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De volta a “Romeo”

thiagopethit-romeo

O cantor e compositor paulistano Thiago Pethit aproveitou a quarentena para lançar uma versão remix para o hit “Romeo”, carro-chefe de seu disco de 2014, Rock’n’Roll Sugar Darling. A nova versão da música composta por ele e com Helio Flanders vem com novo título e como “Romeo+” apresenta-se com arranjo de cordas e metais assinado por Augusto Passos e Diogo Strauz, este último o produtor de seu disco mais recente, Mal dos trópicos – Queda e ascensão de Orfeu da Consolação, lançado no ano passado. O novo arranjo cita “All Mine”, clássico do grupo inglês Portishead, ao mesmo tempo em que Thiago consagra a citação a “Girassóis de Van Gogh”, música do rapper baiano Baco Exu do Blues que já vinha cantando em seus shows. Ficou ótimo.

O mundo invertido do Atønito

Veloce

O trio de jazz punk Atønito, liderado pelo saxofonista Cuca Ferreira do Bixiga 70 era uma das atrações, ao lado de Thiago França, da #SextaTrabalhoSujo desta semana, quando aproveitariam o show no Estúdio Bixiga para mostrar mais uma das músicas para seu próximo álbum, Aqui. A pesada “Veloce” chega em primeira mão no Trabalho Sujo mesmo em tempos de clausura, mostrando uma São Paulo pré-epidemia, de cabeça para baixo. “Direto do confinamento, fomos surpreendidos por nosso próprio planejamento pré-quarentena”, explica Cuca. “‘Veloce’ é uma música que fala sobre o excesso de trabalho, excesso de correria, excesso de competição, excesso de cada um por si, ‘excesso de excessos’ que a vida nos impõe, ou pelo menos impunha, até que o mundo desse esse freio de arrumacão que estamos vivendo agora. Como a gente vem fazendo com esse disco, convidamos um artista pra fazer o clipe, sem dar nenhum direcionamento”. Edu Marin é artista gráfico e fez as fotos e as obras que ilustram cada single do disco e foi chamado para dirigir o clipe, além assinar a capa do single (acima), retirada de uma série chamada Simulacros da Memória Imperfeita. A direção de arte é da Ciça Goes.

Aqui teoricamente seria lançado em junho, mas Cuca não sabe como ficam as coisas com a situação atual que vivemos. Mas não baixa a cabeça: “Vamos em frente, sem chororô, e na torcida pela consciência coletiva e pela cura!”

Sara Não Tem Nome vê a pandemia

saranaotemnome2020

Em plena quarentena, a mineira Sara Não Tem Nome manda mais uma de suas canções de protesto, batizada apenas de “Agora”: “Aqui isolada no meu mundo, deu aquela saudades da sara punk emo de 15 anos que tocava violão na praça”, ele descreve o vídeo que postou mais cedo. “Em meio ao caos de acontecimentos e notícias da ruína construção do hoje amanhã, surgiu essa música-monólogo-fôlego para enfrentar o furacão.”

Algo me diz que vamos ver muita música deste tipo nos próximos meses…

Dance soviético

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O trio bielorrusso Dlina Volny, obcecados por new wave e pós-punk da União Soviética do começo dos anos 80, começam a mostrar seu próximo trabalho a partir do single de “Do It”. Apadrinhados pelo Johnny Jewel dos Chromatics, eles terão seu primeiro disco, Fresh Blood, lançado pela Italians Do It Better, do próprio Jewel – e o grupo tem tudo a ver com a estética oitentista do selo.

O George Harrison dos Boogarins

fefel2020

Não sei quem é o John e quem é o Paul dos Boogarins, mas com o single Fefel 2020, o grupo lança seu baixista Raphel Vaz como terceiro compositor e vocalista da banda goiana. E não é que o prefeito leva jeito? Ele conta como se encontrou:

Em uma dessas turnês, que acabava em Portland, me presenteei com um pequeno violão de nylon que desse pra carregar por aí. Apesar da sua pequenez, o violão ficou em Austin por dois anos, já que a bagagem extra que eu teria que pagar era mais cara que o violão.

