Como o próprio diz, é um prazer “inenahagen” receber a lenda viva do guitarra paulistana Luiz Chagas como anfitrião das segundas-feiras de agosto, no Centro da Terra. Ele segue trabalhando seu interminável disco solo Música de Apartamento e o transforma em uma temporada com quatro momentos distintos, chamada de Música de Apartamento – Vizinhos (mais informações aqui). A cada segunda-feira, ele recebe convidados diferentes e vai mudando o repertório e os arranjos a partir da chegada de suas visitas. A primeira delas acontece neste dia 5, quando ele recebe uma de suas parceiras musicais mais constantes, a cantora e compositora Suzana Salles, nesta data que ele chama de Belo Visita Meninas. A terça seguinte, dia 12, ele recebe Gustavo Galo, Danislau – do Porcas Borboletas – e Júlia Rocha para a apresentação Luiz Visita Meninos. No dia 19, ele recebe Tulipa Ruiz e Chicão Montorfano na noite que batizou de Chagas Visita Músicos, encerrando no dia 26, quando se reúne aos guitarristas Gustavo Ruiz e Kiko Dinucci na noite Normal Visita Malucos. Bati um papo com ele sobre estas diferentes noites e personalidades musicais que tomam conta das segundas de agosto no Centro da Terra.
Douglas Germano – “Babaca”
PJ Harvey + John Parish – “Dance Hall at Louse Point”
Haim – “Summer Girl”
Police – “Can’t Stand Losing You”
Guaxe – “Desafio do Guaxe”
Sexy Fi – “Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte”
De Leve – “Largado”
Glue Trip – “Lucid Dream”
Angel Olsen – “All Mirrors”
SZA + Tame Impala – “Together”
Mombojó – “Adelaide”
O Terno – “Pegando Leve”
Ava Rocha – “Doce é o Amor”
Metá Metá – “Angolana”
Spoon – “Shotgun”
Billie Eilish – “All the Good Girls Go to Hell”
Com a saída da baterista Janet Weiss, o grupo norte-americano Sleater-Kinney agora é uma dupla formada pelas guitarristas e vocalistas Carrie Brownstein e Corin Tucker e lança o disco produzido por St. Vincent, The Center Won’t Hold, este mês. Abaixo, a capa e a ordem das músicas, além de mais um single liberado antes do lançamento, “Can I Go On” – é o terceiro, depois de “Hurry On Home” e “The Future Is Here“.
“The Center Won’t Hold”
“Hurry On Home”
“Reach Out”
“Can I Go On”
“Restless”
“Ruins”
“Love”
“Bad Dance”
“The Future Is Here”
“The Dog/The Body”
“Broken”
Não é o nome da tinta escrito errado de propósito. “É um pássaro da mata Atlântica que sintetiza sons como nenhum outro”, me explica Pedro Bonifrate sobre o projeto que está lançando ao lado de Dinho Almeida. Dois dos principais nomes da psicodelia brasileira neste século, o primeiro liderando o saudoso Supercordas e o segundo à frente dos inquietos Boogarins, eles se juntaram para lançar Guaxe, cujo primeiro single, “Desafio do Guaxe”, está sendo lançado nesta sexta.
“Trombei com o Dinho pela primeira vez no Dia da Música de 2015 em São Paulo”, lembra Pedro. “Fomos apresentados pelo Diogo, que era dos Supercordas e que já andava com eles desde o comecinho da banda. Pouco depois ele levou o Dinho pra dar um pulo em Paraty. Desde essa primeira visita a gente começou a gravar algumas coisas aqui em casa, e continuamos nos anos seguintes em visitas esporádicas, sempre aqui em Paraty. Tínhamos algumas ideias juntos que depois eu ia trabalhando, e com o tempo fomos tendo um conjunto bem legal de canções, bem diversas do ponto de vista da parceria em si – tem canção só do Dinho que eu só gravei e sobrepus arranjos, tem canção basicamente minha que o Dinho complementou com uns versos e umas vozes, e tem a maioria que escrevemos e gravamos juntos mesmo, bem espontaneamente em rompantes de criatividade. O Dinho tem uma forma muito rápida e direta de escrever, o que contrasta com minha lentidão reflexiva, e acho que esse contraste trouxe um dos aspectos mais interessantes desse trabalho.” O primeiro single puxa mais para o cancioneiro supercordiano, principalmente pela temática naturalista, mas as digitais de Dinho podem ser percebidas principalmente no arranjo entrecortado do instrumental. O cruzamento destas duas escolas aproxima ainda mais o universo das duas bandas e ajuda a forjar o que é a psicodelia brasileira contemporânea.
