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Larissa Conforto transmuta-se em Àiyé

Foto: Rodrigo Tinoco

Foto: Rodrigo Tinoco

Larissa Conforto agora é Àiyé. A ex-baterista do grupo Ventre assumiu o título que deu para sua temporada no Centro da Terra no final do ano passado como sua nova personalidade musical e agora prepara-se para o lançamento do EP Gratitrevas (capa abaixo), cuja primeira música, “Pulmão”, é mostrada em primeira mão no Trabalho Sujo. Ela define a faixa, que estará nesta sexta nas plataformas de streaming, como um “maculelê minimalista”, num trabalho que bebe tanto do trip hop quanto da eletrônica desta década.

Àiyé é apenas Larissa Conforto tocando bateria, cantando, declamando e disparando bases no palco (e chamando eventuais parceiros e comparsas), mas também fruto de uma pesquisa que mistura buscas por timbres e sonoridades específicas – digitais e acústicos. Ao mesmo tempo, traça as origens de um sobrenatural brasileiro que aponta para o futuro, trançando tradições indígenas, europeias e africanas em uma busca pessoal pela própria ancestralidade que confunde-se com a formação do país – um processo que aconteceu simultaneamente com a ida de Larissa para Portugal. Carioca que tinha mudado-se para São Paulo há pouco tempo – um processo que coincidiu com o fim de sua banda anterior, os heróis do indie brasileiro desta década do Ventre -, Larissa agora está em Lisboa, mas volta para o Brasil ainda este ano, quando mostra sua cara Àiyé no palco do próximo Balaclava Fest, que acontece dia 13 de outubro, em São Paulo. Conversei com ela sobre esta nova fase e suas inspirações.

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A renascença de um jornalismo sobre música

Na minha primeira colaboração para a revista da UBC – na edição número 41 – falo sobre como as transformações tecnológicas acabaram por virar o jornalismo que cobre música do avesso – pulverizando-a em centenas de novos autores que ainda não se conversam nem se organizam, por isso não são vistos como uma força importante, nem por si mesmos, muito menos pelo público.

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A crítica de música nunca esteve tão viva

O estado de confusão e a sensação de fim de ciclo são sintomas de uma nova fase da produção jornalística musical brasileira, que está prestes a renascer em outra escala

É comum ouvirmos dizer que a crítica musical ou jornalismo voltado para a música desapareceu e que estas atividades, que antes eram resumidas diariamente nos cadernos de cultura dos principais jornais do país, perderam espaço para a agenda cultural, pauta onipresente nestas mesmas publicações.

Isso é uma generalização. Há uma profusão gigantesca de textos jornalísticos ou de opinião sobre a igualmente extensa produção musical brasileira. Mas se antes só precisávamos acompanhar determinados veículos para saber o que estava acontecendo, agora precisamos fazer um verdadeiro trabalho de mineração para descobrir onde se discute a produção musical brasileira atual, quem a discute e em que formato acontece esta discussão.

No princípio eram as revistas independentes e fanzines, que aos poucos migraram para a internet e se transformaram em revistas eletrônicas (ou e-zines). No final do século passado veio a invenção do blog – inicialmente um diário online de cunho pessoal -, que permitia que neófitos da rede pudessem publicar seus conteúdos sem entender de tecnologia e das linguagens eletrônicas que transformavam um texto em um site. Blogs e sites começaram a conviver numa espécie de realidade paralela que se expandiu em razão exponencial com a chegada das redes sociais, que impulsionaram ainda mais a autopublicação. E logo esta discussão não era nem mesmo mais escrita – e mesmo quando era, tornava-se fragmentada.

Estou falando de listas de discussão por email, fóruns online, comunidades digitais, grupos de interesses específicos no Facebook e discussões encadeadas no Twitter, canais no YouTube, perfis no LinkedIn, podcasts, textos no Medium, grupos no WhatsApp. Além da produção que foi para outras mídias para além das digitais: jornalistas que viraram biógrafos ou autores de livros sobre música, que transformaram críticas em teses acadêmicas, que realizam entrevistas com artistas em frente a um público pagante, que foram para a frente das câmeras ou para os microfones das rádios. A vasta produção de jornalismo e crítica musicais no país expande-se para atividades que não eram consideradas jornalísticas, como discotecagens, cobertura em mídias sociais, curadorias e direção artística.

O jornalismo passa, nesta segunda década do século, por uma situação semelhante à da música no início dos anos 2000. Quando o MP3 e o compartilhamento P2P permitiu que as pessoas tivessem acesso gratuito a todo o tipo de música, a música digital saiu de sua infância e entrou em uma puberdade que, como tal, tinha tons dramáticos. Era o apocalipse: o fim do mercado fonográfico como o conhecíamos, o fim das grandes gravadoras, o fim do CD e até falou-se no fim da música.

A mesma coisa acontece com as notícias, só que em vez de um software, a ameaça são as redes sociais – especificamente o ecossistema do Facebook (principalmente o WhatsApp). Ali o público não paga por notícias e as consome regurgitadas por amigos, parentes e desconhecidos, que copiam e colam textos sem dar a origem da informação, que publicam informações falsas como se fossem verdadeiras e criam novos vínculos de confiança, abandonando os velhos títulos que balizavam o mercado das notícias.