Um ano depois me veio “Tanta Coragem”, num quarto de hotel onde eu dormia com Markola, tour manager e amigo gringo. Gravei os acordes e balbuciei melodias. Nesse dia meu inglês falhou em uma conversa com Mark e coloquei na letra o que eu tentava dizer pra mim mesmo. Voltamos pra Austin pra gravar, dessa vez em estúdio, as primeiras sessões do que seria pro Sombrou Dúvida e essa demo ficou no meu computador por uns dias. O ócio do artista que cultivávamos lá me permitiu acabá-la.

Já em 2018, ano das últimas seções do SD, Benke foi convidado para uma espécie de residência artística por 10 dias em Berlin e de lá trouxe um presente para cada um dos Boogarins restantes. Discos de vinil para Ynaiã, um livro para Dinho e uma Kalimba de 4 notas para mim. Era a primeira viagem que ele fez sem a gente, da qual voltou visivelmente abalado. Ao me entregar o presente ele encomendou uma música. “Inocência” é a encomenda, um loop de 2 acordes do violão pequeno, onde a kalimba e a melodia fazem a função de separar as partes da música. Uma canção lúdica e singela.

Mostrei a música e meus amigos choraram muito, disseram que a banda não iria gravar aquela demo nunca. Benke me disse que tinha muitos planos pra me ajudar a realizar meu sonho, que é o sonho de ser importante. Este ano meus amigos acharam que era o meu ano, 2020, o ano em que faço 30 e meu cabelo cai.

Vida Fodona #628: Em tempo de quarentena

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É sério.

Letrux – “Vai Brotar”
Bruno Schiavo – “Havaianas Déja Vu”
Billie Elliot – “No Time to Die”
Talking Heads – “Life During Wartime”
Gal Costa – “Cultura e Civilização”
Walter Franco – “Partir do Alto / Animal Sentimental”
Pavement – “Gold Soundz”
Lulina – “Cantor Pop dos Sonhos”
Ana Frango Elétrico – “Torturadores”
Spoon – “Rhthm & Soul”
Jupiter Apple – “Exactly”
Ultramagnetic MCs – “Ease Back”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
Isaac Hayes – “I’ll Never Fall In Love Again”
Pulp – “Dishes”
Massive Attack – “Dissolved Girl”

#CliMatias: O que fazer nestes dias de quarentena

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Uma das minhas primeiras decisões de ano novo foi matar o #CliMatias, hashtag que eu mantinha no Instagram como uma espécie de saudação do dia: uma foto do céu e uma frase que remetesse ao clima – seja interior ou exterior – do dia que começava. Matei a seção como parte da minha decisão de abandonar as redes sociais até o fim do ano, sacrificando o sacerdócio diário para me ver livre destas atualizações.

Mas veio a pandemia e com ela a necessidade de entrar em confinamento, uma autoquarentena voluntária para não esperar que as autoridades brasileiras comecem a tomar alguma providência. Aos poucos as pessoas têm se conscientizado que o problema é grave e resolvi criar um programa em vídeo – tanto no IGTV do Instagram quanto num segundo canal do YouTube – para dar dicas do que fazer nestes dias de isolamento social. As dicas vão desde livros, filmes, séries e discos para curtir no tempo livre como dicas para não enlouquecer ou cair em depressão uma vez recluso num mesmo ambiente. O programa é diário e vai ao ar sempre de manhã – e aqui neste mesmo post vou colocando as dicas do dia bem como os links para os itens que indico – além das sugestões dos convidados, que sempre tento trazer.

Assista a todos aqui.