O disco, que leva apenas o nome da banda, deve ser lançado no início de setembro – e até lá eles devem lançar outro single. “A princípio o lance seria um EP, mas como rolou esse interesse da estadunidense Overseas Artists Records de lançar o disco a gente achou melhor expandir e fizemos outras duas faixas em dois dias que acabaram sendo pontos altos do disco, as músicas ‘Onda’ e ‘Avesso'”, completa Bonifrate. A dupla não sabe como o projeto se materializará ao vivo. “Ainda não paramos pra pensar nisso seriamente, já que as agendas andam cheias, mas já apontamos algumas ideias pro futuro próximo e mais pra frente devem rolar umas apresentações sim.”
O musical Os Bambas, concebido por Leandro Lehart para seu grupo Art Popular, tem mais duas apresentações neste sábado e domingo no Auditório Ibirapuera (mais informações aqui). O espetáculo, que conta com a minha direção artística, conta a história de um fictício grupo de samba que viaja no passado, presente e futuro do gênero e os shows deste fim de semana contam com a participação de Leci Brandão. Os ingressos estão quase no fim!
O trio de irmãs Haim recria “Walking on the Wild Side” de Lou Reed na paisagem californiana ao lançar um novo single- e acerta em cheio. “Summer Girl” – com clipe (e que clipe!) dirigido novamente por Paul Thomas Anderson – é a primeira música nova que lançam desde o disco Something to Tell You, de 2017, e acena um caminho ensolarado para elas.
Quando o diretor Stanley Nelson começou a escrever o documentário que queria fazer sobre Miles Davis, ele tinha como meta tirar a personalidade junkie e problemática que paira sobre o Picasso da música até hoje para mostrá-lo como um artista completo. E o resultado ele traz neste Miles Davis: Birth of the Cool, que chega aos cinemas norte-americanos neste semestre.
A banda paulistana Mano Única, que aproxima a música brasileira da cultura latino-americana, lança seu disco Lecturas nesta quinta, no Centro Cultural São Paulo, às 21h, com participações de Tião Carvalho, Natalia Mallo, performance de Pâmela Amy e vídeo-projeções do Arthuro Alves (mais informações aqui).
Agosto vai ser pesado? Ô se vai: olha só o tanto de show bom que reunimos neste mês no Centro Cultural São Paulo:
1/8)Mano Única – A banda aproxima o Brasil da América Latina ao lançar seu primeiro disco, Lecturas, às 21h 8/8)MARV + Alex Antunes & Death Disco Machine – O músico e jornalista Alex Antunes celebra 60 anos de vida apresentando dois de seus projetos, às 21h 9/8) Jacintho – O cantor e compositor mostra as músicas de seu disco Tropical Desespero, de graça, às 19h 10/8)Supervão + JP – A banda gaúcha apresenta seu novo disco Faz Party com abertura da one-man-band mineira, de graça, a partir das 19h 11/8)Carne Doce – O quarteto goiano, que este ano tocou no palco principal do Lollapalooza e se prepara para a primeira turnê internacional, toca a partir das 18h 15/8) Holydrug Couple + Atalhos – A dupla chilena mostra seu novo trabalho com abertura de outra dupla, esta brasileira, às 21h 16/8) Wallace Oliveira Trio – O grupo instrumental reinventa a guitarra portuguesa num show gratuito, às 19h 17/8)Norbert Möslang – O luthier experimental suíço, ex-integrante da dupla Voice Crack, é um dos pioneiros no uso de técnicas de arte sonora na música improvisada ao vivo e apresenta-se a partir das 19h 18/8)Hot & Oreia – A dupla mineira faz parte do coletivo de rap DVtribo e lança seu primeiro álbum, Rap de Massagem, a partir das 18h 22/8) Músicas de Superfície + Bruno E e Coletivo Superjazz – A dupla formada por Fabiana Lian e