“Isso não é um mashup, isso é um manifesto!”, escreve Paulo Beto, o mentor do Anvil FX, na descrição do curto clipe “Bossa Morta (João Gilberto is Dead)”, que publicou nesta sexta-feira, ao sobrepor “Garota de Ipanema” na voz e violão de João Gilberto sobre a bateria, guitarra e efeitos que abrem o marco zero da estética gótica na música pop dos anos 80, a eterna “Bela Lugosi is Dead”, do Bauhaus. Não é uma coincidência, a bateria sincopada que dá o tom de toda a música e que transforma, naquele momento, a banda de Peter Murphy numa espécie de Joy Division com quadris, é nitidamente inspirada no andamento de uma das células rítmicas mais conhecidas da história de nossa música.
Isso é maravilhoso na música, sua influência inconsciente, que se esgueira e fica (tipo “Louie Louie”, que era um cha cha cha, mas isso é outro história).
SUSSA. Sol. Ar. Luz. Sim. Psicodelia. Gente legal. Ondas gravitacionais. Altos massa. Boas vibrações. Música ao vivo.
O que você vai fazer neste domingo? Vamos aproveitar o sol pra passar o dia ao ar livre, ouvindo música boa, bebericando ao cair da tarde e conversando com gente legal? Nosso regulador de boas vibrações reconecta-se com a eterna Casa do Mancha na primeira edição 2020 da boa e velha Sussa, versão vespertina das Noites Trabalho Sujo, que chega tardiamente ao verão deste ano para trazer o sol, com presenças ilustres além da discotecagem de Alexandre Matias, que convidou o próprio Mancha para dividir o som nesta tarde – e quem apresenta-se ao vivo são o fino da psicodelia paulistana desta década, o quarteto Applegate, prestes a lançar mais um novo single. Começamos às 16h20 e vamos até o começo da noite, fechando esse fim de semana ensolarado numa bowa.
Sussa – Tardes Trabalho Sujo
Discotecagem de Alexandre Matias e Mancha
Show: Applegate (17h30)
R$ 20,00 – 16h20
Casa Do Mancha
R. Felipe de Alcaçova – Pinheiros. São Paulo.
Telefone: (11) 3796-7981
A casa aceita cartões de débito.
A banda canadense Tops lança o segundo single (“Witching Hour”) antes do lançamento de seu novo álbum, I Feel Alive, e confirma uma suspeita que a faixa-título, anunciada em janeiro, já havia cogitado: o grupo aos poucos está deixando a sonoridade retrô que o caracterizava para abraçar uma atmosfera mais moderna, embora não abandone seu senso melódico nem queira soar contemporâneo demais. Ou seja: mudando um pouco para não mudar muito – e assim os fãs suspiram aliviados.
I Feel Alive (veja o clipe da faixa-título abaixo) será lançado em abril e traz um close na vocalista Jane Penny na capa (acima) e a seguinte ordem de músicas.
“Direct Sunlight”
“I Feel Alive”
“Pirouette”
“Ballads & Sad Movies”
“Colder & Closer”
“Witching Hour”
“Take Down”
“Drowning In Paradise”
“OK Fine Whatever”
“Looking To Remember”
“Too Much”
Não bastasse estar à toda com seus Chromatics (sacando versão dupla do ótimo disco que lançou ano passado, seguido de música inédita), o norte-americano Johnny Jewel parece ter entrado num flow criativo intenso – e acaba de lançar uma versão estridente e sinuosa para a clássica “Bizarre Love Triangle” com mais uma de suas inúmeras bandas, desta vez o trio Desire, composto por ele, o comparsa de Chromatics Nat Walker e a cantora canadense Megan Louise.
Uma versão bem simples, mas absorta no universo sonoro de nosso herói.
Alguém chegou tão rápido no topo tão cedo? Billie Eilish vem colecionando trunfos pesados em sua curta carreira e o feito mais recente foi assinar uma música-tema para um filme de James Bond, tornando-a a artista mais nova a compor uma canção para a longeva série que acompanha o espião britânico. A balada “No Time To Die” tem o mesmo nome do 25° filme da série, que marca a estreia de Cary Joji Fukunaga (o mesmo da série True Detective) na direção e a despedida de Daniel Craig como o agente 007. A nova canção é simples e carrega um pouco da dramaticidade típica das baladas inspiradas no espião, aumentada pelas cordas regidas por Hans Zimmer.