Cancelando todos os shows

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A epidemia é série e não dá pra brincar com isso, por isso adiamos todas as apresentações ao vivo que faríamos nos lugares onde trabalho como curador: isso quer dizer que suspendemos as temporadas do Kastrup e da Juçara no Centro da Terra, não teremos Sexta Trabalho Sujo no Estúdio Bixiga que teria Atônito e Thiago França (como acabou não acontecendo na sexta passada, que teria o Antiprisma) nem vamos ter a volta do Trabalho Sujo Apresenta na Unibes Cultural, com Chico Bernardes e Luiza Brina. Outro show suspenso foi a estreia do projeto Trilha Sonora Original do Filme Deságua, do Mombojó, com quem estou trabalhando como diretor artístico, que aconteceria na próxima sexta. As atividades todas foram suspensas e retornarão quando a situação voltar a se normalizar, possivelmente retomando a partir de onde havia parado. É cortar na carne, mas é preciso fazer isso.

O lance é saber o que vamos ver o que fazer agora.

A Linha D’Água de Carla Boregas e Maurício Takara

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Maurício Takara e Carla Boregas hoje fazem parte da mesma banda, o Rakta, mas sua relação musical começou há muito mais tempo. “Conheço o Maurício há uns quinze anos”, me explica Carla pelo telefone, falando sobre a parceria que agora se materializa em disco. Linha D’Água aproxima os trabalhos solos dos dois para o mesmo centro, explorando tanto a percussão misturada com eletrônica que o baterista do Hurtmold apresenta como M. Takara, como as paisagens ruidosas provocadas pelo projeto solo de Carla, que leva seu nome. O disco está saindo pelo selo Desmonta e foi lançado em primeira mão no Trabalho Sujo.

“A nossa ideia de tocar juntos é anterior ao Rakta”, continua a baixista, que toca apenas sintetizadores no novo projeto. “Uma vez, eu fui tocar no aniversário no Estúdio Fita Crepe, o Maurício tocou na mesma noite e depois do meu set ele veio me falar que queria fazer alguma coisa juntos, que ele queria tocar bateria com alguém que estava fazendo o que eu fiz naquela noite, que foi um set de drones.”

O resultado é um disco com estruturas que foram desenvolvidas a partir de apresentações ao vivo, quase sempre improvisadas. “A gente vem desenvolvendo coisas que tem trabalhado até hoje”, ela prossegue. “Neste processo, a gente foi lapidando a ideia, que era o Maurício tocando bateria e um sintetizador e eu tocando dois sintetizadores, sendo que ele controla um dos meus sintetizadores através da bateria. E o disco foi sendo concebido enquanto fazíamos esses shows, a sessão sempre era um improviso e nessa miniturnê que a gente fez pela Península Ibérica no ano passado, quando tocamos na Espanha, em Portugal e nas Ilhas Canárias, a gente fez oito shows na sequência e fomos lapidando melhor essas ideias. Depois em seis horas de estúdio a gente gravou o disco, no Rocha. Parte do disco já estava composto, em termos de estrutura, mas mesmo assim tudo foi muito orgânico, desde a concepção, a composição até a gravação, pelo fato de que um complementa o outro também.”

Ela explica que o nome poético do disco nasceu na biologia e na marinha. “Eu gosto de guardar nomes pras coisas, escuto um termo e, quando ele me marca, acho que posso usar aquele termo ou palavra depois. Esses são os melhores nomes”, teoriza Carla. “Quem me contou sobre essa expressão foi minha amiga Patrícia, linha d’água é uma parte do olho, essa linhazinha embaixo e em cima na pálpebra e depois descobri que também é uma expressão usada no meio náutico, na construção naval. Nos dois lugares, essa expressão fala do que separa a água de outro lugar. Achei isso curioso e quis usar pro disco, sugeri pro Maurício e ele topou. E a água também pode ser a barreira da emoção, porque essa linha no olho é por onde as lágrimas vão se desenhar, é o limite do nosso mundo interior pro mundo exterior, e a água tem essa coisa da fluidez, que tem a ver com a nossa música, que tem uma fluidez entre nós dois. É uma limitação visível mas que também é fluida.”