Os jornais impressos são como as gravadoras no final do século passado: lidam principalmente com um produto (o jornal ou o CD) e entram em parafuso com a novidade que espalha notícias para além de seus domínios. A fragmentação da sociedade em milhares de nichos a partir da popularização da internet, fez que ela perdesse eixos centrais na sustentação de realidade que determinavam parâmetros seguidos de forma coletiva globalmente e o jornalismo talvez tenha sido uma de suas vítimas mais emblemáticas. Como aconteceu com a indústria, a arte, a política e o entretenimento, a indústria da comunicação foi frontalmente atingida pela internet e pelas redes sociais. Rádio e TV sobreviveram às duras penas, enquanto a mídia impressa parece fatalmente ferida.

Mas isso é uma fase. O que vem acontecendo é uma reestruturação de parâmetros que nos faz perceber que o jornalismo de outrora agia exatamente como as redes sociais fazem hoje: reduzindo as informações a um único bloco de agentes, desprezando todos os outros que não dançavam conforme sua música. As redes sociais têm a desculpa de que este padrão é robótico, seu algoritmo é dirigido pela inteligência artificial. Antes, o algoritmo do jornalismo era humano e restringia o acesso do público às novidades a partir do gosto e dos interesses de um crítico ou um editor, criando a falsa ilusão de que aquelas escolhas eram a realidade musical existente.

Isso acabou. Jornalistas encastelados em suas torres de marfim, recebendo discos e informações privilegiadas direto dos artistas e da indústria e decidindo o que o público deve ler ou ouvir é um passado quase caricato de tão distante. O jornalista corre atrás das notícias, estabelece novos vínculos com artistas e produtores e expande os horizontes de seu público. O grande desafio atual é fazer este jornalismo chegar ao público de forma sustentável – desafio semelhante que a indústria da música tinha antes desta nova era de aplicativos de streaming. E do mesmo jeito que o Spotify ainda não é a melhor solução (outras virão em breve), um Spotify de notícias também não resolverá este problema – mas pensar em caçar e distribuir esta produção jornalística em vez de simplesmente considerá-la inexistente por não vir à superfície em escala industrial é a chave para voltarmos a ter um jornalismo de música consistente – e, diferente de antes, plural, acessível, profundo e divertido. A consciência desta nova fase é o primeiro passo desta redescoberta.

François Muleka: Couragem

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Imenso prazer receber o cantor e compositor paulistano François Muleka, filho de congoleses e com passagens por Salvador e Florianópolis, mais uma vez no palco do Centro da Terra. Ele, que foi convidado durante a temporada de Luedji Luna em abril do ano passado, desta vez assume o comando da noite com seu espetáculo Couragem, batizada com o nome do mesmo EP que lançou no ano passado, nesta terça-feira, dia 27 de agosto, a partir das 20h, quando ele recebe Anaïs Sylla e Jotapê como convidados (mais informações aqui). Conversei com ele sobre como será sua apresentação.

A ascensão de… Rey?

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Sério, ninguém esperava por esta última cena.

E, certamente, isso não é a grande reviravolta do episódio 9, que estreia no fim do ano… Rapaz…

Pára tudo: Matrix 4 é uma realidade

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Uma bola que venho cantando faz tempo se torna realidade: com o aniversário de vinte anos do filme Matrix, os principais nomes envolvidos com a franquia cinematográfica lançada em 1999 concordaram em voltar ao universo digital pós-apocalíptico que moldou a ficção científica e o cinema de ação do século 21. “Muitas ideias que eu e Lilly exploramos há 20 anos são ainda mais relevantes agora”, explicou, em entrevista à revista Variety, uma das irmãs diretoras da série original, Lana Wachowski, que na época dos três primeiros filmes assinava como Larry. Lilly, que na época dos primeiros filmes, era Andy, como sua irmã, também mudou de sexo após a realização dos três filmes.

“Eu estou muito feliz de ter estes personagens de volta à minha vida e agradecida por ter mais uma chance de trabalhar com meus amigos brilhantes.” Além das diretoras (que também reescreverão o quarto volume da saga), o novo filme contará com Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss nos papéis que os consagraram (Neo e Trinity), mas não há previsões sobre o que será feito com o personagem Morpheus, vivido por Laurence Fishburne, embora a especulação seja que ele tenha seu passado explorado e seja vivido por um ator mais jovem. Fishburne e Reeves atuaram juntos no filme John Wick, que aumentou a especulação sobre a possibilidade de um quarto filme da série.

A equipe ainda está sendo escolhida e o novo filme deverá começar a ser produzido só em 2020, com previsão para lançamento no ano seguinte. Só assim pra consertar o desanimador final do terceiro filme…

Rico Dalasam no Centro Cultural São Paulo

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O MC paulista Rico Dalasam realiza uma das últimas apresentações de seu projeto 70 Semanas, que tem este nome por marcar o tempo em que ficou sem lançar músicas novas, e quebra este jejum no palco, neste sábado, às 19h, ao lançar o single “Braille”, apresentado pela primeira vez no CCSP (mais informações aqui).

Blood Orange de leve

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E o novo disco de Dev Hynes e seu Blood Orange, o delicioso Angel’s Pulse, consegue levar a temática e a estética de seu disco do ano passado, o notívago e melancólico Negro Swan, para um lugar mais familiar e ensolarado, neste que talvez seja seu melhor trabalho – mesmo que lançado como uma mixtape.