Ao ser convidada para escrever tal canção, ela se junta ao seleto time de artistas que já compuseram canções para o personagem de Ian Fleming, que inclui Duran Duran, Carly Simon, Adele, Sam Smith, Shirley Bassey, Gladys Knight, Garbage, Nancy Sinatra, Chris Cornell, Tom Jones, Alicia Keys com Jack White, Sheryl Crow, Madonna, Tina Turner, A-ha e os Wings de Paul McCartney, entre outros.
E como se não bastasse tudo isso, ela ainda foi chamada para apresentar-se no Oscar, puxando uma versão de “Yesterday” dos Beatles no momento em que a Academia Cinematográfica norte-americana lembrava-se dos artistas que morreram no ano passado.
Há 70 anos, uma dupla de músicos eletrificava uma espécie de violão montado num corpo maciço para inaugurar uma novidade no carnaval baiano: um cortejo itinerante guiado por um carro, em que os músicos, em vez de andar no chão com o público, apresentavam-se alguns centímetros acima do chão. A eletricidade que aumentava o volume do novo instrumento, que emulava as frases musicais ditas por naipes de sopro nos blocos mais tradicionais da época (de influência pernambucana), serviu como desculpa para batizar o novo formato de apresentação – era o trio elétrico fundado por Dodô e Osmar, que a princípio desfilou como “dupla elétrica” escrito na porta do velho Ford 1929 e que mudou o nome para trio com a entrada do músico Temístocles Aragão no ano seguinte. O experimento fez tanto sucesso que no ano seguinte conseguiu patrocínio, elevando ainda mais aquele palco itinerante que moldaria o carnaval de Salvador numa caçamba de caminhão.
O novíssimo instrumento – chamado no início de “pau elétrico” – foi a primeira guitarra elétrica da história do Brasil e desde 1950 vem se modernizando até ser reconhecido pelo nome que se tornaria oficial: a guitarra baiana. Junto com os tambores dos blocos afro, o pequeno instrumento é a cara da música de rua baiana e passou por diferentes fases, até ser reinventado há uma década pelo grupo BaianaSystem, que teve seu nome inclusive tirado do instrumento (fundindo-o com outra inspiração do grupo, os soundsystems jamaicanos).
Foto: Cartaxo
Por isso a aproximação do Baiana com Armandinho, filho de Osmar Macedo, herdeiro do trio elétrico criado pelo pai e ele mesmo um divisor de águas da história do instrumento, a partir dos anos 70, não é propriamente uma surpresa – era inevitável. Depois de dois singles produzidos por Daniel Ganjaman depois do lançamento do excelente O Futuro Não Demora (os outros foram “Cabeça de Papel” e “Miçanga“), o grupo vem agora com “Corrida Elétrica”, faixa instrumental produzida por eles mesmos, que coloca dois guitar heroes baianos, Armandinho e Beto Barreto, num páreo de solos que não deixa ninguém parado – e que remete à Autobahn do Kraftwerk para além do design da capa.
O cantor e compositor paulista Bruno Schiavo mostra as composições de seu primeiro disco A Vida Só Começou da edição desta semana da Sexta Trabalho Sujo, no Estúdio Bixiga, a partir das 21h (mais informações aqui). Schiavo lançou “Califórnia”, a primeira música de seu disco em primeira mão aqui no Trabalho Sujo e lançou há pouco a ótima “Orestes Revisitado” – e o disco sai logo após o carnaval. Mas dá pra sacar antes, no show desta sexta. Vamos?
A cantora baiana Luedji Luna e o rapper gaúcho Zudizilla transformam o namoro em música e lançam o primeiro single juntos. “Proveito” é mais um passo da cantora, que promete seu segundo disco para este ano, rumo ao hip hop, depois do EP de remixes que lançou ano passado com o DJ Nyack. É um futuro bem interessante para sua carreira…
“Delete Forever” é a quinta música do que Grimes do álbum Miss Anthropocene, que ela finalmente releva ao público no fim da semana que vem – mas essa mistura de balada ruim do Oasis e visual de anime de 20 anos atrás parece confirmar uma suspeita que seu disco será mais decepcionante que o disco novo da La Roux.