Vladimir Safatle, finalmente lança seu primeiro disco, gravado nos anos 90, e apresenta-se ao lado do coletivo de músicos e DJs, criado por Dudão Melo e Bruno E., às 21h 24/8)Rico Dalasam – O MC realiza uma das últimas apresentações de seu projeto 70 Semanas e mostra suas novas composições, entre elas o single “Braille”, a partir das 19h 25/8)Z’África Brasil – O tradicional grupo paulistano comemora o lançamento em vinil de seu clássico álbum Antigamente Quilombos, Hoje Periferia, marco do rap nacional do início do século, por sua estética inovadora baseada na cultura afro-brasileira, às 18h 30/8)Marina Melo – A cantora e compositora paulistana prepara o lançamento de seu segundo álbum e apresenta-se gratuitamente às 19h 31/8)Lulina + Malu Maria – Duas cantoras estabelecidas em São Paulo se apresentam juntas. A pernambucana Lulina mostra a terceira e última apresentação da série Onde é Onde, em que mostra algumas das canções do próximo disco, num show em construção, enquanto Malu Maria mostra o repertório de seu ótimo disco de estreia, Diamantes na Pista, às 19h
O cantor cearense Jonnata Doll finalmente começa a mostrar o novo disco de sua banda, Os Garotos Solventes, ao lançar o primeiro single, “Trabalho Trabalho Trabalho” em primeira mão no Trabalho Sujo. Batizado de Alienígena, o disco tem produção de Fernando Catatau, que também participa do primeiro single, bem como a cantora Ava Rocha e o trumpetista Guizado.
“O disco nasceu da minha experiência em São Paulo”, conta o cantor e compositor. “Cheguei aqui em 2013 e morei em vários lugares, em situações e pessoas diferentes, tendo uma amostra do que é a vida em São Paulo da perspectiva de alguém pobre, sem grana nenhuma, sem pai, dependendo de favores, amigos e bicos – atualmente eu passeio com cachorros e com um porco, o George. Pretendo até fazer um clipe com o George, se o dono dele deixar”, ri, antes de voltar para o assunto do disco.
“Observei essa onda de extrema direita efervescente aqui em São Paulo, aqueles seres bizarríssimos na Paulista e isso fez de Alienígena o disco mais político da gente”, continua. “Ao contrário dos outros, pude utilizar minha autobiografia como relato, usando o meu eu em relação ao outro, à cidade. Nunca o foco sou eu mesmo, tentei estabelecer esse método beatnik, que o Kerouac e o Burroughs faziam muito bem.” Este método é ilustrado na intervenção que a banda fez no centro de São Paulo para realizar o clipe.
A relação com São Paulo também está expressa ao chamar o guitarrista do Cidadão Instigado para produzir o álbum. “Foi o cara que me trouxe pra São Paulo e é um grande parceiro. Ele influenciou também na sonoridade quanto na composição, falava pra fugir de fórmulas, de repetições, me mostrando como cantar de forma livre, sem pensar numa regra, o que deixou as músicas bem psicodélicas.” A própria sensação expressa no título do disco traça um parentesco direto com o conceito do Cidadão Instigado de Catatau – alguém que se muda do Ceará para tentar a sorte em São Paulo, mas ao chegar em São Paulo sente saudades do Ceará. É como se Fernando estivesse passando este bastão para Jonnata.
“Escolhi ‘Trabalho Trabalho Trabalho’ para começar porque é uma música bem diferente da gente e mostra bem o que é o disco. É uma crônica sobre o trabalhador”, explica o compositor. “O alienígena quando chega de fora vê esse ritmo de São Paulo, a pressa, a indiferença e a liberdade de poder fazer o que quiser sem que as pessoas se importem muito, mas também a solidão.” O disco será lançado pelo selo Risco no próximo dia 21 de agosto.