira vez por alguns dias”, lembra Amanda. “Nessa altura a Theodora chegou com a letra pronta pras melodias que tinha improvisado lá no começo. Daí o Berna gravou, mixou e masterizou a música. Nesse som todas cantam. Alias, acho que esse é o grande lance: todas cantam. Tem música que eu canto, outra que é a Célia. Enfim, todas ali. O lyric vídeo da faixa foi a Kaline que fez. O single de estreia é bem viajandão, né? Acho que combina ouvir essa música num dia ensolorado na estrada. Mas o restante das músicas é bem diferente, tem uma vibe mais tensa talvez, outras mais dançantes e piradas nas guitarras.”
É um imenso prazer receber no Centro da Terra, nesta terça-feira, a autora de um dos discos mais instigantes do ano passado, o ótimo Mormaço Queima. A cantora, compositora e poeta carioca Ana Frango Elétrico apresenta-se uma única vez seu espetáculo Escoliose Experimento, a partir das 20h (mais informações aqui). “Escoliose Experimento é um improviso em cima de poemas meus – uns viraram letra, outros eu reúno em uma compilação que eu denomino Escoliose:Paralelismo Miúdo que nada mais é que um nome pra um certo raciocínio poético, de céu/chão acontecimentos relacionados com cheiros cores & circunstâncias”, ela me explica, “um exemplo numa canção: {trecho de roxo: se de noite cada vez que liga a luz é um novo dia pro seu peixe}”.
“Minha relação sinestésica com a música se dá pelo processo de comunicação, de lugares que eu quero chegar com o som que se dão na minha cabeça como cores, sensações etc. No caso desse show a música entra como condução de sensação improvisada onde o dispositivo são as poesias e palavras, onde se tem bastante cor cheiros e acontecimentos”, ela continua. No palco, ela recebe Vovô Bebê, Theo Ceccato, Xad, Let e Juliana Perdigão e explica a formação. “Juntei uma configuração de músicos de áreas completamentes diferentes. E cada um eu conheci de uma maneira diferente, quis justamente propor um encontro de universos inusitados pra interpretarmos juntos sem muitos lugares para nos apoiarmos de vícios de conjunto ensaiado.” Ela já fez esta apresentação com a Juliana Perdigão e uma formação mais tradicional, mas “dessa vez quis desvincular ainda mais do meu trabalhado de canção e abrir mais espaço para a música com trilha”, explica.
O show conversa tanto com seu disco mais recente quanto seu próprio trabalho, embora seja algo bem mais experimental do que formal. “O ponto de conversa é a poesia, que aliás já vem no título do álbum – Mormaço Queima é o sol que você não vê por trás da nuvem que vai dar na pele e vira ditado. Esses trajetos invisíveis e cinematográficos, se dão em partes das minhas canções”, continua. “E ele continua conversando com algumas canções do próximo álbum que também vieram antes no papel. Mas os dispositivo tem mais a ver com o Mormaço Queima. No sentido de dinâmicas mais soltas e pictóricas.”
O segundo documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, Rolling Thunder Revue, cujo foco é em sua lendária turnê em 1975, já tem data de lançamento: dia 12 de junho chega à grade da Netflix, segundo o próprio serviço de vídeos sob demanda. Não há muitas informações sobre o filme, exceto que há participações de Joan Baez e Allen Ginsberg e depoimentos de nomes como Patti Smith, Joni Mitchell, Sam Shepard e Sharon Stone – e que é menor do que o documentário anterior de Scorsese sobre Dylan, No Direction Home, que tinha seis horas – este tem apenas duas horas e meia.
A cantora e compositora paulistana Lara Aufranc lança seu segundo disco, Eu Você Um Nó, produzido por Rômulo Froes, neste domingo, às 18h, no Centro Cultural São Paulo, com abertura da banda Nã e participação de Julia Branco (mais informações aqui). A entrada é gratuita.
O trio Mental Abstrato apresenta seu espetáculo Rap Jazz neste sábado, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, e chamou Kamau e Stefanie MC para acompanhá-los (mais informações aqui).
Bati um papo com Gaspar o vocalista do grupo Z’África Brasil, que está voltando ao seu clássico álbum Antigamente Quilombos, Hoje Periferia, de 2002, que será lançado em vinil com show neste sábado, no Sesc Pompeia (mais informações aqui). O disco já estará à venda hoje.
Na minha coluna Tudo Tanto desta semana, bati um papo com a cantora e compositora pernambucana Alessandra Leão sobre sua volta ao terreiro no excelente disco Macumbas e Catimbós, que saiu nesta sexta e conta com participações especialíssimas como Lia do Itamaracá e Mateus Aleluia, entre outros – leia lá no Reverb.